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1 de outubro de 2009

O pincher

Uma grande amiga minha tem uma cadela Rottweiler, linda, meiga, que nunca fez mal a ninguém, e que se deixa montar alegremente pelos miúdos pequenos que tem constantemente à sua volta. A Carlota, de seu nome, passa a maior parte do tempo num terraço grande, num primeiro andar, com vista para a rua, apoiando as patas dianteiras no murinho, como se estivesse à janela. Todos os dias, um cão pequeno, daqueles irritantes e barulhentos, passava na rua sob o seu olhar. Todos os dias, o raio do cãozinho lhe ladrava, provocando-a, atiçando-a, sabendo-se seguro por achá-la presa. Todos os dias a importunava em sua casa, por vezes mais do uma vez, durante meses. Até que um dia, sem contar, lhe passou à frente quando ela estava solta. Não houve quem a conseguisse agarrar, e correndo na sua direcção, apanhou-o e deitou-se em cima dele. Não o mordeu, não nada, limitou-se a mostrar a sua força. Teve de ser o pai da minha amiga a levantá-la à força, pegando nela com os braços, porque ela se recusava a mover-se, prendendo-o debaixo. Quando a levantaram, o cãozinho, esse, tinha-se mijado todo. Nunca mais lhe ladrou.

Grandes máximas

Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti.

Confúcio

30 de setembro de 2009

Ah e tal, mas também comentam os trapos das vedetas por isso não se podem queixar

Desculpem, mas não é de todo a mesma coisa. E, como devem calcular, vou explicar porquê. Quando nos pomos a comentar os vestidos dos Oscares ou a criticar as nossas vedetas, fazêmo-lo pela piada, pela fofoca, pela má língua sim, mas fazemo-lo no nosso blog, tal como faríamos entre o nosso grupo de amigas, e não na caixa de comentários dos hipotéticos blogs das visadas, que nunca irão ler o que foi escrito e por isso muito menos ficar melindradas com o nosso corte e costura. Além disso, ao contrário das comuns mortais que por aqui escrevem, essas vedetas têm mesmo mais obrigação de estar bem, pois além de viverem da imagem, têm personal trainers, consultores de moda, cabeleireiros, maquilhadores, toda uma legião de gente a trabalhar para elas, além de trapinhos de graça dos melhores estilistas, tudo à sua disposição, pelo que é só escolher, e o resultado final dependerá apenas do seu gosto, pois não têm limitações de qualquer ordem, e muito menos monetárias.
Já nós, pobrezinhas, se formos a um casamento, possivelmente não poderemos gastar 1000 € num vestido, a não ser que sejamos a noiva, e mesmo assim nem todas. E lá por termos caixa de comentários aberta e nos arrisquemos à insensibilidade e estupidez alheias, acham mesmo que queremos ou gostamos que nos digam que somos gordas, ou feias, ou pirosas, ou parolas, que parecemos prostitutas e que temos celulite ou as mamas descaídas? Mas está tudo doido, droga-se, ou perdeu mesmo a noção? Essas coisas, que todas pensamos umas das outras, porque todas temos um bocadinho de cabras, são para guardar para nós próprias. Há que saber filtrar, e usar o nosso discernimento para decidir quando devemos falar ou calar. Comentem com as vossas amigas, nas nossas costas, que é bem melhor. E não me venham com merdas de que é melhor dizer na cara do que falar nas costas, que isso só se aplica quando temos a saia presa nos collants ou um bocado de espinafre no dente e ninguém nos avisa. O resto fica reservado, quanto muito, às nossas melhores amigas, cuja confiança e afecto lhes dão a autoridade de nos poder dizer coisas que ditas por quem não conhecemos de lado nenhum revelam apenas crueldade. A sinceridade anda muito sobrevalorizada, e sob o seu pretexto as pessoas são capazes de dizer as maiores barbaridades a outras, sem pensar no quanto as poderão ofender, e pior, magoar.
É uma questão de sensibilidade e educação, e da noção de que não temos qualquer necessidade de pisar os outros inutilmente. Uma coisa é, por exemplo, eu embirrar com a Scarlett Johansson, agora não me passaria pela cabeça, se por acaso nos cruzássemos, chegar-me ao pé dela e dizer-lhe que a acho uma pindérica de olhar bovino com ar de esteticista vulgar, mas sem ofensa - e não, não há mal nenhum em ser-se esteticista, é uma profissão como outra qualquer, estou só a usar um estereótipo fácil geralmente associado a demasiada oxigenação, unhas de gel, abundância de carnes e pouca profundidade, assim ao género ana bola e maria rueff, ok? -, e não é por não ter coragem de ser sincera e dizer coisas na cara das pessoas, mas sim porque não me sinto nesse direito, e assim sendo seria apenas maldade gratuita. E por isso, da próxima vez que pensarem em fazer um comentário a alguém, ponham a mão na consciência e perguntem-se antes: e se fosse eu, gostaria de ouvi-lo?

28 de setembro de 2009

Consciência

Quanto mais pequenas são as pessoas, mais dificuldade têm em reconhecer as grandes.

Recebido por e-mail



"A vida resume-se em 4 garrafas. Vamos aproveitá-la, que já vamos na terceira."

27 de setembro de 2009

A educação é uma coisa muito bonita

Não sou propriamente muito apegada a convenções, dando-me até ao luxo de propositadamente desrespeitar algumas, mas a forma como fui educada, e as regras que me foram inculcadas, levam a que eu seja daquelas pessoas que repara nos pequenos gestos, delicadezas, e principalmente na sua ausência, sendo-me impossível não julgar nem registar o facto como uma prova de falta de educação, e mais, de carácter, ficando os seus autores para sempre num patamar abaixo na minha consideração. Como o namorado de uma prima, que minutos depois dela se ter queixado que lhe doíam os pés, ao ver uma cadeira livre se sentou, deixando-a a seu lado em pé, coisa já suficientemente má por si só, mas ainda mais com o factor salto alto. Ou pessoas que, tendo usufruído de alguma amabilidade, se "esquecem" de agradecer, fazendo-nos questionar os nossos próprios valores, e tornando-nos mais exigentes a escolher quem possa merecer favores. E isto lembra-me um episódio que ilustra na perfeição o que quero dizer. Aqui há tempos conheci dois portugueses, amigos de amigos, na única discoteca de Leiden. Conversámos por um tempo, pareciam porreiros, e acabámos a trocar números de telefone. Saímos juntos da discoteca, despedimo-nos, eu segui para casa, e eles para a estação para apanhar o comboio. Já estava eu muito bem deitadinha na minha cama, quase a dormir, quando o telefone toca. Que não havia comboios, só daí a 3 horas, estava um frio de rachar, e, totó que só eu, às 4 da manhã levanto-me da cama, visto-me, e monto-me na bicicleta para ir à estação buscar dois caramelos que tinha acabado de conhecer, deixando-os ficar a dormir nos meus sofás. No dia seguinte, quando acordei, já tinham saído. Até hoje, nem ai, nem ui, nem uma mensagem de agradecimento, nada. E embora não o tenha feito esperando algo em troca, a verdade é que a falta de um obrigado me caiu muito mal. Escusado será dizer que, houvesse próxima, por mim bem que podiam ficar a congelar. É dar pérolas a porcos.

25 de setembro de 2009

O remorso


Em The Reader, a iliteracia de Hanna Schmitz seria completamente irrelevante para o conflito moral que constitui o pilar central da história, se não servisse principalmente três propósitos: enriquecer o enredo, tornando-o mais dramático; ser a causa para um dilema cuja resolução irá alimentar o remorso de Michael; e servir como catalisador para a nossa compaixão e suscitar a nossa empatia, funcionando como manobra de diversão relativamente aos crimes cometidos. O analfabetismo de Hanna não é a razão pela qual está sentada no banco dos réus, nem é desculpa para os crimes de que é acusada. Não saber ler em nada lhe restringe a capacidade de discernimento ou a impede de distinguir bem do mal, pelo que se torna, para o caso, irrelevante. Ela é, de facto, culpada da monstruosidade de que é acusada. Ela, juntamente com outras mulheres, tomou a decisão que levou à morte de centenas de outras. O conflito interior que enfrentamos não é o de saber se é ou não culpada, mas se à luz das circunstâncias teríamos feito diferente, enquanto somos confrontados com o facto de nem sempre serem monstros, mas pessoas comuns, por vezes até com boas intençoes, capazes de cometer tais atrocidades. E é este dilema a que assistimos, através dos olhos de Michael, que não consegue decidir o que sentir em relação àquela pessoa, porque lhe conhece os dois lados, o bom e o mau, sendo-lhe impossível decidir se amá-la ou desprezá-la. A isto acresce a injustiça a que assistimos, impotentes, sabendo que não poderá ter sido ela a escrever o documento que a incrimina, enquanto a vemos assumir a culpa sozinha, usada como bode expiatório. E a recusa em defender-se, para proteger um segredo que a humilha, enche-nos de compaixão, mesmo sabendo que não o faz por se saber culpada, mas por orgulho. A verdade é que Hanna sente mais vergonha por não saber ler do que por ter levado à morte centenas de mulheres. E se há nisto uma certa amoralidade, ao mesmo tempo é tão humano que nos cria empatia, por nos reconhecermos na vontade de preservar alguma dignidade, mesmo quando já não resta quase nenhuma. E por fim temos Michael, o único detentor do segredo, o único que a poderia ajudar, revelando-o, mas que escolhe não o fazer e guardar também ele, para sempre, um segredo. E esta escolha é, mais uma vez, ambígua. Escolhe calar-se e condená-la a 20 anos de prisão para proteger o seu segredo respeitando a sua vontade; porque os seus actos o repugnam e acha que merece castigo; ou por cobardia e vergonha em assumir que a conhece, decidindo defendê-la perante os seus pares? Creio ser um misto de todas, embora prevaleça esta última, enchendo-o de uma culpa que o condena à solidão e o leva a enviar cassetes religiosamente, cumprindo também ele uma pena. Não é amor, não é bondade, não é compaixão que o move, mas remorso. E talvez alguma esperança de redenção.

*A fórmula da recusa de dafesa para proteger um segredo foi também usada, de forma a manipular os nossos sentimentos de forma violentíssima, no Dancer in the dark, criando um sentimento de empatia muito semelhante.

Exercício

O mundo seria um lugar melhor se toda a gente soubesse tocar bem um instrumento musical. Ou, num sentido mais lato, tivesse aprendido música.

24 de setembro de 2009

Voltando à vaca fria

E depois, há toda a questão da estratificação social. Em países com baixos níveis de escolaridade, como Portugal, em que a maioria da população tem apenas o ensino básico ou menos, mais de 70% no nosso caso, com o resto do bolo dividindo-se entre quadros médios - ensino secundário e/ou formação profissional - e superiores - licenciatura e/ou pós-graduação -, o que acontece é uma maior estratificação social e disparidade salarial. Sendo a maioria da população pouco qualificada, é paga em conformidade, com as classes mais baixas a ganhar em média o ordenado mínimo, os quadros médios a ganhar duas ou três vezes mais, e os superiores, por serem poucos e por isso privilegiados, não raramente cinco a dez vezes mais. Claro que há excepções, especialmente em tempos de crise e quando há excesso de licenciados em áreas para nas quais não há procura, como o excesso de formados em humanísticas no nosso país, mas no geral é assim que funciona. Ora, em países em que o nível de escolaridade é mais alto, estas diferenças vão-se dissipando. Por um lado, porque havendo muito mais quadros médios e superiores, estes deixam de ser considerados elites, não sendo por isso os seus ordenados tão exorbitantes, por outro, porque a chamada "classe operária" é mais qualificada, tem mais estudos, sendo por isso mais bem paga, resultando esta conjugação num maior nivelamento salarial. É o que acontece em países como a Holanda, onde os quadros médios e superiores constituem cerca de 70%, e em que o ordenado mínimo ronda os 1400€, enquanto os quadros superiores ganharão cerca de 5000€. Dando um exemplo concreto: numa universidade, o assistente de armazém ganhará os tais 1400€, enquanto o full Professor ganha à volta de 4200€. Tendo em conta o sistema de impostos holandês, o tipo do armazém ganhará uns 900€ limpos, enquanto o catedrático cerca de 2700€, ou seja, na prática, 3 vezes mais. Já em Portugal, apesar dos ordenados mínimos limpos serem perto de metade dos da Holanda, os catedráticos ganham mais ou menos a mesma coisa, sendo que a diferença salarial duplica, com o Professor a ganhar 6 vezes mais que o tipo do armazém, e isto sem entrar no sector privado. E é também por esta razão que é importante que os tipos do armazém estudem, se qualifiquem, para poderem ambicionar maior justiça social e igualdade salarial. E digam-me o que disserem, não ver isto é mesmo falta de lucidez. Os chefes agradecem.

O único poder que temos é o de nos melhorar a nós próprios

Quando peguei na temática da educação, estava longe de pensar que iria causar tanta polémica. Convicta, santa ingenuidade, de que qualquer pessoa com dois dedos de testa concordaria que mais educação, incluindo a superior, era, no geral, uma coisa boa, reconhecendo a sua importância para o desenvolvimento do país. Não contava era com tanta gente centrada no seu próprio umbigo e agarrada à avozinha com a segunda classe, determinada em provar, desesperadamente, contra toda a lógica, e como se disso dependesse a honra de toda a família, que não são menos que ninguém por lhes faltarem os estudos de que dizem não precisar. Nem com pessoas que, não entendendo a questão enquanto visão global, reagissem tão emotivamente, como se de um ataque pessoal se tratasse. Ou que, sentindo-se atingidas e despeitadas, tivessem necessidade de se defender, e cegamente entrassem em exercícios de comparação inúteis, insistindo em mostrar-se a todo o custo melhor que muitos, fazendo verdadeiras odes à falta de estudos, a apologia da escolaridade mínima, quase só faltando dizer que quanto menos se estuda mais se sabe, sem perceber que não era disso que se tratava. Nunca foi. A questão é a necessidade real de mais gente com formação superior, pois estamos de facto atrás do resto da Europa, e por mais que a formação profissional seja importante, não é com ela que se conseguem mais médicos, professores, cientistas, engenheiros. E mesmo que um curso universitário por si não garanta conhecimento, a falta dele muito menos, e para muitas áreas não há alternativa melhor. E não me venham dizer que querem ser atendidos por médicos com o 12º ano, ou engenheiros a construir pontes com um certificado de formação profissional. É disto que se trata, e não do valor individual de cada um. Estudar não serve para tornar ninguém melhor que os outros. Serve para nos tornar melhores que nós próprios. E quanto mais, melhor, independentemente do grau que se atinge.

Becoming a better self

Um dos maiores erros que se fazem é pensar que estudar serve primeiramente para aprendermos uma profissão e que um curso universitário só tem utilidade se vier a ser aplicado ao entrar no mercado de trabalho. Que grande equívoco. O estudo, um curso, servem também para isso, mas não só, servem principalmente para nos ensinar a pensar melhor, a aprender melhor, a desenvolver as nossas capacidades e raciocínio, a tornarmo-nos pessoas mais independentes e capazes de pensar pela nossa própria cabeça, dando-nos ferramentas para ultrapassar obstáculos e dificuldades, e para, principalmente, nos alargarem horizontes e expandirem limites. Não tivesse eu estudado os anos que estudei, e dificilmente teria capacidade de começar um doutoramento numa área da qual sabia aproximadamente zero. Mas isso não foi uma barreira, porque esses anos, mais do que disciplinas fundamentais, das quais não desmereço a importância, me ensinaram a não ver o desconhecido como impedimento e confiar na minha capacidade de aprender, e de saber como o fazer. Da mesma forma que o programa Erasmus não serve para ir fazer cadeiras, mas para crescermos enquanto pessoas num mundo que não se limita ao nosso bairro, tomando consciência disso. Claro que só se pode reconhecer tudo isto com alguma distância, e tendo passado pela experiência, sendo absolutamente impossível explicá-lo a quem não o viveu, e que por isso nunca perceberá a dimensão da sua importância, desvalorizando-a com despeito. Se ter estudado me faz melhor que os meus pares? Nunca foi o que esteve em causa, porque não o fiz pelos outros. Fi-lo para me superar a mim mesma. Se sei hoje muito mais do que sabia há 10 anos? Sem dúvida. Se isso me faz melhor do que era e me permitiu crescer enquanto pessoa? Também. Porque saber mais é sempre melhor do que saber menos, com ou sem ofensa.

20 de setembro de 2009

"What would you have done?"


Finalmente vi The Reader, um dos melhores filmes que vi este ano. Um filme que nos faz pensar, que nos incomoda e interpela, que nos obriga a pôr a questão: e se fosse eu, teria feito diferente? Gostamos sempre de pensar que sim, que em cenários horrendos, como o do holocausto, não seríamos como eles, os coniventes, os que fecharam os olhos e pactuaram com o regime, que seríamos capazes de dizer não, que poríamos em causa a nossa própria vida para defender a dos outros. A história diz-nos que não é assim, e que são poucos aqueles que se rebelam. Queremos todos acreditar que estaríamos nesses dois ou três por cento de heróis, mas sabemos que a população toda não cabe nessa fatia. Estaríamos mesmo? What would you have done?

O que mais incomoda não é a existência de Hanna's Schmitz. É sabermo-nos não assim tão diferentes.

(Kate Winslet é a melhor actriz da sua geração)

A ignorância é atrevida

Tinha uma vaga ideia da frase, embora sem saber de quem era. Sabia que tinha algo a ver com atrevimento, ou impertinência, transmitindo em poucas palavras arrogância infindável de quem não sabe, e o seu exibicionismo, fruto da falta de noção de ridículo. Numa busca sobre o seu autor, infrutífera por sinal, acabo por encontrar um conjunto de outras, absolutamente deliciosas, e cujas minhas preferidas me permito a partilhar convosco.

A ignorância está sempre pronta a admirar-se a si própria. Boileau

O orgulho é o complemento da ignorância. Fontenelle

É mais difícil esconder a ignorância do que adquirir conhecimentos. Rabellais

A calúnia e a injúria são armas da ignorância. George Sand

Tudo o que é preciso na vida é ignorância e confiança; depois, o sucesso está garantido. Mark Twain

A educação é uma descoberta progressiva da nossa própria ignorância. Voltaire

Há, verdadeiramente, duas coisas diferentes: saber e crer que se sabe. A ciência consiste em saber; em crer que se sabe está a ignorância. Hipócrates

Elogiar-se a si mesmo é prova de ignorância. Textos Judaicos

A ignorância é um mal invencível. Sófocles

Nada mais assustador que a ignorância em acção. Goethe

Apesar da amostragem ser pequena, creio poder concluir que, no geral:

Pessoas com formação superior tendem dar-lhe importância, pessoas sem ela tendem a desvalorizá-la.

Obviamente, não me atrevo sequer a sugerir que grupo terá mais razão. Estou mesmo só a constatar um facto, ok?

18 de setembro de 2009

É que nem de propósito



(clicar para ver melhor)

Fomos ultrapassados pela República Checa, pelo Chile e pela Hungria, estando, na Europa ocidental, apenas à frente da Grécia. Razões para celebrar.

Cura do cancro, etc.

Toda a gente deseja a cura do cancro, toda a gente quer vacinas contra a sida e a malária, toda a gente reza pelo medicamento milagroso que irá curar ou fazer melhorar amigos ou familiares com doenças graves ou incuráveis. Querem as curas todas sem se importar em saber quem trabalha nelas, sem fazer ideia alguma de quem é que está nos laboratórios, todos os dias, a fazer investigação científica nesse sentido. São aquelas pessoas a quem geralmente perguntam a rir, num misto de condescendência e superioridade: "então e trabalhar, não?"

17 de setembro de 2009

Ser o maior

In many people it is already an impertinence to say 'I'.
- Theodor Adorno

Uma coisa que sempre me fez confusão, é a facilidade com que certas pessoas se afirmam publicamente melhores que outras, declarando despudoradamente que o outro não lhe chega aos calcanhares, ou que ainda tem de comer muita sopa para atingir o seu nível. Eu, mesmo no auge do meu convencimento, confesso que não sou capaz de tal arrogância, não tenho tanta lata, até porque não me tenho assim em tão boa conta. Lembra-me um artigo que li há tempos, sobre um estudo que demonstrava que eram os menos aptos que demonstravam maior tendência a sobrevalorizar-se, por ser menor a sua capacidade de auto-crítica. Razão para se dizer que, pior do que falsa modéstia, só mesmo a sua falta.

Um país não vive só de doutores e engenheiros

De cada vez que alguém se atreve a criticar o baixo nível de escolaridade geral dos portugueses, aparece sempre quem defenda que o país não vive só de doutores e engenheiros, e que muito boa gente só com a quarta classe sabe mais que certos doutorados. Pois sim, na primeira parte poderão até ter alguma razão, embora na segunda duvide, mas não deixa de ser uma visão redutora e tacanha, que reflecte um certo provincianismo, e até saudosismo, tão típicos no nosso belo país. Mais ou menos na linha de pensamento de que antigamente é que era bom, quando se tinha de dividir uma sardinha por seis, e não havia sapatos para calçar, numa apologia da miséria e iliteracia.
Não desprestigiando quem, entre muitas dificuldades, teve de singrar na vida sem estudos, trabalhando, não me venham dizer que falta de formação é que é bom, porque não é. Se não é garantia que um curso superior torne alguém num bom profissional, também não é certamente a falta dele que o fará. E se muita gente com poucos estudos dá óptimos profissionais, imaginem então se os tivessem tido, teriam sido ainda melhores. E ninguém me irá convencer do contrário.
Quer se queira ou não, o nível de escolaridade é indicador do nível de desenvolvimento de um país, nomeadamente tecnológico e científico, e não é com pessoas sem estudos que ele se fará. Nem toda a gente tem de ser doutor, é verdade, mas a formação é sempre importante, e ser iletrado não fará de ninguém melhor profissional. E se tantas profissões que não requerem formação superior são necessárias, também as que a pedem o são. Há que apostar na formação, tanto profissional como superior, para que possamos estar a par da europa a nível de competências, em vez de sermos vistos como uns semi-analfabetos muito simpáticos e esforçados, mas sem bases para ir mais além.

16 de setembro de 2009

Só em Portugal

É ainda possível, nos dias que correm, estar num grupo alargado de pessoas da minha idade e ser a única com curso superior. E isto não é presunção, é tristeza com a realidade do país.

11 de setembro de 2009

Choques culturais

Há tempos conheci uns suecos que tinham vindo passar uns tempos a Portugal. Perguntavam-me sobre as raparigas portuguesas e lá lhes fui tentando explicar que éramos ligeiramente mais conservadoras do que eles estariam habituados lá pela Suécia, e que teriam mais dificuldades em voltar acompanhados para casa, já que poucas se davam a one night stands. Precisavam de exemplos, números ilustrativos, e rapidamente do abstracto passaram ao concreto e do geral ao particular: "então e tu, assim por alto, mais de 30 ou menos de 30?". Percebi então que não falávamos a mesma escala.