1 de dezembro de 2009

Ai ai, e a interrupção voluntária da gravidez (já no islão é muito incentivada)

Sempre que faço referências aos crimes praticados contra as mulheres em nome da religião, especialmente o islamismo, lá vêm 400 virgens ofendidas apontar que não é assim em todo o lado, e uma coisa é o Islão outra é o fundamentalismo islâmico, e que o islamismo era uma religião muito mais tolerante no tempo das cruzadas, e olha a inquisição blá blá blá whiskas saquetas, como se os crimes do passado devessem servir para desculpar os do presente, e ai ai, olha que a Turquia não é a Arábia Saudita - oh, a sério? -, como se eu fosse atrasadinha mental e não vivesse num país onde, ao contrário de Portugal, existe uma comunidade islâmica gigante, onde se vê véus a dar com um pau, mesmo na universidade, e nem tivesse amigas turcas ou iranianas. Tenho, e sim, sei que é diferente, obrigada. Se vierem das grandes cidades, claro, porque se vierem lá da aldeia, cuidadinho se andarem sozinhas na rua à noite, não vão levar um enxertozinho de porrada só para aprenderem a ficar em casa como mulheres decentes, como aconteceu ainda há uns tempos. Depois do primeiro atestado de ignorância, como se eu não tivesse visto os mesmo documentários, passam ao previsível desenrolar de paralelismos do cristianismo contra a dignidade da mulher, que sim, também não é propriamente uma religião feminista, mas assim de repente gostava que me dessem exemplos de países ocidentais de maioria cristã onde as seguintes práticas fofinhas são consideradas normais nos dias que correm, que me estou bem cagando para o que acontecia há quatrocentos anos:

- Mutilação genital
- Lapidação
- Chibatadas
- Burka

E se alguém me vier dizer que para entrar na igreja também se tem de tapar os ombros, juro que não respondo por mim.

23 comentários:

  1. Eu não venho defender o Islão, muito menos as práticas que esta religião (quase) sempre apoia em relação às mulheres que a professam (e, pudessem eles, às outras todas também, não tenho dúvidas nenhumas!) - só à laia de disclaimer. Acho que no final tocaste no ponto exacto - muitas das sociedades islâmicas rurais, perdidas no meio do nada (vide Afganistão) estão hoje em dia num estádio civilizacional em muito semelhante ao que se vivia na Europa há 400 anos (ou mais) atrás. E não estou a dar isto como desculpa, mas como o motivo para muito do que acontece nestes sítios. O que mais espanto me causa é os que vivem em países mais desenvolvidos defenderem (muitos? poucos? não sei...) o mesmo tipo de práticas.

    ResponderEliminar
  2. Aqui arriscando o meu pescoço: eu acho que "obrigações ligeiras" como tapar os ombros não são grande sinal de inteligência e que está longe de ser algo insignificante. Mas obviamente não se compara aos crimes praticados
    em nome da religião muçulmana. O que eu acho é que a nossa civilizaçãozinha não é assim tão inocente e livre de preconceitos. E acho que o número de países onde se pode falar de casamento gay, adopção de crianças por casais homossexuais, e afins é infelizmente muito muito reduzido e mesmo onde isso possa acontecer há ainda muita gente bem "burrinha" e cheia de "sabe-se lá o quê" porque dois gajos deram um beijo em público.

    Ok, todos sabemos do que se passa à nossa volta, por mim estas porras (=religiões) iam era todas p'ó diabo que as carregasse (=#"%"#%), mas não isso acontecendo e tendo cada um de nós de ser civilizado e atacar o problema pela melhor abordagem... não se podem proibir minaretes, nem se vai ganhar nada com isso.

    E mesmo que a fronteira seja difícil de estabelecer, lá porque os minaretes devam ser "tolerados", não quer dizer que os crimes cometidos não devam ser denunciados!

    (Espero que o meu pescoço não seja atacado por ter falado dos ombros tapados!:p)

    ResponderEliminar
  3. P.S.- e sim, percebi que emotivamente sim, mas que não, blábláblá! Eu percebi isso à primeira! :p

    ResponderEliminar
  4. Nokas

    enquanto ateia, como hás de calculas concordo com tudo o que acabas de dizer. Só não acho que isso possa servir de atenuante e justificativa contra práticas absolutamente horrendas, que era disso que falava.

    E, obviamente, não é com a proibição que se vai lá - embora tenha dado algum resultado na turquia - mas não consigo sentir empatia pelo outro lado. É que não dá mesmo.

    ResponderEliminar
  5. Não podia estar mais de acordo com o teu post!

    ResponderEliminar
  6. Mas sabes o que me faz mais impressão? É ver em países como a Holanda e a Bélgica, mulheres ocidentais a usarem o lenço mulçumano a caminharem bem atrás do marido de cabeça baixa. Por causa de um casamento deitaram fora a sua dignidade e aceitaram aquela situação. E o que me irrita mesmo é que as pessoas não percebam que as meninas que fizeram greve de fome por não as deixaram usar lenço, não era porque gostavam de usar lenço, mas porque só com o lenço é que as famílias as deixavam ir à escola.

    ResponderEliminar
  7. Luísa, permita-me que meta a colher, mas é uma discussão que me é cara. As mulheres usam o véu e andam de cabeça baixa não apenas por causa do casamento, mas porque são os padrões culturais - disfarçados de religião - que lhes são incutidos geração em geração, ao ponto de estarem de tal forma interiorizados que se tornam verdades incondicionais. A título de exemplo, pensemos na visão dicotómica que ainda temos da mulher (ocidentalmente), que sempre oscilou entre Maria (casta, recatada, obediente) e a Eva (sensual, maliciosa, procovadora, etc). E os padrões de beleza, que manietam os movimentos e a saúde e sei lá que mais (e a primeira mulher a estar totalmente satisfeita com o seu corpo e não se deixar influenciar pela imagem ideial que levante a mão).
    Reveja-se a forma como nos catalogamos e percebemos como é possível que as mulheres islãmicas estejam presas nesta teia horrenda; repare, muitas das vezes, no caso da excisão, são as mulheres mais "sábias" que a praticam nas meninas.
    Ainda anteontem ouvi a deputada Helena Pinto a dizer que tem muita dificuldade em apontar o dedo às vítimas; tendo a concordar com ela. Cabe-nos a todas e a todas desconstruir estes padrões terríficos e assassinos de liberdades e identidades.

    Luna, peço desculpa pela extensão do comentário.

    ResponderEliminar
  8. Woman once a bird, se calhar não fui clara, mas eu referia-me a mulheres ocidentais e não de origem de países mulçumanos. Referi-me a mulheres que não foram educadas dessa forma pelas gerações que as precederam, mas foram educadas pelos padrões ocidentais que entretanto trocaram por tradições mulçumanas pelo casamento.

    ResponderEliminar
  9. Ó pá, parti o coco a rir com o "blá blá blá whiskas saquetas"...
    Quanto ao resto, também tenho uma certa dificuldade em conseguir admitir respeito ou tolerância... O que me põe numa posição um pouco contraditória, pois assuntos de interculturalidade são um pouco a minha especialidade. Na essência não concordo com qualquer tipo de desrespeito pela condição humana. Parece-me que se trata disso. Usar a religião e a fé como pretexto para subjugar outros, neste caso, claro, sempre o elozinho historicamente mais fraco, a mulher, parece-me uma manutenção de status quo para os homens que estão bem como estão, sem pensar se realmente está certo.
    Isso e desrespeito por animais... fico fora de mim.

    ResponderEliminar
  10. Hahaha!
    Como agnostic-atheist adorei estes posts. Magnifico mesmo.
    Acrescentaria, que uma certa parte dos problemas do Mundo estao relacionados directamente com a religiao (e.g., conflito Israel-Palestina).

    ResponderEliminar
  11. Adorei!... cada um tem a crença que quer, mas tens toda a razão (e ai de quem não puser as maozinhas na consciência) em afirmar que só em actos bárbaros, todas as religiões estão cheias.

    ResponderEliminar
  12. Olá Luna
    Não sou a melhor pessoa para discutir religião pois geralmente sou demasiado emotiva para isso.
    Portanto gostaria de dizer apenas:
    1. Que não imagino o que sente uma mulher ao usar a Burka, ao ver o mundo mais escuro.
    2. Que fico pasma com a leveza com que o mundo "assiste" a castigos como a lapidação ou o apedrejamento. É nojento e triste
    3. A MGF é a coisa mais horrivel que existe e é tão ignorada. É vergonhoso para todo o mundo.

    Portanto concordo contigo em relação a tudo isto.
    Simplesmente estava na altura de dissociar tudo isto da religião islamica (ou de qualquer outra) pois na realidade tudo isto diz respeito à parte dos direitos humanos e ao respeito básico que qualquer pessoa merece. E só assim se conseguiria lutar contra isto, educando todos no respeito.

    ResponderEliminar
  13. Yeah, qd um tem a crenca q tem, mt bonito, estou no Canada e somos um pais multicultural, aonde td e permitido, mas depois acontece coisas como pais matam filhas por elas nao quererem usar o veu, este verao um pai usando a madrasta das filhas provocou um acidente em q as 3 filhas adolescentes e a madrasta morrem dentro de um canal. E essa a crenca q o islamismo quer passar? Ninguem leu Queimada Viva? Nao sabem q na Jordania ha prisoes pra raparigas q estao em risco de serem mortas naquilo q as bestas dos homens das suas familias chamam Honour Killings???

    ResponderEliminar
  14. Patrícia

    é engraçado porque ainda há pouco referi isso mesmo, que é uma questão de direitos humanos, numa discussão por e-mail. Acontece que, infelizmente, estes crimes são praticados em nome da religião, pelo que é difícil dissociá-los dela.

    ResponderEliminar
  15. Para Catia Coelho 75. Em termos de religião, fé, crenças, repito, cada um tem a que quer professar. Daí a abusarem de alguém seja homem, mulher ou criança, vai um passo muito grande. Não sou religiosa, nem praticante, mas tenho a minha fé; não penso contudo queimar ng em fogueiras, nem chibatar alguém porque pecou. Percebes o que quero dizer, certo? Espero então que tenhas percebido o que escrevi a seguir: cada um faz o que quer, mas ng tem o direito de agredir afirmando que é um desígnio religioso. Isso é horrível e só traduz o que a maioria dos ateus/agnósticos dizem: as religiões são mentiras e farsas. Senão, estou mm a ver que aqui, alguém que é intolerante ainda me irá dizer que eu sou assim e assado e devia era ter vergonha na cara por ter ou n ter fé, acreditar ou n acreditar.. etc.

    ResponderEliminar
  16. Excelente, vale a pena vir aqui.

    ResponderEliminar
  17. Concordo plenamente contigo. Não posso suportar uma religião que trata as mulheres piores que animais.

    ResponderEliminar
  18. os fundamentalistas islâmicos apenas seguem à letra o alcorão, por isso eles deviam era estar caladinhos.. que, eu não sou de excluir ninguém, mas do pouco que percebo do assunto, o islamismo é uma religião muito complicada pah!

    ResponderEliminar
  19. Não sei se discutimos religião, direitos das mulheres ou paridade de género. Eu não me entusiasmava tanto com o nosso suposto avanço.
    Aconteceu no Estoril a cimeira ibero-americana. Na TV passou uma reportagem de um passeio das primeiras-damas a Sintra. Esta figura de primeira-dama já de si é repugnante. Pergunta uma jornalista (sublinho o género, uma)
    - acham que podem influenciar as decisões dos v. maridos?
    Os senhores decidem os destinos do mundo enquanto as primeiras-damas comem queijadas na periquita. Que me diz disto?

    ResponderEliminar
  20. Digo que quem foi eleito foram os maridos, pelo que de facto são eles quem devem tomar as decisões que foram eleitos para tomar, pelo que acho muito bem que as suas mulheres comam travesseiros na piriquita. No entanto, as suas mulheres são livres de se candidatarem a cargos públicos, e, sendo eleitas, poderiam ter as mesmas responsabilidades. E que pelo menos elas ainda têm clitóris.

    ResponderEliminar
  21. "E se alguém me vier dizer que para entrar na igreja também se tem de tapar os ombros, juro que não respondo por mim."

    Grande Luna. É assim mesmo.
    Conhece por acaso Olavo de Carvalho?

    ResponderEliminar
  22. O fenómeno do fundamentalismo é transversal a quase todas as chamadas religiões "principais". O Islão tem, efectivamente, práticas que sendo uma barbárie, surgem justificadas pela lógica teocrática, e pior,ainda, pela chamada "relatividade" ou "relativismo" cultural, como se certas coisas pudessem ser explicadas como heranças civilizacionais. Sendo eu um crítico da religião em si, e como os seus representantes têm falhado redondamente naquele que deveria ser o seu propósito máximo, a inclusão e respeito, e não a intolerância e o paternalismo (violento), estes fenómenos não merecem senão um repúdio horrorizado e não uma espécie de olhar complacente. Respeito pela diversidade de pensamento (e crença), mas nunca em tempo algum, relativismos relativos à dignidade humana, feminina ou masculina.

    Bom dia :)

    ResponderEliminar
  23. E quanto à doutrina religiosa, embora seja indiscutível a liberdade de professão de fé, aquela incute, especialmente através dos seus dirigentes máximos, ideias no mínimo hilariantes, como o criacionismo e quejandos... que não seria perigoso se não se pensasse que deveria ser ensinados nas escolas que somos todos primos, ou que outras orientações sexuais são coisas do demónio...

    ResponderEliminar