4 de Julho de 2014

Mas as leituras têm de ser obrigatórias na escola?

Li A Menina do Mar. E A Fada Oriana. E O Papaz de Bronze. E O Cavaleiro da Dinamarca. E A Floresta. E Os Contos Exemplares. E não eram obrigatórios. Os meus pais limitaram-se a comprá-los e a oferecer-mos, quando já sabia ler.

17 comentários:

  1. Exato, não sei qual é o problema... Se querem tanto que os filhos dêem determinadas obras, por que não oferecer livros em vez de cromos do Mundial? Não sei, acho que faz mais sentido.

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  2. É impossível fazer de todos os bons livros, livros obrigatórios nas escolas. O gosto pela leitura, e a leitura desses livros, serão propiciados pelos pais, e não tanto pelas salas de aulas.

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  3. Ora nem mais!
    Eu era conhecida na escola primária por só ler Sophia. Tínhamos uma pequena biblioteca na escola e podíamos ir requisitar os livros para levar para casa. Os meus colegas iam sempre buscar BD ou nada... Eu devorei totalmente a prateleira de livros da Sophia, adorava. Quando os li todos, voltei ao início...
    A verdade é que os meus pais me conduziram para essa leitura mas nem todos tiveram essa sorte.
    Compreendo, só desse ponto de vista, a necessidade de ser obrigatório. Se ninguém os conduz até tão belos autores, pelo menos que a escola tenha a obrigação de os dar a conhecer...

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    1. Mas a escola pode dar sugestões de leitura sem que estas sejam obrigatórias, até porque a obrigatoriedade tem por vezes efeitos perniciosos. Não há espaço para tornar obrigatórios todos os livros.

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    2. Certo, reconheço que faz mais sentido a orientação.
      Eu tive uma Professora de Português que defendia que nenhum livro devia ser obrigatório, dado que gostava de poder escolher os livros consoante a preparação e interesses que via nos alunos de cada turma. Se calhar era uma medida sensata...
      Enfim, o importante é que os livros sejam lidos e aproveitados ao máximo.

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    3. Durante a minha escolaridade li vários livros obrigatórios, sempre com menos prazer do que os não obrigatórios. Um deles, acho que muito desapropriado para a faixa etária, e que foi custoso por isso mesmo - a saber, O Velho e o Mar.
      Acho que as escolas deveriam facultar listas de leitura, sim, mas que é impossível tornar todos os bons livros obrigatórios.

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    4. Concordo. Eu uma leitora compulsiva que lia tido o que apanha em casa e nas saudosas carrinhas da Calouste Gulbenkian, não me dei nada bem com alguns livros obrigatórios. O meu caso foi o "Bichos" do Miguel Torga. O sofrimento dos animais e aquele texto cru (para a minha tenra idade) transtornava-me a um ponto que chorava sem parar.

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    5. Sim, o velho e o mar é um óptimo exemplo. Foi muito difícil ler aquilo (e eu adorava ler) mas não me parece a leitura mais emocionante para miúdos. No outro dia li a confissão da leoa do mia couto e fiquei surpreendida por saber que também era leitura obrigatória. também não é uma história fácil e algumas das subtilezas da história precisam de maturidade para serem percebidas. (idem para o velho e o mar, que nesta fase, gostava de reler)

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    6. É um belíssimo livro - reconheço-o agora - mas dificílimo de ler, porque aos 14/15 anos somos imortais e não conseguimos identificar-nos e empatizar com um velho no fim da vida, nem com toda a simbologia da luta com o peixe, e aquilo torna-se apenas um suplício de entediante. Juro que às vezes gostava de saber quem é que escolhe estes livros.

      (agora parece que também resolveram trocar o memorial do convento pel'o ano da morte de ricardo reis, que é só o livro de saramago mais difícil de ler - já lhe tentei meter o dente, e não continuei)

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  4. Muitos desses são de leitura obrigatória (ou eram na minha altura).
    Nunca simpatizei muito com a autora, nem tanto por ser obrigada a ler, salvo seja, até porque gostei muitos d'Os Maias e também é obrigatório, mas os livros não me dizem muito.
    A Alice Vieira por exemplo foi uma leitura mais identificativa para mim, ou a Maria Teresa Maia Gonzallez, que penso que agora também fazem parte do Plano de Leitura.
    Isto para dizer que o "obrigatório" não significa uma imediata reactância da maioria dos miúdos, mas para aqueles que possuem poucos hábitos de leitura, não são tanto os livros escolhidos, mas mais a pressão para ler, que os demove de retirar tanto prazer da leitura, quiçá.

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  5. O que era mesmo importante era cada escola tivesse uma biblioteca, para que todos os alunos, incluindo aqueles cujos pais acham um desperdício gastar dinheiro em 'papel', ou simplesmente nunca valorizaram a leitura, pudessem ter acesso. Dar os meios é mais importante que obrigar a, penso eu.

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    1. Olá Izzie, a maioria das escolas têm. A minha filha anda numa escola pública (2º ano) e têm uma biblioteca. Todas as semanas vão com a professora escolher um livro para ler e trocar na próxima semana.

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  6. Eu lembro-me de os requisitar na biblioteca da escola (primária). E de terem um cheiro detestável a tinta.

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  7. Eu devo estar um bocado esclerosada porque só me lembro de ter tido leituras obrigatórias mais tarde, aí a partir do 8º ou 9º ano.
    Até lá fartei-me de ler tudo o que era literatura infantil/juvenil: Alice Vieira, Uma Aventura, Viagens no Tempo, Clube das Chaves, etc. Não me lembro de nenhum deles pertencer ao plano curricular.
    Também me parece mais importante ter os livros à disposição na biblioteca da escola, que tornar uma série de livros de leitura obrigatória.

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    1. That's my point also. A leitura deve ser um prazer e não uma obrigação. E cada um, tal como falamos, vamos tendo empatia com determinados temas. O sair das zonas de conforto na leitura talvez apareça mais tarde (eu ainda ando a tentar)

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    2. Li Isabel Allende e clássicos como o Monte dos Vendavais com uns 10 anos simplesmente porque estavam na prateleira em casa e porque sabia que a minha mãe os adorava. O entusiasmo dos pais por livros talvez seja importante, embora talvez nem todos os que gostam de ler possam ter sido influenciados pelos pais.

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  8. Acho bem que alguns autores sejam obrigatórios de se estudar, mas a maior parte dos livros que li, li-os porque quis, porque me eram oferecidos... O gosto pela leitura deve, efetivamente, ser cultivado pelos pais e familiares e pela própria pessoa, e não ser "imposto" na escola. Tenho 18 anos e já li de tudo um pouco, mesmo autores portugueses e brasileiros que já ninguém (ou quase ninguém) conhece. Li "Uma aventura", "O bando dos quatro", "Os sete", "Os cinco", "Clube das Chaves", "A Espada do Rei Afonso", "Rosa, minha irmã Rosa", "O cavaleiro da Dinamarca", "Harry Potter", "Os Maias", "As pupilas do senhor reitor", "Guerra dos Tronos" e muitos, muitos mais (infinitamente mais) foram todos livros/coleções que me marcaram pela positiva e que adorei ler, sendo que nada me obrigou a fazê-lo.

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