
Uma coisa que percebi passadas aí duas semanas de cá estar é que o melhor é desistir definitivamente de ser gira na Holanda. Então vejamos: portuguesinha de gema, sou daquelas pessoas que só conseguem andar minimamente apresentáveis no verão. Ora, está frio e tende a piorar, o que significa que, daqui para a frente, as camadas de roupa só podem aumentar, até ao limite do escafandro, coisa que, como podem imaginar, não é propriamente sexy. De modo que, roupita assim gira e cheia de estilo, que favoreça o corpito, esqueçam, venham as calças de ganga e golas altas grossas e disformes de lã. Podia então virar-me para os sapatos, ícones de moda e feminilidade, mas infelizmente ando de bicicleta e não sou como as holandesas, capaz de pedalar de salto agulha, pelo que estou limitada aos ténis. O cabelo não se dá bem com a humidade e o gorro diário, a falta de sol torna-me pálida e a pele da cara começa a acusar o ventinho gelado entre casa e o trabalho. Resta-me finalmente recorrer aos acessórios, mas malas também não, que não dão jeito para andar de bina, e por isso só mochilas, ficando livres luvas, gorros e cachecóis. E casacos, claro. Acho que daqui para a frente é só mesmo nisso que vou investir. Que até uma michelin tem direito a mudar de cor.


