7 de dezembro de 2014

Pobreza em Portugal

Na fila para a caixa, uma senhora velhinha compra meia dúzia de bananas e dois croissants. A rapariga da caixa chama um colega, pensei que fosse algum problema com a pesagem ou assim. Não era, a senhora queria anular a compra dos dois croissants e tirar duas bananas. Saio da fila, peço-lhe baixinho que espere um bocadinho até ser a minha vez de ser atendida, que lhe oferecia o que tinha retirado. Agradeceu baixinho também. Foda-se, até estou mal disposta.

52 comentários:

  1. E é de estar. Que país, mas que país é este?

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  2. Mil likes pelo teu gesto ! Doi-me o coração pensar como os idosos vivem no nosso país e gestos como o teu que para nós são "pequenos" para eles são enormes ! ♡

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    1. O meu gesto era o mínimo que qualquer pessoa normal faria, e chateada estou de não ter feito mais (e nem sequer levava dinheiro real comigo que lhe pudesse dar), mas ver uma pessoa idosa não poder pagar os 0.59€ que custam dois croissants é de nos fazer sentir uma merda.

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    2. Um gesto bonito Luna, as reformas são baixíssimas e para pagar renda, luz, gás, etc..é tudo contado ao cêntimo. E sim, quando nos entra pelos olhos adentro dói.

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    3. Nem mais, Papoila.
      Na minha opinião, que vale o que vale e nada mais, acredito com toda a convicção possível que os idosos, especialmente os tais com reformas de merda, deveriam ter acesso gratuito a uma determinada "quantidade" de luz, água, gás, medicamentos e até alimentos. Não pagar idas ao médico nem transportes públicos. Todos os cidadãos merecem uma vida condigna. Bastaria deixar de pagar luxos e mordomias à classe política, e instaurar um tecto máximo salarial na função pública para subsidiar tudo isso.

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  3. Sinto-me como se tivesse levado uma marretada na mona, ainda estou atordoada. Uma pessoa sabe, uma pessoa lê, uma pessoa vê as estatísticas, uma pessoa tem conhecimento de que há situações completamente dramáticas, mas ainda assim, quando se vê uma cena destas, é impossível ficar indiferente.

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    1. Quando nos entra pelos olhos a dentro é mesmo isso: tipo uma marretada. Quantas marretadas mais teremos de levar para declarar o "fim de linha"?

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    2. Acho que é assim que às vezes o pessoal desata a pôr bombas.

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    3. Dá vontade de implodir qualquer coisinha, dá...

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    4. Citando mais uma vez a entrevista do Chris Rock "Oh, people don’t even know. If poor people knew how rich rich people are, there would be riots in the streets."

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  4. Um pack de dois croissants custa 0.59€...

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    1. Foda-se, mesmo! Que país é este, meu Deus?
      Como é que é possível?

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  5. E sai mais um pontapé no estômago.

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  6. Pois, não desejo a ninguém. Mas é a realidade de muita gente, a verdade é esta. E, para além da tristeza que é essa situação, ainda há pessoas que olham de lado certas coisas. Exemplo: sei que há gente capaz de, no teu lugar, ainda olhar a velhinha de lado por querer comprar croissants, na linha de pensamento "se não tem dinheiro não compre croissants", como se fosse um luxo. Já estive nessa situação e garanto-te que não é agradável... Um aplauso daqueles enormes para o teu gesto!

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    1. “Of all the preposterous assumptions of humanity over humanity, nothing exceeds most of the criticisms made on the habits of the poor by the well-housed, well- warmed, and well-fed.”


      ― Herman Melville

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  7. Bi-parabéns. Parabéns pela atitude. Parabéns por só agora ter presenciado in loco uma situação de extrema pobreza. Não estou a ser irónica. Simplesmente fui confrontada com essa realidade há já um par de anos, quando a crise ainda não era tão extrema como agora. A empresa em que trabalhava deixou de pagar ordenados e ao fim de 2 meses havia já uma recolha de bens essenciais para serem distribuídos pelos casos mais problemáticos na empresa. Pessoas com que lidávamos todos os dias, colegas de trabalho, não tinham leite em casa para os filhos. Nem fruta. Nem enlatados. Nem… enfim. A pobreza mora ao nosso lado, mas agora é mais evidente. E sim, revolve a entranhas. Muito. Como é que chegámos aqui?...

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    1. Então mas não sabe? Obviamente andámos a viver acima das nossas possibilidades...

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  8. Estas coisas mexem comigo...
    É tão triste... E depois vejo comentários tão estúpidos...
    às vezes não é preciso muito para ajudar. Basta pequenos gestos, como o seu.
    O que custa dar 1€? Ou pagar uma refeição por mais simples que seja?

    Isto fez-me lembrar um desafio que um rapaz de 20 anos propôs no seu blogue ontem, e que provavelmente irá ser ignorado, e não dará a volta ao mundo como deu o banho gelado, mas partilho-o aqui, pois é um pequeno gesto que fará toda a diferença.
    E não custa assim tanto...
    Se poder ajudar a divulgar, eu, e certamente ele, ficaremos agradecidos.

    http://umalienaos20.wordpress.com/2014/12/06/hot-christmas-challenge-desafio-de-natal/

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    1. Irei divulgar, sim, embora eu pessoalmente embirre com o conceito de "caridade exibicionista", mas se servir para fazer a diferença.why not?

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    2. Nada contra, mas façam antes um donativo à comunidade vida e paz, ou outra similar. Com poucos euros eles fazem muitas refeições que chegam a muitos que precisam. Apoiam sem abrigo, mas também outras pessoas que precisam, idosos são muitos.

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  9. This breaks my heart. Xi para ti tb Luna!

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  10. É nas questões que mais tenho e há para dizer, que mais me custa dizer algo, parece que emudeço.
    Estas situações, em especial com este tipo de pessoas, custam para caramba.
    Agiste da melhor forma possível.

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    1. Não consigo parar de pensar no que poderia ter feito diferente, como ter feito mais. Tentarei andar mais atenta no futuro, porque às vezes nem nos apercebemos destas situações a acontecer ao nosso lado. (aliás, quase não me apercebi porque não era a pessoa imediatamente a seguir, só quando vi os itens a serem postos para o lado percebi o que se passava)

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    2. Já passei por situações similares. E sim, ficamos sempre a matutar sobre o assunto, sobre que mais poderia ser feito.
      Mas a verdade é que normalmente somos sempre tomados de assalto, surpreendidos por estas situações, são algo com que não se conta. Se todos em redor do mundo tivessem a mesma reacção que tu, estariamos bem melhor.

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  11. Parabéns pelo seu gesto. É impossível ficar indiferente a situações como estas... Eu teria feito exactamente o mesmo. Aliás já fiz em situações parecidas...
    As estatísticas ou as noticias não nos fazem ter uma noção real da pobreza existente. Só deparando-nos com isto tipo de exemplo, infelizmente, ficamos a conhecer uma realidade (totalmente) desconhecida.

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    1. Eu vivo numa terra pequena, aldeia mesmo, e como tal não assisto a tantos casos destes como provavelmente assistiria em meios urbanos maiores, mas uma pessoa fica doente.

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  12. Eu também não vivo numa cidade grande... Há mais ou menos um mês deparei-me com uma situação que me deixou (Talvez) incrédula, revoltada, confusa, mal-disposta, sei lá... Estava um frio de morte nessa noite, deviam ser aí umas nove da noite e (muito resumidamente) parei o carro, e, mais ou menos ao pé, estava um contentor de lixo, de repente vejo um Homem, ainda jovem, a parar de bicicleta em frente ao contentor, a abrir o contentor e a fechá-lo. No momento, não assimilei muito bem o que se estava ali a passar. Quando voltei a pegar no carro, voltei a encontra-lo, aí já estava a tirar coisas de dentro do lixo. Estava de noite, e com o carro em andamento, não vi nitidamente o que era, mas pareceu-me... que estava a retirar comida...
    Lembro-me de me ter sentido e tão mal cmg mesma...
    Quando tenho oportunidade de ajudar, faço-o sempre. No outro dia também um ciganinho pediu-me moedas. Disse-lhe que tinha uma fruta para lhe dar. E que era para comer, se não não a ganhava. Ele aceitou. E lá a foi a comer. São só exemplos tristes... enfim. :(
    Gosto muito de ler o que escreve... Parabéns!

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    1. Acho que é inegável que a miséria está a crecer no nosso país, e a atingir níveis dramáticos.

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  13. Já me aconteceu mais que uma vez...fico tão deprimida.

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  14. wtf. :( que marretada levei agora.

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  15. vivo em Moçambique e como se deve imaginar, não consigo ajudar a todos. Tenho um núcleo que vou ajudando e ando sempre a tentar melhorar a vida de todos.
    Ao ler o que escreveste, simplesmente abanei a cabeça! Como é possivel? só tenho vontade de pedir a morada comprar um carregamento de comida e entregar-lhe! Não ter bens futeis é uma coisa, não ter comida vai para além da minha compreensão!

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  16. Lembro.me sempre de uma amiga de uma amiga que esteve desempregada uns meses e teve de dar a escolher entre agua e leite ao filho: Ao pequeno almoço cereais com água ou agua com bolachas ao jantar. Porque o leite so dava para uma das duas. F.o.d.a.s.e.m.u.i.t.a.s.ve.z.e.s

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  17. Isto anda mesmo muito mau! Há tempos saiu uma reportagem na noticias magazine que mais do que murro no estômago era uma tareia autêntica.

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  18. Estas férias fui à farmácia (no algarve) e uma senhora, não tão idosa, perguntava um a um o preço dos medicamentos para o pai e a senhora da farmácia insistia em berrar os preços, como se já não fosse suficiente não ter dinheiro para comprar remédios e estar a empatar uma fila inteira, ainda toda a gente tinha que saber que a senhora não tinha dinheiro para os pagar. E eu de férias, a comer fora todos os dias.

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  19. É... uma vida f###a.
    E só têm dessas de quando em vez...
    Experimentem almoçar diariamente com uma pessoa, EMPREGADA, que para além de comer mal e porcamente, ainda "recolhe" os restos que ficam nos pratos no fim da refeição.

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  20. Disseste mesmo tudo: Foda-se de país este!
    E um grande beijinho para ti - até me vieram as lágrimas aos olhos (sim, eu choro por tudo e por nada).

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  21. Aposto que se a Luna fosse o tipo de pessoa de ter desejos consumistas loucos (que claramente não é), de certeza depois desse gesto perderia qualquer interesse em gastar, por exemplo, 600 euros num item para o seu roupeiro. O que quero dizer é que com este tipo de situações, que também já presenciei, de pessoas que nem sequer têm dinheiro para tomar um café (uh, o luxo de um café, "os pobres que vivam sem café"), cada vez mais me envergonho ou envergonharia de gastar rios de dinheiro em compras fúteis. Já sei o discurso de que cada um gasta o que tem e ganhou conforme bem lhe apetece, mas caramba, sabermos que há pessoas que vivem sem o mínimo do que consideramos decente e digno é revoltante, a mim choca-me num dia estar a contribuir para ajudar quem precisa, e no outro estar a passar uma tarde num centro comercial e trazer sacos cheios de tralha para mim ou para prendas.
    (e nem entro na estratosfera dos filthy rich de que falas no teu parágrafo do Chris Rock)

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    1. Por acaso não sei se concordo.
      Eu não tenho, de facto, desejos consumistas loucos, não tenho nada no meu roupeiro que tenha custado para cima de 200€ (e só não digo 100€ porque tenho pelo menos um par de botas e um casaco de penas de inverno que custaram mais, mas acho que é só), mas não sei se quem tem este tipo de desejos/hábitos de consumo e dinheiro para tal deixe de os ter, no limite reforça-lhes o sentimento de merecimento e recompensa, uma vez que ajudam quem precisa e cumprem o seu dever social. E com isto não pretendo fazer julgamentos de valor, acho que simplesmente as pessoas são diferentes e há quem tenha posturas diferentes relativamente ao dinheiro e como o gastar.

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    2. Sim, eu quando escrevi o comentário pensei efectivamente que se calhar estou a julgar, a fazer juízos de valor, como bem dizes. Mas então falo por mim (que também não tenho coisas de custo exorbitante, fora esses exemplos normais de calçado ou um casaco de boa qualidade - que aliás, faz parte do que consideram o tal "decente e digno"), sinto-me mal por gastar muito em coisas fúteis para mim, sabendo que há quem não tenha o básico e essencial. Agora outra coisa é isso que dizes de quem tem muito e gasta muito mas que também contribui com uma grande fatia para quem precisa. Não sei, acredito que sim, que se calhar olhamos para gente que achamos consumista e fútil mas na realidade não temos conhecimento de causa concreto sobre o que essa gente faz dentro de casa para ajudar os outros.

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    3. Atenção que a mim há muita coisa que me faz confusão e acho quase obsceno, mas enfim, eu sou eu...

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    4. pois, eu por acaso mentalmente ainda não tinha largado o osso e estava aqui a matutar para com os meus botões sobre o que consideramos "decente e digno", i.e. quais os limites do que achamos que toda gente deveria ter possibilidades de ter, digamos que podemos dizer que há um círculo e umas coisas estão dentro e outras fora. Se para mim, está fora do círculo uns sapatos de 600 euros da marca xpto fashion, já não estará um bilhete de avião de 900 para um país que me interesse visitar, ou mesmo um de 1500 para os antípodas. E quem me diz que, pudesse eu, também pagaria 4000 ou 5000 para fazer a mesma viagem, mas em 1ª classe? Não sei. E para muita gente, uma viagem longínqua estará fora e uns sapatos muito lindos e muito caros já estará dentro, ou muita maquilhagem boa, ou outra coisa qualquer. Por isso, tens toda a razão em falar de juízos de valor quando apontamos o dedo às pessoas que nos rodeiam.
      O que não implica que cada um de nós não tenha valores e princípios, e como dizes, achar certas coisas obscenas e abstermo-nos de certos comportamento consumistas que consideramos intoleráveis (para nós). E tudo varia ao longo do tempo, claro. Eu própria agora penso assim, mas quando era mais nova e tinha poucas ou nenhumas responsabilidades financeiras, gastava o que hoje acho rios de dinheiro em muitas coisas de que na realidade nunca precisei realmente, sem me preocupar minimamente se estava ou não a fazer a escolha certa, enquanto cidadã numa sociedade de consumo onde há tantos problemas de diferença de classes.

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    5. Lá está, eu era capaz de dar balúrdios por certas coisas, mas gasto dinheiro (e muito) noutras, como viajar. A viagem que fiz este ano, embora tenha sido em modo relativamente low cost, foi ainda assim bastante cara, e não considero que tenha sido um desperdício, ou seja: é relativo. Mas pronto, acho que entendo o que querias dizer de início, que depois de assistir a uma cena destas possivelmente já não iremos de ânimo leve gastar 50€ num batom de cieiro.

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    6. errata: onde se lê capaz leia-se incapaz.

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  22. Fico triste ao ler e saber que estas coisas acontecem no nosso país :(

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