Saberá quem me leia há já algum tempo que tenho uma embirraçãozinha com a Scarlett Johansson, por vários motivos que não vou agora enumerar, mas que vão desde o exagerado hype, a uma certa vulgaridade que encontro na sujeita - perdoem-me os fãs incondicionais das suas musas, perdão, da musa.
Acontece que no outro dia calhou estar a dar um filme com ela na televisão, e foi aí que tive uma revelação - ia dizer epifania, mas depois lembrei-me de que está para este ano como iconoclasta estava para o início da blogosfera, e o que é demais enjoa. Mas como ia dizendo, de repente, bateu-me: a mulher representa sempre o mesmo papel. Ora vejamos: no Lost in Translation é casada com um tipo por quem não está apaixonada, tem um curso qualquer que não exerce, e anda para ali sem fazer nada, a roçar o cu pelas paredes, a suspirar de tédio, até se envolver com um homem casado (triângulo amoroso #1), com quem não fica, acabando na mesma, a tentar descobrir-se a si própria. No Vicky Cristina Barcelona vai viajar com uma amiga, tem um curso de cinema, ou lá o que é, mas não exerce, porque ainda não descobriu a sua verdadeira paixão, mete-se com um homem casado, e com a mulher dele (triângulo amoroso #2), depois decide que afinal não quer, mas também não sabe o que quer, fica na mesma, e vai viajar para se descobrir a si própria. No péssimo He's not that into you faz de aspirante a cantora, dá aulas de yoga para pagar as contas, tem um pseudo-namorado de quem não gosta, envolve-se com um homem casado (triângulo amoroso #3), anda para ali sem saber muito bem o que quer, não fica com nenhum, e vai para a Índia para tentar descobrir-se a si própria. E finalmente no Match Point tem um namorado, é aspirante a actriz mas não exerce, anda para ali sem fazer nada, até se envolver com o cunhado do namorado, que é um homem casado (triângulo amoroso #4), que não quer ficar com ela, e só não acaba sozinha a tentar descobrir-se a si própria porque graças a deus leva um tiro nos cornos.