26 de setembro de 2012

Sempre a aprender

Lição da semana: se um dia derem por vós a embarcar num acto espontâneo de generosidade, fraternidade, solidariedade, ou altruísmo para com um estranho, e por acaso forem apanhados, nunca mas nunca aceitem dar a cara ou aceitem a popularidade instantânea, sob pena de serem acusados de serem cabras calculistas, eventualmente com o cio. Melhor ainda: se por uma carga de água vos der um impulso desses, devem respirar fundo, pensar duas vezes, evitá-lo, ver se não está ninguém a olhar, e imediatamente atirarem uma pedra da calçada à cabeça da pessoa mais próxima. Problem solved.

32 comentários:

  1. Acho mal ainda ninguém ter dito o óbvio: o que estava um polícia giro, e ainda por cima fardado, sabendo-se como são as gajas, essas galdérias, com fardas, ali a fazer, se não a aproveitar a situação para sacar miúdas?

    (irony off)

    ResponderEliminar
  2. Eu não percebo é porque é que ficas tão nervosa com isto, sabes tanto quanto quem critica acerca da espontaneidade da garota: nada.

    ResponderEliminar
  3. Porque a maldade, mesquinhez e maledicência são coisas que me incomodam, e estou envergonhada com a pequenez dos comentários que vi blogosfera fora, e da forma como o mulherio se apressou a atirar pedras.
    Nestas alturas, tenho um bocadinho vergonha de ser mulher, e portuguesa.

    ResponderEliminar
  4. Luna, não tenhas vergonha de ser mulher e portuguesa por causa disto: a miúda anda a ser criticada igualmente por mulheres e homens. E na realidade anda a ser criticada por uma minoria. Para a maioria das pessoas a foto é um símbolo.

    ResponderEliminar
  5. Patrícia, pode até ser, mas a verdade é que eu ainda não vi homens tecerem tão duras críticas à miúda, pelo contrário.

    ResponderEliminar
  6. Luna,

    Também não aprovo a maledicência generalizada que se vê por aí.

    O símbolo é bonito sim - eu confesso que fiquei orgulhosa do meu país por ver manifestações pacíficas e cheias de dignidade e a foto da tal rapariga é de facto um simbolo disso mesmo.

    No entanto dá que pensar. Será que foi mesmo espontâneo? Tenho as minhs dúvidas. A rapariga é gira que se farta e o polícia não fica muito atrás...

    O tempo dirá! Se daqui por uns meses a moça aparecer nos morangos com açucar acho que vamos ter que dar a mão à palmatória...

    ResponderEliminar
  7. Sim, foi tudo encenado. Sei de fonte segura, uma senhora que faz limpezas na casa de um descendente daqueles que aterraram em Roswell, e que tem contactos lá dentro, e inclusivamente é visita de casa do Bigfoot.

    (for fucks sake, falai do sabem, olhem a factos e não a especulações. e se uma pessoa entretanto aproveita a onda para surfar não quer dizer que tenha criado a onda)

    ResponderEliminar
  8. Latte

    a miúda até pode ir parar a Hollywood, que nao altera uma vírgula do que escrevi.

    Como diz aqui a Izzie em cima, sempre na mouche, e que resume tudo:

    "se uma pessoa entretanto aproveita a onda para surfar não quer dizer que tenha criado a onda"

    As pessoas confundem consequência com premeditação.

    ResponderEliminar
  9. Podes explicar-me qual a necessidade de um símbolo de paz, amor e bla bla bla, que apareceu ali por acaso e que não acredita no dinheiro e tem um discurso que dá laivos do da Floribela, aceitar (porque parece-me que ainda não obrigam a isso) a fazer aquelas poses para uma revista que se intitula como VIP?

    Até podia aceitar ser entrevistada, falar novamente do porquê do seu bonito gesto, do que a motivou, do que pensou. Se bem que remoer isto até ao tutano é ridículo. Isto lembra-me o filme que vi ontem, o novo do Woody - de repente, sem se saber bem porquê, criam-se famosos.

    Agora, pôr-se de fato de banho e mini saia a mostrar a perna para um capa de revista daquele género, empobrece, lamento afirmar novamente, empobrece o gesto que teve anteriormente. Porque uma coisa não tem absolutamente nada que ver com a outra. E eu achei o gesto bonito, e senti-o, eu estava na manifestação. Há contradição no discurso, não faz sentido. É deixar-se ser aproveitada e aplaudir isso e lucrar e diminuir a atitude que teve. A preocupação não é com as suas ideias e com o gesto, é com o facto de calhar ser uma miúda bem gira, e explorarem isso como fait divers.

    Procurem o polícia, o tal Sérgio, que também estava na fotografia e às tantas foi contactado, mas não está para estas coisas.


    Mesquinho é aceitar passar de um símbolo de paz e bondade para um símbolo de sensualidade. Isso é que é mesquinho. Aproveitarem-se do impacto positivo que teve para corromperem a ideia inicial.

    ResponderEliminar
  10. Não posso nem tenho de te exlicar nada. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E não perceber nem aceitar isso, enfim, é coisa que não me cabe a mim mudar.

    ResponderEliminar
  11. p.s. e volto a relembrar que a miúda tem 18 anos.

    ResponderEliminar
  12. RL, eu até explico porque ela fez aquilo: porque lhe apeteceu. POque é nova, e deixou-se levar, e as razões disso não nos cabe a nós indagar. Não sou mãe dela, não tenho nada a ver com isso. E já lá vão 23 anos, mas também já tive 18, já fui tola, já fiz muita coisa parva. Dizia a minha mãe que todos temos o direito de fazer figura de parvos ao menos uma vez na vida. Eu até fiz mais, calha bem. Ela pediu para ser símbolo de alguma coisa? Temos o direito de lhe pedir satisfações? Deixem lá a pita em paz.

    ResponderEliminar
  13. Ah, e o polícia não tem liberdade para decidir dar ou não entrevistas, que apanhava com um processo disciplinar.

    E acho fofo andar a discutir-se isto, e ninguém fala:
    - da m€rd@ de imprensa cor-de-rosa que temos, que larga atrás da miúda e faz do tema capa (sendo que a miúda não tem qq intervenção na forma como a entrevista e fotos são editadas);
    - já agora, e continuando na senda do amor ao próximo, ontem li na visão que os ministros têm todos segurança reforçada (maricões), mas há polícias, até no corpo de segurança pessoal, que já não têm capacidade financeira para pagar a prestação da casa.
    O que é importante é importante, fónix.

    ResponderEliminar
  14. Izzie,

    o segundo cometário, sobretudo o primeiro ponto em que tocas, vai ao encontro do que tentei explicar. Se leres o meu comentário percebes que critico a forma de como em Portugal se tratam assuntos nobres, retirando-lhes parte da dignidade.
    A miúda não tem de dar satisfações e ninguém lhas pediu, as interrogações que faço são retóricas e a tentar perceber isto. Estou a dar a minha opinião e o meu ponto de vista tal como aqui tem sido feito.

    Luna,

    não me digas que não tens nem podes explicar nada. Esta resposta tão azeda e tão antipática é só parva, quando o início da minha frase "Podes explicar-me..." é forma coloquial de escrever. Não precisas de levar à letra, coisa que nem te agrada muito.

    Muito gostas de atirar estas bujardas, que colocam ponto final na conversa quando não sabes o que responder. Não é crime não concordar com o que pensas. Julgo que até estou a colocar as coisas de forma sensata e educada, não compreendo tamanha indignação.

    Se repararem nem toquei no assunto Adriana no meu blogue. Nem antes nem depois do assunto capa de revista.

    ResponderEliminar
  15. Já agora, essa história dos 18 anos é muito querida e paternalista (essa sim), mas não pode ser desculpa para tudo, convém.

    NÃO falando no caso desta miúda em concreto, ter 18 anos e ser-se adolescente não é resposta que torne tudo absolutamente aceitável, credível, desculpável e fofinho.

    Ah, aquele matou um homem «tem 18 anos, faz asneiras, é normal».

    ResponderEliminar
  16. R.L.:

    não expliquei porque não me apeteceu, porque é inútil, porque não vou mudar a tua opinião por mais que explique, e porque, finalmente, estou a trabalhar e não tenho tempo para mais explicações.

    Mas a minha opinião é tal e qualinha a da Izzie, e por isso, havendo necessidade de uma explicação, faço das palavras dela, minhas.

    ResponderEliminar
  17. p.s. comparar dar um abraço a um polícia e aceitar aparecer numa revista a matar um homem é, no mínimo, desonesto.

    ResponderEliminar
  18. RL

    Como, por um triste acaso, já conheci um indivíduo que, com 18 anos, matou uma pessoa (e creio e espero que ainda esteja dentro), até fico um bocadinho indisposta com a comparação. É que eu estava mais a pensar naquela vez em que apanhei um pifão e fiz um discurso numa ocasião mais ou menos solene. Graçádeus na altura não havia telemóveis com câmara e youtube.

    E, mais uma vez, não acho que outra pessoa possa justificar o que ela fez, nem sei se mesmo ela deve justificações.

    ResponderEliminar
  19. Para ser clarinha, clarinha: não estou a comparar o meu acto palerma com o acto dela abraçar o polícia, mas a cena de aceitar exposição numa revista tão... enfim. E às tantas nem se arrepende e está no seu direito, até é vários graus melhor que ir para a casa dos segredos, e mesmo a estes não aponto o dedo. ao contrário de algumas pessoas que até vivem da exposição e têm um gostinho duvidoso em se rir da exposição alheia)

    ResponderEliminar
  20. A questão, especialmente no que toca à idade é: esta palermice da revista prejudica alguém (que não a própria)? Está a fazer algum mal?

    É bastante diferente falar-se de uma tontice inconsequente - oh Izzie, podes crer, já fiz cada figurinha - e perceber a idade que está por trás da mesma, com saber distinguir o bem do mal, e cometer um crime violento, mais ainda um homicídio.

    ResponderEliminar
  21. É que já estou mesmo com pena da miúda, com estes ataques todos. No lugar dela, eu daria uma entrevista à VIP? Não. Até porque depois tinha mesmo de matar a minha mãezinha, para parar de a ouvir. Mas cada um sabe de si, e ou se faz à moça o que se fez À irmã Lúcia (não fosse ela crescer e casar e até praticar o sexo e ter filhos e desgraçar a imagem de santinha), ou se deixa estar. Caneco, não deve nada a ninguém. Não é a poster-girl da revolução.

    ResponderEliminar
  22. Izzie: o pessoal só ficava contente se ela se despojasse de todos os bens materiais e fosse para a Índia viver numa comunidade de leprosos, levando apenas a roupa que tinha no corpo e umas alpercatas.

    ResponderEliminar
  23. Eu concordo com todas as virgulas que a Luna escreveu!

    Só tenho as minha duvidas quanto à espontaneadade da coisa. Só isso.

    Mas a moça que aproveite e que seja mt feliz ora!

    ResponderEliminar
  24. Oh meninas,

    eu fiz questão de sublinhar no comentário que fiz acerca dos 18 anos que NÃO estava a comparar, leia-se novamente:

    «NÃO falando no caso desta miúda em concreto, ter 18 anos e ser-se adolescente não é resposta que torne tudo absolutamente aceitável, credível, desculpável e fofinho»

    Portanto, parem lá de fazer comentários imbecis acerca disso. Considero-me uma pessoa suficientemente saudável mentalmente para não comparar um crime com uma entrevista. Não leiam só o que vos convém, caramba.

    Queria apenas sublinhar que esse pormenor da idade e dos 18 anos é relativo, para este caso.

    Desejo todo o bem do mundo à miúda, que arranje um bom trabalho e que nunca mais na vida tenha de ir a uma manifestação contra um governo ou medidas de austeridade.

    Mas sou cínica e realista o suficiente para me passar pela cabeça que possa não ter sido um gesto espontâneo, antes ou depois da capa de revista. Permitem-me tal coisa? Deixam? Obrigada.

    ResponderEliminar
  25. "Só tenho as minha duvidas quanto à espontaneadade da coisa."

    Ou seja, a miúda saíu do Algarve para vir à sua primeira menifestação de sempre em Lisboa, já com tudo planeado: "chego lá, abraço um polícia, e na semana seguinte estou na capa da VIP."
    Não é por nada, mas bastava o Cristiano Ronaldo ter mandado um arroto em público durante a semana para este plano estrategicamente concebido ter saído gorado. Ou os fotógrafos estarem a olhar para outro lado. Ou alguém ter-se resolvido despir e subir ao marquês. Enfim, é muito elaborado.

    ResponderEliminar
  26. RL

    mas permitimos tudo! E se tu, na tua concepção do mundo, preferes ver este acto bonito como um acto premeditado cujo único propósito foi a auto-promoção, estás no teu absoluto direito.

    Mas nós, e creio poder neste caso poder falar por "nós", umas cínicas por natureza, mas ainda não completamente impermeáveis a actos espontâneos, acreditamos que no momento o acto foi espontâneo, confirmado pela absoluta ingenuidade das entrevistas, e que o que se seguiu foi apenas uma consequência, condenando as múltiplas acusações de cabra calculista a uma miúda que é isso mesmo, miúda.

    ResponderEliminar
  27. Ninguém aqui chamou a miúda de cabra calculista ou a ofendeu. Nunca lhe chamei nenhum nome ou afirmei que fosse um ser terrível e desmerecedor do que quer que fosse.

    Não extrapolem o que é aqui dito/escrito.

    Não é a ida dela à manifestação que está em causa, é o abraço e o facto de ter andado a rondar o polícia. Não que esteja a pôr isso em causa, que me é indiferente, mas pode ter sido menos espontâneo... Abraçar para aparecer, para ser fotografada, para ser vista e procurada. Se tem mal? Não, cada um faz o que quiser, uns vão para Casas de Segredos, outros ganham prémios, outros vão a festas. Mas faz-me pensar na beleza do gesto... se foi realmente bom ou se a intenção poderia ser outra.

    Não estou a dizer nada do outro mundo, nem a chamar nomes à miúda. Parece-me que nunca o fiz.

    Uma coisa é dar-se um episódio e dai virem consequências positivas, outra coisa é forçar-se um episódio e daí virem consequências positivas. É possível que aconteça. Não sei se foi o caso ou não, sinceramente pouco me importa, mas penso que estamos no direito de nos questionarmos sobre isso.

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  28. Ninguém aqui chamou a miúda de cabra calculista ou a ofendeu. Nunca lhe chamei nenhum nome ou afirmei que fosse um ser terrível e desmerecedor do que quer que fosse.

    Não extrapolem o que é aqui dito/escrito.

    Não é a ida dela à manifestação que está em causa, é o abraço e o facto de ter andado a rondar o polícia. Não que esteja a pôr isso em causa, que me é indiferente, mas pode ter sido menos espontâneo... Abraçar para aparecer, para ser fotografada, para ser vista e procurada. Se tem mal? Não, cada um faz o que quiser, uns vão para Casas de Segredos, outros ganham prémios, outros vão a festas. Mas faz-me pensar na beleza do gesto... se foi realmente bom ou se a intenção poderia ser outra.

    Não estou a dizer nada do outro mundo, nem a chamar nomes à miúda. Parece-me que nunca o fiz.

    Uma coisa é dar-se um episódio e dai virem consequências positivas, outra coisa é forçar-se um episódio e daí virem consequências positivas. É possível que aconteça. Não sei se foi o caso ou não, sinceramente pouco me importa, mas penso que estamos no direito de nos questionarmos sobre isso.

    Beijinhos

    ResponderEliminar