30 de Junho de 2011

Outra gira

No outro dia estava a dar-lhe conta dos resultados do meu estagiário, e não sendo na área de especialização dele, ia fazendo pausas e olhando para ele ao longo de toda a explicação, bastante lenta e pormenorizada, para me certificar se estava a acompanhar o raciocínio do princípio ao fim. Quando acabei a explicação, ele replica "you know, it seems like you don't understand your work very well, and need a confirmation from me". E mais uma vez, com um sorriso, desisto. 

"Ok, thanks for your help"

Uma das vantagens de se trabalhar de perto com um alpha male egocêntrico e que se acha o maior, é ser subtilmente chamada de estúpida sempre que falamos. Hoje, ao submeter um abstract para uma conferência em que vamos participar juntos, e tendo-me o supervisor dele dito meia hora antes que ele já tinha submetido, liguei-lhe ao deparar com a escolha entre três sessões de poster presentation possíveis, para saber qual delas tinha escolhido e escolher a mesma. Resposta dele: que não, ainda não tinha submetido, mas logo acrescentando condescendentemente "but Ana, you should be able to submit an abstract on your own, don´t you think?". Parecendo que não, três anos disto têm-me ensinado as virtudes da paciência e contenção e a não o mandar para o caralho caraças todos os dias. Sou uma pessoa melhor, a sério.

29 de Junho de 2011

O que é nacional é bom


Acabei de ver um prato lindíssimo da colecção Fall da Spal no MasterChef com Gordon Ramsay. E foi elogiado.

Não percebo

Já não basta ser a única blogger com mais de 30 visitantes diários que nunca recebeu uma amostra do boticário ou sequer um desodorizante grátes (piscadela de olho à Teresa e Charlotte), e pior, nem o samsung diva (ainda não me recuperei), como, a piorar a situação, nunca ninguém me manda aquelas cadeias de dicas de beleza a perguntar, sei lá, qual o meu lip gloss favorito ou assim. Opá, e eu juro que até tenho opiniões formadas sobre o assunto. E até uso lip gloss.

So do I


28 de Junho de 2011

Mais metereologia: só paro no soneto ;)


E é claro que dois dias de bom tempo não podiam vir sem um preço: alerta amarelo em Leiden, e a chegar ao vermelho noutras zonas da holanda. Ah, como é giro o verão aqui.

27 de Junho de 2011

Acidentes de viação


da Pipoca mais doce

Não há mesmo nada a dizer. A coisa que primeiro me vem à cabeça é a estupidez. A estupidez das mortes na estrada. Que coisa tão estúpida. Não há morte mais estúpida, mais idiota, mais imprevisível, mais injustificada, na maior parte das vezes mais injusta, e principalmente mais evitável, do que a morte em acidentes de viação. Também eu tive amigos mortos estupidamente em acidentes de carro ou de mota, dos quais tive conhecimento de repente. A reacção é de choque, nada nos prepara para algo assim, nunca. A minha amiga Rita morreu estupidamente num acidente de viação, num carro que não conduzia, num acidente provocado por excesso de velocidade. Uma miúda cheia de vida, com uma carreira promissora e toda uma vida toda pela frente. Estava em  Erasmus em Itália quando uma amiga comum me comunicou a notícia, e a primeira reacção foi de incredulidade, uma pessoa não consegue acreditar, digerir, aceitar uma morte assim. Ainda hoje me lembro dela em momentos inesquecíveis, nas aventuras quase surreais que partilhámos, e quase me custa a crer que já cá não está. E nem sequer imagino a dor de quem passa pelo mesmo com familiares muito próximos, a revolta, a angústia, a dor têm de ser ainda maiores. Os meus pais, que foram ao enterro, ficaram muitíssimo impressionados e angustiados ao ver aqueles pais, porque é impossível ser pai e mãe sem se identificarem, sem imaginarem o que seria se fosse o seu filho, e não há dor maior do que perder um filho. E depois aparecem notícias como as do acidente do Angélico, em que todo o país fica de coração apertado, por uns tempos, até toda a gente se esquecer de que todos os dias há pais e familiares de coração nas mãos por filhos, por pais, por irmãos, devido a estúpidos acidentes de viação causados por excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas, condução irresponsável, por tanta coisa evitável.
Sempre que vou a Portugal hoje em dia morro de medo de conduzir. Vou na estrada e parece-me que estou metida num jogo de playstation de fórmula 1 com gente a conduzir a 200 à hora, a ultrapassar perigosamente, a mudar vinte vezes de faixa, a picar-se, a conduzir tendo bebido, a gabar-se de fazer Lisboa - Algarve em duas horas, como se fosse motivo de orgulho, e não um atestado de inconsciência. Portugal tem das piores taxas de mortalidade na estrada da europa, e tem muito a ver com a nossa cultura de (in)segurança. No norte da europa ninguém conduz assim. Ninguém bebe tendo de conduzir, ninguém anda estupidamente depressa, até porque as multas são exorbitantes. Mas em Portugal ainda não há essa consciência. E mais e mais acidentes irão acontecer até que uma consciência global de segurança na estrada se enraíze definitivamente. Até que as pessoas percebam que a sua conduta irresponsável pode resultar em mortes. Não só as delas, mas de pessoas inocentes.
O acidente do Angélico, por quem todo o país reza neste momento, vem pôr o dedo na ferida e relembrar um problema real, que afecta centenas ou milhares de famílias todos os anos. Todos os dias há pais, avós, filhos, irmãos, maridos e mulheres em salas de espera de hospitais à espera de milagres pelos seus. À espera de que a medicina salve quem à partida não deveria estar naquelas camas. Todos os dias há gente devastada pela perda, pela estupidez destas mortes que poderiam ter sido evitadas. E que é preciso combater, começando por nós próprios, e pela nossa postura ao volante. Há coisas inevitáveis, é verdade, mas a maior parte dos acidentes não o são, e parte de nós reduzi-los. Como? Com consciência de que a responsabilidade também é nossa.

Sim, isto é um blogue de meteorologia


Hoje estiveram 30 graus em Leiden, coisa rara. Enquanto ia para o lab de t-shirt, pensava que realmente esta é a minha temperatura natural, aquela em que eu deveria viver sempre, pelo menos durante o verão. Claro que amanhã já vai chover, que senão era muita fartura, mas ainda deu para ir ao lago depois do trabalho apanhar um bocado de sol, e foi bem agradável.

19 de Junho de 2011

As pessoas são o que são

Chegada à festa de vestidinho e salto agulha, fotografia toda compostinha com os noivos, dois passos e salto enfiado entre duas tábuas, sapato preso, pé descalço para conseguir arrancar o sapato, tio da noiva a ter de ajudar a recuperar a capa do salto, pé coxinho até lá dentro para arranjar o sapato, tudo a rir. Devia cingir-me às sabrinas.

Há que dizê-lo com frontalidade

As pessoas do norte são tão mais simpáticas... nos empregados de mesa então a diferença é abissal, e nem é preciso serem brasileiros.

Luna ♥ Porto

10 de Junho de 2011

Inspiração profissional

Já tenho uma nova ideia para o início das minhas próximas comunicações orais. Como trabalho com HPV, acho que poderia passar a incluir um slide inicial com a inscrição:

"In the name of promiscuous sex without fear of cervical cancer."

Parece-me bastante científico.

Para tudo, há sempre uma primeira vez

Hoje vi uma apresentação oral de trabalho científico cujo primeiro slide consistia numa frase em letras garrafais:

"In the name of God, the merciful, the beneficient".

Pronto, era só isto.

7 de Junho de 2011

Ele há coisas

Sempre achei que tinha olhos pequeninos. Escuros, sim, expressivos, sim, vivos, também sim, mas ainda assim, pequenos. De repente, apercebo-me de que a maioria das pessoas que me conhecem me percebem com olhos grandes, mesmo não o sendo. Como se a personalidade influenciasse o retrato final. Desde o amigo que me chamava Sailor Moon, ao que dizia que o lembrava a Betty Boop, à comparação com os olhos do Bambi, até chegar à Nala do Simba. Só falta dizerem que pareço a Branca de Neve.

Isto vem com uns dias de atraso

Mas é que a I(solda?) de vez em quando escreve umas coisas que eu penso mesmo tal e qualinho:


entre outras coisas.

6 de Junho de 2011

Brrr

O meu chefe às vezes é um grande pain in the ass, mas outras até tem piada:

"Producers, immunologists, pharmaceutical scientists; all different worlds...

Weighing and assuming, brrr..."

Geeky stuff (desabafo)

Quantos e-mails é preciso trocar com o técnico responsável pela síntese e análise dos péptidos com que é suposto trabalharmos para conseguir descobrir quanto está em cada um dos vials que nos foram entregues, e o que significam as notas manuscritas em cada cromatograma "M=2981.6 ok" sem unidades nem nada mais?

So far, quatro and counting...

Update: após cinco e-mails lá me respondeu que não, não tinham medido o conteúdo de cada vial, que o tal M é a massa molecular (assumo que em daltons, já nem vou perguntar mais), e que para fazer as rectas de calibração em HPLC devo pesar o pozinho na balança à escala miligrama, o que é uma coisa super mega hiper rigorosa, assumir que mais ou menos (mais ou menos é lindo e também super hiper mega rigoroso) dois terços do peso correspondem ao péptido, e usar isso como standard. Tive vontade de responder "are you kidding me?" mas controlei-me. Afinal o senhor tem idade para ser meu pai.

Pois


o resto aqui (via amiga Rita)

Antes que perguntem

Não, não queremos falar do assunto.

4 de Junho de 2011

A Planta - the sequel

Finalmente foi identificada a espécie mutante a crescer-me no terraço. And the winner is: Serralha, ou Sonchus oleraceus, segundo a wikipédia. Sonchinha, para os amigos.


E agora uma visão da bichinha em todo o seu esplendor.


Começo a achar que é uma versão do João e o Pé de Feijão.

2 de Junho de 2011

Prós e contras de se ir trabalhar num feriado

Prós

- Laboratório vazio e ninguém para nos chatear a cabeça e interromper.

Contras

- É feriado, e está um dia lindo lá fora.

- O edifício está fechado, pelo que não há pessoal da recepção e segurança para o caso de um azar.

- Um colega que também foi trabalhar ir-se embora e fechar o escritório à chave enquanto se está no laboratório.

- Ter deixado a chave do escritório, a chave da bina, a chave de casa, a carteira, o telemóvel e o comando que me permite entrar e sair do edifício dentro do escritório.

- O colega que acabou de sair não ter o número de telefone na lista de contactos do grupo.

- Os dois colegas que também foram trabalhar não se sentarem no nosso escritório.

- E nenhum ter o número do outro.

- Ir buscar a chave escondida do escritório dos técnicos e procurar no chaveiro a chave sobresselente do nosse escritório.

- Testar umas 20 chaves, nenhuma servir.

- Ter de ligar ao técnico responsável por guardar as chaves sobresselentes.

- O técnico informar-nos que não há chave sobresselente do nosso escritório.

- Ter de chatear um colega e pedir-lhe que venha de propósito ao lab num feriado para me desenrascar.

Prós again

- Ter realmente bons colegas.


Ora aqui está uma informação importante

Vacina contra cancro do colo do útero mostra-se eficaz depois dos 24 anos