O mundo divide-se entre as pessoas que têm e as que não têm coisas penduradas no retrovisor do carro.
24 de agosto de 2006
22 de agosto de 2006
Idiotas
Uma coisa que sempre me chateou foi gente burra. Não há pior que gente particularmente estúpida, porque causa inevitavelmente maior estorvo e as suas acções são sempre especialmente danosas a todos os níveis, até, por exemplo, a assaltar carros.
Ora, eu até nem me importava que um gajo inteligente me assaltasse o carro, ao contrário do idiota que mo arrombou ontem à noite, porque para um assaltante esperto bastava olhar para o canhão da minha fechadura para perceber que basta um clip para a abrir. Depois de entrar, o ladrãozeco esperto daria uma vista de olhos e concluiría que não valia a pena o esforço nem havia nada para roubar.
Ora, o atrasado mental de ontem - com quem me cruzei, acho eu - era mesmo idiota. E como tal, em vez de forçar a fechadura, já anteriormente arrombada, resolveu forçar a porta afastando-a do resto do carro, abrindo uma frincha para depois puxar o trinco. Não contente com a merda que me fez à porta, ainda tentou arrancar a porcaria de rádio que me custou 40€ na Worten no qual os últimos nem tocaram, levando so uma chave de porcas e os casacos. Mas nem nisso o gajo foi bom, porque não conseguiu tirar o rádio, deixando-o apenas a meio caminho.
Felizmente, na sua burrice, não reparou no meu blusão de ganga da Pepe Jeans, que era a coisa mais cara que havia para levar.
Moral da história: É preciso ser mesmo muito mentecapto!
18 de agosto de 2006
De repente
E de repente, não mais que de repente - inspiração tirada dali de baixo do grande Vinícius de Moraes - apetece-me escrever. Coisa rara nos dias que correm, em que a inspiração e a vontade andam empatadas a zero e não há nada que me ocorra de interessante a dizer.
Não sei se a vontade irá permanecer, se se irá desvanecer com a digestão do Jameson, ou se terá vindo para ficar.
Bem sei que isto anda meio deitado às urtigas, ou neste caso, à gerbera, mas pode ser que venha a mudar, que o formigueiro nos dedos volte de vez e não mais me abandone para ir a banhos para as praias desertas onde não posso ir este Verão.
De repente, não mais que de repente, apetece-me escrever. Vamos lá ver se este repente vai durar.
Doctor House
Gosto de ver o Dr. House. Acho-lhe piada, ao seu profissionalismo, à sua frieza, à sua arrogância e indiferença, à sua ironia. Ao seu mau feitio que lhe dá aquele charme. Acho piada às suas bocas, ao seu humor negro e sarcástico perante a morte. Acho-lhe piada porque não sou sua doente. Porque não tenho uma doença grave nem preciso de um conforto.
A minha Mãe teve um Dr. House quando descobriu que tinha um cancro. A primeira frase que lhe disse foi qualquer coisa como "Então, foi fazer uns exames e descobriu que estava quase morta?". Até teria piada se não fosse a sério. O quase demorou quatro anos, mas não há dúvida que não falhou no diagnóstico.
Lembro-me do nervoso miudinho que antecedia cada consulta, o medo do que fosse dizer e o desânimo que iria causar. Óptimo médico, sem dúvida. Fez tudo o que pôde, ao nível da medicina, até ao fim. Mas faltava-lhe humanidade, aquela que um doente terminal precisa. Faltaram as palavras de alento e coragem. Faltou a compaixão.
Um doente não é só um caso, um desafio, é uma pessoa. E é isso que os Dr.'s House se esquecem. A vida não é uma série de televisão. A dor é real, o medo, a angústia, o desespero também.
Continuo a ver o Dr. House, mas espero nunca encontrar um no meu caminho.
O ódio
Enquanto as lágrimas me corriam cara abaixo e ia emborcando tragos de whisky para entorpecer enquanto via na "A cor púrpura" a cena em que Sofia é presa, pensava em como há feridas que não saram, humilhações que não se esquecem, ódios que não passam. E como, cegamente, teimamos em não ver. Em atribuír o que se passa no mundo a maldades sem nexo, sem nos preocuparmos com as razões que as levam a existir. Os pretos não esquecem, os judeus não esquecem, os palestinianos não esquecem. Nem as gentes massacradas no Sudão, os famintos na Etiópia, os mutilados pelas minas em Angola.
Perdoem-me o discurso "extrema esquerda", não sou entendida na matéria, os meus conhecimentos de história e ciência política ficam muito aquém do que gostaria, mas tento compreender o desespero e as razões que levam à loucura e carnificina que se vive no médio oriente. É o desespero, a humilhação acumulada durante anos, as prepotências aceites pelas partes mais fracas, o não ter nada a perder.
Só quem sente não ter nada a perder se explode por um ideal ou um Deus que acredita ser a solução. Só com muito sofrimento, muito rancor, muita raiva acumulada se embarca na pequena revolução de uma resistência minoritária.
O terrorismo não acabará enquanto se ignorarem as razões que o incitam. Por mais que se desmantelem redes conspirativas, se desarmem bombas, se abatam núcleos armados em casas civis cheias de crianças à força de as mandarem abaixo, esta guerra não terá fim enquanto não se tratarem as feridas, enquanto não se eliminarem as razões para o ódio.
E assim caminhamos nós, cegos às queixas das outras partes, solidários com as nossas, traçando linhas de fronteira entre amigos e inimigos distribuídos entre direita e esquerda, sem querer ver, sem querer aceitar que enquanto houver um resistente, enquanto houver um descontente, as bombas humanas continuarão a explodir.
E o pior é que todos têm razão. A sua.
A vida não é justa, eu sei, mas eu gostava que fosse. Perdoem-me a ingenuidade.
16 de agosto de 2006
Para mim poesia é isto
(Para quem ainda não tinha percebido que eu gosto mesmo muito de Vinícius de Moraes...)
Apelo
Ah meu amor não vás embora
Vê a vida como chora
Vê que triste esta canção
Não eu te peço não te ausentes
Pois a dor que agora sentes
Só se esquece no perdão
Ah minha amada me perdoa
Pois embora ainda te doa
A tristeza que causei
Eu te suplico não destruas
Tantas coisas que são tuas
Por um mal que já paguei
Ah meu amado se soubesses
A tristeza que há nas preces
Que a chorar te faço eu
Se tu soubesses num momento
Todo o arrependimento
Como tudo entristeceu
Se tu soubesses como é triste
Eu saber que tu partiste
Sem sequer dizer adeus
Ah meu amor tu voltarias
E de novo cairias
A chorar nos braços meus
[ De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente. ]
Ai meu amor tu voltarias
E de novo cairias
A chorar nos braços meus
Apelo
Ah meu amor não vás embora
Vê a vida como chora
Vê que triste esta canção
Não eu te peço não te ausentes
Pois a dor que agora sentes
Só se esquece no perdão
Ah minha amada me perdoa
Pois embora ainda te doa
A tristeza que causei
Eu te suplico não destruas
Tantas coisas que são tuas
Por um mal que já paguei
Ah meu amado se soubesses
A tristeza que há nas preces
Que a chorar te faço eu
Se tu soubesses num momento
Todo o arrependimento
Como tudo entristeceu
Se tu soubesses como é triste
Eu saber que tu partiste
Sem sequer dizer adeus
Ah meu amor tu voltarias
E de novo cairias
A chorar nos braços meus
[ De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente. ]
Ai meu amor tu voltarias
E de novo cairias
A chorar nos braços meus
12 de agosto de 2006
Post de Verão
É que é preciso estar muito, mas mesmo muito calor, para eu tomar banho de água fria. Pronto, era só isto.
2 de agosto de 2006
Pensava que estava a melhorar
Revi o Residência Espanhola quase todo sem verter uma lágrima, até que o gajo me fodeu com o retorno a casa. Acho que estou a precisar urgentemente de ir a Milão.
1 de agosto de 2006
Infelizmente
Cada vez me convenço mais que o conflito Israelo-Árabe só irá acabar quando houver apenas um de cada lado da fronteira e um deles conseguir matar o outro.
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