26 de junho de 2013

Rapidinha: imunoterapia de cancro com células dendríticas

- sim, trabalhei nessa área nos últimos 4 anos

- sim, as células dendríticas e imunoterapia são uma enorme promessa no tratamento de certos tipos de tumores

- infelizmente, de momento, o tratamento tem de ser personalizado e dirigido a cada paciente, com os custos e logística inerentes - no mínimo 30.000 € por paciente, talvez mais. se pensarmos que morrem uns milhões de pessoas por ano no mundo por falta de um "tratamento" muito mais barato chamado comida, ou por falta de vacinas básicas que custam menos de cinco euros, talvez percebamos melhor as limitações económicas e logísticas da sua aplicação.

- aquela senhora porta-voz da clínica na alemanha que fala em curas milagrosas, apesar da taxa de sucesso de 20-30%, e que se fartou de citar o "pai" das células dendríticas e Nobel (póstumo) Ralph Steinman, esqueceu-se foi de dizer que ele morreu de cancro no pâncreas 3 dias antes de receber o Nobel apesar de ter sido pioneiro a tratar-se com células dendríticas  

- resumindo: não há terapias milagrosas, há sim uma grande promessa nesta área que continuará a desenvolver-se, e que, em conjunto com a quimio e radioterapia poderá vir a ser tratamento corrente daqui a uns anos.

(se tiver tempo e me apetecer escrevo mais detalhadamente sobre o assunto um dia destes)

16 comentários:

  1. Sabendo que isto faz parte de uma série de pequenos filmes da GE sobre caminhos para o futuro em várias áreas e não percebendo eu mais do que o comum mortal na matéria, este tipo de solução ainda é maioritariamente experimental suponho...

    https://www.youtube.com/watch?v=h6SzI2ZfPd4

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  2. Então muita sorte e coragem para a tua futura investigação!

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  3. Obrigada :) Mas sabes que não tendo conhecimento no assunto é fácil acreditar nessas curas milagrosas quando se vêm replicadas em jornais e revistas...

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  4. Bom dia Luna, leio-te sempre, quase nunca comento. Não sou da área cientifica, mas tenho muito interesse pelo assunto que aqui expões devido ao facto de quase toda a gente na minha família (materna e paterna) morrer com a mesma doença, uns na cabeça, outros no estômago, outros nos pulmões, outros na mama, outros no intestino.... enfim.

    Como deves calcular vivo um bocadinho assustada com isto e pesquiso frequentemente novas terapias e tratamentos, já tinha lido sobre este tratamento e realmente apesar de "prometer" milagres fiquei de pé atrás (quando a esmola é grande, o pobre desconfia). Sim, por favor, um dia, quando te apetecer ou tiveres tempo, fala mais sobre isto. Gostava muito de saber mais da tua opinião porque apesar de não te conhecer, respeito-te muito enquanto cientista e pessoa esclarecida e informada sobre estes temas.
    Obrigada pela tua partilha

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  5. Bom dia Luna,

    Muito obrigada pelo esclarecimento. É muito útil e objectivo sobretudo numa altura em que há tanta informação confusa na net.

    Se tiver tempo escreva mais é bom aprender e estar informada.

    Obrigada

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  6. Lembrei-me logo de ti, aquando da reposrtagem. E anda, escreve mais sobre o tema. Acho mesmo que é importante a TUA perspectiva como conhecedora do tema e quanto menos se mistificar...

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  7. parabens pelo teu trabalho nessa àrea!!! é certo que todas as ares de investigação relativas à saude são importantes, mas nos dias de hoje em que cada vez mais as doenças com o nome cancro assolam as familias fisica e psicologicamente é sem duvida uma mais valia pessoas como tu!

    [DESABAFOS E COISAS]

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  8. Muito obrigada por partilhares esta informação. Como de costume as reportagens televisivas são muito incompletas (sendo simpática).
    Era interessante sabermos um pouco mais sobre o assunto. Fico a aguardar.

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  9. Penso que é muito útil este esclarecimento científico adaptado à linguagem comum.

    Toda esta discussão sobre tratamentos, por pessoas que não têm base e conhecimentos científicos será sempre emocional e na busca por uma cura milagrosa, essa que dizes não existir. E por vezes as pessoas caem no erro, por essas razões, de diabolizar métodos para enaltecer outros, como se estivéssemos numa guerra.

    Vi a reportagem da TVI sobre o assunto e o que acho que acontece é mesmo esse guerrear dos protocolos actualmente praticados nos hospitais oncológicos portugueses - falo do que vejo por aqui - contra outras soluções como esta terapia. Achei que a reportagem em causa puxou um pouco para o sensacionalismo que acho perigosíssimo nesta área pois causa uma revolta em doentes e familiares desacreditando à partida a quimioterapia e radioterapia. Entendo isso à luz das emoções e por isso compreendo, mas penso que é uma área de vital responsabilidade e que requer bom senso quando tratada em público, especialmente quando tratada por pessoas que não conhecem em pormenor as questões. Claro que todos desejaríamos uma cura milagrosa, mas sabemos que tudo isso é um trabalho exaustivo de muita gente que desbrava caminho por doenças que se fossem fáceis não tinham estes desfechos que tanto nos entristecem.

    Por isso acho muito interessante esta forma como abordaste a questão, sendo cientista.

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  10. eu vi a reportagem da TVI e achei surpreendente apesar de a percentagem de sucesso ser baixa acho que só uma maior aposta e recurso a essa solução (a par de outras técnicas/especialidades ou...sei lá sou de letras mas, acho que se percebe) só um maior recurso a essa solução é que levará a um maior investimento na investigação...mas, também achei que a reportagem passou uma ideia de solução milagrosa os médicos nos próximos dias devem passar grande parte das consulta a explicar como realmente funciona...obrigada pelo contributo que deste com o teu trabalho :)

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  11. Obrigado Luna, já me esclareceste algumas dúvidas.

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  12. Obrigada pelo teu trabalho e por partilhares o teu ponto de vista.

    Só um reparo: a reportagem não mostrou a patient advocate a dar essa info sobre o Steinman, mas a info *foi* dada na reportagem (lembro-me até que em off sobre uma foto dele). A jornalista descobriu na pesquisa?, foi-lhe dito por um dos médicos nacionais ou estrangeiros, pela patient advocate?... não se sabe...

    Gostei muito da reportagem e acho que o lado céptico foi muito claro e vincado por um ou dois dos médicos. Se faltou um gráfico com, por ex, quantos pacientes foram tratados ali, em quantos houve uma regressão significativa, quantos morreram... eu pessoalmente gosto de ver essas coisas em números.

    E achei muito forte a forma como a reportagem terminou: com a comunicação da morte de uma das pacientes que participou na reportagem. Acho que passou bem a mensagem que... nem sempre resulta. Mas já sabes como é, quando a morte espreita, qualquer coisinha alimenta a esperança...

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  13. Ainda não tive tempo de me informar sobre o assunto porque ando a trabalhar 16 horas por dia... mas pelo que entendi de relance a ler o guardian estou mesmo a ver que é desta que me cruxificam, a mim ou aos meus colegas, quando chegar a altura de fazer a avaliação económica da coisa... é melhor eu pensar em ter filhos antes que morra sozinha, apedrejada e sem descendência.

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  14. Ainda não tive tempo de me informar sobre o assunto porque ando a trabalhar 16 horas por dia... mas pelo que entendi de relance a ler o guardian estou mesmo a ver que é desta que me cruxificam, a mim ou aos meus colegas, quando chegar a altura de fazer a avaliação económica da coisa... é melhor eu pensar em ter filhos antes que morra sozinha, apedrejada e sem descendência.

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  15. Achei muito interessante. Obrigada pela partilha. Um abraço

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