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15 de setembro de 2009

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É sempre com um misto de sentimentos que deixo Portugal e volto para casa. Sim, casa. Cada vez mais é aqui que sinto ser a minha casa, e não lá. É um sentimento estranho, porque não me sinto minimamente identificada com este país e esta gente, dos quais não falo a língua, numa sociedade onde muito dificilmente me integrarei e onde sei que não quero passar o resto da vida. Mas é aqui que vivo, que tenho a minha casinha, as minhas coisas, as minhas rotinas, a minha vida. E ir a Portugal lembra-me cada vez mais disso, que já não vivo lá, e que cada vez menos ali pertenço. Talvez pela ironia dos amigos que morrem de saudades enquanto estou fora, que sentem muita falta, perguntando-me vezes sem conta quando volto, nunca terem tempo para estar comigo quando realmente lá estou. Talvez por ver que se habituaram a viver a sua vida sem mim, sem contar comigo, mostrando-me que ninguém é insubstituível. Ou porque pelo hábito de viver sozinha me exaspera por vezes o superproteccionismo paternal, e ter de cumprir rotinas que já não são as minhas. Talvez porque não me sinta mais dona de mim e da minha vida, mas a ter de viver em função dos outros e das suas disponibilidades. Talvez muita coisa. A verdade é que, apesar da merda que está o tempo, sabe bem voltar a casa.

Vá lá, só para provar

Em Portugal, uma pessoa é constantemente incitada a beber. Entre amigos e família, almoço ou jantar. Até pode dizer que não quer, que não lhe apetece, que não gosta de beber ao almoço que lhe dá sono, que vá lá, só um copinho para acompanhar, e acaba a não conseguir dizer que não, nem que seja para fazer companhia e não ser desmancha prazeres. No entanto, se tem o azar de esses copinhos fazerem o efeito que se sabe geralmente fazerem, aí é um ai jesus. Acho isto muito engraçado.

Coisas que não são boa ideia

À falta de cerveja - ainda não percebi muito bem a ideia de só haver bebidas brancas no bar, coisa que claramente já não aguento -, virarmo-nos para o whisky num casamento familiar e acabarmos a andar de lado. Agora, toda uma ida a Portugal e quase 12 horas de uma festa bonita ficarão resumidas para todo o sempre como "a Luna apanhou uma bebedeira". Conselho de amiga: se forem a casamentos, não bebam. Pelo menos digestivos. E especialmente se tiverem a família toda lá.

(ainda bem que me vim embora, ou tinha de estar a ouvir falar no assunto até ao Natal)

11 de setembro de 2009

Estar lá

Os amigos servem, entre outras coisas, para alertar dos perigos perante opções que nos parecem imprudentes. Perante factos consumados, resta-nos apoiar a escolha e rezar para que tudo corra bem. E se não correr, estaremos sempre lá para amparar a queda. Sem 'bem te disse's.

Terapia de choque

As minhas amigas são mais malucas que as vossas. À escala planetária. É só o que posso dizer. Ainda me estou a recompor.

Novo mantra a ser repetido até à exaustão: be supportive, be supportive, be supportive...

22 de outubro de 2008

Weird people


Por alguma razão que eu desconheço, as pessoas esquisitas tendem a falar comigo. E a querer ser minhas amigas. Por mais que de voltas a cabeça, não consigo arranjar uma razão valida para isso, pois, tal como diz a minha amiga R., sempre extremamente assertiva: "tu não és uma pessoa simpática." Embora ate hoje me tenha sempre abstido de dizer a minha amiga R. que não e nada simpático dizer que eu não sou simpática, ela tem alguma - poucochinha! - razão. Não que eu não seja simpática, que sou, quando gosto das pessoas. Ou quando estou com os copos. Mas não para a humanidade em geral e muito menos para quem insiste em ser demasiado simpático para comigo e ser meu amiguinho a forca.
Ora, hoje, pedalava eu calmamente - não estava a chover - para o laboratório a pensar na vida e a falar para mim mesma, quando um gajo me ultrapassa e olha para trás para me ver a cara. Pensei: "se calhar achou que me conhecia" e continuei na minha vidinha. Ate que, passado ai 1 km, o mesmo gajo se põe ao meu lado e começa a falar comigo. Lancei a frase com que começo e acabo todas as conversas com estranhos: "sorry, don't speak dutch" e esperei que ficasse por ali. Mas não. Ele queria conversar: "I met you", e comecei imediatamente a dar voltas a cabeca "ai Luna Luna, não podes beber tanto nas festas que depois não te lembras das pessoas" e la respondi "where?", ao que ele responde "just 5 minutes ago, in the city", e começa a fazer conversa de ocasião, a perguntar de onde eu era, o que fazia, etc., etc... Ou seja, queria conversar. Felizmente, não ia para o mesmo lado que eu. E que ainda não estou preparada para fazer amigos enquanto pedalo.

23 de junho de 2008

Porquê?

Porquê, expliquem-me porque é que não há doutoramentos de jeito em paises quentinhos, fofinhos e cheios de solinho e tal? Isto de muito provavelmente ir passar os próximos 4 anos num lugar onde neva é uma coisa que me anda a incomodar.

2 de maio de 2008

29 de abril de 2008

Bad karma

Claro que depois de um fim de semana tão bom, tinha que chegar ao trabalho para descobrir que o meu laptop foi roubado da minha secretária e com ele uma boa parte dos meus resultados - felizmente há uns backups automáticos e a malta do CIT irá recuperá-los - e que o fofo giro foi sair com os meus coleguinhas estagiários na sexta e que ficaram em casa dele e que foram tomar o pequeno almoço ao Chloe's que fica a dois quarteirões da minha casa. Tinha de ser no raio do fim de semana em que não estava cá. Enfim, é muito azar para uma pessoa tão pequena.

23 de abril de 2008

From India with love

Há tempos reparei numa chamada não atendida de um número que não conhecia, e, procurando o indicativo na internet, descobri que vinha da Índia. Até aqui, tudo bem, até podia ser engano, não tivesse eu conhecido um indiano uma semana antes num Club, a quem acabei por dar o número de telefone por estar com os copos e não ter tido coragem de dizer que não. A coisa deu para umas risotas entre os meus amigos e passou. Entretanto terá passado um mês, mês e meio, e já nem me lembrava da existência do tal indiano. Então não é que resolveu ligar-me agora, da Índia, a dizer que voltava daqui a um mês? Consegui dizer pouco mais que ... errr... hmm ... yes, I remember you... I'm working now so I have to go, ok? bye... Eu até me sinto lisonjeada por um gajo que me viu uma vez num bar me ligar da Índia, mas enfim, é capaz de ser um bocadinho psico de mais. Será que só atraio gente maluca?

A minha chefe e eu

Não sei se já alguma vez falei na minha chefe. Provavelmente já, mas como ultimamente ando com alzheimer, que se reflecte em pequenas coisas como ter-me esquecido da tele-conferencia esta manhã e estar descansadinha da vida sentada a minha secretaria quando me vieram chamar, posso sempre falar outra vez. A minha supervisora e uma chinesinha americanizada mais nova que eu quatro anos e que entrou para a universidade aos 16. Podia nem continuar, porque só a frase anterior diz quase tudo, mas continuemos. Tendo formas de estar e trabalhar completamente diferentes, posso seguramente dizer que nos odiamos mutua e cordialmente, numa relação que qualquer psiquiatra chamaria de passive-agressive. A nossa relação ficou mais ou menos definida a partir do primeiro dia, com a frase "So, you know where the cafeteria is, right?" a qual se seguiram 3 semanas a almoçar sozinha. Got the message. A única vez que vi nela um resquício de humanidade foi num jantar do grupo, em que estava nitidamente com os copos, e no qual, mesmo tendo bebido que nem um carro - vantagem de não ser asiática e ter a enzima extra -, estava bastante melhor que ela. Nesse dia quase gostei dela e pela primeira vez a percebi como pessoa. Na sua voz arrastada trocamos algumas palavras sinceras e quase senti uma certa cumplicidade. A segunda vez foi hoje, quando também ela se tinha esquecido da reunião.

Vou ser tia

Vou ser tia. Não tia de verdade, de sangue, mas quase. Uma das minhas amigas mais antigas, que conheço desde os três anos, acabou de me dizer que está à espera de bebé. Apanhou-me meia de surpresa, e embora esteja contentíssima, não posso deixar de, de certa forma, estranhar que a minha geração comece a parir. Que na verdade também eu já estou na idade, que poderia ser eu, noutras circunstâncias, que se calhar devia começar a pensar nisso embora não veja a maternidade na minha vida num futuro nada próximo. E retomam os dilemas da idade, o lembrar-me constantemente que já não sou assim tão miúda como me costumo achar e o pensar que não me revejo ainda no curso natural da vida que se espera de nós. Mas vou ser tia, e com tudo o que isso acarreta, é um dia feliz.

22 de abril de 2008

Definitely Miranda

Smart, yes, sometimes cute, but never sexy. Sexy is the thing I try to get them to see me as after I win them over with my personality.

in Sex and the City, of course

17 de abril de 2008

O fofo respondeu

Nesta altura, já andava a hiperventilar e a pensar que as piadas negras me tinham saído pela culatra e que se calhar devia era ter mandado um mail piroso e sentimental cheio de lugares comuns sobre o significado da vida. Afinal, nem toda a gente tem poder de encaixe suficiente para se rir quando é atropelada, mas naquele espírito "olha, que se foda, vai mesmo assim" resolvi arriscar e tirar logo a limpo o sentido de humor. Entretanto, diz que volta amanhã.

15 de abril de 2008

Menos totó

Enchi-me de coragem e mandei um mail ao fofo giro. Tudo bem que foi só porque ele ontem levou com um carro em cima - vá, não se riam - enquanto ia de bicicleta para casa, mas sempre é melhor que nada. Enfim, quase se podia dizer que há males que vêm por bem, mas ele poderia não concordar. Afinal, receber um mail meu a desejar as melhoras á capaz de não compensar o facto de estar todo lesionado em casa.

10 de abril de 2008

Sou oficialmente a maior totó do mundo

Hoje, enquanto esperávamos por uns colegas para ir almoçar, o fofo giro veio perguntar-nos onde íamos. Respondemos que ao building four e ele disse que estava a tentar arranjar companhia para ir ao twenty five. Neste momento já na minha cabeça gritava "I'll go with you! I'll go with you!" mas a verdade é que a minha boca não se abriu, eu não fui, e o rapaz virou costas e foi procurar companhia noutro lado. Monga, monga, monga, é só o que me consigo chamar neste momento.

2 de abril de 2008

O do bigode giro giro ficava era com barba

Quando cheguei, deixava-me por vezes ficar a olhar para o painel com as fotografias dos membros do grupo, tentando associá-las às caras que via passar nos corredores. No meio dessas fotografias, havia um tipo giro, com barba e caracóis, que não reconhecia. Ao mesmo tempo, cruzava-me com outro tipo, de cabelo curtinho e barbeado, que achava giro também, embora não tanto quanto o da fotografia. Foi preciso vir-se-me apresentar para associar os nomes e perceber que eram a mesma pessoa. Contei-lhe esta história na última happy hour de sexta à tarde, depois de cinco Coronas. Omiti a parte do giro, no entanto. Afinal, há que manter a postura.

29 de março de 2008

Capuchinho Vermelho

Ontem, no eléctrico, de volta a casa após uma curta saída em Mission, sou abordada por um dos passageiros:
- You ride the Glen Park shuttle, don't you?
- Yes... why?
- I recognized your little red pea coat.

Sorrio embaraçada e percebo que também somos o que vestimos e como o meu casaco encarnado se tornou uma imagem de marca.

27 de março de 2008

Pimponeta

Gostava de ser daquelas pessoas que sabem sempre o que querem fazer. Que desde os cinco anos decidiram que queriam ser médicos ou professores, e persistiram nos seus propósitos sem hesitações ou desvios de caminho. Que sabem o que querem ser e quando. Que sabem quando querem casar, onde querem viver, quantos filhos ter ou se os ter. Que se arriscam a mudar, ou a não o fazer de todo, que por vezes a estabilidade é a coisa mais assustadora do mundo. Que compram casa e não se importam de saber que daqui a cinquenta anos estarão a morar no mesmo sítio, na mesma casa que pagaram a longas prestações. Que mantêm os mesmos amigos, maridos, amantes. O mesmo país, cidade ou aldeia. Os mesmos sabores, a mesma música, a mesma dança, porque sabem do que gostam e não precisam de algo mais. Gostava de ser assim, de conseguir gritar convicta "aqui vou ser feliz" em vez de me cantar constantemente ao ouvido o Variações e o seu "Estou além" e de não pensar e repensar mil vezes as várias opções, sempre com medo de escolher a resposta errada. Gostava de ser assim, mas não sou. E fico à espera que alguém me diga o que escolher, o que fazer, qual o melhor caminho a seguir. O pior é esse alguém ter de ser eu. Logo eu, que nem consigo decidir rapidamente o que quero comer. Má, má escolha. Não se arranjava ninguém mais qualificado?

22 de fevereiro de 2008

"Mas tu trabalhas mesmo?"

Bem sei que esperam por Vegas, e não, não se trata apenas de "what happens in Vegas, stays in Vegas". Vegas virá, eventualmente, mas andando a trabalhar cerca de 12 horas por dia desde que cheguei, torna-se difícil ter vida quanto mais blog. Hoje dei por mim a responder "o que vale é que amanhã vou dormir", tendo posto o despertador para as 7:30, o que me parece, no mínimo, grave sintoma. E respondendo à questão: sim, trabalho.