26 de Novembro de 2014

"Required reviews completed"

Há sete dias que apareceu o status, e nada de passar de "submissions being processed" para "submissions with a decision". Devia-se fazer um estudo científico relacionando o processo de peer review com úlceras gástricas.

25 de Novembro de 2014

Quem diria?

Revelar Imprimir fotografias, uma novidade revolucionária. Como é que ninguém se tinha lembrado disso antes?



20 de Novembro de 2014

Eu explico, querida

Uma coisa é ter certezas sobre o que considero evoluções desejáveis para uma sociedade mais civilizada, e enfim, melhor. Outra é sobre o que as pessoas devem fazer dentro das suas casas e com os seus filhos. É aquela ceninha entre a esfera pública e privada, 'tá a ver?


19 de Novembro de 2014

Assuntos para os quais me estou perfeitamente cagando

Árvores de Natal em geral, as das casas das outras pessoas em particular. 


*As pessoas não têm mesmo mais nada que fazer, pois não?

18 de Novembro de 2014

Coisas que m'atormentam

Marcas de cosméticos com linhas de tratamentos despigmentantes com protecção solar factor 15.

14 de Novembro de 2014

O melhor será não mandar já foguetes



Bem sei que o mais provável é receber de volta com quarenta mil correcções e que ainda serão necessárias mais umas vinte versões, mas finalmente enviei o primeiro rascunho da introdução da tese, nove mil palavras, coisa pouca, fartinha que eu já estava. Agora vou tirar o resto do dia e o fim de semana para descansar, que segunda começo a mui temida review.

11 de Novembro de 2014

7 de Novembro de 2014

Baby Steps


"Estamos em crer que a previsão do assédio sexual como tipo de crime contribuiria para o reforço [da ideia] de que a sociedade não tolera este tipo de conduta, obrigando à adoção de comportamentos que dignifiquem e respeitam todas as pessoas com as quais se desenvolve a atividade profissional. (...) Este projeto de lei, caso seja aprovado, tem a potencialidade de contribuir para criar a convicção social de que a sociedade portuguesa não tolera comportamentos abusivos e discriminatórios, de carácter sexual."


O crime proposto pelo BE

 Assédio sexual 

1 - Quem, reiteradamente, propuser ou solicitar favores de natureza sexual, para si ou para terceiros, ou adotar comportamento de teor sexual indesejado, verbal ou não verbal, atentando contra a dignidade da pessoa humana, quer em razão do seu caráter degradante ou humilhante, quer da situação intimidante ou hostil dele resultante, é punido com pena de prisão até 3 anos, se pena mais grave não lhe couber por outra disposição legal. 

2 - São puníveis, nos termos do número anterior, os comportamentos de conotação sexual, verbal ou não verbal, que, ainda que não reiterados, constituam uma grave forma de pressão com o fim real ou aparente de obter, para si ou para terceiros, ato de natureza sexual. 

3 - Consideram-se circunstâncias agravantes, cujas penas são agravadas de um terço, nos seus limites mínimo e máximo, os atos praticados: a) Por alguém que abusa de autoridade, derivada das funções exercidas; b) Contra menor de 16 anos; c) Contra pessoa, cuja particular vulnerabilidade é do conhecimento do autor, em razão de deficiência, idade, doença, gravidez, vulnerabilidade económica ou social; d) Em coautoria.

5 de Novembro de 2014

And now for something completely different - Yes, we can




 And the result? She wasn't catcalled — not even once

[...] Although she turned numerous heads while walking by, only two men spoke to her. One man asked for directions and she obliged. The other had a slightly different agenda, asking Simpson if she was Italian and telling her that she looks nice, all the while apologizing for interrupting her stroll. 

[...] Simpson wasn't once shouted at, asked why she wasn't talking back or followed for minutes on end. 

[...] But why is it that a woman in New Zealand's largest city can walk down a street in relative peace compared to most women in America's largest urban center? 

The truth could lie between how both cultural and legal norms in New Zealand regard street harassment as opposed to the United States, [...]

According to a report by law firm DLA Piper and the Thomson Reuters Foundation, the kinds of behaviors seen in the New York City catcalling video would be unquestionably punishable under New Zealand law. [...]."


Texto completo aqui. Negritos e sublinhados meus.

Coitada, deve andar distraída


- Não vistas esses calções.
- Não uses decotes.
- Encolhe os ombros para disfarçar o peito.
- Não vás por essa rua.
- Não passes por obras.
- Não levantes a cabeça.
- Não respondas.
- Não olhes nos olhos.
- Anda depressa.
- Atravessa a estrada se vires um grupo de homens.


É preciso mesmo continuar com todas as decisões que tomamos relativamente ao que vestimos e como nos comportamos quando sozinhas na rua e que não são nada fruto de qualquer constrangimento relativamente ao assédio verbal?


*e o ar satisfeito com que ela vai.

Já vou tarde, mas

Agora de repente lembrei-me, lá o Saraiva das idílicas condições de vida das mulheres do antigamente, que bordavam e tomavam chá, nunca leu o Levantado do Chão, pois não?

Pára já tudo!

Outro dos meus argumentos preferidos é o das prioridades "ah e coiso, há problemas mais importantes, noutras partes do mundo as mulheres ainda são castradas ou lapidadas, isto é preocupação de gente que não tem mais que fazer". Têm razão, pára tudo! Se há problemas mais graves a resolver no mundo, não se pensa em mais nada, não se tenta melhorar mais nada. Pára-se já a investigação científica e busca de vacinas e tratamentos para todas as doenças, inclusivé para a ELA que tanta gente exigiu recentemente e afecta apenas uma fracção minúscula da população, enquanto não se encontrar a cura do ébola. Ou do cancro, vá (mas todos os cancros, não apenas um). E não se fala da perda de qualidade de vida em Portugal enquanto não se resolver o problema da fome em África e pobreza no mundo em geral. Nem da educação e colocações de professores enquanto houver trabalho infantil e crianças a fabricar os vossos sapatos no Bangladesh. Na Justiça, não se trata de nem mais um processo enquanto não forem resolvidos todos os casos de homicídio. Têm uma constipação e têm de esperar 4 horas para serem atendidos no centro de saúde, sabem por acaso como é no Haiti para ser operado ao apêndice? Se fosse por esta gente das prioridades, as mulheres hoje em dia ainda não votavam, os negros ainda não podiam sentar-se onde quisessem nos autocarros, ou frequentar as mesmas escolas, o apalpão à secretária no local de trabalho não faria mal nenhum, nem um estalo na criada interna ou reguadas nas criancinhas na escola, as pequenas vitórias que fazem a nossa evolução civilizacional não existiriam. 
Santa paciência, a estupidez é uma cena fodida.

4 de Novembro de 2014

Eu explico



Uma das grandes confusões generalizadas acerca da questão do "piropo" passa pela dificuldade em distinguir cortesia de assédio. De como uma simples e inocente interacção pode ser compreendida de um modo ou outro, de como um simples "bom dia" pode ser tanto uma coisa ou outra dependendo da forma como é dito. A distinção é simples, e mesmo sem a racionalizarmos, sabemos reconhecê-la. E ela está entre falar com alguém ou falar para alguém. 
Falar com alguém implica uma intenção de comunicação de igual para igual, de olhos nos olhos, com o outro. Alguém que numa paragem de autocarro ou consultório de dentista nos olhe e se nos dirija dizendo "olá" ou "bom dia", é completamente diferente de nos arremessarem as mesmas palavras gritando enquanto passamos na rua já de costas voltadas, onde não estão a falar connosco, estão a falar para nós sem pretender estabelecer comunicação, com o tom de ambas completamente distinto. Num caso vê-se o outro como alguém com quem nos podemos relacionar civilizadamente enquanto pessoas, no outro há objectivização e desrespeito pela vontade própria e individualidade, porque não se lhe dá escolha. E é nesta subtileza que reside toda a diferença.


*Post editado: cartoon enviado por uma leitora atenta.

3 de Novembro de 2014

Eu definitivamente não devo perceber nada disto

Mas se a pessoa com quem escolhemos partilhar a vida não for o nosso melhor amigo, quem há de ser?

O problema dos homens

Continuarem a fingir desconhecer que se trata dos "lambia-te essa cona toda" atirados por estranhos na rua como forma de intimidação e não dos "bom dia minha senhora, está muito elegante hoje" proferidos com intenção de elogiar, a que nos referimos quando tentamos debater socialmente a questão do "piropo", continuamente desvalorizando e boicotando esse debate.

*Talvez a Emma Watson pudesse tornar o debate mais eficaz mostrando os grandes benefícios que traria ao sexo masculino a condenação do assédio sexual na rua, livrando os homens da pressão da sociedade patriarcal que os força a agir assim quando passa uma mulher, por não condenar socialmente esse comportamento e dessa forma o incentivar e perpetuar.  

**e já agora, o termo piropo é desadequado porque não reflecte a seriedade do problema e do que realmente se trata: assédio na rua.