30 de junho de 2005

Da escravatura ou a vida de uma estagiária


Uma das maravilhas dos nossos tempos são os estágios curriculares, aqueles que um estudante tem obrigatoriamente de fazer se quiser concluir um curso e receber a respectiva graduação, e que os fazem necessitar desesperadamente de alguém que os acolha e dê guarida durante os meses que o perfazem.

Ora, nesta época de desespero e desemprego a níveis altíssimos, vêem-se quase obrigados a implorar de joelhos por uma oportunidade de mostrar o que valem, beijando as mãos de quem possa recebê-los como estagiários, com a vaga esperança de um emprego futuro.

As empresas, por seu lado, fazem o enormíssimo favor de oferecer um estágio, enquanto os aprendizes, em constante servilismo, e mesmo sabendo que irão inevitavelmente para a rua no fim, se esforçam por agradar ao máximo e executar todas as tarefas para obter uma boa classificação final como prémio de consolação.

Tudo estaria bem não fossem as políticas dos estágios não remunerados, instituídos de tal maneira que se tornaram regra e uma fonte inesgotável de mão de obra barata para as empresas, que assim vão renovando o seu stock de escravos com as novas fornadas que saem dos cursos, enquanto mandam à vida os outros que entendem em começar a ser pagos.

Deste modo, em vez de fomentar o emprego, os estágios curriculares não remunerados geram um ciclo vicioso de entradas e saídas, estágios atrás de estágios, súplicas por oportunidades e desemprego disfarçado.

Isto tudo porque sou uma escrava muito contentinha da vida, dum lado para o outro a trabalhar, numa empresa simpática com gente decente, onde o único senão é mesmo o facto dos meus donos, ups, orientadores de estágio, não me pagarem. Mas lá vou eu cantando e rindo, cansada até mais não, negligenciando grosseiramente o meu blogue cada vez mais votado ao abandono, na esperança de no fim poder vir a ganhar uns trocaditos.

Mas era isto ou caixa do continente…

A pedido de várias famílias...


Apesar de você, de Chico Buarque claro!

Letra aqui.

28 de junho de 2005

A Banda - Chico Buarque


Estava à toa na vida, o meu amor me chamou
Prá ver a banda passar cantando coisas de amor
A minha gente sofrida despediu-se da dor
Prá ver a banca passar cantando coisas de amor

O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava ventagem parou
A namorada que contava as estrelas
Parou para ver, ouvir e dar passagem

A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Prá ver a banda passar cantando coisas de amor

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço prá sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que banda tocava prá ela

A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida, surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Prá ver a banda passar cantando coisas de amor

Mas para meu desencanto o que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar depois que a banda passou
E cada qual no seu canto, em cada canto uma dor
Depois da banda passar cantando coisas de amor



26 de junho de 2005

O tradicional



Aproxima-se o 29 de Junho, dia de S. Pedro, padroeiro do concelho de Sintra, e com ele chegam as festas populares, que ocupam o recinto da feira, no largo de S. Pedro. O amontoado de barracas e tasquinhas de bancos corridos, sardinha assada e jarros de tinto, as farturas e os churros, os carrinhos de choque e o tiro à ginjinha são as grandes atracções e chamam gente de toda a região.

Nesta altura podemos contemplar os espécimes que pensamos já não existir, já que não se encontram facilmente durante o resto do ano, mas que aparecem nesta altura, saídos dos seus esconderijos recônditos das profundidades do concelho.

Saí de casa com destino ao bar do costume. No caminho dei conta que se me tinham acabado os cigarros e o melhor era parar ali na bomba para me abastecer de tão indispensável bem. Apenas me aproximei notei a proliferação de gente e carros, tão pouco comum àquelas horas, que logo associei à proximidade das festas.

“Bolas, já sei que vou levar com a bimbalhada toda” – pensei, enquanto estacionava o carro e me preparava para esperar na longa fila. Como sempre, tenho sorte, e a boçalidade em pessoa estava ali parada à minha frente, num burgesso enfiado numas calças e t-shirt demasiado justas, que olhava em volta em busca de protagonismo, cumplicidade ou sinais de incómodo, rindo com o seu feito heróico: das janelas abertas do seu carro, a música propositadamente aos altos berros, soava por toda a bomba.

Não consegui fixar toda a letra, que suscitava tanta alarvidade e risos infantis, mas retenho as frases mais marcantes:” …fugiste ao tradicional… estavas ilegal… agora tens herpes vaginal…” A cada repetição desta última, o atrasadito ria-se mais, tendo mesmo ido ao carro aumentar o volume, não sei se por ter medo que não ouvíssemos bem, se para atestar que percebíamos que era ele o “ganda maluco” responsável por aquele momento de lazer.

Eu, que deixei de me rir com a palavra vaginal pelos 12 anos, permaneci impávida e serena, enquanto imaginava a continuação da canção:

E tu, meu grande boçal
Não passas de um atrasado mental
Julgas-te muito especial
Por ouvir música banal

E quem se ri que nem animal
Por ouvir herpes vaginal
Devia era estar no hospital
Bem sedado com serenal

Já não consegui deixar de pensar nas rimas, pois de contagiada, já só me lembrava de hemorroidal e outras que tal, e comprei o cigarral, saí do curral, e fugi para outro local, sem conseguir esquecer o raio do herpes genital e o sorriso do anormal.


23 de junho de 2005

Porque publico os comentários que me chateiam: uma explicação


É verdade que pareço estar em pé de guerra com o mundo, com respostas e contra-respostas neste espaço que não deveria servir para isso, mas há simplesmente coisas que não consigo deixar passar em branco, e uma delas é a cobardia.

Sim, a cobardia de entrar às escondidas nas caixas de comentários de alguém e insultar gratuitamente, sem olhar a qualquer tipo de limites, ali, onde ninguém vê, onde se está tão protegidinho dos olhares e da reprovação dos outros, que se pode dar ao luxo de fazer e dizer o que der na real gana, sem medinho de represálias.

E pensar que se pode ir dormir descansadinho, que ninguém o atingirá no seu nome e sua honra, depois de ter passeado todo o dia pela blogosfera a chamar putas a umas e merda a outras, apenas pelo prazer masturbatório de pisar quem parece ter um ego tão maior que o seu ou escapa da mediocridade.

Sem deixar o endereço dum blog, com perfil privado, para não ser apanhado, mas, tal cinderela que escapa à pressa, deixando cair por descuido o endereço de e-mail nas escadas antes de se estatelar e bater com os cornos no chão. Sim, que estes cobardolas são, de certezinha, grandes cornos mansos, recalcados contra as mulheres, que são todas umas putas salvo a santa da mãezinha, que sexo, só fez mesmo uma vez, para procriar, sem dali tirar prazer nenhum.

E eu não engulo sapos. O que deveria fazer? Estar descansadinha a trabalhar, receber este tipo de comentário no e-mail, sentir-me fervilhar de raiva, e pensar: ai, sou tão boazinha, tão superior, que vou deixar passar em branco sem me servir do direito de resposta? Poderia fazê-lo, mas eu não quero ficar recalcada nem vir a precisar de ansiolíticos e antidepressivos, ou ganhar uma úlcera nervosa por causa de um blog que criei por prazer. E então desabafo assim, e durmo muito melhor depois. Peço desculpa a quem não tem culpa nenhuma e tem de levar com toda a minha ira, mas como alguém disse uma vez, cada um cria o seu sistema de anti-spam pessoal.

E o meu é este.

19 de junho de 2005

Capítulo XII - O Rapto


Pode ler o Capítulo I em As Sombras

Pode ler o Capítulo XI em L'chaim Shedim

Carvalho procurou descrever resumidamente os acontecimentos que precederam o inesperado e misterioso desaparecimento do agente Tinoco horas antes. Da investigação que discretamente iniciara juntamente com o inspector Peixoto, tinha apenas conseguido averiguar que Tinoco provavelmente se encontrava acompanhado de Margarida Henriqueta Pires, a quem tinha ido novamente interrogar após um intrigante telefonema desta, comunicando estar em posse de novos dados relevantes. A participação do desaparecimento de Margarida pela família veio confirmar as suas suspeitas, levando-o a crer que o desaparecimento dos dois não se tratava de uma mera coincidência. E prontamente decidira procurar quem mais sabia sobre a Espiral e a única pessoa em quem podia confiar: o Professor.

- Lamento envolvê-lo, mas não tinha outra alternativa. Bem sei que se afastou, mas o desaparecimento de um agente e uma possível testemunha precipitaram a urgência da sua ajuda, e decidi que não poderia esperar até amanhã pela sua visita. Deixei o Peixoto encarregue das diligências formais inerentes à investigação do caso, mas dei-lhe ordens específicas de não envolver mais ninguém, nem fazer absolutamente nada que possa levantar suspeitas e atrair sobre nós as atenções da Espiral, até ordens em contrário.

O Professor serviu calmamente mais um whisky, que estendeu a Carvalho. - Não lamente, meu caro amigo, eu já me encontrava envolvido. – E mostrou-lhe os bilhetes de avião que o sobrinho encontrara na noite anterior. – Por mais que fuja ou me esconda, eles encontram sempre uma forma de me obrigar a voltar, desta vez através do meu sobrinho. – E relatou-lhe a sucessão de factos que levaram Pedro até si, sem desconfiar que a sua escolha para guardião da caixa não se devia a um acaso.

Entretanto Pedro esperava ansiosamente pela explicação que tardava em chegar, a caixa, o seu significado, e o desconhecido envolvimento da sua família com ela aguçavam-lhe a curiosidade e suscitavam-lhe uma série de dúvidas que o perturbavam e queria ver esclarecidas o quanto antes. Mas o seu tio parecia não ter pressa, e demorava-se com Carvalho na latada falando de trivialidades, desde a beleza da paisagem às árvores de frutos e se as colheitas tinham sido frutuosas na região. Pedro impacientava-se, mas o respeito que seu tio lhe incutia impedia-o de interromper a conversa dos dois velhos amigos e decidiu visitar a biblioteca na esperança de encontrar algum livro onde estivessem as respostas às perguntas que tanto o inquietavam.

Entrou na penumbra daquela ampla sala que albergava os milhares de livros coleccionados ao longo de vidas e várias gerações da sua família, meticulosamente arrumados e ordenados em armários que seu tio tinha desenhado especialmente para o efeito. Deixou-se envolver por aquele silêncio apaziguador e embrenhar-se naquela atmosfera tão conhecida e ao mesmo tempo tão misteriosa, rodeado por séculos de sabedoria, sentia-lhes o cheiro, e assim se deixou ficar por uns momentos. Pouco a pouco os seus olhos iam-se habituando à falta de luz e começando a distinguir as formas dos móveis centenários que decoravam a biblioteca. A grande mesa, as poltronas imponentes, até que parou naquilo que lhe pareceu um vulto. Tacteou apressadamente através do escuro até encontrar o interruptor, que acendeu imediatamente. A surpresa não podia ser maior:

- Júlia?


Pode ler o Capítulo XIII em Devaneios

Tal qual


Ontem, discutindo o caso, lembrei-me de um atrasado mental que se orgulha de ser branco. Podia orgulhar-se de ter uma pila, por exemplo. Ou dos espermatozóides do seu pai e os óvulos da sua mãe conterem uma sequência de DNA que determinou a sua cor, mas também aquela anomalia genética que o privou de um cérebro. E tudo isto determinado por bases azotadas: adenina, timina, citosina e guanina, que formam o código genético ATGC, coisa de que nunca ouviu falar, ou se ouviu não entendeu. Mas não, só se orgulha de ser branco.

Hoje descobri um post do Barnabé perfeitamente ilustrativo da minha opinião:

"Um dos imbecis que está agora no Martim Moniz a manifestar-se contra os imigrantes diz que tem "orgulho em ser branco".

Claro que sim: quando não se pode ter orgulho em ser inteligente, em ter talento, em ter aumentado a sua cultura e educação, em ser boa pessoa, em ter-se aperfeiçoado, em ter ajudado pessoas, em ter feito o mundo melhor ou em ter sido um exemplo para os outros. Quando não se pode ter orgulho em ser apreciado por pessoas de proveniências e culturas diferentes, em ter estado num país estrangeiro, ter feito amigos e ter deixado saudades. Quando não se pode ter orgulho em saber cozinhar, falar, dançar, tocar um instrumento, pintar, amar e ser amado por uma pessoa que admiramos, trabalhar no duro, ter boa caligrafia, aprender um idioma, ser autor de um invento, conhecer a história do seu país, ter criado filhos e netos, ser um bom marceneiro, ou um bom professor, ou um bom servente de pedreiro. Quando não se pode ter orgulho em saber alinhar duas ideias, saber compreender uma única, ou em ter tido nenhuma.

Quando não se pode ter orgulho de nada, tem-se orgulho em "ser branco". É o que sobra ao destituído total. Também a nódoa no pano, coitada, deve ter orgulho em "ser nódoa", o buraco em "ser buraco", a bosta em "ser bosta".

No entanto, o que esse imbecil ainda não entendeu é que ele nem sequer teve responsabilidade em ser branco. É só branco por acaso.

Tem, de facto, muito pouco de que se orgulhar."

E agora vou só ali num instante vomitar!

18 de junho de 2005

17 de junho de 2005

Adenda ao post anterior


Depois de muita polémica e trocas de galhardetes, devo acrescentar que a acusação de que é alvo o Roque Sidious é, segundo ele, falsa, e que nenhum comentário foi apagado propositadamente, pelo que fica a devida correcção e um pedido de perdão de joelhos pela reprimenda injusta... é pá, isso já é exagerar, não consigo... pronto, fica só a correcção mesmo!

14 de junho de 2005

Luna explica


Como sou uma miúda muita porreira, vou fazer aquilo que raros fazem, e explicar como se põe música no blog. Para que não tenham que fazer como eu e desenvencilharem-se sozinhos nestas modernices do html, aqui podem encontrar um curso avançado para nabos cibernéticos assumidos como eu.

Para resolver este problema para o qual não arranjava solução, nem alma caridosa que me fornecesse as instruções adequadas, puxei pela minha ervilhinha e fiz-me à estrada, que é como quem diz, fui pesquisar ao google:

"Como meter música no blog?"

E assim encontrei um blog muito jeitosinho, onde se explica tudinho, ou quase: Consultório da Kitty. Aqui encontramos vários tipos de dicas, inclusive sobre música. Aí se encontram os códigos html que permitem inserir o Windows Media Player no nosso blog.

Agora falta descobrir onde ir buscar as músicas. Ahh pois é, aí é que a porca torce o rabo. Se tiverem uma página pessoal com um espaço para ficheiros aceitável, podem fazer um upload da música desejada, e depois ir aí buscar o endereço.

Ou então podem ir buscá-las a sites de download mp3 grátis, que nem sempre são fáceis de encontrar. Mas eu já fiz o trabalhinho todo e posso dar-vos umas moradas úteis:

http://www.altavista.com/audio/default
http://www.buscamp3.com.br/indexbr.asp
http://music.download.com/
http://todum.com/search/
http://www.vitaminic.com/main

Quem é amiga quem é?


13 de junho de 2005

Álvaro Cunhal


Álvaro Cunhal

Uma figura controversa e incontornável.
Tanto para os seus seguidores como opositores.
Um lutador de causas e ideais. Concorde-se ou não.

Alguém que o dinheiro nunca comprou.

O Adeus ao homem, ao político, ao ensaista e ao artista plástico.

Nos seus anos de cativeiro encheu telas a lápis, como única forma de expressão que lhe era permitida. Assim nasceram os desenhos que desde sempre me lembro de olhar, nas paredes da minha sala.

Um lado mais desconhecido, mas verdadeiramente admirável.






*Os desenhos conhecidos de Álvaro Cunhal são os "Desenhos da Prisão", publicados em álbum, em Dezembro de 1975, pela Editorial Avante!. Esta publicação foi uma iniciativa do PCP e teve como objectivo a recolha de fundos.

Os desenhos são feitos a lápis sobre papel e foram executados entre 1951 e 1959, numa cela da Penitenciária de Lisboa, onde passou oito anos em total isolamento, e no Forte de Peniche, de onde se evadiu em Janeiro de 1960.

Durante cerca de dois anos (1949-1951) não teve acesso a qualquer material de escrita ou de desenho, mas em 1951 passou a ser autorizado a receber papel e lápis. Para efeitos de controle, o papel era numerado folha a folha e assinado pelo chefe dos guardas da Penitenciária de Lisboa - Lino -, pelo que há alguns desenhos em que se pode ver uma assinatura, que não é do autor dos desenhos, mas do tal Lino.

(ler mais aqui)

Eugénio de Andrade


Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.

12 de junho de 2005

Música Maestro!


Consegui, finalmente, descobrir como se põe música num blog. Já está.
No entanto, ainda não descobri fontes de músicas grátis com uma selecção musical suficientemente alargada de forma a poder tocar os meus preferidos. Talvez venha a conseguir um dia destes.

Por agora fica à experiência...

9 de junho de 2005

Frustrados Anónimos


- Olá, eu sou a Luna, tenho 25 anos, sou solteira, desempregada, moro com os meus pais e um gato, ganho 93,68 € por mês se nunca faltar e estou endividada até à peruca depois de ter cometido uma infracção muito grave já depois da saída do novo código da estrada.

- Olá Luna.

- Mesmo assim não sou considerada suficientemente pelintra para ser aceite no grupo selecto de bloggers que se diziam meus amigos e fui substituída por um tal de Badocha (realmente ele deve pesar bem mais na balança). Bah

- E qual será o primeiro dos 12 passos para a cura?

- Começar por não ser rancorosa e publicitar gratuitamente e de cara alegre o
blog dos traidores... 2 vezes!

Por outro lado


Ou a entrevista imaginária de Ana Sousa Dias a Vampire XII...

*Não quero com isto abrir o precedente de fazer deste blog um amontoado de citações e links para outros, mas vale a pena espreitar...

Não vou responder


Peço desculpa à Raspinha e à Nhua, mas por uma questão de honra não vou responder a este questionário... É que simplesmente não posso voltar atrás com a minha palavra...

8 de junho de 2005

Bocca Di Rosa


La chiamavano Bocca di Rosa
metteva l'amore, metteva l'amore
la chiamavano Bocca di Rosa
metteva l'amore sopra a ogni cosa.
Appena scesa alla stazione
del paesino di Sant'Ilario
tutti s'accorsero con uno sguardo
che non si trattava d'un missionario.
C'è chi l'amore lo fa per noia,
chi se lo sceglie per professione,
Bocca di Rosa nè l'uno, né l'altro,
lei lo faceva per passione.
Ma la passione spesso conduce
a soddisfare le proprie voglie
senza indagare se il concupito
ha il cuore libero oppure ha moglie
e fu così che da un giorno all'altro
Bocca di Rosa si tirò addosso
l'ira funesta delle cagnette
a cui aveva sottratto l'osso.
Ma le comari d'un paesino
non brillano certo in iniziativa,
le contromisure fino a quel punto
si limitavano all'invettiva.
Si sa che la gente dà buoni consigli
sentendosi come Gesù nel Tempio,
si sa che la gente dà buoni consigli
se non può più dare cattivo esempio,
così una vecchia mai stata moglie,
senza mai figli, senza più voglie
si prese la briga e di certo il gusto
di dare a tutte il consiglio giusto
e rivolgendosi alle cornute,
le apostrofò con parole argute
"il furto d'amore sarà punito - disse-
dall'Ordine Costituito".
Ma quelle andarono dal commissario
e dissero senza parafrasare:
"quella schifosa ha già troppi clienti,
più di un consorzio alimentare".
Ed arrivarono quattro gendarmi
con i pennacchi, con i pennacchi
ed arrivarono quattro gendarmi
con i pennacchi e con le armi.
Il cuore tenero non è una dote
di cui sian colmi i carabinieri
ma quella volta a prendere il treno
l'accompagnarono mal volentieri.
Alla stazione c'erano tutti:
dal commissario al sacrestano
alla stazione c'erano tutti
con gli occhi rossi e il cappello in mano
a salutare chi per un poco
senza pretese, senza pretese
a salutare chi per un poco
portò l'amore nel paese;
c'era un cartello giallo con una scritta nera
diceva: "Addio Bocca di Rosa,
con te se ne parte la primavera".
Ma una notizia un po' originale
non ha bisogno di alcun giornale,
come una freccia dall'arco scocca,
vola veloce di bocca in bocca.
Alla stazione successiva
molta più gente di quando partiva
chi manda un bacio, chi getta un fiore,
chi si prenota per due ore.
Persino il parroco che non disprezza
tra un Miserere e un'Estrema Unzione
il bene effimero della bellezza
la vuole accanto in processione
e con la Vergine in prima fila
e Bocca di Rosa poco lontano,
si porta a spasso per il paese
l'amore sacro e l'amor profano.

Fabrizio De Andrè

*A propósito de algo que li sobre putas.

7 de junho de 2005

Pérolas... II


Depois das bacoradas do Vevé, só mesmo a ridícula campanha eleitoral do Carrilho à câmara de Lisboa, cujos pontos fortes são a Babá e o bebé, que querem muito o Papá presidente!

Zé Maria: qualquer energúmeno tem mulher e filhos, basta umas quantas pinocadas, e não é por isso que será melhor autarca. Que merdinha de país este, onde os eleitores se derretem com a visão de uma doce criancinha, engraçada como todas as outras.

Pérolas...


"... dactilografados à mão, que não sei escrever à máquina..."

pelo famoso entertainer Avelino Ferreira Torres no jornal da TVI. Não é lindo?

O que eu me rio a ver telejornais, os melhores programas de variedades do país!

Capítulo III – A Morta


Pode ler o Capítulo I em As Sombras.

Pode ler o Capítulo II em
L'Chaim Shedim.

Pedro juntou-se discretamente ao grupo de mirones que se tinha formado junto ao local do crime. Um incrível aparato policial tinha sido montado à porta de casa da curvilínea vizinha, facto inédito naquele bairro tradicionalmente tranquilo, onde apenas por duas ou três vezes tinha sido chamada a GNR, para resolver pequenas disputas no café do Joaquim em noites de bola. A agitação era geral e a estupefacção estampava-se nos rostos dos seus vizinhos, ainda incrédulos e curiosos quanto ao acontecido, procurando perceber o que realmente se tinha passado, e arriscando já comentários e explicações sobre o insólito crime.

Pedro tentou inutilmente furar por entre a multidão, o aglomerado tinha crescido e as conversas cruzadas tornavam impossível decifrar qualquer palavra trocada entre os agentes da judiciária. Era escusado, não conseguiria descortinar nada por ali. Conseguiu apenas esclarecer a identidade do cadáver que tinha visto ser transportado num saco de plástico preto. Era ela, a vizinha. Estava morta e ele sabia que o seu assassinato se devia indubitavelmente à caixa que lhe tinha entregue na véspera.

Tentou disfarçar o terror que o invadia, enquanto tentava pensar no seu próximo passo. Os seus pensamentos são subitamente interrompidos por uma voz estridente:
- Não me está a ouvir?”, interpolava-o a D. Margarida do talho, conhecida por ser a maior bisbilhoteira do bairro. - Não acha que foi passional? Ela andava a pedi-las, pavoneava-se por aí naqueles trajes e está-se mesmo a ver, meteu-se com o marido de alguma que lhe fez a folha! - Anuiu com a cabeça, enquanto se desculpava com uma súbita enxaqueca para escapar à conversa. Fugiu para o único sítio que se lembrou, apesar de pressentir ser o menos seguro de todos: a sua casa.

Meteu a chave à porta e abriu. Estranhou não ter dado as duas voltas habituais, não costumava deixar a porta no trinco, mas atribuiu-o à perturbação causada pelos acontecimentos da noite anterior, com certeza tinha-se esquecido. À porta estava já o Faísca saltitante, de trela na boca e a abanar o rabo, ansioso pela voltinha da tarde. Pareceu-lhe especialmente agitado, provavelmente pela sua chegada tardia, de mais de uma hora de atraso. Pelo menos alguém mantia a normalidade e a rotina, pensou, enquanto lhe afagava o focinho e lhe segurava na trela para o passeio diário.

A volta foi mais curta que de costume. Apesar da companhia relaxante do seu fiel amigo, não podia controlar o medo que sentia, nem concentrar-se e com calma decidir qual o passo seguinte. Entrou em casa, pousou as chaves, arrumou a trela do Faísca e descalçou-se. Só ao entrar na sala percebeu a verdadeira causa da porta destrancada, enquanto um turbilhão de ideias e sentimentos o inundavam e enchiam de dúvidas. Sentiu o coração na boca e tentou balbuciar algo, mas perdeu a fala. Ali estava ela, serena, comodamente sentada à sua espera com a caixa sobre o colo, fazendo festas ao Faísca que tinha entretanto corrido para ela sem estranhar. Não entendia mais nada, quem seria então a mulher assassinada dentro do saco preto? Uma voz sensual rompeu finalmente o silêncio:

- Desculpe, mas não sabia a quem mais recorrer…

Pode ler o Capítulo IV em Devaneios.

6 de junho de 2005

A pedido de várias famílias...



O verdadeiro, o único, o original "touche de beauté"!

Agora vão lá chamar sardas e verrugas a outros!

5 de junho de 2005

Percebeste?


Já não gosto de ti. Não sinto absolutamente nada. Aliás, acho que nunca senti, não passaste de uma disfunção hormonal num momento de carência em que tirava da cabeça outro alguém. Olho para ti e não entendo porquê, não reconheço já nada do que senti antes.

Percebi que já não gostava de ti quando a simples visão do teu nome no ecrã do meu telemóvel ao tocar me dava náuseas. Uma reacção física, mesmo a mais de mil quilómetros de distância. Fartei-me. Esqueci-te. Apaixonei-me e desapaixonei-me nos entretantos. O tempo passou.

Não quero ser tua amiga. Não quero falar contigo. Não quero trocar SMS’s a meio da noite com conversa de chacha. Não quero ir à tua casa, à tua piscina, não quero ir a convívios no jardim nem usufruir de nada teu. Porquê? Não me apetece. Não, já não estou chateada, mas simplesmente não me apetece fazer o frete de estar contigo. Estarei a ser injusta? Sem dúvida. Não mereces. Mas não consigo evitar.

Porque me irritas. Irrita-me ver-te. Irrita-me que vás sair para o mesmo sítio que eu. Irritas-me quando me falas e tentas uma reaproximação amigável. Irritas-me quando me perguntas sobre a minha vida. Irritas-me quando tentas piadas sobre mim. Irritas-me quando me tocas para perguntar algo sem importância. Irrita-me receber uma mensagem e ser tua.

Na verdade foi um alívio quando mostraste as garras e me insultaste. Senti uma raiva enorme a crescer dentro de mim e ao mesmo tempo uma grande sensação de liberdade. Que pena que me pediste desculpa mil vezes, pois deixei de ter uma para deixar de te falar definitivamente.

Desculpa, sei que não mereces, mas está simplesmente fora do meu controlo.

Constatação de fim de noite


Não há pior praga que os Ex's... Será que não entendem um não delicado? Eu bem tento ser cordial, mas parece que não dá resultado... Que seca!

4 de junho de 2005

Altas expectativas


Nada mais frustrante do que expectativas defraudadas quando esperamos por algo de alto nível e nos deparamos por fim com um espetáculo medíocre, de um amadorismo demasiado visível, depois de horas de espera.

Aconteceu ontem. Rumámos a Lisboa com o objectivo de assistir ao Big Bounce Hip Hop, One on One Battles no ComVento Club. Começámos por ser quase barrados à porta, que nunca vi casa tão selecta, e não fossem os conhecimentos da MissM não sei se entraríamos. Talvez não correspondesse-mos exactamente à imagem da casa, pensando bem, não mesmo. Depois seguiram-se 3 horas de espera. Valeram-me os 3 vodkas. Depois os 5 concorrentes. Só. Dos quais apenas um fez chão.

Felizmente tinha o Pacman dos Da Weasel à minha frente, e como tal consegui ver imenso. Estão a ver o gajo? Assim grandinho? Pronto, eu tenho pouco mais de metro e meio… Foi bom, um belo panorama e fiquei a conhecer muito bem as costas do gajo.

Felizmente estavam lá uns ecrãs onde dava para ver o espetáculo, que ficou muito aquém das nossas expectativas. Queríamos mais e melhor. Viemos para casa com a sensação de que soube a pouco. Paciência, fica para a próxima…

Dilema


Contei as minhas faltas: 30. O que significa que faltam apenas 10 para atingir o limite, quando faltam 3 semanas para acabar o curso. Quando o Santo António calha num Domingo à noite e não é feriado em Sintra, o que significa faltar a 6 horas na segunda-feira dia 13. Ficam 4. Para 3 semanas.

Como é que eu vou aguentar mais 3 semanas de formação sem nunca chegar atrasada mais de 4 vezes? Já chegando 3 horas mais tarde custa a passar o tempo, quanto mais a cumprir o horário à risca... Vou morrer de tédio...

Por acaso não anda aí nenhum médico que me arranje umas justificações, que ainda não gastei nem uma das minhas faltas justificadas?

3 de junho de 2005

Ai que lindo!


O que eu gosto que falem de mim... Principalmente se forem só elogios, fico radiante. Quem estiver interessado fica desde já convidado a alimentar-me devidamente o ego. Blackito, és o maior!

De la Guarda


De la Guarda

Horas: 21:30. Mensagem inesperada: convites para o De la Guarda, às 22:00. Merda! Vestir a correr e pegar no carro sem pensar, fazer a marginal a abrir, arriscando a carta mas não podia faltar. 22:10, cheguei. O espetáculo vai começar.

É difícil descrever o De la Guarda, um espetáculo surpreendente e interactivo, que nos envolve e absorve totalmente, despertando-nos todos os sentidos. Cor, luz, sombra, música, água, névoa, dança no ar, velocidade e movimento num ritmo frenético e alucinante. Absolutamente imperdível!

2 de junho de 2005