3 de junho de 2014

Coisas que realmente importam

O YesAllWomen nasceu como resposta ao NotAllMen, um tag que apareceu aquando do último atentado contra mulheres e o manifesto misógino que o provocou, com o autor do atentado a querer vingar-se de todas as mulheres que o rejeitaram sexualmente. Como sempre apareceram muitos comentários argumentando que nem todos os homens são assim, e nós agradecemos a informação, mas já o sabemos, felizmente. Infelizmente, continuam a havar demasiados, e demasiadas mulheres vítimas. A campanha YesAllWomen visa chamar a atenção para o facto de todas as mulheres já terem sido vítimas de alguma forma de violência sexual, seja ela física ou verbal, durante a sua vida, e o relato das suas experiências deverá servir como alerta, abre-olhos, para algo que tem sido sistematicamente ignorado e desvalorizado.
Os testemunhos do post anterior são gritantes, e mostram claramente que algo deve ser feito, é um problema social que para ser resolvido deverá ter a participação de todos, homens e mulheres, que considerem que algo deve ser feito. E uma das primeiras coisas a fazer é parar de desvalorizar o problema e agir como se não existisse. Existe, e é uma chaga na nossa sociedade. Até quando?

7 comentários:

  1. Luna, não sei se conheces mas também existe o fantástico projeto "Everyday Sexism" (creio que também é uma hashtag). Basicamente é um website onde centenas de milhares de mulheres escrevem experiências sexistas que viveram. Vai desde o mais comum como o assédio na rua a casos gravíssimos de violência sexual.

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  2. Tudo o que tens escrito sobre este tema é de uma lucidez que falta a muitos. E é triste, porque percebo que aquilo que para mim é óbvio e claro, muitas vezes não o é para a maioria das pessoas. Posto isto, é cada vez mais importante e urgente expor o problema, ser feminista, explicar que as acções e a violência têm por base ideias e comportamentos tão comuns, tão enraizados na sociedade, aparentemente inócuos, aquelas coisas que "são assim pq o mundo é assim e não vai mudar", que não conseguimos ver que uma coisa causa, fomenta e até justifica a outra.

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  3. Esta porra vai continuar a existir até ao dia em que uma reforma dura na Lei mande a canalhada toda para a prisão com obrigação a trabalhos forçados para poderem ter jantarinho. Não trabalha, não come. Não é assim cá fora? Já fui apalpada, já fui bichanada, já vi gajos em masturbação à minha frente (e não, não foi na intimidade do meu lar), já bati num velho nojento que se atirou a uma amiga tinhamos nós 13 ou 14 anos, recordo o padeiro que entregava o pão no meu prédio dizer-me para eu ir com ele para o elevador para fazermos coisas bonitas. Tive sorte até hoje, nunca me fizeram mal à séria, mas quando saio à noite (sobretudo à noite) saio com mil cuidados e alguns receios. E penso nas minhas filhas daqui a uns anos e sei, sei mesmo, que atropelaria esses canalhas com um camião TIR se lhes tocam com uma pena sequer. Mas ninguém faz grande coisa, ninguém se junta para um espancamento em praça pública, uns dentes partidos ou um taco de basebal pelo rabo acima desses coisos. Direitos humanos? Mas essa gente não é humana, como vão ter direitos humanos?

    (sim, é um comentário emocional, tem zero de racional)

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  4. Não sei se a Luna já viu o texto de hoje da Jessica Valenti no Guardian: http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/jun/03/women-street-harassment-statistics

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  5. Já começo a ficar farta dos homens aborrecidos com esta questão e das mulheres armadas em espertas que dizem detestar feministas. Argumentar que nem todos os homens são maus é tão útil como levar areia para a praia. Não me fodam. Tenho umas boas histórias para contar mas vou guardar para um post. beijinhos

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  6. Sinceramente, os homens terem a opinião de que as mulheres "provocam" não me choca. Chocou-me ontem ouvir uma mulher, à minha frente, a dizer que realmente as raparigas provocam e merecem se forem atacadas (esta querida senhora não tinha 80 anos, estava nos seus 40 e é professora numa universidade, logo, não é propriamente uma pessoa sem educação...)

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    1. A educação não depende de um diploma...

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