30 de outubro de 2006

Ok, eles às vezes até têm alguma piada

"a minha pilinha fez chichi nas minhas cuecas."

António, 3 anos, entrando na sala despido da cintura para baixo.

19 de outubro de 2006

Pérolas a porcos

Comovo-me facilmente com a miséria, e a consciência de pertencer a uma classe média privilegiada com origens na alta burguesia transmontana, aliada a uma educação embebida nos ideais de esquerda da revolução francesa, com especial atenção à igualdade, sempre me fez sentir um pouco culpada por nunca ter passado necessidades, por contribuir tão pouco para o bem estar de quem precisa e, puxando ao meu pai e usando palavras de minha mãe, constantemente envergonhada por ter dinheiro - ainda que não muito.
E talvez seja por isso que fico com um aperto no peito cada vez que recuso uma esmola, e me sinto uma verdadeira cabra capitalista quando digo que não tenho os trocos que cinco minutos à frente irei enfiar numa qualquer máquina de tabaco.
Felizmente problema tem vindo a melhorar - pudera, desde 1998 a ir todos os dias para Lisboa de transportes públicos! - e lá fui ganhando uma certa imunidade e a capacidade de olhar para o lado, desde que não me peçam directamente. E aí cai tudo por terra, pedem-me directamente olhando nos olhos e eu sei que o preço do não será uma consciência pesada por não sei quanto tempo que não se aligeira por mais argumentos de que vai tudo para a droga.
Ora isto tudo para dizer que há uns tempos, estava eu em casa, na vivenda pequeno-burguesa de arredores onde habito desde que me lembro, quando me bate à porta um pobrezinho. À falta de liquidez de soldo e de víveres que lhe pudesse dispensar, o pobrezinho lá me disse que tinha uma "miúda" assim mais ou menos do meu tamanho e eu - monga! monga! monga! - lá fui arranjar um saco com umas roupas em bom estado que já não vestia para dar ao homem.
Ainda fiquei uns dias a pensar se não lhe podia ter dado mais, quando hoje, à entrada do meu portão, vejo um volume amarrotado, ensopado e estraçalhado no meio da estrada, algum cão que o terá arrancado do lixo, para reparar depois ser uma das minhas camisolas, que num momento de generosidade fraternal ofereci.
E senti-me ultrajada, gozada e especialmente, muito, mas mesmo mesmo muito estúpida.

12 de outubro de 2006

Da série: se eu soubesse tinha vindo mais bem vestida

Acedendo ao convite do Big Boss acorremos ao CCB para assistir à assinatura do acordo Portugal-MIT e deste modo caír em suas graças (ou não caír em desgraça). E nisto somos chamados e apresentados informalmente ao Ministro Mariano Gago, e no meio das bacalhauzadas e sorrisos amarelos só pensávamos que se soubéssemos tínhamos ido mais bem vestidos.

11 de outubro de 2006

Começo a achar que fazem de propósito

oi tdo bem gostei das tuas fotos. e queria fazer amizade, tcg q numca e demias para uma pessoa,tchau bjs.

E agora digam-me se sou eu que sou má!

*Made in Hi5

9 de outubro de 2006

Agradecimentos

Ao amável senhor motociclista que na sexta feira me chamou graciosamente vaca do caralho enquanto tentava mudar de faixa de rodagem em plena hora de ponta na IC19 por causa de um acidente, obrigando-o - indesculpavelmente! - a abrandar a marcha. A ele se deve inteiramente o facto de, em vez de ter ido directamente para casa, ter resolvido dar um saltinho ao Cascaishopping - descobri as maravilhas do consumo no alívio imediato do stress - e ter trazido comigo duas camisolinhas que são um mimo e que me renderam inúmeros elogios ao longo do fim de semana.
Graças a si, fiquei mais gira. Você, terá possivelmente continuado impotente. Obrigada.

4 de outubro de 2006

É grave doutor?

No fim de uma aula de Pilates chega a parte do relaxamento. O instrutor manda-nos concentrar num objecto que faça parte do nosso dia a dia, e a única coisa que me vem à cabeça é a porra da tina de electroforese. Isto não anda mesmo nada bem....

2 de outubro de 2006

A (demasiada) exigência

Uma gaja cresce com a mania que é inteligente. Com a mania que tem piada e sabe desarmar à custa de ironia e secura quem tenta aproximar-se tentando brilhar e mostrar-se, fazendo-se valer de suposta esperteza e cultura que deveriam ser superiores à média e suficientes para contentar. Mas a nós não.
E descobre-se que o brilho se transforma em barreira intransponível, o sorriso em humilhação, a frase espirituosa em vergonha alheia, e que o nosso ego menospreza quem nos tenta alcançar na sua simplicidade sincera.
E sabemos que ficaremos sós. Por não conseguirmos transpôr a barreira que nos separa dos outros, por sabermos que a nossa simpatia por vezes não é mais que condescendência, por no fundo nos acharmos tão melhores que não permitimos que alguém esteja ao nosso nível.
E vemos gente com medo, justificando-se, tentando parecer melhor aos nossos olhos que não valem assim tanto, e sabem tão pouco, por uma imagem que construímos para melhor satisfazer o nosso ego e pela vontade de criar uma redoma que nos proteja do mundo lá fora.
E temos vontade de desdizer, de remediar o mal feito pelas palavras preconceituosas a sarcásticas, mas deixamo-nos ir por inércia e contribuímos para a construção de uma barreira intransponível que nos remete a um limbo balançante entre arrogância e snobismo. E tudo bem. Porque no fundo até gostamos. Porque o facto de os outros nos considerarem melhores compensa o facto de nós não.
Outros, mas nós não.