
É previsível, sempre que escrevo alguma coisa sobre capacidades intelectuais ou grau de educação, atrevendo-me a sugerir que nem toda a gente terá as mesmas capacidades, há sempre algum defensor do politicamente correcto que me cai em cima, acusando-me de snobismo intelectual, e vindo com o discurso da falta de oportunidades. Deixem-se de merdas, e de tapar o sol com a peneira, que sabemos bem que tal não é totalmente verdade. Há pessoas realmente mais capacitadas que outras, independentemente das oportunidades que têm de desenvolver essas capacidades. Se as oportunidades ajudam? Claro que ajudam, poderão até ser o factor mais importante, mas não são o único, e se a capacidade não estiver lá, não valem de nada. E se acredito que a inteligência é distribuída uniformemente, independentemente de raça, nacionalidade, ou camada social, não creio que seja distribuída igualmente entre todos os indivíduos.
E embora nada obste a que alguém altamente dotado escolha uma profissão de pouca exigência intelectual, o contrário não se pode verificar. Se por um lado poderão existir camponeses ou carpinteiros inteligentíssimos, dificilmente um perfeito idiota poderá ser físico teórico e estudar teoria das cordas. Porque os requisitos mínimos de exigência são mais altos. E quer se queira quer não, em termos estatísticos, isto contribui para que, escolhendo aleatoriamente, a probabilidade de um físico teórico ser mais inteligente do que um camponês, seja bastante elevada. E mesmo o maior defensor do politicamente correcto dificilmente me poderá dizer, com honestidade, que verdadeiramente acredita que o atolambadozinho do "ainda há pastores", cujos pontos altos da vida oscilavam entre a nova cassete do Quim Barreiros e a visita pontual ao bar de alterne, poderia ter sido neurocirurgião. Porque não é verdade.