23 de março de 2007

O mealheiro da Pipoca

Há uns dias atrás a Pipoca encheu-se de coragem e fez um apelo à blogosfera: que a ajudassem a realizar o seu sonho de ir a Nova Iorque mediante uma pequena contribuição. E se por um lado tenha havido gente que, tal como eu, tenha achado um piadão ao seu pedido sincero e descarado, e por isso tenha resolvido contribuir - querida, ainda só não o fiz para não deixar a continha a descoberto -, por outro inúmeras vozes se levantaram contra, que era o que mais faltava, quer viajar vá trabalhar!
Mais, a indignação estendeu-se ao facto de eu ter resolvido alinhar na brincadeira. Let's get this straight: eu não conheço a Pipoca, nunca a vi, mas houve uma espécie de empatia instantânea entre nós e acho-lhe graça.
Todos os dias damos dinheiro por merdas que não nos fazem falta nenhuma ou sobre as quais não vemos resultados. Metemos 1 a 2 euros no parquímetro, compramos pastilhas elásticas, cigarros, revistas de merda. Damos dinheiro a pedintes. Ou seja, se for uma carochazita qualquer a pedir para a droga, ou um arrumador de carros, lá vai 1 eurito, mas agora dar a uma tipa que escreve todos os dias há 3 anos, e que lemos todos os dias, ai isso não, que horror!
O que me leva ao cerne da questão: o problema não é ela pedir. Não, não é isso que chateia o pessoal. Nem sequer a lata, todos os dias levamos com gente com lata para pedir. O problema é que ela possa conseguir, a cabra, quando a mim ninguém me dá nada! A raivinha nasce de não se ter a mesma visibilidade para se ser bem sucedido em tal demanda. O eterno "porque é que ela pode e eu não?" ou "o que é que ela tem a mais que eu, coitadinha, que me mato a trabalhar?". Bem, para começar, blogue há 3 anos e mais de mil visitas por dia.
Quem não paga cafés a amigos? Ou uma imperial? Quem não daria de bom grado um euro a qualquer amigo que estivesse a fazer um mealheiro para ir viajar?
Qual a grande diferença? O conhecimento pessoal? Alguém que lemos há anos não nos parece por vezes amigo de longa data? Tudo se baseia no que sentimos relativamente a essa pessoa.
Sinceramente, mais facilmente dou 2€ à Pipoca que à revista Caras para ajudar a pagar as lipoaspirações da Elsa Raposo. Nunca pensaram nisso? Quem é que acham que paga essas coisas? Ou acham que as Lilis de Portugal não são pagas para aparecer? E por quem? Por quem compra as revistinhas, é claro!
Ninguém é obrigado a dar, óbvio. Só se quiser. Mas quem contribuir não irá ficar mais pobre por isso, e grão a grão enche a galinha o papo, lá se ouve dizer.
Também querem? Montem um mealheirozinho e verão que os melhores amigos irão querer dar uma ajuda simbólica, o seu contributo para tornar um sonho possível, mesmo sem pedir nada em troca.
A miúda quer muito ir a NY? Então bora lá dar uma mãozinha. Sempre é mais fácil de resolver que a fome no mundo.

12 comentários:

  1. Ora, eu diria perante o exposto - e exposto com eloquência - quando damos é por um de três motivos:
    - temos medo (no caso do arrumador, que nos fane o rádio ou nos risque o carro)
    - temos pena (quando damos a um pedinte), mas uma pena social, em que damos para ficarmos melhor com a nossa consciência
    - temos pressa (quando damos porque nos queremos livrar rapidamente da pessoa)
    Quero com isto dizer que não damos com alegria, pela causa, seja ela qual for. Não temos esse hábito. A não ser as causas publicitadas na televisão, que são exaustivamente anunciadas e que muitas vezes têm outros interesses por detrás. Aí damos porque vamos no rebanho.
    A causa pessoal que aqui invocas é tão nobre como outra qualquer, e, de facto existe alguma inveja nestes tipos de causa. O que me leva a acrescentar: nós só damos para nos sentir superiores, porque, neste caso, o facto de alguém ir de férias para NY far-nos-á, a quem fica, sertir inferior.
    Posto isto, informo que não vou contribuir!! Mas vou apresentar uma proposta á dita pessoa! Veremos!

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  2. Oh, Luna! Que querida! Mesmo que ninguém contribua com nada, só por este post já valeu a pena! Fiquei mesmo feliz. Obrigada.

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  3. Eu adoro o blog da Pipoca. Assim como adoro o teu. Aliás são dois dos blogs que mais visito.
    Acho que se o blog da Pipoca fosse sobre sexo já tinha o seu livrinho no top de vendas. Infelizmente é assim.

    Achei um piadão a este peditório. E sou daquelas que até acho que a Pipoca a longo prazo vai conseguir. Mas é óbvio que não contribuí nem vou contribuír. Não que lhe queira mal. Não que torça para que ela não consiga. Até acho que seria giro. Mas porque haveria de contribuir? Não a conheço, não é minha amiga, não acho que precise disso para viver, porque é que haveria de contribuir? Não vejo nenhuma razão que me faça dar esse passo. Ok, vai fazê-la feliz. A mim também há tanta coisa que me faz feliz e não é por isso que vou andar a fazer peditórios para isso. Nem aos meus amigos o faço.
    Eu para viajar poupo dinheiro. Se calhar abdico de uma ou de outra coisa para fazer a minha viagenzinha. Além de mais, sei que há muitas agências que fazem créditos sem juros. Porque é que ela não o pode fazer? :-D

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  4. É na realidade um tema interessante. Se cada um de nós é livre para fazer o que quer (e isso inclui, claro um peditório), os outros podem também sentir o que quiserem acerca disso. Asseguro-te que a ideia da Pipoca não é original no entanto foi bastante audaciosa - sem dúvida!

    Ainda não acabei o comentário e agora não tenho tempo de o fazer, mas a ideia está cá todinha!

    Provavelmente amanhã alongo-me num post sobre isto no meu blog...

    Não posso deixar, no entanto, de dizer só mais uma coisinha: a Pipoca, se quer ir a algum lado, poderia pensar em economizar... também ajuda a juntar o dinheiro para viajar.

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  5. "O que me leva ao cerne da questão: o problema não é ela pedir. Não, não é isso que chateia o pessoal. Nem sequer a lata, todos os dias levamos com gente com lata para pedir. O problema é que ela possa conseguir, a cabra, quando a mim ninguém me dá nada!"

    Luna, suponho que aqui neste pequeno meio, ninguém tem esse tipo de pensamento enviesado, idiota e tacanho. Creio que roça o intelectualmente desonesto... Simplesmente, a razão de algumas pessoas não terem percebido a "campanha" (nas quais me incluo) foi tão pura e simplesmente porque não faz sentido!
    A Pipoca tem 1000 visitas diárias (um sou eu!), pois muito bem, deveria essa ser a razão maior para isso não acontecer, por "respeito" a quem dela se habitou a ler, e gostar. Deveria essa ser razão maior (e julgo que será...) para encher a autora de orgulho. Saber que conquistou, por mérito próprio, uma pequena legião de fãs (outro deste lado.). Agora isso, creio, "obriga" a uma maior responsabilidade com estes...

    PS - Só o facto de isto estar a comentar serve de homenagem à autora (se não tivesse importância, dela não se falava...).
    PS1 - Não tenho nada contra, porque sou a favor da liberdade religiosa. Isto é, mesmo, só mais uma opinião.
    PS3 - Coitada da Elsa Raposo... dela tenho pena, não "raiva".

    Cumprimentos
    Ele.

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  6. Caro Ele,

    Se se sentiu minimamente desrespeitado com o peditório então é porque, de facto, não o entendeu.

    E que raio de ideia é essa de que se tenho muitos leitores então tenho que os respeitar mais ou que tenho de ter qualquer espécie de obrigação para com eles? Aquilo é um blog pessoal, não é um telejornal da estação pública.

    Aquilo é um peditório, não é uma intimação! Quem quer contribui, que não quer não contribuiu. Não há sanções, nem bloqueios, nem greves de escrita. O blog mantém a sua actividade normal, apesar de quase ninguém se ter chegado à frente.

    Por isso não percebo em que é que se sentiu desrespeitado. De facto, se tenho não sei quantos leitores é por mérito. É um blog que tem três anos, no qual escrevo quase diariamente, mas porque me apetece, não por exigências dos leitores, que era o que mais faltava, e muito menos com o objectivo de viajar à conta deles. E se as pessoas lá vão é porque gostam (ou não, há mtos que só lá vão debitar parvoíces), não ando propriamente a aliciar leitores com a oferta de caramelos!

    Quanto aos que, como a Kitty ou o/a Thunderlay, defendem a teoria brilhante do "mas se ela quer ir porque é que não junta dinheiro? Quanto eu quero viajar é isso que faço, junto"... obrigada por tão brilhante conselho (como é que nunca me deu para pensar nisso??), mas só vêm dar razão à Luna quando diz que o que chateia muita gente é imaginarem sequer que aquela cabrazinha pode ir viajar à pala, quando o resto do mundo tem que andar a poupar 24 anos só para ir ali à Bobadela.

    Meus queridos, aquele peditório é suposto ser uma coisa tão divertida e idiota como o resto do blog. Se resultar óptimo, se não resultar óptimo também, estou cansada de dizer isto. Respirem e vivam, pelo amor da santa! Levam tudo demasiado a sério! E se eu for a NY até trago postalinhos a todos, como prova de que não guardo rancores!

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  7. Caríssima Pipoca, responder-lhe-ia contra-argumentando... Mas entendo que não vale a pena continuar a alimentar um não assunto. Em bom rigor, não tenho rigorosamente nada a opinar sobre a forma como gere e o que faz do seu blog. Ainda assim, suponho que se ao invés de 3000 tivesse 3 o peditório não existiria. Como já disse a escolha é sua.
    Continue, por favor, com essa boa disposição que lhe é característica nos textos que publica.

    PS - Luna, desculpe-me de "usar" o seu blog (que muito gosto) para esta interacção verbal.
    PS2 - Pipoca, não me leve a mal. Opiniões são isso mesmo (desde que devidamente argumentadas), e valem o que valem...

    Respeitosamente,

    Ele

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  8. "...imaginarem sequer que aquela cabrazinha pode ir viajar à pala, quando o resto do mundo tem que andar a poupar 24 anos só para ir ali à Bobadela."

    Minha cara Pipoca não entre por aí. Não lhe desejo mal nenhum. Para mim é-me indiferente que vá ou não a NY. Aliás até seria engraçado caso o documentasse no blog. Se vai à custa dos outros ou se está 24 anos a juntar para ir à Bobadela problema seu. Apenas dei a minha opinião. E apenas dei as razões pelas quais não contribuí nem vou contribuír. Só isso.
    Não pense que as pessoas são todas iguais e que estão todas a morder-se de inveja de si, só porque colocou um peditório no blog e até pode ir a NY. :-D

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  9. Lol olha, gostei muito. Realmente mta razao no k disseste. tb adoro viajar mas infelizmente o dinheiro n da e esta historia do mealheiro é mm mt boa. espero k consigas ir a ny. é a primeira vez k vi o teu blog. criei um mas ainda n escrevi nd.

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  10. Subscrevo, tb n percebo a comichão criada e já contribuí com mt gosto. Boa sorte Pipoca.

    SD

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  11. Li cruzadamente os comentários anteriores. Leio muito de vez em quando a Pipoca, tinha entrado havia muito pouco tempo na blogosfera quando alguém me avisou do post dela sobre o peditório. E contribuí com todo o gosto, transferência de quantia simbólica feita no Multibanco do Abel, que bem conheces. Só tenho pena de que a coisa não tenha ido avante e de que a Pipoca continue sem conhecer NY, cidade que é uma das minhas maiores paixões.

    Achei um piadão à ideia dela, e assino por baixo do que escreveste. Acho verdadeiramente curioso encontrar nesta caixa de comentários uma pessoa que, há poucos meses, sempre a dizer-se amiga e solidária, virou de repente o bico ao prego e explicou com razões iguais por que não contribuía para auxiliar quem precisava. Por altura do Natal, vários bloggers foram contactados por mail para tentar dar um Natal melhorzinho a uma blogger que não conhecíamos pessoalmente (e nem desconfiava desta iniciativa), que tinha ficado sem emprego, tal como o marido. Toda a gente contribuiu,ninguém com menos de 25 euros. A excepção? Uma das tuas comentadoras aqui atrás, que arranjou elaboradas razões. Do I see a pattern? Quando se fala à carteira é que dói, não é?

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  12. E não resisto a corrigir aquela nobre Kitti que diz ser óbvio que não contribuiu nem vai contribuir:

    E sou daquelas que até acho que a Pipoca a longo prazo vai conseguir.

    A forma correcta é «E sou daquelas que até acham que a Pipoca a longo prazo vai conseguir.»

    Não acha nada. Aposto que cruza secretamente os dedos para a Pipoca não conseguir ir. Que gente, irra!

    Ah! Esta não é a referida no meu comentário, se bem que se equivalham.

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