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É sempre com um misto de sentimentos que deixo Portugal e volto para casa. Sim, casa. Cada vez mais é aqui que sinto ser a minha casa, e não lá. É um sentimento estranho, porque não me sinto minimamente identificada com este país e esta gente, dos quais não falo a língua, numa sociedade onde muito dificilmente me integrarei e onde sei que não quero passar o resto da vida. Mas é aqui que vivo, que tenho a minha casinha, as minhas coisas, as minhas rotinas, a minha vida. E ir a Portugal lembra-me cada vez mais disso, que já não vivo lá, e que cada vez menos ali pertenço. Talvez pela ironia dos amigos que morrem de saudades enquanto estou fora, que sentem muita falta, perguntando-me vezes sem conta quando volto, nunca terem tempo para estar comigo quando realmente lá estou. Talvez por ver que se habituaram a viver a sua vida sem mim, sem contar comigo, mostrando-me que ninguém é insubstituível. Ou porque pelo hábito de viver sozinha me exaspera por vezes o superproteccionismo paternal, e ter de cumprir rotinas que já não são as minhas. Talvez porque não me sinta mais dona de mim e da minha vida, mas a ter de viver em função dos outros e das suas disponibilidades. Talvez muita coisa. A verdade é que, apesar da merda que está o tempo, sabe bem voltar a casa.
