28 de fevereiro de 2005
Síndroma Bridget Jones
De entre tantas heroínas cinematográficas inesquecíveis, capazes de mover mundos só com um pestanejar, suscitar paixões arrebatadoras à beira da loucura, de personalidades fascinantes e misteriosas, protagonistas de tramas e intrigas Shakespearianas, tinha logo de me identificar com a muito longe de perfeita da Bridget Jones!
Desde a primeira cena do filme, em que Bridget canta esganiçadamente uma canção da não menos esganiçada Celine “tou-a-gritar-assim-pra-vocês-perceberem-que-tenho-um-aparelho-vocal-potentíssimo” Dion, ressacada, desgrenhada e entre beatas de cigarros que logo senti uma enorme empatia com aquela personagem tão humana.
Continuando o filme fui-me revendo vezes sem conta em várias situações, principalmente na lei de Murphy que se verifica sempre no azar e falta de timing que a acompanha. Imagino-me nas situações embaraçosas, como chegar a uma festa de máscaras com uma completamente despropositada* porque ninguém se lembrou de avisar, ou a falar descontroladamente devido a verborreia nervosa despoletada por situações de stress agudo e uns copos a mais.
E lembro-me de mim, a espetar-me numas escadas enquanto tentava um ar sensual e acenava a um tipo que achava interessante, a ter um furo às 5 manhã no meio da auto-estrada no único dia do ano em que resolvi vestir mini-saia e saltos altos, ou encontrar o gajo que minutos antes entrou sem querer na casa de banho das mulheres, enquanto me equilibrava na típica posição gaja-em-casa-de-banho-pública, a contar animadamente o sucedido aos meus amigos, sentado no meu lugar na mesa. Não há charme que resista!
Mas se até uma Bridget, histérica compulsiva de cuecas à mãe com padrão de leopardo encontrou o seu príncipe encantado da camisola de lã com renas oferecidas pela avó nem tudo está perdido. Até porque a Julieta morreu e a Scarlett acabou sozinha, parada no tempo à espera do amanhã.
*Só duvido que alguma vez me mascarasse de coelhinha da Playboy, já que costumo adoptar posturas mais low profile – aliás todas as amigas da minha mãe passam a vida a aconselhar-me a andar mais descascada “Ai filha, se tivesse esse corpinho andava sempre de mini-saia”, para ver se arranjo homem, disfarçando mal a preocupação de que fique para tia no avanço dos meus 25 anos.
27 de fevereiro de 2005
Desculpem...
… se os meus sonhos não passam pelo ecrã de plasma, um telemóvel de última geração, um carro desportivo topo de gama com auto-rádio a condizer ou a vitória dum qualquer clube de futebol.
Sei que, por isso, vou passar a vida a ser olhada como uma extra-terrestre verde e com antenas cada vez que disser que não sei quem é o treinador do benfica, que não tenho TV cabo e não, não é uma prioridade a curto prazo trocar o meu carro de 15 anos a caír de podre.
Prezo a individualidade e, por puro capricho, gosto de ir contra a manada, mesmo que me arrisque a ser esmagada por ela.
26 de fevereiro de 2005
Eu gosto é do verão!
Ser friorenta significa dormir com 2 cobertores, 2 edredons e uma colcha, ter como melhor amigo a espécie de cobertor eléctrico mas que se mete por baixo, apesar de correr o risco de acordar esturricada um destes dias, andar em casa enrolado em mantas deitando por terra qualquer fantasia relacionada com um negligé, considerar a melhor compra do ano o casacão que mais parece um saco-cama polar e passar o inverno parecida com o boneco da Michelin.
Sim, tenho saudades do calor!
25 de fevereiro de 2005
Vícios da Primária
Volvidos quase 20 anos da entrada para a escolinha e do início da minha vida de estudante, que ainda continua, fui-me relacionando e aprendendo a conhecer vários tipos de pessoas que invariavelmente, pelos seus comportamentos e atitudes, me remetem para a primária e o tempo dos joelhos esfolados e mochila às costas.
Desde aí se vão vislumbrando os traços do que se há de ser, e se vão aperfeiçoando as qualidades e defeitos que viremos a apresentar mais tarde, desenvolvendo egoísmos e manhas, apenas disfarçados por revestimentos mais polidos e sofisticados. Mas raspando bem a superfície, facilmente encontramos as crianças desdentadas da 1ª classe, guardadas num espacinho especial da nossa memória. E facilmente correspondemos os novos colegas adultos com o marrão, o queixinhas, o rebelde ou o palhacinho da turma.
Nunca fui muito organizada, fiz a faculdade sem ter cadernos, dependendo da boa vontade de almas generosas na época de exames, e por isso sei ver quem são aqueles que partilham espontaneamente e os que mostrarão relutância em emprestar apontamentos, num egoísmo mesquinho e medo de serem ultrapassados, numa competição pelo 1º lugar que pode ser ameaçada.
Hoje revivi esses tempos, quando sugeri a um colega que no fim do módulo me emprestasse os seus apontamentos, oferecendo-me para passar para computador as ideias principais, num resumo organizado, que enviaria depois aos restantes colegas. À falta imediata do “Claro que sim!” percebi instantaneamente que o silêncio se devia a uma acelerada busca mental de uma desculpa para dizer que não – porque esta gente nem sequer tem coragem de negar directamente – e não me surpreendi ao ouvir que “possivelmente não iria perceber a letra”. Bardamerda!
Volto em grande velocidade à primária e derrapo em frente à marrona da turma, a melhor aluna, altamente competitiva e egoísta, para quem ajudar os mais fracos era pecado e o certo era delatar os copiões. E agradeço aos meus pais terem-me educado tão bem. Sempre fui boa aluna – era a 2ª e secretamente odiada pela marrona – mas nunca me preocupei em ser a melhor, e o facto de ajudar os outros, deixar copiar os testes e passar papelinhos com respostas às mais difíceis, concedeu-me muitas amizades.
Quanto aos apontamentos, sei perfeitamente quem mos dará com agrado, sem ter medo de ser prejudicado, vê-se pela cara e pelo sorriso espontâneo. Quanto aos outros, não sejam picuinhas, porque à falta de cadernos vou buscar os livros – ao contrário de muita gente nunca me assustei com calhamaços, de certeza melhor escritos e mais cuidados que os gatafunhos escritos à pressa entre mudanças de slide, e aí atenção, posso mesmo ficar a saber mais!
Imagino-me...
... daqui a muitos anos, velha e rezingona, a emitir continuamente enquanto um hipotético marido vai anuindo involuntariamente sem tirar os olhos do jornal, maldizendo entre-dentes não ter escolhido casar com alguém mais silencioso. Onde fica o botão do mute?
Arte vs Realidade
O mundo seria infinitamente mais artístico se não precisássemos de dinheiro… Mas não há criatividade que resista quando a fome aperta!
24 de fevereiro de 2005
Comentadores Natos
Por vezes tenho o mau hábito de ir cuscar os comentários de outros blogs, mesmo que nem vá comentar, só por curiosidade de saber o que certas alminhas vão dizer. Sei que irei encontrar comentários interessantes e outros nem tanto, mas através de uma leitura assídua das várias intervenções, posso quase atrever-me a um estudo sociológico da blogosfera.
A maioria dos leitores habituais – e normais! – de um blog consultam-no diariamente, ou quase, lendo atentamente os últimos posts e comentando quando acham pertinente, quer seja por gostarem especialmente de certo texto ou por quererem contribuir com uma perspectiva pessoal. E depois existem os outros…
Tenho reparado que, em certos blogs, existem habitués, melguinhas que comentam todos os posts, por tudo e por nada, sem razão nenhuma aparente, e sem dizer nada de jeito, o que não deixa de ser um fenómeno curioso. Já reflecti sobre o assunto, tentando encontrar razões lógicas para se comentar todos os posts, todos os dias, com frases do género: “hehehe/lol/gargalhadas”; “beijos/bjs/bjinhos”; “:)/;)/:D” e outras mais sem qualquer sentido. Ainda não obtive resultados conclusivos.
No início ainda pensei que fosse uma forma de chamar a atenção, de modo ao comentador, também blogger, ser premiado com um link – é um truque legítimo e uma forma inteligente de fazer publicidade. No entanto, a teoria desfaz-se pela vacuidade dos comentários em questão, que em nada contribuem para suscitar interesse no blog e, por outro lado, por verificar muitas vezes a já existência de um link. Voltamos ao zero.
Continuo intrigada, e desconfiada de uma qualquer psicopatia, mas pode ser apenas algum fraquinho pelo autor do blog comentado, que até parece giro/gira na foto, alguma ilusão romântica ou obsessão por amor virtual. Não sei…
Quem tiver teorias, pode contribuir.
23 de fevereiro de 2005
Gostava muito, pronto!
Gostava muito de ser artista. Há algo de envolvente e terrivelmente sexy em torno de quem vive ligado às artes, como se exalassem uma aura de sensualidade e magnetismo que nos impele a admirá-los, a querer entrar no seu mundo.
Músicos, pintores, escultores, actores ou bailarinos, não importa. Qualquer pessoa de aspecto banal se torna imediatamente mais interessante quando sabemos que é artista. Mesmo que seja mau artista. Talvez pela rebeldia tradicionalmente associada ao mundo artístico, a vida instável que levam, a busca de aventura e novidade, a audácia…
Gostava mesmo muito de ser artista, pareceria com certeza infinitamente mais interessante, talvez até carismática. Infelizmente, cedo descobri a total falta de talento. Com grande pena minha, após quase 3 anos de aulas de piano consegui aprender a tocar pouco mais que os martelinhos; cantar, só com os copos, conseguindo performances inesquecíveis para alguns amigos, que por sua vez nunca deixarão que eu esqueça; o desenho também nunca foi o meu forte, apesar de conhecer piores; ainda fiz umas vezes uns bonecos toscos em barro que os meus pais adoraram, mas sou demasiado cosmopolita para conseguir enganar alguém com arte naïf… enfim, um zero à esquerda!
Após ser obrigada a riscar estas opções, tive que escolher outro destino, e considerando bem lá optei pelas ciências. Talvez por isso me tenha vindo a cercar de amigos ligados às artes, principalmente ao teatro e à música, abrindo-me um pouco a cortina, deixando-me espreitar através do pano esse mundo tão oposto ao meu, mas que tanto me seduz.
Gostava mesmo muito, com muita pena tive de me conformar, sabendo de antemão que nunca irei parecer especialmente enigmática ou atraente… Quem sabe ainda aprenda a fazer ponto de cruz?
22 de fevereiro de 2005
21 de fevereiro de 2005
Todos Iguais

Era uma vez uma menina branca, cresce entre primos e um meio-irmão, rodeada de afectos, mimada ao máximo, apaparicada por todos e super-protegida, sendo única filha, única neta, única prima, única mulher e a mais nova. Nunca lhe disseram que são diferentes e ela nunca reparou. Passou os primeiros anos angustiada com a grande diferença, a única que lhe parecia importante, a injustiça de não poder fazer xixi de pé como eles. Só com o passar dos anos se apercebeu, pelos olhares e indiscrições de outros que os meninos eram diferentes, chamavam-lhes mulatos, pretos, mas ela nunca reparou.
Entrou para o ciclo, toda aquela quantidade de professores e disciplinas entusiasmavam-na, falava frequentemente deles em casa, contava como eram, se gostava deles, como corriam as aulas, e tudo o que se pudesse lembrar. Chega o dia da reunião de pais. No final, a mãe, surpresa pergunta: “Nunca me tinhas dito que o teu professor de Educação Visual era preto?!” Ela olha a mãe com um ar confuso, sem perceber a pergunta. A mãe cala-se, apercebe-se imediatamente da gafe e muda rapidamente de assunto. Sorri, sorri muito por dentro, tinha conseguido o que poucos conseguem, estava orgulhosa do seu trabalho na educação da filha. Viria a contar esta história vezes sem conta mais tarde, babando de orgulho.
A menina entra na faculdade, conhece Nuno, o melhor aluno, dotado de grandes capacidades, não só académicas como artísticas. No terceiro ano era já assistente. Tinha o conservatório de piano e dava concertos, chegaram a ir vê-lo algumas vezes. Passou à cadeira mais difícil à custa dos seus apontamentos, tal como muitos outros. Admiravam-no e eram-lhe gratos pela disponibilidade com que ajudava os mais fracos. Só anos mais tarde, numa discussão acesa com um mentecapto, que reclamava para os brancos o monopólio da inteligência, se lembrou do Nuno e reparou que era preto. Nunca ninguém o tinha visto de forma diferente, ao contrário do que se costuma apregoar.
A menina existe, é real, cresceu e tem muitos amigos, que não distingue por cores, feitios, opções sexuais ou estrato social. Ou tenta não o fazer.
É verdade que a sociedade não está ainda livre de preconceitos e temos ainda um longo caminho a percorrer, mas isso só irá acontecer quando as crianças deixarem de reparar nas diferentes cores de pele, mais do que reparam nas cores de olhos ou tipos de cabelo, se são baixos, altos, gordos ou magros. Isso é conseguido se nunca lhes mostrarmos essas diferenças. É só mais uma característica física igual às outras e não é limitativa, ao contrário daquela que ainda hoje a incomoda: as meninas continuarão a não poder fazer xixi de pé.
Lunáticos
Parabéns ao bloco, que subiu dos 3 para os 8 deputados. Dei-vos o meu voto e a minha confiança, espero que o crescimento não vos "suba à cabeça" e não defraudem as nossas espectativas.
Louçã: esquece as tiradas de génio como referências ao direito de falar de vida e sorrisos de criança, não são felizes nem te ficam bem.
20 de fevereiro de 2005
Vitória Rosa Choque
Não tenho paciência para ouvir o Sócrates até ao fim, é muito chato, muito teleponto ou se-não-é-parece, muito fala fala e não diz nada, demasiado suado e não se aguentam as palmas ao fim de cada frase, bem ao tipo sitcom americana, que fazem o discurso demorar o dobro do tempo. Muitas palmas bate esta gente a frases sem nada de genial.
Além disso o discurso já tá mais que sabido, de trás para a frente, a vitória estava garantida de início, teve tempo de estudá-lo sem temer surpresas que pudessem requerer espontaneidade. Seguramente um copy-paste dos anteriores devidamente divididos e baralhados, um blá blá blá carente de criatividade.
Cá te esperamos, Portugal deu-te confiança, agora queremos ver como te portas com ela. Espero que faças por merecê-la.
Surpresa...
Esperava eu uma reacção ridícula de auto-vitimização, uma lagrimita no canto do olho, um deitar de culpas a tudo e todos, e sou surpreendida por um Santana Lopes excepcionalmente sóbrio e relativamente digno.
Confesso, é-me quase simpático, acho-lhe alguma piada, não lhe confiaria um governo nem nada que requeira responsabilidade, não lhe daria o meu voto, mas acho piada ao lenço vermelho na cabeça num mundo tradicionalmente cinzentão. À sua maneira é um criativo num mundo que se quer racional.
Agora poderá voltar finalmente a dedicar-se em full time à sua ocupação preferida: ir a festas e comer gajas, que a vida são dois dias!
Snif snif
Estou comovida... snif snif... ó Paulinho, até quase tiveste a minha simpatia... snif snif... pena que te vás embora... snif snif...
Bem, agora vou outra vez colar-me à TV, não posso perder o Santana... se o Paulinho tão contido foi como foi... snif snif... não posso esperar menos que muita baba e ranho do nosso acalorado enfant terrible... snif snif
Vou votar!
Dentro de uns minutos vou votar, como faço sempre. Não posso imaginar não o fazer. Sou demasiado interveniente para não o fazer. Tenho opiniões, sempre! Sim, sou aquela gaja irritante que tem sempre opiniões sobre tudo e que mete o bedelho onde não é chamada, ainda por cima com a mania que é espertinha. E eu gosto tanto de falar... Como poderia desperdiçar a oportunidade de manifestar a minha opinião, mesmo que pouco valha ?
E vocês, têm a certeza que não querem ir dar a vossa opinião? Ou são tão estúpidos que não sabem o que pensam? Vá, toca a sair de casa e ir mostrar que não são uma massa amorfa não pensante...
18 de fevereiro de 2005
1/16
Pela primeira vez, para variar, quase ouvi no telejornal uma notícia sobre futebol - a minha audição está programada para desligar automaticamente ao ouvir qualquer uma das seguintes palavras: futebol, árbitro, Benfica, Sporting, Porto, Boavista e outros nomes de clubes suficientemente famosos para eu já ter ouvido falar.
Ouvi as primeiras palavras da notícia, qualquer coisa sobre os desasseisavos de final dum qualquer campeonato de futebol, já não ouvi qual pois o processador entrou imediatamente em stand by após ouvir a palavra chave. No entanto fiquei com os desasseisavos a martelar na cabeça: mas que raio de país é este em que o futebol é notícia de telejornal até este ponto? Ainda se fosse a final, e mesmo assim... hmmm (neste momento estou a torcer o nariz em sinal de desagrado, mas vocês não me vêem).
Qualquer dia oiço os resultados dos sessenta-e-quatroavos de final do campeonato inter-escolas de Pampilhosa da Serra como notícia de abertura, não?
17 de fevereiro de 2005
Jet Lag
Jet Lag - Anglicismo. Fenómeno que exerce efeitos sobre o sono, verificado após um vôo em que se atravessaram vários fusos horários.
Sofro de um gravíssimo efeito de Jet Lag desde o início desta semana. Até hoje nunca tinha sentido os seus efeitos, nem dava grande importância quando ouvia alguém falar dele, pensando secretamente para mim mesma que a sua referência se tratava apenas de uma forma dissimulada de mencionar uma viagem a terras exóticas ou tropicais com grande diferença de fuso horário. Estava na moda: “Ai, tou de rastos com o Jet Lag, mas a viagem às Maldivas foi super gira! Um must!” e era uma forma de esfregar subtil/descaradamente na cara dos pares sociais o poder económico e as viagens de sonho, bem ao estilo da Caras.
Nunca, nas viagens que fiz, sofri de semelhante sintoma. Talvez pela vida desregrada e sem horários que levei nas mesmas, talvez pela idade, ou simplesmente por não pensar nisso. Até quando fui à viagem de pseudo-finalistas a Cuba, com -5 horas de diferença de fusos e após horas absurdas de viagem (cerca de 24 entre avião e autocarro – mais de 8 horas para poupar 10 contos! – no regresso), não senti nada em particular além do cansaço normal, nada de sonos trocados ou quaisquer que sejam os sintomas da coisa. Cheguei, dormi e fiquei fresquinha e pronta para outra.
Até esta semana, em que o cansaço se apoderou de mim, onde as horas de sono se confundem com as horas despertas, e os dias parecem virados do avesso, apesar de não ter mudado de meridiano nos últimos tempos. A causa? A vida ociosa, sem horários nem despertadores, vivida deliciosamente nos últimos tempos, em que era tão normal dormir depois das 4 da manhã como acordar depois da 1 da tarde.
Contando o tempo de desemprego, desde o final do curso, 3 meses. O tempo de escrita do relatório de estágio, feito principalmente à tarde e à noite, mais 2. O estágio, ah… contei-vos que fiz estágio em Erasmus? Pois é, logo de início perguntaram-me no laboratório: “Cosa vuoi fare, vuoi lavorare o fare l’Erasmus?” – escolhi fazer Erasmus. Mais 5 meses. Antes o projecto, tinha de ir à faculdade 1 vez por semana, outros 6 meses. Contando com férias e afins, há cerca de ano e meio que não uso despertador regularmente e durmo conforme a vontade e a ronha. Vida (quase) tropical, desfasada da realidade.
Resultado: o ar de zombie e olheiras profundas de manhã – de que nem a pomada das hemorróidas* me salva – após o toque maldito às 7 em ponto, o bocejar contínuo durante todo o dia e uma irritante espertina à noite, quando deveria estar a dormir o meu sono de beleza. Espero sobreviver à prova sem me tornar uma pessoa completamente insuportável, que o bom humor também não tem abundado. Mais cafeína, por favor!
E agora, se isto não é o tal do Jet Lag, o que é?
*Segundo as revistas de beleza femininas, e também a reconhecida obra-prima do cinema Miss Detective (aquele com a Sandra Bullock no papel de polícia brogessa que se infiltra e torna Miss, acabando por concluir que as louras burras são um poço de sensibilidade e chegando mesmo a chorar de emoção no final), a pomada para o hemorroidal é tiro e queda para os papos nos olhos – todos!
16 de fevereiro de 2005
Pega-monstros
Cais do Sodré, uns minutos para o comboio, resolvo enganar a fome e dirijo-me apressadamente ao café, de modo a abastecer-me de combustível que me aguente até casa. Nesses escassos metros sou abordada 3 vezes por essa raça peganhenta que não descola, não desiste, não se envergonha de invadir o espaço dos outros mesmo depois de um leve aceno de “Não”, de alguém suficiente simpático para não fingir que são pedras. Hoje eram vendedores do Circulo de Leitores, a uma razão de 4 ou 5 por cada 10 metros quadrados.
Não sei lidar com eles, não os desprezo o suficiente para fingir que não noto a sua presença, tentando descolar uma pastilha elástica do sapato ou inventando qualquer outra manobra de distracção enquanto me abordam. Olho para eles, até sorrio – coitados estão a ganhar a vida, mas fico irritada, comigo e com eles, quando dou por mim a sentir-me obrigada a explicar as razões de não querer subscrever um serviço. Deveria bastar dizer “Não, obrigada, não estou interessada.”, mas invasivamente perguntam porquê, e acabo inevitavelmente a responder que já tenho livros encaixotados por falta de espaço, que o meu pai já foi sócio, que não preciso de edições encadernadas para enfeitar estantes, etc., enquanto olho o sorriso ensaiado do vendedor não-descola que precisava de uma boa escovagem aos dentes urgentemente.
Depois outro e mais outro. Não, não quero, porra! Nem quero dar explicações a pessoas que não conheço, sejam elas a falta total de interesse cultural ou a total falta de dinheiro!
Os vendedores, por sua vez, tinham o ar de nunca ter lido sequer os livros obrigatórios no liceu. Era muito mais fácil ler os resumos.
15 de fevereiro de 2005
Freak Show
Sempre me arrepiei ao assistir ao verdadeiro circo de horrores apresentado nos programas do Guinness World Records, pensando de mim para mim que nunca quereria conviver com os loucos que lá vão. Assustam-me, de uma forma quase inexplicável, e todos os meus sentidos, em especial o sexto, me dizem que aquelas pessoas se encontram algures no limiar da loucura, não se diferenciando muito dos psicopatas mediáticos.
Ambos fazem tudo, mesmo o mais bizarro, com o único intuito de aparecer e ser famoso, na ânsia doentia de ficar na história, ser imortal, ter o nome perpetuado em livros, arquivos televisivos, mesmo que em freak shows, por actos pouco dignificantes e de completa inutilidade para a humanidade. Acredito convictamente que de aberração do Guinness a grande psicopata, basta apenas um pequeno passo de bebé, que consiste em transpor a ténue barreira da ilegalidade, que, alegadamente – apesar de eu não estar totalmente convencida – os recordistas não ultrapassam.
O que me preocupa mais ainda é que, em vez de dissuadidos, estes maníacos totalmente anti-sociais, com toda a certeza incapazes de se inserir nas suas comunidades, são incentivados e premiados pelos actos de tortura auto-infligidos e o mau exemplo que transmitem, disfarçado pelas recomendações inúteis aos mais novos de não o tentar fazer em casa e avisos aos mais impressionáveis da possibilidade de um enfarte do miocárdio ao ver um homem pendurar um ferro de engomar nos testículos. Maravilhas das telecomunicações transmitidas em horário nobre.
Por curiosidade quase mórbida, resolvi passar os olhos no site do Guinness World Records e confirmar as minhas suspeitas sobre o desfile de monstros que fui encontrar. De modo a partilhar a minha estupefacção, ainda que em dose mais moderada, não resisto a descrever alguns exemplos mais ilustrativos.

A senhora Vivian Wheeler do Illinois, USA – Surpresa! Porque será que a taxa de incidência de distúrbios mentais é exponencialmente maior no país do grande sonho? – deixou crescer a barba após a morte de sua mãe, atingindo um comprimento de 27,9 cm! Que bonito, preferir deixar agir a natureza hormonal livremente, pôr de parte a gillette e finalmente assumir o barbão, e ganhar um prémio por isso. Continuará com certeza a ter muito sucesso em ambientes gay desde que não revele a verdadeira identidade e use soutien de desporto, e se não se importar de ser sodomizada o resto da vida nem terá problemas em manter uma vida sexual.
Curiosamente mais uma senhora americana, Lee Redmond do Utah, bateu o recorde de maior comprimento de unhas, num total de 6 m, ligeiramente atrás de Shridhar Chillal, da India, que teve pelo menos a sensatez de só as deixar crescer numa mão. Que contente deve estar Lee com as suas unhacas nogentas, apesar de não poder fazer nada com as suas mãos… Pelo menos, com o dinheiro do prémio, já deve ter arranjado quem lhe dê banho, lave o cabelo, limpe o rabo e lhe enfie tampões nos dias difíceis.
Por vezes, no meio de toda esta insanidade encontram-se pessoas normais, como o marido da recordista de maiores unhas dos pés, a californiana Louise Hollis – curiosamente não é da Ribeira do Sado - que segundo a própria lhe fez um ultimato que pôs fim a um casamento de 21 anos: ou as unhas ou eu! Ela escolheu as unhas. Boa escolha. Agora deve sentir-se bem mais realizada com as suas garras de 15 cm cada, apesar de se sentir bastante mais só e provavelmente sentir falta de alguém que lhe empurre a cadeirinha de rodas.
Continuando a bizarria, encontro em exéquo Elaine Davidson e Charlie Wilson, do Reino Unido, ela por deter o recorde de maior número de piercings: 720 com 142 só na cara, ele por ter feito o maior número destes numa só sessão: 600 em 8 horas e meia. Felizmente só lhes vejo a cara, que nem quero imaginar o estado de outras partes do corpo.
Já o valente Brad Byers do Idaho, obviamente dos EUA, conseguiu engolir uma espada de 68,5 cm e rodá-la 180º no esófago. Brad confessa que uma vez lesionou de tal maneira a epiglote – mas como é possível com uma brincadeira tão inofensiva? – que não conseguiu comer nem beber por 48 horas – só? Vendo pelo lado positivo, certamente não lhe custará muito fazer a endoscopia quando tiver de ter o esófago examinado enquanto se esvai lentamente numa hemorragia interna.
O – adivinhem? - californiano Ray Macaraeg conseguiu fazer 119 bolas de sabão – ya, ya, grande coisa… - com uma tarantula viva na boca, enquanto o seu conterrâneo Dr. Norman Gary conseguiu fechar a boca durante 10 segundos com 109 abelhas lá dentro! No comments... O inglês Ken Edwards conseguiu ingerir 36 baratas num minuto - absolutamente delicioso. O também britânico Stevie Starr conseguiu em directo regurgitar uma bola de bilhar, uma abelha e um peixinho, e de seguida engoliu um anel, um cadeado e uma chave e devolveu o anel trancado no cadeado, perante uma assistência vibrante. Sim, há quem pague para ver outros vomitar.
Por fim*, o sem dúvida brilhante texano Michael Lloyd of Midland detém o recorde máximo de pontapés na cabeça num minuto, auto-infligidos – ainda não consegui perceber como, mas no Guinness tudo é possível – num total de 42. Não sei se estará em estado vegetativo de morte cerebral, mas isso não interessa nada.
Depois de tudo isto, não vos parece bastante normal dar um tiro em alguém?
*Poderia continuar infinitamente, mas à falta de tempo e paciência, sugiro uma visita turística e sem dúvida esclarecedora sobre a natureza humana ao Guinness World Records. Acreditem que será inesquecível…
14 de fevereiro de 2005
Santos
Porque é que só se pode ser santo depois de morto? Que seca, nem sequer estão cá para gozarem a fama e os privilégios do estatuto VIP. A beatificação é portanto completamente inútil!
Zero...
Finalmente a contagem decrescente culmina no esperado dia, o dia dos corações de cetim e romantismo insípido. Zero... bom número para descrever o dia: zero flores, zero gajos, zero postais, e-mails ou sms, zero à esquerda, zero à direita, em cima, em baixo e no meio, dos lados e à volta! Mas o melhor de todos os zeros: zero dias para me livrar da tortura deste template enjoativo e dos ursos apaixonados a fazer não sei o quê no sofá!
13 de fevereiro de 2005
Um...
Penso que perdi ontem a última oportunidade, infelizmente esqueço-me facilmente dos objectivos traçados. Gajo das Flores, até pró ano!
12 de fevereiro de 2005
Sinto-me assim
Dois...
As flores... podem ser originais, fugindo ao cliché das rosas vermelhas... Mas à falta de melhor podem ser as ditas, é um clássico, não passa de moda.
11 de fevereiro de 2005
Mas...
... como sempre, a vida prega-nos rasteiras e eu acabo sempre estatelada no meio do chão! Devia começar a andar de armadura vestida!
Queria…
Três...
Gajo das Flores, no cartão algo bonito, qualquer coisa de Vinicius de Moraes é sempre uma boa aposta!
10 de fevereiro de 2005
A velhice...
"A tragédia da velhice consiste não no facto de sermos velhos, mas no facto de ainda nos sentirmos jovens."
Oscar Wilde
It's my party and I cry if I want to
Há um ano preparava-me para a maior experiência da minha vida, cheia de entusiasmo e grandes expectativas para uma grande aventura vivida intensamente dia a dia, como se cada um fosse o último. Este ano nada, apenas o desânimo de quem não sabe o que está para vir, sem ter grandes perspectivas. Estou parada num sinal vermelho!
Em compensação...
... Já tenho serviço de café e é lindo!
P.S. E também dois copos de whisky de cristal!!!
Quatro... ou Parabéns a mim!!!
O gajo das flores continua sem dar sinais de vida... Mas foram umas primeiras horas dos meus 25 anos espetaculares! Estava quem tinha de estar... Obrigada amigos!
9 de fevereiro de 2005
Cinco...
Quarta-feira de cinzas, finalmente acaba o Carnaval e com ele as aberrações disfarçadas. Mais um dia que promete correr sem sobressaltos, aparte a aproximação constante da data fatídica: os meus 25 anos! À meia noite provavelmente uns copos para comemorar, ou esquecer, dependendo da perspectiva. Felizmente, apesar da depressão antecipada pelo quarto de século, gosto do dia, e confesso que também do mimo e da atenção. Quem quiser comparecer está convidado, hoje à noite, no bar do costume...
P.S. Feel free to bring the flowers!
8 de fevereiro de 2005
Seis...
Ontem fui a uma festa de carnaval, depois a um bar, depois a outro, e no meio de tanto homem vestido de mulher, de super-herói, padre, testemunha da igreja adventista do sétimo dia, e tantas outras coisas esquisitas, não tentei sequer encontrar o gajo das flores!
7 de fevereiro de 2005
Counting Down
Faltando exactamente uma semana para a data nogento/romântica, inauguro solenemente a Versão Coração, em homenagem a esse grande santo, padroeiro dos enamorados, S. Serafim. Ou será S. Querubim? Hmmmm… Jasmim? Não isso é um sabor de chá… Benjamim? Nã… Rubim? Népia, é o namorado modelo da Mónica das Delirium, finalmente famosa na Quinta das Celebridades! É isso… Valentim! Valentim, Valentim Saudade…Lá lá lá…
Parece que só me restam 7 dias da busca incansável de alguém que me ofereça qualquer coisinha deste género:
5 de fevereiro de 2005
Triste Carnaval
Já tinha pensado em escrever sobre o carnaval português, e a sua tristeza subjacente, a falta de brilho e naturalidade duma tradição roubada e posta nas ruas sem ritmo tropical nem samba no pé, debaixo dos usuais chapéus de chuva.
Mas alguém já escreveu por mim, e melhor. Algo que poderia ter sido eu a escrever, se escrevesse tão bem.
“Sei resistir a tudo menos às tentações”
Esporadicamente, quando passo rapidamente o olhar pelo monte de livros acumulados ao longo de vidas, alguns mesmo herdados de gerações anteriores, desordenadamente empilhados por falta de espaço nas prateleiras, um ou outro despertam particularmente a minha atenção, como se jamais os tivesse visto antes.
Exercem uma espécie de atracção magnética sobre mim, obrigando-me a agarrá-los, passar em revista capa e contra-capa, ler o resumo ou críticas. Foi o que aconteceu com este que guardo agora religiosamente sobre a secretária, ao lado do computador, com a finalidade de me salvar dos momentos não inspirados em que não faço ideia do que escrever: “Citações de Oscar Wilde”.
Assim, de vez em quando, irei aqui deixar algumas das paradoxais frases que, mais até que os seus livros, imortalizaram o genial escritor e dramaturgo que foi Oscar Wilde.
4 de fevereiro de 2005
Closer
Quanto custa a verdade e saberemos nós lidar com ela?
Porque quando se fazem demasiadas perguntas se recebem inevitavelmente demasiadas respostas... nem sempre desejadas...
3 de fevereiro de 2005
Novos "Row Models"
Continuando o assunto discutido no último post, resolvi tentar arranjar referências que não causassem tanta indignação nem fizessem os fãs mais sensíveis levantarem objecções. Após puxar muito pela cabeça, à procura de celebridades com quem tivesse algo em comum, sendo a característica essencial a proximidade da altura, fiquei reduzida a dois nomes:
- Podia comparar-me com a Maria Vieira, ambas temos a mesma altura, cabelo e olhos castanhos, e o facto dela ter cerca de 100 kg a mais que eu não passa de um pequeno detalhe.
- Ou então podia escolher o Michael J. Fox, com quem partilho também as mesmas características enunciadas, mas é homem e tem parkinson.
2 de fevereiro de 2005
Kylie, a quanto obrigas...
Após o meu ingénuo comentário ao rabiosque da Kylie Minogue, entusiasmada com a escrita do meu último post, sendo que, no contexto, me parecia mais espirituoso mencionar duas características em comum em vez de apenas uma – a altura, e não me lembrando de mais nenhuma, além de que ambas temos 2 braços, 2 pernas, olhos, nariz e boca, resolvi arriscar e exagerar, tendo caído no erro de fazer crer a alguns dos regulares visitantes, que ousava – que desplante o meu! - comparar-me à bomba australiana.
Uma coisa que foi escrita por graça, sem ter sido minimamente levada a sério, pelo menos por mim, tornou-se desagradável ao fazerem questão de me lembrar – apesar de ter pedido encarecidamente para não o fazerem – que não era verdadeira. Amigos, posso não ter o rabo da Kylie, mas não sou estúpida: EU SEI DISSO! E mais, não preciso que mo digam. Porque não quero! Tal como todas as gordas, vesgas, marrecas, ou especialmente feias sabem que o são, o que não implica que gostem que lho digam!
Assim permitam-me mais um pequeno esclarecimento: se dissesse que tinha olhos azuis, que não tenho, na contagem de coisas em comum, não queria dizer que fossem iguais ou tão bonitos. De modo que a desigual comparação à diva da pop se situa no meu nível de míuda normalissíma sem quaiquer aspirações a ser uma "sex symbol", não pretendendo de forma alguma equiparar-me à maior fantasia sexual dos meus leitores!
Se, por exemplo, algum amigo meu se comparar ao Brad Pitt, dizendo que têm em comum duas coisas: uma pila e cabelo loiro, eu não me lançarei em defesa do deus grego, bradando aos céus que não lhe chega aos pés, que devia enxergar-se, ver-se ao espelho com os óculos postos, mas sim rir-me-ia da espontâneidade do comentário e da ironia que está por trás dele.
Assim, pra desfazer equívocos, declaro vivamente: EU NÃO SOU ASSIM!
* Mas tenho pena!
1 de fevereiro de 2005
Este mês…
…decidi que vou ficar deprimida! Estive a olhar para a minha vida, assim como quem está de fora a ver de binóculos, e, observando com atenção e total imparcialidade, resolvi elaborar uma lista com todas coisas boas e más, tendo chegado à triste conclusão que estas últimas ganham. Assim, após análise exaustiva, passo a citar os pontos em questão, enumerados por ordem decrescente de relevância.
O lado negativo, ou a visão melodramática das coisas:
- Vou fazer 25 anos! Vinte e cinco, um quarto de século, a idade onde supostamente se traçam já esboços de um futuro, com vista a alcançar algo parecido com estabilidade, tanto a nível pessoal como profissional. Lembro-me do início da canção celebrizada pelos 4 Non Blondes: “Twenty-five years and my life is still/Trying to get up the great big hill of hope/For a destination”. E assim me sinto eu, a tactear no escuro, sem fazer a mínima ideia para onde me estou a dirigir. O meu futuro resume-se a um buraco negro com um grande ponto de interrogação no seu vortex.
- Aproxima-se o dia dos namorados, essa data odiosa inventada por sádicos capitalistas, com o único intuito de fazer os eternos solteiros sentirem-se uma merda. Mais um Valentine’s Day comemorado em assumida solidão, onde as únicas mensagens carinhosas que poderei receber serão, na melhor das hipóteses, de amigos simpáticos com pena de mim.
- Problemas de fôro íntimo, pessoais e intransmissíveis. Irão continuar assim.
- Diz-se que é possível crescer até aos 25 anos. Se até agora não aconteceu o milagre, daqui para a frente perdem-se definitivamente todas as esperanças. Crescer, agora, só para os lados, coisa que constatei recentemente, com uma grande tristeza, ser possível, existindo mesmo uma probabilidade real de isso vir a acontecer num futuro próximo.
- Continuo a viver com os meus pais, apesar de reunir todas as condições físicas e mentais para viver sozinha, no entanto impede-me o pequeno detalhe de não ter um ordenado que me permita pagar a renda de uma casa.
- Continuo desempregada, desocupada, pobre e sem nada de interessante para fazer. Não se esperam alterações da actual condição nos próximos tempos.
- O meu inegável talento para a escrita continua sem ser reconhecido, pelo menos a julgar pelo diminuto número de visitas ao meu blog, das quais cerca de metade são da minha responsabilidade.
Vendo pelo lado positivo, ou numa versão “don’t worry, be happy”:
- Podia ser pior, podiam ser 75, eu estar velha, senil e incontinente. Vendo por este prisma, ainda estou fresquinha e pronta prás curvas! E continuo a ser alvo de inveja de quem já não pode usar mini-saia! E pelo menos o passado está garantido, o que vivi e aprendi já ninguém mo tira. (Pequena correcção: tirando o Alzheimer.)
- Alguns dos meus amigos mais chegados já me confessaram que, não fosse o facto de terem já encontrado as mulheres dos seus sonhos, eu seria muito provavelmente a eleita dos seus corações. Nem tudo está perdido, ainda há esperança! Agora só tenho de fazer uma listinha destas, pedir uns conselhos práticos à D. Leonor , e começar a riscar os nomes das ditas por ordem.
- Não têm lado positivo.
- Ouvi dizer que a Kylie Minogue também mede cerca de 1,56 m, e ambas temos um bom derrière, o que perfaz duas coisas em comum. Gosto de viver nesta ilusão. Se alguma das duas afirmações não for verdadeira, agradeço que não mo comuniquem.
- O meu quarto é sempre o meu quarto e a minha mãe é óptima cozinheira.
- Estou inscrita no centro de emprego, que certamente oferecerá a solução ideal para todos os meus problemas. Aliás começarei em breve um curso de formação profissional, com cujo subsídio de quase 100 €/mês - uma fortuna! -começarei a juntar o meu primeiro milhão.
- Sou melhor nas contas.
Não me lembrando de mais pontos a enunciar, dou por finda a análise rigorosa entrando oficialmente em profunda depressão. Assim resta-me agora tentar arranjar a receita para os Xanaxes e Prozacs, ou tentar adquiri-los de forma ilegítima através da internet. Pensando melhor, dá muito trabalho… É mais fácil comprar ganza.






