Será que nos habituamos também à ausência?
31 de agosto de 2005
Habituamo-nos
Será que nos habituamos também à ausência?
30 de agosto de 2005
Muito amigas
22 de agosto de 2005
18 de agosto de 2005
11 de agosto de 2005
Férias
10 de agosto de 2005
Normal
Difícil
7 de agosto de 2005
Compras semanais
Mas como dizia, detesto ir ao supermercado. E digo super, não hiper, que isso então seria uma tortura para lá do suportável, e só vou mesmo quando estritamente necessário, aí de 2 em 2 meses, comprar os bens que não encontro em pequenas superfícies. Detesto, tal como as outras tarefas domésticas, para as quais não fui claramente talhada e executo com sacrifício, sabendo que nunca atingirei a perfeição, mas infelizmente as coisas não aparecem feitas, e além de precisar de comer, e gostar de o fazer bem, sou limpinha e asseada e não gosto de viver numa pocilga.
No entanto, em tudo há um lado positivo, e as minhas idas ao super, com um ar desgrenhado e aquela cara de cu domingueira, servem para ver que existem pessoas muito mais feias do que eu, mesmo ao domingo. Desde uma miúda loura pavoneando-se com as vestes mais feias que vi nos últimos tempos, um vestido pavoroso em tons de rosa shocking, vermelho e branco de tecido brilhante sintético e padrão tipo psicadélico a fazer lembrar os Porfírios, a uma senhora com o cabelo mais absurdo possível, castanho escuro em baixo e louro platinado em cima (eu sei, é difícil visualizar, mas infelizmente não sei desenhar para deixar uma ilustração). E eu sinto-me menos sem graça, mesmo com a havaiana no pé e a cara de ressaca do sábado à noite.
"Regras de convivência na praia" ou "Como não cortar relações com os amigos"
- Não comentar o tamanho do bikini, que parece encolher misteriosamente a cada utilização.
- Não comentar a forma física que obviamente já viu melhores dias, e muito menos referir a protuberância anatómica situada no fim das costas com adjectivos acabados em "ão".
- E principalmente, nunca, jamais, tecer comentários sobre a cor da pele e o facto de ser a pessoa mais branca do areal, muito menos acompanhados de "Fogo, se eu fosse assim branco fazia solário antes de vir à praia" ou "Tás cá com um bronze" entre gargalhadas!
Resumindo, não comentar absolutamente nada que não seja do pescoço para cima. E definidas e respeitadas estas regras, podemos ser amigos outra vez.
5 de agosto de 2005
Jornal das Moças e outras pérolas
- Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas. (Jornal das Moças,1957)
- Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afecto. (Revista Claudia, 1962)
- A desarrumação numa casa-de-banho desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa. (Jornal das Moças, 1965)
- A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas. Nada de incomodá-lo com serviços domésticos. (Jornal das Moças, 1959)
- Se o seu marido fuma, não arranje zanga pelo simples facto de cair cinzas nos tapetes. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa. (Jornal das Moças, 1957)
- A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar a uma mulher que não tenha resistido a experiências pré-núpciais, mostrando que era perfeita e única, exactamente como ele a idealizara. (Revista Claudia, 1962)
- Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu. (Revista Querida, 1954)
- O noivado longo é um perigo. (Revista Querida, 1953)
- É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido. (Jornal das Moças, 1957)
E para finalizar, a mais de todas:
- O LUGAR DA MULHER É NO LAR. O TRABALHO FORA DE CASA MASCULINIZA.
(Revista Querida, 1955)
A CONCLUSÃO A QUE TODOS OS HOMENS CHEGAM:
Já não se fazem mais revistas didácticas e carregadas de moral como antigamente....
Resta a pergunta, aquela que me faz uma comichãozinha cá no cocuruto: com esposas tão virtuosas e perfeitas, porque é que os maridos passavam o tempo em casas de putas?
Sudoeste
Que raiva não estar aqui durante 4 dias, sem dormir, alimentada a cachorros e cervejolas, e toda sujinha a tomar banho nos canais de rega como fiz noutros verões...
4 de agosto de 2005
Contas
- Apanhando no ar conversas telefónicas de contactos comerciais lá da empresa, 500€ para cá, 500€ para lá, concluo que será possivelmente a tabela de preços dos estudos e consequentes relatórios que tenho andado a fazer.
- O que quer dizer que em 2 meses de estágio farei ganhar à casa cerca de 700 contos, enquanto recebo menos de 40, que nem são pagos por eles.
3 de agosto de 2005
Roubo
- Roubo! Considero isto um roubo, um roubo legal, mas um roubo. Tenho mais respeito por um gajo que entre de metralhadora num banco. Sabes quantos são 700 mil euros? São 140 mil contos!
Ao mesmo tempo abria o Neo-Normal e, ao ler as gordas, nem foi preciso ler o resto para perceber imediatamente do que se tratava.
É de facto ultrajante, que num país em contenção de despesas, em que andamos todos a apertar o cinto para pagar o défice, se permitam roubos legais como estes, sob a forma de indemnizações e reformas milionárias, por vezes após meses de trabalho. Haja vergonha país!
1 de agosto de 2005
Futuro
E lá estava eu a deixar-me arrastar pelo queixume, à espera que uma oportunidade irreal me caísse do céu, pouco fazendo para que ela chegasse. Ai tadinha de mim, que tanto quero trabalhar em ciência e não consigo, ai que não arranjo bolsa, ai que não tenho média para fazer doutoramento directo, ai que vou passar o resto da minha vida a fazer o que não gosto, ai isto, ai aquilo, simplesmente ai.
Mas por vezes a sorte muda quando paramos para pensar e traçar objectivos. Porque não vale a pena remar contra a maré nem esperar eternamente por coisas que sabemos que não chegarão nunca nas condições em que nos encontramos. Porque não é pensando no que poderia ter sido que mudamos o que é. Porque há que ver mais longe. E é aí que os planos têm que ser desenhados, por nós mesmos, mesmo que sacrificando a nossa independência por mais uns anos, mesmo sem ganhar bem, e principalmente enfrentando a dificuldade de fazer escolhas, tudo para atingir os nossos objectivos. Passo a passo, construindo a estrada que nos há de levar ao destino pretendido.
E por vezes aparece uma luz ao fundo do tunel, mesmo quando já nada o fazia esperar, porque se arriscou, porque se apelou, se recorreu a quem tem poder e com um não garantido se teve coragem de pedir, mesmo sem acreditar numa resposta positiva. E por isso tenho uma entrevista marcada para Setembro, para um mestrado cujas inscrições terminaram a 1 de Julho, e se cheguei até aqui, por que não continuar em frente?

