25 de março de 2011

Mudança de estação

Como até aqui à Holanda já chegou a primavera - hoje máxima de 15 graus, minha gente! - achei que era altura de mudar o header para algo mais primaveril, tomando a liberdade de fazer umas alterações cromáticas ao que a leitora Cátia me mandou há uns largos meses.

23 de março de 2011

Pensar positivo, wtf?

Através da Ursa preferida, chego a umas declarações do psicopata violador de telheiras, e páro nesta frase:


E pergunto-me, como é suposto ver isto de forma positiva?

Pensar "Ah, que fofinho, o meu filho violou mais de 40 mulheres, quem me dera ter sido violada também"?

22 de março de 2011

Uma mão lava a outra

Funciono bem sob pressão, sempre funcionei. Sem pressão, tenho tendência a procrastinar, e por consequência ser menos produtiva. Mas uma vez sobre pressão, é como se de repente comece a dedicar-me a uma coisa a 100%, sem quase conseguir desligar. O que faz que comece a pensar no que quer que seja a questão muito mais profundamente. A "wake up call" que tive pouco antes de começar a ter bons resultados, pôs-me a pensar "outside of the box", menos no que estava planeado e na estratégia geral, mas no que poderia ser feito mais além. Trabalhar em parceria é complicado, porque tudo a que nos propomos tem de ser aceite pela outra parte, que fará metade do trabalho, e quando queremos fazer algo que a outra parte não quer especialmente, há que pensar em respostas que possivelmente lhe interessarão. Eu quero fazer isto, por mim, mas o que é que lucras tu?  E de repente começo a ter tantas ideias, algumas até para o meu colega imunologista, que o deixo meio tonto, ao ponto de me dizer que andava a ficar demasiado nervoso com tanta coisa ao mesmo tempo. E que precisa de desligar um bocadinho, o pobre. E eu aqui, a ter de esperar por amanhã para que ele me diga o que acha da minha última ideia genial (é mesmo, sem ironia, e com noção de que seria mesmo um breakthrough), que resultaria num paper dele, e não necessariamente meu, mas que também me interessa secundariamente, porque responderia a outras perguntas que quero responder. E cada vez mais vejo que até na ciência há muito de política e relações públicas. E que para convencer alguém a contribuir num sentido, temos de ter algo para a troca.

Nos outros 10%

Também não ajuda muito a sentirmo-nos mais espertos quando o nosso colega da frente é geek ao ponto de estar a construir um medidor de absorvância e fluorescência que possa ser usado sem ser no escuro, just for fun, com peças de aparelhos antigos e desactivados. Mas enfim, há que ter em conta que é o gajo que tem uma cena a ser patenteada passado apenas um ano.

21 de março de 2011

Fazer doutoramento (ou de como nos sentirmos estúpidos 90% do tempo)




Ouvi muitas vezes doutorados dizerem que, caso voltassem atrás para o repetir, o fariam em metade do tempo. Acho que nunca o percebi até agora, quando dois anos e meio passados, atinjo finalmente objectivos propostos para o primeiro ano. O que acontece é que, quando se começa a trabalhar com algo completamente novo, do zero, sem ter ninguém que nos diga como se faz, sem contar com mais que sugestões, de início não fazemos a mínima ideia de como conseguir aquilo a que nos propomos. E começa todo um processo de tentativa e erro, em que vamos aprendendo principalmente com os erros, mais do que com os sucessos, que são poucos, ou quase nenhuns. Ao longo do tempo, e depois de muitas tentativas falhadas, vamos começando a perceber cada vez melhor aquilo com que trabalhamos, ganhando visão de como conseguir realizar os novos passos, baseando-nos nos falhanços anteriores, e na experiência entretanto obtida. Não sabemos ainda como fazer, mas como não fazer. No meu caso, o objectivo mais básico, aquele que deveria ter sido atingido passados menos de seis meses, mostrou-se difícil de alcançar. Aquilo que era tão básico e conhecido com outra molécula, tão estudada, tão conhecida, tão fácil de manipular, com esta mostrava-se impossível de reproduzir. Repetir, repetir, repetir, tentar mudar todas as variáveis, até conseguir um resultado positivo. Demorou dois anos.
O atraso deixava-me abatida, desmotivada. Sem conseguir o objectivo número um, como prosseguir? Se tinha levado 2 anos para consegui-lo, quanto tempo mais demoraria cada passo seguinte? Mas agora entendo. O que aprendi nestes 2 anos fez-me saber o que resulta, e o que não. E, depois disso, os passos imediatamente posteriores têm resultado à primeira, quase ao ponto de não conseguir acreditar. Tanto tempo para conseguir aquilo, e agora o resto parece tão fácil, tão óbvio, tão irreal. Todos os meus falhanços anteriores contribuem para que saiba por onde começar a cada novo desafio, já não começando do zero,  nem  perder tempo com coisas que já sei que não dão certo. E confirmá-lo, de facto, ao verificar que as sugestões teóricas de pessoas com muito mais anos de experiência do que eu na área não resultam no meu caso particular, faz-me perceber que do meu assunto sei eu, mais que ninguém. E de repente ando a mil à hora, a fazer várias coisas diferentes ao mesmo tempo, que surpreendentemente têm resultado, e que em três semanas me deram mais resultados do que tive em dois anos. 
E percebo finalmente a afirmação inicial. Sim, realmente, se eu soubesse o que sei agora, teria demorado dois meses a conseguir o que consegui em dois anos. Mas é isso que fazer doutoramento significa: no final, ninguém saberá tanto desta merda como nós. Porque não tentaram e falharam mil vezes, até acertar uma.

Coisas do caraças (modo very geek)

Descobrir um erro (bastante grave) num processo analítico realizado por um grupo altamente especializado, resultando numa quantificação incorrecta, e tentar comunicá-lo sem ferir susceptibilidades. O que implica gastar 300€ numa análise feita num laboratório independente, que demorará umas semanas, em vez de insistir em que repitam a análise mal feita, provavelmente por terem usado uma recta de calibração fora da zona linear, e que demoraria um par de horas.

(mas quem é que vai acreditar numa gaja que, há 2 anos, da primeira vez que tentou fazer HPLC, se esqueceu de ligar o detector e foi a joke of the month?)

Só em Portugal?

Depois de serem pesadas as várias alternativas, o problema da água será resolvido à portuguesa: pela porta do cavalo. Em vez de a comprar pelas vias normais, passarei simplesmente a ir sacar umas garrafas ao hospital. Continuo a não achar normal.

17 de março de 2011

Bizarrias laboratoriais

No meu trabalho laboratorial, tenho frequentemente de preparar formulações que serão posteriormente usadas in vitro e in vivo para serem testadas em termos imunológicos. Por essa razão, as minhas formulações têm de ser muito "limpas", isto é, livres de quaisquer impurezas que possam afectar ou mascarar os resultados obtidos, pelo que tenho de usar água esterilizada extremamente pura, chamada água para injecção, que é a usada em hospitais. Depois da última encomenda, recebi um telefonema do fornecedor a dizer que não ma podiam vender, devido a uma lei recente, que inclui esta água nos produtos restritos a uso médico, e que precisava de uma autorização especial, assinada por um farmacêutico registado. Coisa que nem o meu chefe, doutorado em farmácia, é. O que me faz ter de ir pedir ao meu outro orientador, o do hospital, para me assinar a autorização, para lhes poder mandar o formulário e poder receber a encomenda. Isto não seria completamente ridículo se eu não pudesse encomendar à vontade qualquer tipo de ácidos, solventes altamente tóxicos, como clorofórmio ou metanol, ou acetonitrilo, que uso diariamente e cuja última encomenda foi de 20 litros, e que pode ser metabolizado em cianeto de hidrogénio, e não tivesse acesso livre a uma enorme variedade de outros compostos perigosos, tóxicos, cancerígenos, mutagénicos, etc., que, em doses certas, podem causar a morte de pessoas. Agora água é que não, para a água preciso de uma autorização especial. Muito normal, sim senhora.

15 de março de 2011

Coisas do caraças #2

Estava aqui a ver um episódio antigo do House quando reparei que o doente é o Dave Matthews himself.

Coisas do caraças

Acabei neste momento de tomar conhecimento que o The Sound of Music, o nosso Música no Coração, foi traduzido como A Noviça Rebelde na versão brasileira. Não tenho palavras para expressar a comoção, mas também não podia guardar isto só para mim.

11 de março de 2011

Um, dois, três

E como se eu já tivesse pouco que fazer, o meu chefe chamou-me há bocadinho para me informar que a partir de Abril terei mais dois (dois!) alunos estagiários para orientar, para além do meu Ahmedzinho. Isto para uma pessoa que nunca quis ser chefe, e que nem sequer tem jeito, de repente ver-se a ter de ensinar e supervisionar três pessoas é coisa para me pôr à beira do colapso, e começar a gritar que "this wasn't what I signed for!". Mas vejamos pelo lado positivo, sempre dá para pôr no currículo: experience in managing people. E se forem mesmo bons, quem sabe se consiga sacar um artigo dos projectos?