31 de Maio de 2011

Esqueletos no armário

Toda a gente tem um ou dois esqueletos no armário, faz parte de ser humano. A grande diferença é que embora uns tenham mais esqueletos, outros os têm mais dentro do armário. E se todos já fizemos merda, coisas de que não nos orgulhamos, que preferíamos não ter feito, é a forma como lidamos com elas que nos distingue. Eu, desde que me lembro, sempre assumi os meus erros, e mesmo em pequena, quando confrontada com a asneira, sempre admiti imediatamente, independentemente do possível castigo: sim, fui eu. Não saber mentir convincentemente e pouca capacidade de viver em ansiedade ajudam. Manter um segredo dá trabalho, e, admitamos, sou preguiçosa. Depois, como o que custa mais é admitir borradas a pessoas de quem gostamos, sendo isso que realmente nos amedronta e nos leva a esconder, uma vez contando-lhes, vemo-nos livres do peso da culpa. É um alívio. E por isso, aquelas piscadelas de olho, entre o cúmplice e o ameaçador, ao género sei o que fizeste no verão passado, como que a lembrar um rabo preso, raramente funcionam em mim, pois quem interessa também sabe. Afinal, há que tempos que já sacudi os esqueletos todos à janela. 

30 de Maio de 2011

Então meninas, estou à espera

Ainda não vi nem uma foto dos vestidos dos globos de ouro.

(já não se fazem bloggers como antigamente)

Acontecimentos que ocupam páginas na imprensa nacional:

Margarida perde a virgindade

Ainda devia estar a vestir as cuecas quando ligou para o correio da manhã: pronto, já está, quanto é o exclusivo?

Uma solução para as desigualdades sociais


um texto delicioso da nova rubrica do Ouriquense (que convém ir ler na totalidade para perceber)

28 de Maio de 2011

Escuta-me bem com atenção

Vou voltar a repetir devagarinho a ver se me percebes de uma vez: não te conheço, não sei quem és, não sei o teu nome, a tua idade, nem o que fazes, estou-me completamente nas tintas para ti e para a tua vida, e principalmente para o teu blogue, que não leio nem linco, e que nem sequer seguia minimamente antes de me teres metido numa transcrição de comentários anónimos em que era visada. Não sou tua amiga, não sou tua inimiga, não te sou nada. Não me interessas o suficiente como pessoa, e muito menos como blogger, para sequer te ser alguma coisa, nem conhecida. Não temos nada em comum, nem sequer vivemos no mesmo país. Se te dei alguma confiança foi principalmente por pena. Nunca te bati à porta, nunca quis entrar, fui obrigada e arrastada por ti para tentar minimizar os estragos causados ao irresponsavelmente referires o meu nome e de pessoas de quem gosto em posts que nenhuma pessoa minimamente normal e com dois dedos de testa faria. Por isso pára com teorias de conspiração ridículas e de te vitimizar, porque não tens essa importância. És uma pessoa insignificante que ninguém sabe quem é, e que quem sabe acha que se devia ir tratar. Não pertenço a clubes, não ligo a futebol e nem aos escuteiros pertenci por não gostar de colectivos. Isto é de mim para ti e mais directa não posso ser, e só não o faço de forma privada porque tu não sabes fazer essa distinção, e ao menos por aqui sei que não podes adulterar nada do que digo. És uma pessoa louca e desequilibrada, sem noção da realidade, e de ti só quero distância e esquecer que alguma vez tive algum contacto, o que se torna bem mais fácil se parares de fazer posts sem sentido a meu respeito. Percebeste?

(tinha apagado este post porque pensei que o recado estava dado, que não valia a pena bater mais no ceguinho, mas parece que afinal ainda não percebeu bem e até gosta de se ver publicamente assim retratada, de modo que aqui fica mais um tempinho para entender melhor. haja criaturinha mais insistente, credo, parece que tem pilhas duracel. aos restantes leitores, lamento, mas isto já não vai lá com subtilezas)

Re-post: O pincher

Uma grande amiga minha tem uma cadela Rottweiler, linda, meiga, que nunca fez mal a ninguém, e que se deixa montar alegremente pelos miúdos pequenos que tem constantemente à sua volta. A Carlota, de seu nome, passa a maior parte do tempo num terraço grande, num primeiro andar, com vista para a rua, apoiando as patas dianteiras no murinho, como se estivesse à janela. Todos os dias, um cão pequeno, daqueles irritantes e barulhentos, passava na rua sob o seu olhar. Todos os dias, o raio do cãozinho lhe ladrava, provocando-a, atiçando-a, sabendo-se seguro por achá-la presa. Todos os dias a importunava em sua casa, por vezes mais do uma vez, durante meses. Até que um dia, sem contar, lhe passou à frente quando ela estava solta. Não houve quem a conseguisse agarrar, e correndo na sua direcção, apanhou-o e deitou-se em cima dele. Não o mordeu, não nada, limitou-se a mostrar a sua força. Teve de ser o pai da minha amiga a levantá-la à força, pegando nela com os braços, porque ela se recusava a mover-se, prendendo-o debaixo. Quando a levantaram, o cãozinho, esse, tinha-se mijado todo. Nunca mais lhe ladrou.

27 de Maio de 2011

E agora voltando à botânica

Tenho saído demasiado cedo e voltado demasiado tarde para conseguir apanhar a flor aberta. Talvez durante o fim de semana.

Isto vai ser longo, aviso já

Uma das vantagens - ou desvantagens, para quem se tenta valer da memória curta dos outros -, de se ter um blogue há muito tempo, é inevitavelmente ir-se acabando por contactar outros bloggers, trocar e-mails, ganhar confiança, e por vezes até conhecer as pessoas por trás dos nicks. E nem sempre falo de conhecer pessoalmente, embora possa acontecer, mas de conhecer o carácter de quem se vai vendo diariamente durante anos em caixas de comentários, tanto no nosso blogue, como nos outros, e de quem se vai reconhecendo o comportamento e a conduta. Com o tempo, e mais ainda quando se assiste a disputas, e porque nas costas dos outros vemos as nossas, aprendemos a distinguir quem é correcto de quem não é, quem é lúcido de quem é doente, quem tem nível de quem é mal-educado, quem é íntegro de quem é desonesto e mentiroso. E aprendemos a distinguir em quem se pode confiar, ou quem ao menor ataque de nervos é capaz de se virar contra nós e tentar prejudicar-nos de todas as formas possíveis, por serem pessoas altamente transtornadas e descontroladas emocionalmente. Reconhecemos imediatamente quem são as pessoas potencialmente perigosas, e lidamos com elas com cuidado. E isto vale para toda a gente. 

Não tenham ilusões de que alguém esquece, tudo o que se manda para a net fica cá para sempre, todos nós vamos transmitindo uma imagem com cada uma das nossas reacções, cada comentário deixado, cada ataque de nervos, cada ofensa, cada atitude condenável. Tudo o que fazemos neste mundo virtual é visto e registado por muita gente, que vai conhecendo os defeitos e qualidades de quem segue e lê, sabendo muito bem aquilo de que cada um é capaz de fazer, seja em estratégia de ataque, seja em autodefesa. E os fins não justificam os meios, e defender-se atacando é coisa de gente sem razão.

Em todos estes anos de blogosfera conheci de tudo, e espero poder dizer que fiz mais amizades que inimigos. Há pessoas com quem houve empatia imediata, outras com quem comecei mal, culpa do feitiozinho de merda, mas com quem acabei por esclarecer as coisas e ficar amiga, e há, como é óbvio, quem não goste de mim, não me suporte, me ache arrogante e insolente, mas que ainda assim conheça a minha conduta ao longo de todos estes anos, e me respeite. Tal como eu passei a respeitar pessoas com quem até embirrava, ao reconhecer-lhes posturas dignas em várias situações. Pessoas que mesmo sem conhecer ou ter qualquer relação defenderia sem pensar duas vezes se as visse injustiçadas. E se o faço com quem não conheço, ainda mais com pessoas de quem gosto e em quem confio, porque provaram ser de confiança.

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa da paz, até me pisarem os calos. Poderá até não parecer, dada a minha postura mais aguerrida no blog, mas na vida real tento ser conciliadora e chamar as pessoas à razão em disputas, e especialmente no caso de se poder estar a cometer uma injustiça. Sou sempre pela presunção da inocência, e ninguém me verá acusar alguém antes de ter cem por cento certeza. Mesmo que já tenha noventa e oito, os dois por cento que faltam são suficientes para defender e dar o benefício da dúvida. No entanto, quando a pessoa a quem se tentou chamar à razão e defender se vira contra nós, é tempo de lavar as mãos e deixá-la enforcar-se com a sua própria corda.

E este paleio todo porquê? Pois bem, adivinharam. Tem a ver com o que foi descrito aqui e aqui, e de que tomei conhecimento quando a I., após ter recebido o tal comentário, me pediu que avisasse uma das pessoas de quem não tinha o contacto. Apesar de não ter sido implicada, o facto de conhecer e gostar de todas as pessoas visadas no tal blog levou a que tenha tomado conhecimento de tudo o que se passou desde a sua descoberta ao seu encerramento, e às suspeitas de quem o teria feito. E apesar de todos os indícios indicarem tratar-se mesmo dessa pessoa, aqueles cinco por cento de dúvida que restavam na minha cabeça levaram-me a tentar defendê-la, e ajudá-la no caso de estar inocente, porque nada pior do que poder estar a cometer-se uma grande injustiça.

A pessoa em questão, quando confrontada com as acusações, reagiu da pior maneira possível. E embora até condene a forma como uma das visadas entrou a matar, condeno ainda mais a forma como se tentou defender. Primeiro publicando os mails privados trocados, chamando-lhe nomes, de bruxa (is she twelve?), fingindo não saber de quem se tratava, depois sacando de fotos do facebook ou twitter da pessoa e postando sem autorização. Tentei incutir-lhe bom senso, em vários comentários, explicando-lhe que em caso de inocência, não era de todo a melhor forma de proceder. Começou, como é seu costume, por reagir agressivamente para comigo, tendo até publicado sem minha autorização um excerto de um e-mail antigo que trocámos, da altura do episódio lamentável com um hate blog, em que a criatura resolveu pegar nos comentários anónimos do mesmo blog, altamente ofensivos, onde eu e outra pessoa éramos as principais visadas, e escarrapachá-los na página principal do seu blog. Post esse que não foi devidamente apagado porque recentemente foi re-publicado e continua visível no reader. Na altura, mais uma vez, dei o benefício da dúvida e acreditei que não o fizera por maldade, mas por ingenuidade. Mesmo sendo atacada na caixa de comentários, continuei a aconselhar calmamente a usar a razão, sem nunca atacar de volta, e acabei por trocar inúmeros e-mails a explicar como agir nestas situações, e tentando acalmá-la. Da mesma forma, desta vez, comentei várias vezes, sempre com calma, apontando incoerências umas atrás das outras, desde o fingir não saber quem eram as pessoas e o que se tinha passado, a fingir ignorar ter-nos bloqueado no facebook, etc., mas ainda pensando que a reacção excessiva se devia a sentir-se atacada. Mais paciência e calma do que tive, é difícil, como pode ser visto nos comentários que lhe deixei (até os apagar, claro). 

No entanto, desde o início tinha decidido para mim mesma que a gota que faria transbordar o copo, isto é, que me faria lavar as minhas mãos de vez e parar de defendê-la, seria virar-se contra mim. E esta manhã, lá estava, uma adenda a um post dedicada a mim. Cujo resultado é este post. Não lhe desejo mal nenhum, mas dela só quero distância. Não quero ter absolutamente mais contacto. Para mim, morreu.

Conhecendo-a, a retaliação passará por publicar excertos de e-mails pessoais que trocámos no passado (não esquecer que eu também os tenho), possivelmente adulterados, fazer post histérico atrás de post histérico ofendendo-me e acusando-me de tudo e um par de botas, intercalados de quatrocentos posts sobre haters, e se conseguir, publicar fotos minhas, como já fez com outras pessoas no passado. E possivelmente abrindo as portas a comentários anónimos para que me ofendam, plantando ameaças ao seu filho e dizendo depois serem minhas, para se poder vitimizar e dizer que a Luna é má. Enfim, o costume. Gente imatura e descompensada é muito previsível. Hélas! Como dizia a minha mãe, quem dorme com miúdos acorda molhado, e eu já devia saber que meter-me com pessoas que num minuto gostam e no seguinte odeiam, desequilibradas, enraivecidas e completamente descontroladas, iria dar nisto. Bem feita para mim.

E quem me conhece minimamente a mim e ao meu blogue, e o blogue da pessoa em questão e suas atitudes recorrentes, incluindo a desmesurada mania da perseguição, criando complots onde não existem, e chamando de "clube" a pessoas adultas que se respeitam e comunicam cordialmente, não terá a mínima dúvida nem demorará mais de dois segundos a ter a certeza de quem está a contar a verdade. Porque através da minha conduta pública ganhei essa credibilidade. Porque dou o meu nome, e não me escondo atrás de um nick. E porque também toda a gente deduzirá que tenho provas de tudo o que aqui afirmei, que não me meto em nada sem estar bem preparada.

Pensamento do dia

Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo.

(corre corre)

25 de Maio de 2011

Coming soon

Aos amantes das plantas: o mutante a crescer descontroladamente no meu terraço está prestes a dar flor. Foto irá acompanhar assim que abra para tirar teimas.

24 de Maio de 2011

Já me posso reformar

Finalmente, após 6 anos e quase um milhão quatrocentas e cinquenta mil visitas depois, fui contactada para fazer um passatempo. Infelizmente, não era um Samsung Diva.

18 de Maio de 2011

A título de exemplo

A disciplina que eu mais odiava era psicologia. Ah, como odiava aquela merda. Era tão chato, tão, tão chato! Odiava tanto tanto, que a minha forma de estudar foi ler os livros do princípio ao fim, como se de um castigo se tratasse. Tive dezanove no exame. Agora imaginem a injustiça de eu ter entrado à frente de muito boa gente em psicologia, com a nota de entrada baseada apenas num exame. Quando a minha nota a psicologia baseada nos testes ao longo do ano até era bastante inferior.

Novas oportunidades, sim, mas para quem chumbou

Depois de ler esta notícia, só me lembro da minha candidatura à universidade. Nunca tendo sido marrona, havia disciplinas a que era naturalmente boa, mas não todas. Vamos cá ver, nem em todas fui melhor do que a média, mas se no básico tinha sempre uns três quatros e o resto cinco, ao passar ao secundário, houve disciplinas em que até tive menos de quinze (acho que até tive um nove uma vez no primeiro período, a educação física, ou assim). Depois, como era faladora, pouco disciplinada, e irritantezinha, sempre fui punida pelos professores, que muitas vezes me davam uma nota mais baixa do que a média dos testes (o contrário nunca aconteceu, a avaliação contínua só servia para me prejudicar). Chegada ao 12º ano, a minha média era de 16. Os exames nacionais vieram provar a injustiça das notas decididas por defeito: tivesse eu desistido, e candidatado-me apenas pelos exames nacionais, e teria tido melhor média, especialmente nas específicas, e na entrada à faculdade. Apesar de ter tido média de entrada de 17, não entrei logo no curso que queria, engenharia biológica, no técnico, mas entrei em engenharia química. Depois do primeiro ano, candidatei-me a mudança de curso, e lá fui fazer o que realmente queria.  E o que me trouxe até ao que faço hoje.
Agora, ao ler isto, penso na injustiça que é para os milhares de alunos que todos os anos se candidatam à faculdade, com as notas desde o 10º ano a contar, em que os exames finais valem apenas 50%, verem-se passados por alguém que não tinha notas para acabar o liceu, mas que precisou de apenas um exame para entrar na universidade. Se acho que todos têm direito a nova oportunidade, sim. Mas se empé de igualdade com quem realmente teve de passar a todas as disciplinas, mesmo as de que não gostava, isso não.

17 de Maio de 2011

Nada a ver

Está aqui a dar na televisão um filmezinho mau, The sisterhood of the travelling pants. Mas no meio do zapping, numa cena, reconheci Cesária Évora ao fundo. Pareceu logo melhor.

Venham os feios, tímidos, e inseguros

O meu primeiro estudante foi um bico de obra no início. Quando chegou, directamente do Egipto, estava no Ramadão, ou seja, não comia nem bebia nada durante o dia, o que o deixava meio apático, e logo na primeira semana "informou-me" que todas as sextas-feiras à tarde teria de ir à mesquita. A juntar-se a isto, uma dificuldade enorme em perceber-me como chefe, o que resultava em péssima comunicação comigo, desde "esquecer-se" de mostrar-me resultados a avisar quando teria de se ausentar, ou ter ido falar com um colega meu homem para tentar trocar de supervisor. Nada parecia fácil. Após vários momentos de irritação e ansiedade, em que já nem sabia o que fazer, após de uma conversa séria que me custou muito mais a mim do que a ele, as coisas lá mudaram. Hoje em dia, apesar de ainda tímido e pouco expansivo comigo, e de ainda me dar poucas satisfações, o trabalho aparece feito, e de vez em quando até manda uma piada e tudo. No meio disto tudo, uma coisa nunca foi problema: o seu trabalho. O gajo é bom: é esperto, trabalhador, e tornou-se independente e capaz de planear o seu trabalho em pouquíssimo tempo, não me dando trabalho quase nenhum, e o trabalho que desenvolveu valer-lhe-á o nome num paper.
Entretanto, novo estagiário chegou. Miúdo, mas todo bonitão. E super confiante, ao ponto de nos primeiros contactos me fazer crer ser muito mais inteligente e saber muito mais do que realmente sabe. Percebia tudo à primeira, ah, sim, percebo, e mesmo quando em detalhes mais complicados lhe perguntava se estava mesmo a acompanhar, oh sim, tudo sob controlo. Comecei depois a perceber que nem percebia tanto quanto dizia, como, deixado sozinho a trabalhar, seria a desgraça, porque confunde coisas básicas. Além disso, aparece-me todos os dias com ar blasè escritório adentro, ai sou tão bom, de red bull na mão, lá pelas dez e meia da manhã, na maior. Bem sei que lhe tinha dito que não era rigorosa com as nove, afinal nem eu entro mesmo às nove, mas aquilo era descontracção a mais. Mas fui deixando passar, é puto e tal, até que no outro dia, em que havia colóquio obrigatório às nove, o tipo me aparece às onze e meia como se nada fosse. Pronto, foi a gota de água. Ainda me começou a dar a desculpa do alarme de incêndio ter activado a meio da noite na residência, mas nem o deixei acabar. Se há coisa que odeio, é ter de fazer de chefe má, mas teve mesmo de ser. Entretanto, tem demonstrado que o entendimento profundo do trabalho é quase nulo, e que vou ter de andar atrás dele o tempo todo e fazer de babysitter durante o estágio inteiro. E só penso que, apesar de um louro espadaúdo e giraço, ai meu rico Ahmedzinho. 

Sim, é mais ou menos isto

Sopa de grão

Quando vivi em São Francisco, um amigo português de lá foi operado ao joelho. Sendo uma coisa em ambulatório, mas precisando de alguém que assinasse um termo de responsabilidade em ficar com ele essa noite, e alertar um médico em caso de necessidade, ele pediu-nos para ficar lá em casa. Tanto eu como a minha roommie éramos boas amigas e pessoas com quem ele se sentia à vontade o suficiente, pelo que fazia sentido. Sabia que ele iria chegar tarde, depois da operação, e calculei que eventualmente tivesse fome. Decidi fazer uma sopa para quando ele chegasse. Uma sopa de grão, normalíssima. Comeu uns dois pratos quando chegou, levantou-se durante a noite para comer mais, e às seis da manhã outra vez. A verdade é que, até se ir embora, aí pelas oito da manhã, o rapaz tinha comido um tacho inteiro de sopa. Não sei se foi da anestesia, não sei se foi do vicodin ou de ter estado tanto tempo sem comer, mas a verdade é que aquela sopa de grão lhe ficou de tal forma na memória, que não há vez que fale comigo que não me fale da sopa. E ainda hoje, três anos depois, quando eu e minha roommie comentámos no facebook uma foto em que ele aparecia, lá veio a resposta "Olha as miúdas que me ajudaram com o joelho!!! Ai que bela sopinha...".
Eu nunca cheguei a provar a sopa.

14 de Maio de 2011

Fadinha do lar


Pãozinho caseiro acabado de fazer.

do wulffmorgenthaler

Private joke


(fotografia de qualidade duvidosa não retirada da internet, mas retirada da minha lumix através de um cabo de ligação usb. a jarra é da hema.)


Olha, os meus vinte plágios. O plágio que falta era de frutos vermelhos, mas ofereci-o à Andorinha, para ela experimentar. Os plágios podem ser consumidos com ou sem açúcar, dependendo do gosto de cada um. Eu prefiro sem. 

6 de Maio de 2011

Eu e as plantas

Há uns tempos uns amigos ofereceram-me uma planta, que depressa começou a morrer - como eu costumo dizer, as plantas não miam nem ladram quando têm fome, pelo que uma pessoa facilmente se esquece delas. Na esperança que ressuscitasse, pu-la lá fora, a ver se com o sol arrebitava. A planta original nunca mais voltou, mas em compensação tenho uma erva daninha a transformar-se (quase) numa árvore.

E vocês, o que é que têm na lista?


Desafio a quem quiser pegar nele.

Finalmente o coiso literário

Desafiada primeiro pela Teresa e depois pela Andorinha a responder a mais uma cadeia que visa mostrar ao mundo como somos super espectaculares, aproveito para fazer uma pausa no poster que tenho andado a tentar acabar sem vontade nenhuma, e finalmente responder.

1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

Não. Não releio livros. Ou, pelo menos até agora, nunca reli nenhum. Há tanto livro por ler que me parece perda de tempo voltar a reler o que já foi lido. Eventualmente poderei abrir excepções relativamente a livros que tenha lido há muitos muitos anos, mas tendo livros novos por ler, é pouco provável que o faça.

2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Oh, tantos... Assim que me lembre, de repente, o Som e a Fúria, porque estava sempre à espera que aquilo melhorasse quando não fosse o personagem atrasadinho a falar e eu finalmente começasse a perceber, mas a verdade é que nem nunca melhorou nem eu comecei a perceber, e acabei por desistir, esgotada. O fracasso com Faulkner de certa forma anteviu fracasso idêntico com a Memória de Elefante, de Lobo Antunes, que tem Faulkner como uma das suas mauiores referências. Será certamente defeito cognitivo meu, mas são estilos em que simplesmente não consigo entrar, e nem sei se estou para insistir. 
Também desisti rapidamente d'As Ondas, de Virginia Woolf, mais ou menos pelos mesmos motivos, e de vários outros livros. Não me estando a agradar, ponho de lado facilmente.

3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

Tendo em conta que não releio livros, nenhum. Seria, no mínimo, boooooooooring.

4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

Muitos. Há anos que tenho o Moby Dick a olhar para mim, por exemplo, já andou a viajar comigo e tudo, mas perco sempre a coragem de lhe pegar.

5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?

Cem anos de solidão, que tem um dos finais mais estranhos e inesquecíveis de sempre.

6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Sim, muito. Lia tudo o que apanhava e me ofereciam, e felizmente os meus pais ofereciam-me muitos livros, pelo que li tudo das principais colecções juvenis, como Os cinco, Uma aventura, O clube das Chaves, Viagens no Tempo, Condessa de Ségur, Alice Vieira, Sophia de Mello Breyner, etc., mais os clássicos como Robinson Crusoe, As Aventuras de Huckleberry Finn, O Conde de Monte Cristo, etc.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

Vários, principalmente alguns dos obrigatórios na escola. Um dos meus preferidos, O Velho e o Mar, por exemplo, custou-me imenso a ler e achei muito chato pelo meio, embora seja um livro belíssimo, que à distância reconheço como obra-prima, mas com 15 anos, páginas e páginas a sermos puxados pelo cabrão do peixe é coisa para começar a cansar. Um livro que me lembro de me ter custado horrores a chegar ao fim foi A Balada da Praia dos Cães, pelo tipo de escrita difícil de Cardoso Pires, que me obrigava a voltar atrás e reler cada frase para a entender.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

Mil novecentos e oitenta e quatro - George Orwell; Admirável mundo novo - Aldous Huxley; Lolita - Vladimir Nabokov; Of mice and men, O inverno do nosso descontentamento - John Steinbeck; Os Maias - Eça de Queiroz; Ensaio sobre a Cegueira, Memorial do Convento, Evangelho Segundo Jesus Cristo - José Saramago; O Amor nos tempos de Cólera, Cem anos de Solidão - Gabriel Garcia Marquez; O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde; Orgulho e Preconceito - Jane Austen; O Deus das Pequenas Coisas - Arundhati Roy; A insustentável leveza do ser - Milan Kundera; O Fim da Aventura - Graham Greene; O velho e o mar - Ernest Hemingway; O estrangeiro - Albert Camus; A metamorfose - Kafka; Os Capitães da Areia - Jorge Amado. É possivel que me esteja a esquecer de vários, não sou boa com listas.

9. Que livro estás a ler neste momento?

The Catcher in the Rye. Sim, eu sei, vergonha, devia tê-lo lido há uns 15 anos, mas calhou ser só agora.
(estava baratinho baratinho pela amazon)

10. Indica dez amigos para o Meme Literário: 

Passo a outro e não ao mesmo.

4 de Maio de 2011

Opinion maker, é o que é

Eu escrevo pouco, que escrevo, mas o que vale é que não há merdinha que eu escreva que não sirva logo de "inspiração" por aí.

3 de Maio de 2011

Resumo

Como certamente terão notado, não tenho escrito nada ultimamente. Isso deve-se em parte ao facto de ter estado de férias na pátria, e, como sabem, não costumar escrever nas férias, embora em boa verdade ultimamente também não ande a escrever muito fora delas. No entanto, e mesmo dado que os últimos acontecimentos já foram comentados, repassados, mastigados e digeridos por todos, não querendo ficar atrás, aproveito para dizer umas coisinhas:

- A Kate ia linda e irrepreensível, e quem acha que ia demasiado simplezinha é bimba e parola, ponto. Aquilo não era o casamento da Cátia Andreia esteticista e artista de nels em Oliveira de Azeméis com o Chico trolha, com vestido comprado na expo-noivos segundo as últimas tendências de moda, corpete cai-cai com wonderbra e mamas à janela, ou folhos, ou lá o que é considerado fashion nos dias que correm, e que daqui a 10 anos estará completamente demodé e será visto com embaraço. Era um casamento real, e daqui a 50 anos o vestido continuará a ser considerado bonito e apropriado, em vez de saloio.

- Ah e tal o beijo não foi muito apaixonado. Volto a lembrar, era um casamento real. Não era de esperar que o William a pegasse pela cintura, lhe desse um valente apalpão no rabo, e lhe pregasse um linguado. Haja decoro, gente.

- Não há pachorra para as teorias de conspiração arrivista que se têm visto tão faladas por aí. Ó minha gente: as pessoas que trabalham para certo tipo de revistas são pagas para fazerem histórias sobre não histórias e venderem exemplares à custa dos idiotas demasiado crédulos que comem tudo o que lhes metem pela frente sem questionar. 

- Sim, já sei, é uma pena o William estar a ficar careca. Ainda assim continua bastante mais bem parecido que o homem médio português, lamento lamentar (piscadela de olho à Teresa). Além de ser alto: só o facto de não medir metro e setenta compensa largamente a careca.

Pronto, e assim de repente é o que me ocorre dizer acerca do casamento real.

Eu bem disse, também gosto muito da Vieira


Vieira do Mar, no Controversa Maresia