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27 de fevereiro de 2011

Oscar para o James Franco, please

Acabei de ver 127 hours. Tinha medo de o ver, confesso. Sabia da história, e sabia que me iria impressionar. Tendo noção de que a versão cinematográfica será mil vezes mais bonita do que a realidade, e de que é de uma história verídica do que se trata. E por isso mesmo andei a adiar. Mas fuck, como diz a Rafaela no facebook. Fuck, fuck, fuck. E porque é que eu acho que mereceria o Oscar? Pela contenção. É daquele tipo de papéis em que muitos se teriam entusiasmado e ido longe de mais, overacting, exagerando na representação daquela situação desesperada. Outros poderiam ter-se deixado levar e não resistido à tentação de puxar à lágrima, de manipular o público. Mas ele consegue manter essa contenção e sobriedade até ao fim, sem descarrilar no retrato, sem se deixar levar numa caricatura, sem nos deixar ter mais pena do que admiração. Sabemos que a maioria de nós teria morrido ali, sem conhecimentos suficientes que nos permitissem sobreviver, e sem coragem para fazer o que ele fez por. Sim, temos instintos de sobrevivência, mas os instintos esgotam-se sem conhecimento e coragem. E resistência à dor. O filme conta uma história verídica, e é por isso que incomoda tanto. Mas ao mesmo tempo, saber que há uma pessoa no mundo que passou por aquilo e sobreviveu, deixa-nos a pensar que somos muito mais fortes do que pensamos. E que há gente extraordinária, mesmo num tempo em que se deixou de acreditar em heróis.

*este sim é filme de Oscars, não a banhada do slumdog millionaire.

2 de outubro de 2010

A culpa não é minha, estava a dar


Rever o Before Sunrise é como voltar a uma inocência perdida, àquele ponto no tempo em que ainda se acreditava em encontros simples, em que a entrega ainda era fácil. Nostalgia daquela ingenuidade entretanto substituída por cinismo, saudades de algo que não se viveu. E fica sempre um sentimento de perda, um desejo quase pueril de um dia também me perder com alguém numa cidade desconhecida, só para nos encontrarmos. O melhor é ver o Before Sunset, em que já sabemos que afinal não houve final feliz, a ver se isto passa. 

29 de março de 2010

LIsFE


Pelo segundo ano estamos a organizar o Leiden International Short Film Festival (LIsFE) e andamos à procura de participações. Assim, quem tiver amigos, conhecidos, profissionais ou amadores, ou assim assim, que estudem cinema ou animação e tenham curtas com que possam querer participar, é favor encaminhar-lhes o link para o site oficial, onde podem encontrar os regulamentos e o formulário de inscrição. Ou seja, é divulgar pessoal!

Deixo-vos uma pequena apresentação:

« The Leiden International Short Film Festival » is a yearly event that intent to attract people around a selection of international short films or animation.

LIsFE is the only short films and animations festival in Leiden.

Attracted by a common interest: Cinematography (especially short films) a group of international students from Leiden university decided to organize a yearly event dedicated to the most “original” and quite unknown part of cinema that are the short films and animations.


LIsFE/01 (2009)

The 2009 edition of the festival screened more than 70 short films from 30 different countries, in a marathon of ten hours of projection, competed for awards in four different categories:
In addition, a photo competition/exhibition was part of the event as an attempt to broaden the repertoire of LIsFE interests and to promote it as a general cultural event.


LIsFE/02 (2010)

This year LIsFe is going to be a 3 days event:
  • Friday evening, the 28th of May at the Plexus center, screening of short movies from 17pm to 23pm.
  • Saturday 29, at Schetelma, screening of short movies from 10 am to midnight.
  • Sunday 30: screening of a Long movie “Liberty” by Tony Gatlif and organization of a concert from a Gypsy Band.
The screening program is organized in “regional” and thematic movie session.

During the whole weekend, Pictures, from the Photo amateur competition coming along the Festival, will be exposed in the different places of the Festival.

The theme of the 2010's competition is linked to the theme of Lustrum of Leiden University, which is "Reason and Emotion", a highly topical social theme. On the one hand, in the knowledge society the rational abilities of citizens come under increasing pressure, while on the other hand emotions play an growing part in the public debate.

4 de março de 2010

Sobre District 9

Tentei vê-lo hoje, há coisa de três quartos de hora. Estava a dormir passados cinco minutos, embalada pela voz off, tendo apenas acordado por estar numa posição desconfortável. Achei melhor desistir por hoje e desligar. Imediatamente após o stop voltei a despertar. Não sei se volte a tentar. A última vez que me aconteceu foi no Hangover, e a segunda oportunidade só me veio provar que o melhor a fazer era dormir mesmo. Then again, I'm just not that into science fiction.


Adenda: O filme é bom, embora de facto não seja o meu tipo de filme. E dentro do género - isto é, filmes com aliens - é mesmo muito bom. E a comparação com The Hangover, esse American Pie para trintões, não lhe faz justiça.

E sobre "An education" (atention please: spoiler alert)

Vi ontem o filme "An Education". Gostei muito, e achei a Carey Mulligan um doce, ao passo que Peter Saarsgard, o seu amante mais velho, estava terrivelmente assustador e seboso, isto é: os actores cumpriram muito bem o seu papel.
Além do filme, gostei também muito de ler aqui o relato da verdadeira história em que o filme se baseia. A jornalista Lynn Barber resume o seu affair meio sórdido, meio desiludido, com um homem mais velho, sedutor mas de pouco encanto, por quem ela nunca se apaixona, que rapidamente a entedia, e que se revela um criminoso untuoso, alguém que provoca desconforto, em quem sabemos não poder confiar. Tudo acaba de uma forma quase trágica - ele é casado, ela tinha desistido de Oxford para se tornar a sua noiva e acaba sozinha, sem noivo nem Oxford. Diz Lynn Barber que a ruptura amorosa não a afectou (nunca se tinha apaixonado por ele), mas que o que a abalou foi ter abandonado a sua própria vida e os seus planos de independência em nome de um homem da má vida que a levava a restaurantes e com quem concordou casar porque os pais lhe disseram que, quando se tem um bom marido, não é preciso ir para a universidade.
Lynn Barber diz também que, apesar do seu longínquo amante mais velho não ter passado de um criminoso que nunca sequer lhe despertou grande paixão, a "educação" que ele lhe deu é fundamental - foi com ele que aprendeu a valorizar outro tipo de homens, homens bondosos, honestos, de confiança. Sem a brutal experiência do "homem malfeitor", talvez nunca apreciasse e acabasse por se apaixonar pelo marido com quem viveu 30 anos, diz ela, este sim, o verdadeiro bom rapazinho.
Eu acho que compreendo bem o que Lynn Barber quer dizer. Há pessoas que parecem deslumbrantes à primeira vista - dinâmicas, atraentes, independentes, de bom gosto - mas que rapidamente se revelam uma imensa desilusão, de tal modo que se tornam entediantes, embaraçosas. O problema é que, se as deixamos entrar na nossa vida, podemos não saber muito bem como as tirar de lá. Mas é apenas quando nos desiludimos desta forma tão profunda que vamos à procura de outro tipo de pessoas, daquelas que nos podem fazer felizes a sério.
É pena que, para encontrarmos qualquer tipo de felicidade na vida, tenhamos primeiro de bater com a cabeça contra o muro com tanta força que nos cresce um galo. Eu tento ter a convicção de que, quando o galo passar, o muro vai abaixo.

esta maravilha intitulada "Educação que faz doer" da Rita F. no seu Rua da Abadia

O texto que eu gostava de ter escrito sobre o filme.

An Education


Belíssimo, o meu super favorito para os Óscars. Muito embora ainda não tenha visto todos. E apesar de Inglorious Basterds - adoro, adoro, adoro Tarantino, cada vez mais -, de The Blind Side - com que então a Bullock, quem diria? -, e mesmo de Precious, que vale pela contenção e recato com que retrata a tragédia humana. Up é fofinho, mas acho que gostei mais de Wall E, e Up in the air poderia ser muito bom, não fosse a história de amor banal a estragar tudo. Place your bets.

Tirando os efeitos especiais

O Avatar é tão bom, tão bom, que eu até me esqueço que o vi.

1 de outubro de 2009

Porque podia

Tom Welles: Why would Christian want this? Why would he want a film of a... a little girl being butchered?

Daniel Longdale: Because he could!

in 8mm

(nunca esquecerei este diálogo, nem o murro no estômago que me provocaram estas três palavras)

25 de setembro de 2009

O remorso


Em The Reader, a iliteracia de Hanna Schmitz seria completamente irrelevante para o conflito moral que constitui o pilar central da história, se não servisse principalmente três propósitos: enriquecer o enredo, tornando-o mais dramático; ser a causa para um dilema cuja resolução irá alimentar o remorso de Michael; e servir como catalisador para a nossa compaixão e suscitar a nossa empatia, funcionando como manobra de diversão relativamente aos crimes cometidos. O analfabetismo de Hanna não é a razão pela qual está sentada no banco dos réus, nem é desculpa para os crimes de que é acusada. Não saber ler em nada lhe restringe a capacidade de discernimento ou a impede de distinguir bem do mal, pelo que se torna, para o caso, irrelevante. Ela é, de facto, culpada da monstruosidade de que é acusada. Ela, juntamente com outras mulheres, tomou a decisão que levou à morte de centenas de outras. O conflito interior que enfrentamos não é o de saber se é ou não culpada, mas se à luz das circunstâncias teríamos feito diferente, enquanto somos confrontados com o facto de nem sempre serem monstros, mas pessoas comuns, por vezes até com boas intençoes, capazes de cometer tais atrocidades. E é este dilema a que assistimos, através dos olhos de Michael, que não consegue decidir o que sentir em relação àquela pessoa, porque lhe conhece os dois lados, o bom e o mau, sendo-lhe impossível decidir se amá-la ou desprezá-la. A isto acresce a injustiça a que assistimos, impotentes, sabendo que não poderá ter sido ela a escrever o documento que a incrimina, enquanto a vemos assumir a culpa sozinha, usada como bode expiatório. E a recusa em defender-se, para proteger um segredo que a humilha, enche-nos de compaixão, mesmo sabendo que não o faz por se saber culpada, mas por orgulho. A verdade é que Hanna sente mais vergonha por não saber ler do que por ter levado à morte centenas de mulheres. E se há nisto uma certa amoralidade, ao mesmo tempo é tão humano que nos cria empatia, por nos reconhecermos na vontade de preservar alguma dignidade, mesmo quando já não resta quase nenhuma. E por fim temos Michael, o único detentor do segredo, o único que a poderia ajudar, revelando-o, mas que escolhe não o fazer e guardar também ele, para sempre, um segredo. E esta escolha é, mais uma vez, ambígua. Escolhe calar-se e condená-la a 20 anos de prisão para proteger o seu segredo respeitando a sua vontade; porque os seus actos o repugnam e acha que merece castigo; ou por cobardia e vergonha em assumir que a conhece, decidindo defendê-la perante os seus pares? Creio ser um misto de todas, embora prevaleça esta última, enchendo-o de uma culpa que o condena à solidão e o leva a enviar cassetes religiosamente, cumprindo também ele uma pena. Não é amor, não é bondade, não é compaixão que o move, mas remorso. E talvez alguma esperança de redenção.

*A fórmula da recusa de dafesa para proteger um segredo foi também usada, de forma a manipular os nossos sentimentos de forma violentíssima, no Dancer in the dark, criando um sentimento de empatia muito semelhante.

20 de setembro de 2009

"What would you have done?"


Finalmente vi The Reader, um dos melhores filmes que vi este ano. Um filme que nos faz pensar, que nos incomoda e interpela, que nos obriga a pôr a questão: e se fosse eu, teria feito diferente? Gostamos sempre de pensar que sim, que em cenários horrendos, como o do holocausto, não seríamos como eles, os coniventes, os que fecharam os olhos e pactuaram com o regime, que seríamos capazes de dizer não, que poríamos em causa a nossa própria vida para defender a dos outros. A história diz-nos que não é assim, e que são poucos aqueles que se rebelam. Queremos todos acreditar que estaríamos nesses dois ou três por cento de heróis, mas sabemos que a população toda não cabe nessa fatia. Estaríamos mesmo? What would you have done?

O que mais incomoda não é a existência de Hanna's Schmitz. É sabermo-nos não assim tão diferentes.

(Kate Winslet é a melhor actriz da sua geração)

30 de junho de 2009

Tanghi Argentini



O vencedor pela votação do público (e meu preferido também) do festival de curtas que organizámos aqui em Leiden. Vale a pena ver, em full screen, de preferência.

27 de maio de 2009

Leiden International Short Film Experience


Na próxima sexta-feira irá realizar-se em Leiden a primeira edição do LI[s]FE, um festival internacional de curtas metragens, integrado na Semana da Diversidade. São mais de 70 curtas, de várias nacionalidades, profissionais e amadoras, e também animação. Haverá também uma peça de teatro e uma exposição de fotografia. Para quem viva aqui nas Netherlands, goste de cinema e possa estar interessado em vir vir, deixo algumas informações relevantes.

Data: 29 de Maio
Local: Plexus Center, Kaiserstraat 25, 2311 Leiden
Entrada: 5€

Links:
Blog
Programa



E antes que me perguntem, sim, tenho a ver com isto e pertenço à organização do evento. E não, não vamos ganhar dinheiro com isto, muito pelo contrário.

19 de abril de 2009

Filmes do Tejo exibe filmes no IndieLisboa'09



1. Sinopse
Pedro (interpretado por Gonçalo Waddington) é um jovem encenador cheio de dúvidas sobre a peça de teatro político que tem nas mãos e a atravessar uma crise pessoal. Para além do questionamento do radicalismo revolucionário que essa peça coloca e que interpela directamente o seu próprio passado familiar, Pedro mostra-se também confuso com as novas responsabilidades e expectativas decorrentes da gravidez da namorada (Joana Seixas). A encenação parece indefinidamente bloqueada até que Pedro faz uma descoberta em casa da avó, que poderá explicar o desaparecimento do seu pai logo após a Revolução dos Cravos. Na caravana em que a família o costumava levar para férias em miúdo, Pedro encontra dois revólveres e vários documentos que lançam uma nova luz sobre tudo o que lhe tinham dito sobre a misteriosa figura do pai. Parte à procura de respostas, deixando todas as responsabilidades imediatas para trás. O filme de Ivo M. Ferreira, que assina aqui a sua segunda longa-metragem, é uma interpelante e rara revisitação ficcional de algumas memórias pós-revolucionárias portuguesas.

2. Datas de Exibição no IndieLisboa’09 e Ficha Técnica do filme

25 Abril, 21:45, Cinema São Jorge, Sala 1
29 Abril, 21:45, Cinema City Classic Alvalade, Sala 3

Ficção, Portugal, 2009, 85', 35mm
Argumento: Ivo M. Ferreira
Fotografia: Pedro Cardeira, Susana Gomes
Música: António Pedro
Som: Vasco Pimentel
Montagem: Rodolfo Wedelles, Sandro Aguilar
Com: Adelaide João, Cândido Ferreira, Gonçalo Waddington, Hugo Tourita, Joana Seixas, Juan Jesus Valverde, Lídia Franco
Produtor: Maria João Mayer
Produção: Filmes do Tejo II

3. Nota do Realizador

Houve, em todas as épocas, homens e mulheres que abdicaram das suas vidas pessoais para se dedicarem à política, para construírem um mundo melhor e mais justo. Tive o privilégio de me cruzar com um ou dois destes seres especiais, por quem sinto um imenso respeito e um grande fascínio.
Sinto, por vezes, boa inveja dos revolucionários da época do fascismo porque eles tinham um inimigo bem claro para combater.
No marasmo em que vivemos, o inimigo é ténue. O maior de todos parece residir dentro de nós. Da minha parte, tento sempre encontrar a melhor forma de o combater.
Durante dezenas de anos, para combater o fascismo, foram necessárias diversas formas de luta e, também, a luta armada. Após o 25 de Abril, quando se procuravam novos caminhos, vários grupos armados foram constituídos com vista a preservar o que alguns militantes de esquerda acreditavam ser o espírito original da revolução. Hoje,
parece-me absurdo, a mim que detesto violência, mas não condeno de modo algum estes processos em absoluto e, por isso, trato-os com respeito. Foram actos de coragem. Talvez até um dia, voltem a fazer sentido.

ÁGUAS MIL é a voz dos “filhos da revolução” exigindo à geração dos pais que contem o que se passou na História recente de Portugal, quando o País e o Mundo
transbordavam de ideias que caíram antes de se erguerem.

4. Biografia do Realizador

Nascido em Portugal em pleno rescaldo da revolução de 1974 e no seio de uma família de artistas politicamente activa, Ivo Marques Ferreira esteve desde sempre em contacto com o teatro e o cinema.
Iniciando a sua formação técnica e artística em Lisboa, trabalhando como fotógrafo, actor, produtor, encenador e “light designer”, Ivo segue para uma breve passagem na London International Film School, e na Universidade de Budapeste e chega finalmente à China, destino que marcará para sempre a sua vida pessoal e profissional: monta uma pequena produtora em Macau e realiza o seu primeiro filme (e recebe os primeiros prémios). De volta a Portugal, a convite da Exposição Universal de 1998, realiza uma também premiada curta-metragem e pouco tempo depois, dirige a sua primeira longa-metragem. Em 2006 recebe uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para um curso de Escrita de Argumento leccionado pela L.I.F.S., o que o levou a lançar-se na escrita, e realização, daquele que é até agora o seu projecto mais pessoal: “Águas Mil”.
Recentemente, acabou de ser pai e concluiu o documentário “Go with the Wind”, que o levou novamente à China, desta vez para abordar o tema da emigração.

Filmes do Tejo exibe filmes no IndieLisboa'09

Arena (curta metragem)



Sinopse
Mauro vive em prisão domiciliária.
As tatuagens ajudam-no a queimar o tempo.
Três putos do bairro aproximam-se da sua janela.
Lá fora, o sol bate com a força do meio-dia.

Datas de Exibição no IndieLisboa’09 e Ficha Técnica do filme

26 de Abril 19:00 Sala 1 - Cinema S. Jorge
27 de Abril 21:30 Sala 3 - Cinema S. Jorge
1 de Maio 16:15 Sala 3 - Cinema S. Jorge

Ficção, Portugal, 2009, 15', 35mm
Argumento: João Salaviza
Fotografia: Vasco Viana
Som: Inês Clemente
Montagem: João Salaviza
Com: Carloto Cotta, Rodrigo Madeira
Produtor: François d’Artemare, Maria João Mayer
Produção: Filmes do Tejo

Nota do Realizador

Mais do que captar as transformações de um lugar, interessa-me a tensão dos momentos em que nada se altera. O protagonista de “Arena” está confinado a um espaço e a um tempo limitados. Ao filmar o Mauro em prisão domiciliária confrontei-me com a condição de um homem que não tem para onde ir. Segui esta ideia, desde o guião até à montagem. O princípio de que os planos não se antecipam às deambulações do protagonista, nem lhe sugere caminhos que ele, simplesmente, não pode ver.
É justo para alguém que vive com grades nas janelas de casa, e que está secretamente à espera que as coisas mudem por si.
Lisboa, 27 de Março de 2009
João Salaviza

25 de março de 2009

Eu bem disse:



Sarilhos.

Continuo a pensar

Mas continuo sem saber o que dizer. Só que a mulher é fantástica, pronto. E que a sensualidade é algo que vem de dentro, é olhar e garra, muito mais que uma carinha laroca ou um corpo jovem e perfeito. E embora sabendo que muito dificilmente encontrarei acordo, não posso deixar de dizer que esta Ronit Elkabetz come Scarletts ao pequeno almoço.

Encarnar a sensualidade


Ronit Elkabetz (clicar para ampliar)

Estou há algum tempo a pensar e a tentar escrever acerca desta mulher. Por ora desisto. Poderá levar algum tempo.

Este filme é tão bom


Se não viram, vão ver, a sério.

(acho que tenho mais dificuldade em escrever sobre filmes de que gostei que o contrário, por isso fica apenas o conselho)