30 de março de 2008

Ou como uma pessoa percebe que está velha e acabada



Ontem, enquanto voltávamos para casa depois de um jantar em North Beach, brincávamos com uns loucos passos de ballet pelas ruas de Castro. A pedido, resolvo arriscar um salto, o que nem teria sido muito grave se:

1. Eu não estivesse de saltos altos
2. Não tivesse deixado o ballet há 14 anos

O belo resultado não é difícil de imaginar: uma cãibra gigante e o resto do caminho a coxear. Oh well, pelo menos é sinal de que apesar da idade ainda consigo fazer coisas bastante idiotas, e que pelo menos isso não muda.

Feio giro #56


JP Simões

29 de março de 2008

Capuchinho Vermelho

Ontem, no eléctrico, de volta a casa após uma curta saída em Mission, sou abordada por um dos passageiros:
- You ride the Glen Park shuttle, don't you?
- Yes... why?
- I recognized your little red pea coat.

Sorrio embaraçada e percebo que também somos o que vestimos e como o meu casaco encarnado se tornou uma imagem de marca.

28 de março de 2008

Eu bem que dizia que era trend

O único fofo* existente nas imediações do meu cubículo está a deixar crescer o bigode. A sério, eu não mereço!

*expressão largamente utilizada pela pequena comunidade lusa em São Chico (basicamente o meu grupo de amigos) para rapaz giro.

Agradável surpresa


Mia Doi Todd - Sleepless nights

Guitarra

Gosto de ver tocar, não só de ouvir, mas de ver, hipnotizada entre dedos, mãos, braços. Há algo de incrivelmente belo na anatomia subitamente exposta: falanges, falanginhas, falangetas, que se mostram no dedilhar; tendões que aparecem e desaparecem à transparência sob a pele; veias que se tornam salientes, grossas, pulsantes; o requebrar ritmado do pulso ou os músculos que se contraem. Uma certa magreza torna-o ainda mais bonito, revelando mais osso, mais cartilagem, mais sangue, deixando à vista a fragilidade de tudo aquilo que faz o nosso corpo por dentro. Podia passar horas a olhar, embalada naquele movimento.

Feio giro #55


José González

27 de março de 2008

Sou uma mulher feliz #2




Passados mais de 3 meses a beber uns espressos ranhosos naquelas maquinetas cheias de botões e opções a condizer, descobri uma máquina de café a sério no andar acima do meu. E, apesar de me sentir bastante idiota e ignorante por nunca ter antes reparado ou sabido de algo tão importante como uma máquina de café a sério, tudo isso se apaga quando tenho em conta que finalmente bebi uma bica (quase) decente.

Sou uma mulher feliz

Acabaram de me dar 23 anos.

Heartbeats



Se por aí é dia de Portishead*, por cá é dia de Zezito.

*Para nós será dia 26 de Abril.

Pimponeta

Gostava de ser daquelas pessoas que sabem sempre o que querem fazer. Que desde os cinco anos decidiram que queriam ser médicos ou professores, e persistiram nos seus propósitos sem hesitações ou desvios de caminho. Que sabem o que querem ser e quando. Que sabem quando querem casar, onde querem viver, quantos filhos ter ou se os ter. Que se arriscam a mudar, ou a não o fazer de todo, que por vezes a estabilidade é a coisa mais assustadora do mundo. Que compram casa e não se importam de saber que daqui a cinquenta anos estarão a morar no mesmo sítio, na mesma casa que pagaram a longas prestações. Que mantêm os mesmos amigos, maridos, amantes. O mesmo país, cidade ou aldeia. Os mesmos sabores, a mesma música, a mesma dança, porque sabem do que gostam e não precisam de algo mais. Gostava de ser assim, de conseguir gritar convicta "aqui vou ser feliz" em vez de me cantar constantemente ao ouvido o Variações e o seu "Estou além" e de não pensar e repensar mil vezes as várias opções, sempre com medo de escolher a resposta errada. Gostava de ser assim, mas não sou. E fico à espera que alguém me diga o que escolher, o que fazer, qual o melhor caminho a seguir. O pior é esse alguém ter de ser eu. Logo eu, que nem consigo decidir rapidamente o que quero comer. Má, má escolha. Não se arranjava ninguém mais qualificado?

25 de março de 2008

21 de março de 2008

Eu sei que isto é um bocadinho à mete nojo



Mas acabei de comprar o meu bilhete para aqui - caro como a porra, diga-se de passagem. Any guesses?

20 de março de 2008

Pânico

Na próxima quarta feira terei uma entrevista que, caso corra bem, dará origem a uma série de mais 6 ou 7, cujo veredicto final será a minha permanência ou não na Genentech por um período de dois anos. Não sei do tenho mais medo: que corra bem ou que corra mal. Dois anos é muito tempo e nunca fui boa a tomar decisões. Ir ou ficar?

Vergonha

Isto enche-me de vergonha e lembra-me porque é que em caso algum quis ser professora, assegurando bem que escolhia um curso sem via ensino, embora na prática tenha habilitações suficientes para leccionar matemática, física, química e biologia. Três anos de ensino oficial bastaram: vinda de colégios onde me considerava rebelde por fugir para a quinta para fumar, ver alunos a atirar objectos aos professores e a chamar-lhes nomes causou quite an impact. Claramente, não iria correr bem. Sei que dificilmente não pregaria um valente par de estalos nas trombas daquela menina. Depois, imagino todo um longo processo, as associações de pais indignadíssimas "que ninguém toca no meu querido filhinho era só o que faltava", as manchetes sensacionalistas "professora agride aluna" e por fim a suspensão de funções ou mesmo a inibição de leccionar para todo o sempre. Isto, claro, se não fosse presa por traumatizar irreversivelmente a criancinha, causando danos irrecuperáveis no seu desenvolvimento cognitivo e prejudicando a sua inserção social. Blargh...

from Post a Secret

Say it to me now


Once OST

18 de março de 2008

Uma bimba, e que e mesmo isso

Ja vos disse que gosto muito do Lourenco? Mas mesmo mesmo muito? Entao agora ja disse.


*Estou no trabalho, entre amostras, nao tenho tempo para a trabalheira de corrigir acentos e cedilhas. Teclado americano, temos pena.

17 de março de 2008

Xanh

Passado o fim de semana, posso finalmente falar do jantar de Sexta-feira, o maior banquete que experimentei desde que cá cheguei. Restaurante: Xanh, um vietnamita de fusão. Motivo: promoção e mudança de grupo de uma das big bosses do meu grupo. Resultado: todos convidados para o jantar de despedida. Posso dizer que, sem contar com entradas - rolls e saladas - e sobremesas, foram para ai uns seis pratos, assim que me lembre: banana leaf sea bass, ahi tuna tartare, crispy calamari, fighting prawns, noodles e uma carne que já não consegui comer, embora tenha tido muita pena, mas era possível que rebentasse. Fica aqui o registo fotográfico de três, com menção honrosa aos jumbo prawns:

Fighting prawns


Uns noodles que não sei o nome (bun thit nuong?)


Ahi tuna tartare

Enfim, posso dizer que passadas três horas de me ter sentado àquela mesa, era uma mulher feliz.

13 de março de 2008

Coisas que me intrigam

Se quase todos os dias descubro novos blogues que me lincam, porque e que sempre que abro o Technorati o número de links diminui?

12 de março de 2008

French Tuesdays

Uma boa razão para se ir às French Tuesdays? Decerto para ver e ser visto no meio de gente gira e conhecer pessoas num ambiente snobe e elitista reservado à guestlist. Não será bem o meu caso, que até agora não conheci ninguém que valesse a pena. Minto, conheci o Mike e o Jim, mas estavam lá por engano. Homens mais velhos a tentar engatar miúdas novas, e asiáticas, muitas asiáticas. Elas vão dominar o mundo, podem preparar-se meninas! Podem ser feias e marrecas, mas ter olhos em bico é cartão de visita. Sinto-me quase sempre a parolinha no meio de gente crescida que parece saída directamente da capa Vogue. Mas pelo menos sempre serve para estrear aqueles vestidos que nunca usamos porque não vale a pena para levar ao Bairro Alto, ou neste caso, para sair na Mission. E para dançar que nem uma louca e rir perante os olhares reprovadores de gente demasiado composta e bem comportada. E pelos hors d'œuvre, of course.

Eu não queria ser portadora de más noticias,

mas considerando a observação no terreno, e o crescendo desde que cheguei há uns meses, ou muito me engano ou o bigode vai voltar em força. Por aí confirma-se a previsão? Meninas da Europa preparem-se: a trend deve chegar em breve. O que me leva a pergunta: onde estavam no 25 de Abril?

11 de março de 2008

Eu bem sabia que não me devia ter pesado no ginásio...

Agora é oficial e não há volta a dar: estou uma lontra! Tenho de começar a subir as colinas a correr, é o que é. Raios partam o high fructose corn syrup.

10 de março de 2008

Provocações?



Falávamos então de excesso e bom gosto? Dificilmente andam de mãos dadas e, no geral, ao excesso sobra pouco mais que vulgaridade. A exposição ostensiva da sexualidade não é excepção: não apela ao bom gosto, apela à pila, o que, sendo perfeitamente legítimo, não é de todo a mesma coisa. Sexualidade reprimida e frigidez à parte, continuo a preferir a subtileza. Culpa das freiras, com certeza.

7 de março de 2008

Eu sei que possivelmente será o sonho de qualquer homem,

mas embora corra o risco de parecer puritana, não consigo digerir a forma de abordagem americana que basicamente consiste no menino a agarrar a menina por trás, encaixar-se nela e começarem no roça-roça como se tudo aquilo fosse muito normal. Desconfio mesmo que, por vezes, nem lhes vêem a cara antes. Talvez seja coisa que não desperte grande interesse. Bem sei que temos fama de conservadoras, mas continuo a achar que a troca de olhares e dois dedos de conversa é mais normal. Ou seriamos apenas animais.


Nota: Desabafo de quem foi sair com coleguinhas de trabalho ontem, e observou a forma como uma das meninas travou conhecimento com um menino com quem desapareceu metade da noite.

4 de março de 2008

Qual das duas?



A questão pôs-se-me imediatamente. Ao saber do filme procurei logo saber quem era quem. Respirei de alívio quando descobri que Natalie representava Anne, por quem Mary, interpretada por Scarlett, é trocada. Por momentos temi o pior, mas felizmente a minha concepção estética saiu vingada. Claro que nestas questões há sempre quem prefira a cabeleireira, e embora se perdoe a fraqueza pela voluptuosidade fácil, difícil será não ser por mim considerado apenas parolo.

3 de março de 2008

A minha vida sem blogues

Queria agradecer à blogosfera o facto de me dar a conhecer momentos verdadeiramente fantásticos da actualidade e cena socio-cultural portuguesa, aos quais nunca teria acesso de outra forma, e sem os quais a minha vida seria certamente mais triste. Falo, por exemplo, da Clara Pinto Correia no Dança Comigo, momento absolutamente imperdível que me foi trazido pela Kiss me e que constituiu o ponto hilariante do meu dia.


Nota: Se tiver tempo ponho os acentos que faltam - sim, eu sei que faltam - quando chegar a casa.