31 de Janeiro de 2011

Whatever Works

That's why I can't say enough times, whatever love you can get and give, whatever happiness you can filch or provide, every temporary measure of grace, whatever works.

Boris Yellnikoff, in Whatever Works

30 de Janeiro de 2011

I'm not that into you

Tenho uma amiga, a quem vamos apelidar carinhosamente de Samantha, que tem uma visão um quanto avant-garde relativamente a estas coisas das relações. Depois de umas quantas más experiências, dizia-me ela que já não queria cá cafezinhos, nem jantares, nem idas ao cinema, nem essas coisas todas em que geralmente consiste a corte. Não, não. Primeiro vai-se para a cama, e depois se correr bem logo se vê se se vai tomar café, ou ao cinema, ou ao que quer que seja, mas estava farta de perder imenso tempo com aqueles rituais, de começar a criar uma relação com o tipo, envolver-se emocionalmente, para muitas vezes chegar à hora da verdade e correr muito mal, e depois ter de andar a arranjar imensas desculpas e explicações piedosas, e pensar na melhor maneira para acabar com ele, sem lhe estraçalhar o ego, só para não lhe dizer que, na verdade, tinha uma pila pequena. 
Embora tenha uma visão um pouco menos pragmática e redutora da questão, percebo o ponto de vista. O que ela queria dizer com isto, também, é que a desilusão é muito maior depois das expectativas criadas. Expectativas essas que só se criam porque não se foi confrontado com a realidade, e que crescem exponencialmente com o adiar do encontro. Ora, numa época de facebooks, blogs, chats, e afins, existe uma enorme probabilidade de que, mesmo que involuntariamente, por uma razão ou por outra, se acabe a falar com pessoas que não se conhece, que nunca se viu, com quem se cria uma ligação. E muitas vezes esse desconhecimento, e curiosidade, dão azo a um certo entusiasmo, criando-se expectativas, quase sempre goradas, quando finalmente se dá o encontro ao vivo. E a pessoa sente-se defraudada, e desiludida, e finalmente irritada, primeiro consigo mesma, e depois com o outro, coitado, que nem tem culpa nenhuma de não corresponder às expectativas criadas, mas que parvoíce, podia lá ser, como é que sequer me passou pela cabeça, então não se estava mesmo a ver, etc.. E isto tudo para dizer que, nestas coisas de se conhecer pessoalmente, quanto mais depressa se despachar o assunto, melhor. Evitar-se-iam muitas perdas de tempo.

24 de Janeiro de 2011

Fortunately for you, I'm not the kind that only eats ramen

Um presente da Geek in the Pink, que tem um dos blogs mais engraçados que por aí andam, com tiras  absolutamente deliciosas. Obrigada.

Expliquem-me como se eu fosse muito burra



Isto é ou não é um convite à pirataria?

Uniforme

Admiro muito aquelas miúdas que conseguem variar os outfits e andar estilosas no Inverno. Eu passo quase toda a estação de farda: calças de ganga, botas, camisola de gola alta, e eventualmente um cardigan por cima. Só mudam as cores.

23 de Janeiro de 2011

Black swan mais ou menos

O lago dos cisnes será, provavelmente, o bailado mais conhecido de sempre. A música é arrebatadora, daquelas que toda a gente reconhece. Ou pelo menos toda a gente que fez ballet. Tal como reconhece o carrapito (ou totó), que passados mais de dez anos ainda se consegue fazer às escuras em menos de um minuto. Ou o coser das fitas, o riscar das solas para não escorregar, o inútil ligar dos dedos (falta talvez o envolver em papel higiénico para amortecer e absorver o sangue). Sabe quem fez ballet de pontas que a dor é constante, como constante é o sacrifício de esfolar as articulações contra o gesso das sapatilhas completamente rígidas, ficar com os pés em ferida, doer a cada movimento. Não é para todas, não era para mim. Desisti quando, em vez de um prazer, se antecipava uma sessão de tortura a cada lição, que me fazia temê-la. Quando ao fim de cada aula descalçava as sapatilhas para ver pés ensanguentados, que nunca chegavam a sarar de uma aula para a outra, e a que nunca me consegui habituar. É preciso uma paixão e abnegação enormes para se continuar. E para fazer parecer fácil e natural, harmonioso e incrivelmente belo, algo que não vem sem uma dose quase sobre-humana de violência física (e psicológica). E quando se tem essa noção, e se sabe isto tudo, consegue apreciar-se ainda mais a beleza sublime de um bailado. Sem esquecer o que aquela gente tem de passar para chegar lá.

21 de Janeiro de 2011

Amizade, etc.

Nunca cortei relações com ninguém, ou melhor, nunca cortei relações com alguém de quem me considerasse amiga. Por maiores que fossem as ofensas - e por vezes foram muito graves -, por mais violentas as discussões, depois da fúria passar, sempre fui capaz de parar e pensar. Recapitular o que que passou e pesar as coisas, pondo num prato da balança o quanto gosto da pessoa, e a importância que tem para mim, e no outro o quanto me magoou. E de todas as vezes a balança acabou por pender para o lado da pessoa, porque afinal me incomoda mais estar zangada com alguém de quem gosto, do que a razão porque me zanguei. Porque a pessoa é mais importante, pesa mais, e não quero daqui a dez anos pensar nela com pena e arrependimento, sem me lembrar já porque nos zangámos, por não ter dado oportunidade a uma reaproximação. Talvez seja por isso que mantenho amizades tão longas e duradouras, resistentes, daquelas que estão lá de pedra e cal, no matter what. Sei que não é fácil, é preciso muitas vezes pôr o orgulho de parte, baixar a guarda e, sem artifícios, peito aberto, conversar longamente sobre o que aconteceu, resolver as diferenças, deitar para fora o que nos feriu para podermos recomeçar. Só que é curto o período em que isso é possível, pelo que o devemos aproveitar antes que se perca. Deixando passar demasiado tempo, cria-se uma distância que se torna intransponível, e a cada dia que passa mais difícil de estreitar. E que faz a diferença entre voltar a ser-se amigo, ou passar-se a conhecido. E ninguém quer ser conhecido de quem já se foi amigo.

18 de Janeiro de 2011

Who's that girl?


Uma pessoa suspeita levemente que talvez haja um photoshopezinho a mais quando, ao olhar para uma fotografia, demora uns quantos segundos a reconhecer a fotografada.

17 de Janeiro de 2011

É a competitividade, estúpida

É em momentos como este, quando, ao discutir a temática da minha review com o meu orientador, lhe digo que pretendo discutir o assunto com um colega que também vai escrever uma, para me certificar que os temas não se sobrepõem, e ele me responde "but if you write it first, then it's his problem", que percebo que definitivamente não sou talhada para o sucesso.

15 de Janeiro de 2011

Para quem gosta de chá

Não conhecia a marca, mas ofereceram-me uma latinha destas pelo Natal e estou rendida. Uma grande descoberta, recomendo. Em Portugal não sei onde se vende, mas podem dar uma olhadela no site aqui. Imensa variedade, para todos os gostos. Dá vontade de comprar tudo.

13 de Janeiro de 2011

É nestas alturas que sinto um bocadinho vergonha de ser Portuguesa


Mas pronto, suponho que a estupidez seja universal.

Presente tardio ♥

Fenómenos raros


Desta vez posso, não posso? Vá lá, não me ralhem, please, pretty please, deixem-me postar os meus quadrinhos meteorológicos à vontade, como se eu fosse autista a quem só isto apaziguasse. É que ainda por cima é uma coisa que não acontece todos os dias, senhores, e acho que merece ficar registada para a posteridade.

12 de Janeiro de 2011

Recuperação da emissão (ou não)

Há muitos muitos anos, ainda era eu uma ilustre desconhecida e principiante nestas lides blogosféricas, e também eu participei num blog colectivo que se dedicava à crítica "blogo-literária". Chamava-se "Os pelintras", e procurava gozar/brincar com outros blogs - os de poesia delico-doce eram um alvo preferencial - mas com humor, sem entrar na ofensa ou insulto aos seus criadores. Claro que durou pouco tempo, tal como vaticinei que aconteceria a outros mais recentes na mesma linha. Isto porque mesmo numa onda mais soft, o tipo de comentário que atrai raramente é inteligente, e em vez da noite da má-língua com o Miguel Esteves Cardoso que se tinha antecipado, acaba-se numa versão rasca da tertúlia cor-de-rosa a sentirmo-nos o Cláudio Ramos. E ninguém merece - excepto, talvez, o próprio Cláudio Ramos. A discussão inteligente e picardia saudável que se deseja inicialmente nunca chega a acontecer, só o mesmo vómito acéfalo, ofensas básicas e repetitivas, entremeadas com comentários de groupies excitadinhas, sempre mais do mesmo, longo bocejo, até uma pessoa quase morrer de tédio. E uma coisa que deveria ter piada, torna-se apenas chata. Daí que sempre que aparece um novo, comece por pensar: "será desta que alguém faz uma coisa com graça?" para depois ler dois ou três posts e pensar "Nah, ainda não é desta...". Been there, done that. De modo que, anonimozinhos de mi corazón, que tanto se preocupam com a minha vidinha e se sou ou não criticada, centro da vossa existência, devo dizer-vos que não, não sou co-autora de um certo blog da especialidade, o que à partida deveria ser óbvio, primeiro porque não escrevo com erros, e depois porque o faria melhor.

Pronto, já podem ir fazer queixinhas.

7 de Janeiro de 2011

6 anos

Este blog faz hoje 6 anos, e nunca tive tão pouca vontade de escrever.