27 de Janeiro de 2010

A caminho do Haiti


Na próxima sexta-feira, chega às livrarias uma nova edição do romance A Jangada de Pedra, de José Saramago, destinada a contribuir para a ajuda humanitária às vítimas do sismo no Haiti. O produto da venda do livro é integralmente destinado às vítimas do sismo no Haiti.

«As minhas palavras serão de agradecimento. A Fundação José Saramago teve uma ideia, louvável por definição, mas que poderia ter entrado na história como uma simples boa intenção, mais uma das muitas com que dizem estar calcetado o caminho para o inferno. Era a ideia editar um livro. Como se vê, nada de original, pelo menos em princípio, livros é o que não falta. A diferença estaria em que o produto da venda deste se destinaria a ajudar as vítimas sobreviventes do sismo do Haiti. Quantificar tal ajuda, por exemplo, na renúncia do autor aos seus direitos e numa redução do lucro normal da editora, teria o grave inconveniente de converter em mero gesto simbólico o que deveria ser, tanto quanto fosse possível, proveitoso e substancial. Foi possível. Graças à imediata e generosa colaboração das entidades que participam na feitura e difusão de um livro, desde a fábrica de papel à tipografia, desde o distribuidor ao comércio livreiro, os 15 euros que o comprador gastará serão integralmente entregues à Cruz Vermelha para que os faça seguir ao seu destino. Se chegássemos a um milhão de exemplares (o sonho é livre) seriam 15 milhões de euros de ajuda. Para a calamidade que caiu sobre o Haiti 15 milhões de euros não passam de uma gota de água, mas A Jangada de Pedra (foi este o livro escolhido) será também publicada em Espanha e no mundo hispânico da América Latina. Quem sabe então o que poderá suceder? A todos os que nos acompanharam na concretização da ideia primeira, tornando-a mais rica e efectiva, a nossa gratidão, o nosso reconhecimento para sempre.
José Saramago»


26 de Janeiro de 2010

Ando com uma vontade de fazer isto que nem vos digo nem vos conto


... mas tenho cabelo ondulado/encaracolado, o que é uma porra. Alguém costuma desfrisar, alisar, esticar, whatever, e recomenda?

E, de repente, lembrei-me dos Monty Phyton

Ah!

Zooey Deschanel

Espelho meu, espelho teu

Em tempos de sobrevalorização da imagem, auto-estima confunde-se por vezes com soberba, e o auto-elogio passou de condenável a socialmente aceite, desvalorizando-se as antigas virtudes da modéstia e recato, em prol da modernidade à força. À mulher bonita, já não basta sê-lo, mas dizê-lo, para que possa parecê-lo. De preferência em voz alta, para que todos fiquem certos do quão segura é da sua beleza e feminilidade, atingindo quase a perfeição, tal como os orgasmos de que se gaba em público. Especialmente dentro deste mundo virtual de quem se apresenta sem cara, onde o imaginário criado acaba por ter um papel mais importante do que a realidade palpável.
Talvez por ser mais dada ao humor auto-depreciativo que à gabarolice descarada, talvez por não ser assim tão segura ou certa que o deva ser de todo, contrariando esta tendência, não conseguindo dizer ai sou tão gira, e inteligente, e interessante, e boazona, e tão sexy, ai, sei lá, uma lady na mesa e uma louca na cama, tão perfeita que nem sei como é que nem toda a gente no mundo quer ser igualzinha a mim sem me rir, lá vou alegremente passando por trambolhinho para quem me lê há muito, ficando, de repente, quem me conhece a cara, extremamente surpreendido por não ser zarolha nem nada.

(não é Kitty Fane Maria?)

25 de Janeiro de 2010

Ó filha, e dizes tu que não escreves

Numa perambulação pelos meus pensamentos, motivada por coisas escritas blogosfera fora, encontrei um facto sobre o qual me larguei a pensar (não é esse tipo de soltura seus folgazões). O assunto que me intriga é simples. Entre as pessoas que conheço e nalgumas páginas que leio, parece-me haver uma idolatria disparatada a raparigas/mulheres bonitas que se atrevem a ser espertas. Esse elogio parte das próprias e muitas vezes de quem as acompanha. Frases do género “sou uma pessoa mesmo espectacular porque além de ter conseguido acabar um curso ainda tem dois palmos de cara”. A minha pergunta prende-se com a suposta anormalidade disto. Se pertencemos à mesma espécie, se nos deram de comer enquanto crianças, se nos deixaram ir à escola, se temos acesso à informação, então, o mínimo será que tenhamos um QI superior a dois dígitos usando a inteligência que tão uniformemente nos foi oferecida. Desenganem-se. As mulheres bonitas não são geneticamente limitadas no intelecto. Da mesma forma não é nada de especial que uma mulher bonita seja esperta. Não me parece ser razão particular de orgulho. Não me parece fantástico ter um cérebro e fazer uso dele.

pela Muxy-Muxy, que, curiosamente, além de bonita, também tem um cérebro

Não sei se mais alguém via o American Idol

Mas este Carlos dos nossos Ídolos é assim mais ou menos uma imitaçãozeca do Sanjaya. É que até cristas iguais ele faz.

Boas ideias


Este ano, por ser o dos trinta, tive a bonita ideia de dar uma festa. Já que não vou passá-los a Portugal com a família e amigos de sempre, ao menos que junte o útil ao agradável, e assim como assim, já andava a dever uma house warming party desde que cancelei a marcada no verão, por causa do nascimento antecipado do Matteo, que mora ao mesmo ao lado. Ora, o problema com festas e respectivos convidados, é que há grupos que se têm de convidar em peso, para não ferir susceptibilidades, e lá vai de convidar o grupo todo do laboratório. E o dos Portugueses. E mais este e aquele, e o outro. E respectivas namoradas. E embora tentando não me exceder, quando dei por mim já tinha convidado para cima de 50 pessoas, acabando com um grande problema em mãos: 20 confirmados, 5 que não vão, e 25 a aguardar resposta. Worst case scenario: 45 pessoas para arrumar lá em casa. O que não seria grave se a minha casa inteira não tivesse aí uns 40 metros quadrados, contando com casa de banho. E agora quase suspiro de alívio de cada vez que alguém me diz que não pode ir. Começo seriamente a pensar distribuir senhas e fazer a festa por turnos.

40% encapsulation efficiency


Wooohooooooo!!!


(desculpem, mas ter conseguido finalmente enfiar o péptido nas partículas após alguns meses em que não passava de 1% é coisa para me deixar assim. isso e o in vivo ter corrido muita bem. ai ratinhos do meu coração, se não estivessem já mortinhos até vos ia levar um queijinho pessoalmente. mentira, eu não posso entrar lá. mas fica a intenção.)

Queen Bee Wannabes


Em qualquer série adolescente há sempre uma miúda popular cegamente seguida, venerada e bajulada pelo seu séquito, que se alimenta na sombra da sua popularidade, ganhando alguma visibilidade (or so they think) por isso. Imitam-lhe os gestos, as roupas, o corte de cabelo, o estilo de vida, muitas vezes mais alto do que elas próprias podem almejar. Não passam de bullies acéfalas, más, sem personalidade, notoriedade, ideias próprias ou qualquer mérito, sendo sempre vistas como um grupo, e nunca pela sua identidade, por nunca exercerem da sua individualidade e não suportarem andar sozinhas. Todas a séries adolescentes as têm. São as que se entretêm a destilar veneno e pisar quem se atravessa no seu caminho, unindo-se em vinganças vãs e sem outro propósito que a maldade gratuita, pois a sua auto-estima alimenta-se da humilhação alheia. São as que inventam boatos, denigrem desonestamente e sem escrúpulos e se comprazem da derrota alheia. São as que se regozijam no possível insucesso de quem ousa pensar diferente, as que insultam sem pensar, julgando sem conhecer, achando-se nesse direito porque têm costas quentes, especialmente se convictas da inferioridade hierárquica da outra parte. São as que constantemente apelidam as inimigas imaginárias de invejosas, sem nunca perceber que na verdade as invejosas são elas. Como se diz no Brasil, são as que tiram prazer em chutar cachorro morto, e que perante a possibilidade de atingir, por remota que seja, não se inibem de o fazer, sem parar para pensar, mesmo que a sua rainha não esteja nem aí. Geralmente não está, e, na verdade, não as suporta, desprezando toda aquela sabujice que tolera por pena. Não chegam, no entanto, a ser vilãs, pois são demasiado cobardes para dar a cara pelos seus feitos, agindo pela calada e no conforto do colectivo. No fundo, são aquelas tipinhas antipáticas de quem ninguém gosta, pela sua maldade e mesquinhez, mas que de tão irrelevantes no fim nunca ninguém se lembra do nome. Por aqui não é muito diferente.

Eu já vos disse que os acho mesmo muito engraçados, não já?

Já sei, já sei Afonso. Mas podíamos fazer uma coisa completamente diferente aplicando à série dos vampiros a tradicional matriz marxista. Há uma família rica e uma família pobre. Família rica tem uma vampira. Família pobre tem um vampiro. vampira rica conhece vampiro pobre. Vampira rica apaixona-se por vampiro pobre. Família rica não aceita namoro. Família pobre às vezes também não. Jovem casal apaixonado conquista, 100 episódios depois, o reconhecimento social. É claro que existem variações. Vampira rica pode ter irmãos. Ou tipo: há uma família rica e uma família pobre. Família rica tem uma vampira. Família pobre tem um vampiro. Vampira rica conhece vampiro pobre. Vampiros descobrem que eram irmãos separados à nascença.

A vampira rica chama-se Carminho e vampiro pobre chama-se Bernardo Maria.

no 31 da Armada, where else?

24 de Janeiro de 2010

Descubra as diferenças

Haiti. Foto BBC.


Entre isto e aquilo.

Não tem explicação o quanto eu gosto disto


Sandra Bullock num fabuloso Alexander McQueen. Acho lindo, lindo, lindo, tão lindo que até nos esquecemos que foi aos Golden Globes de Barbie Cintilante.

Tal qual

Bem, tal qual talvez seja exagero. Claramente, faltava-me a pala.

Neva pra caraças outra vez

A sério, eu achava que já tinha acabado, estava tão contente... mas foi sol de pouca dura. Note to self: usar rimmel waterproof quando estiver a nevar e se for fazer 10 minutos de bicicleta a não que se vá para um bar punk ou emo. Não, não tem piada ter a cara a escorrer de se levar com tanta neve na tromba. Quando cheguei ao meu destino quase parecia as manas Olsen, mas em moreno.
As boas notícias são que fui adicionada por uma colega da primária no facebook com as seguintes palavras: "se calhar não te deves lembrar, só fomos da mesma turma durante a primária! ;) mas como não mudaste quase nada as feições, reconheci-te imediatamente!!!!!!!"
A poucas semanas dos trinta, isto é quase o elixir da eterna juventude.

*e embora tendo continuado no mesmo colégio por mais uns anos, posso garantir que saí de lá em 1995, e que nunca mais nos vimos desde então. e eu, com toda a certeza, não a reconheceria nem que me aparecesse à frente, quanto mais por fotos.

23 de Janeiro de 2010

Haiti

Banksy

Eu já dei, e tu?


















Isto é tão bom

Em que outro jornal, para já não falar em blogs, poderíamos encontrar a comovente história do Pedro Jorge, de 39 anos, que vivia com o tio? O Pedro Jorge, símbolo de um Portugal que teima em ser Portugal, matou o tio com um tiro de caçadeira. E matou-o, não porque o tio lhe tivesse chamado filho da puta num blog, não porque o tio não o tivesse convidado para o lançamento de um livro, não porque o tio não lhe quisesse dar dinheiro para o vinho. Peço desculpa. Pedro Jorge matou o tio porque este não lhe quis dar dinheiro para o vinho, mas este facto revela apenas uma parte, e não a menos sanguinária, do carácter do rapaz-homem. É que, uma semana após a trágica ocorrência, Pedro Jorge, numa manifestação nobre dos seus sentimentos mais profundos, reconheceu que matou o tio, mas que já tinha saudades dele. Caro leitor, na selva urbana que é a nossa, as pessoas matam-se e poucas horas depois já nem se lembram do nome da vítima, se é que alguma vez a conheceram. Ao ler O Crime, eu desfolho um país, tacteio as inocentes pétalas deste bom povo e encontro gente genuína como o Pedro Jorge, gente que mata a família (a família, reparem, ele não matou um estranho, matou um familiar, também isto é ser português) quando esta não lhe dá dinheiro para o vinho (o vinho, meus amigos, o vinho; não foi cerveja, nem vodka do Lidl, foi vinho, e também isto é ser português), gente que arranja sempre um quartinho vago no coração para esse sentimento tão nosso e tão universal: a saudade. Também isto é ser português.


no Circo da Lama, outro dos meus blogues favoritos (sim, tenho muitos, eu sei, sou uma vira casacas)

(a parte de deixar de ser enfadonha e pseudo-intelectual segue dentro de momentos, mas este era demasiado bom para deixar passar em branco)

Já sei

A culpa foi de eu ter dito o que fazia na vida, só pode. Eu sabia, eu sabia que não devia ter dito nada, foi o meu fim. Depois as pessoas começaram a achar que eu até podia ser boazinha, e, como toda a gente sabe, ninguém gosta de pessoas boazinhas. E enfadonhas. Arruinei a minha reputação, foi o que foi.

Please, can I go and work in the illegal weapon selling business or something instead... no, I know, I know, drug dealing, that's it, drug dealing would be so great, and cocaine is oh so glamourous, omg, every top model does it, it's so damn cool, please, pretty please, pleeeeeeeeeeeeease?


P.S. E por favor esqueçam os cartoons com preocupações sociais. Na verdade, eu não os percebi, só gostei das cores.

Estou muito preocupada

Ontem disseram-me que nem que eu quisesse conseguiria ser mais enfadonha. Bem, a frase não estava assim tão bem formulada, é verdade, mas a ideia era essa. Opá, e eu confesso, desta não estava à espera. Anos e anos de blog, e já me chamaram de tudo, ou assim pensava eu, mas enfadonha, realmente, não. É que foi mesmo a primeira vez, e por isso até prometi tê-lo em consideração, pela saúde dos meus leitores. É que fico angustiada a pensar como é que depois de cinco anos e quase um milhão de gente a ver, ninguém se lembrou de me avisar? Enfadonha man, enfafuckingdonha*, for god's sake? Estou inconsolável. Antes pseudo-intelectual insuportável, que sempre vem muito mais em linha com o que eu estou habituada a ouvir e quase me leva a soltar um "oh, obrigada, eu esforço-me..." acompanhado por um sorriso singelo. Isto, claro, se fosse mais simpática.

*eu, que invento palavras cool e tudo?

Pequenos orgulhos

Ontem, antes da festa, uma colega alemã mostrou-me o presente que tinha comprado à aniversariante: Ensaio sobre a Lucidez, de Saramago. Não li o livro, disse-lhe, e vem mais ou menos na sequência do Ensaio sobre a Cegueira, um dos meus livros preferidos de sempre. Ao que ela me responde: e meu também.

Free market

Banksy

Cada qual é livre de gastar o seu dinheiro como bem entender.

E agora um bocadinho de publicidade


Lembram-se do João Pedreira, da Família Superstar, onde participava com o seu fantástico pai? Pois é, o João é meu amigo, e é aquilo a que se pode chamar um gajo porreiro, e está a concorrer ao festival da canção, cuja votação para apuramento se encontra aqui. E claro, adivinharam, precisa de votos, pois é. Pelo que vos sugiro que lá vão, que o ouçam, e se gostarem, que votem nele, porque não.

Vá, bora lá votar para o Festival da Canção.

21 de Janeiro de 2010

Como evitar fazer figuras tristes quando se é convidado para casa de alguém na Holanda





















Comprar uma (ou duas) destas e levá-las sempre connosco na mala.

(sim, embora o hábito de mandar descalçar os sapatos à entrada de casa seja muito higiénico, não há charme ou estilo que resista quando de repente nos vemos obrigados a andar de meias. além de se evitar o frio nos pés por 5 euritos na H&M)

Assim rapidamente



venho aqui só relembrar que o Alfaiate Lisboeta, se não for o blogger mais giro da blogosfera, é certamente o mais fotogénico. A sério, não se pode ficar indiferente a tal coisa.
Mas pronto, isso já nós sabíamos há que tempos, agora o que tem sido uma agradável surpresa, é a sua escrita. He just gets better and better everyday, num estilo despretensioso e fluido, com uma naturalidade e honestidade desarmantes, das mais despidas de capas que tenho lido, passe a ironia, pondo-o a par com algum dos meus bloggers preferidos do momento. Não só a ver, mas a ler, meninas, a ler.

20 de Janeiro de 2010

Educated guesses


Assim só por acaso, quem é que acha oportuno interromper uma pessoa para fazer uma pergunta qualquer quando essa pessoa está de protectores de ouvidos na cabeça, com uma sonda de sonicação em funcionamento dentro de um tubo de ensaio numa mão e a olhar para o relógio na outra para cronometrar ciclos de 15 segundos? Aparentemente, pessoas que trabalham algures no meu departamento.

19 de Janeiro de 2010

Ainda a televisão e outras considerações

Uma das razões pelas quais não quero fazer um grande investimento na televisão, além da minha forretice natural, é o facto do meu contrato acabar daqui a 3 anos e de muito provavelmente mudar de país novamente, tendo possivelmente de me desfazer da maior parte das coisas. E eu sei que daqui a 3 anos, se eu quiser vender a televisão, dificilmente poderei pedir mais de cento e poucos euros por ela, independentemente de quanto pagar agora. Porque neste tipo de aparelhos as tecnologias evoluem muito rapidamente, e em poucos meses podem estar desactualizados, havendo melhor e mais barato no mercado, como tal não se justificando comprar em segunda mão se os preços não forem de facto convidativos. Além de que as pessoas tentam sempre puxar a brasa à sua sardinha, mesmo que seja claramente injusto e um péssimo negócio para a outra parte. E eu aprendi isto da pior maneira, ou seja, vivendo-o, e tendo de regatear preços com pessoas que viveram na nossa casa durante três semanas à borla para pagar metade do que nós pagámos por coisas compradas novas no IKEA oito meses antes. Pessoas que não tiveram de viver 3 semanas num hostel, que não tiveram o trabalho de procurar casa, de a alugar completamente vazia, de ter de alugar uma carrinha de transportes para ir ao IKEA comprar tudo no próprio dia porque nem um colchão havia, de pagar transporte de coisas compradas posteriormente, e que ainda assim se empenharam em esfolar-nos ao máximo. Acabámos por deixar na casa montes de coisas pelas quais se recusaram a pagar, e que por falta de tempo acabámos por não conseguir vender. Ora, se por mobília com 8 meses me oferecem metade, imaginem o que me oferecerão daqui a 3 anos por uma televisão, que entretanto já terá passado da garantia, e estará mais que ultrapassada em tecnologia.
Ora, por ter noção de tudo isto, sei o que me espera, e por isso mesmo não quero fazer um grande investimento, e por essa razão também comecei a ponderar comprar em segunda mão, desde que encontrasse um preço razoável. Soube de uma através de um contacto, pedi referências, e claro, o preço. E cheguei à conclusão de que há quem não tenha a mínima noção de tudo o que acabei a dizer aqui acima. Por esta televisão, com 4 anos, pediam-me 250€ não negociáveis. Fui pesquisar preços, e comparar com as que pensava comprar novas. Comparando lado a lado com a LG que vi por 326€, é pior, até porque não tem entrada para PC, e já estava eu a cantar o deixa-me rir quando a vi no site da fnac, onde apesar de indisponível, lá consegui encontrar o modelo ao preço actual, isto é, aquilo que teria de pagar por ela se a quisesse comprar nova hoje, com 2 anos de garantia: 299€. Aí passei a achar que só podiam estar a gozar comigo. Ora, eu imagino que há 4 anos tenham dado um balúrdio por ela, e tenho muita pena, percebo que seja chato, juro que compreendo, mas a vida não é justa e muito menos no negócio, e achar que alguém vai abdicar de 2 anos de garantia e de algo novo por 50 ou 80 euros, parece-me no mínimo um certo alheamento da realidade, ou então profunda convicção na estupidez alheia. E olhem que eu até sou facilmente engrupida, mas até aí há limites.

18 de Janeiro de 2010


Roubadíssimo daqui, que por sua vez roubou ali e que por sua vez o foi buscar acolá.

Para quem gosta de fotografia


O meu amigo André Rabaça tem um blog belíssimo que vale a pena visitar.

Uma pessoa percebe que está mesmo emigra quando

Sai de casa para ir ao brunch, ainda de cabelinho molhado, e exclama para o amigo do lado, também emigra: "hoje está um bocado calor, não achas? até vou tirar as luvas!", ao que ele responde: "está está, vi que hoje iam estar 6 graus".

Coisas que me dão cabo da cabeça

Ter perdido uma luva dentro de casa. Já procurei em todo o lado. Não, mesmo, em todo o lado. Até dentro do frigorífico, just in case.

(E antes que me perguntem se tenho mesmo a certeza que foi dentro de casa, devo dizer que sim, porque estava a nevar para caraças quando cheguei e acho que teria reparado se não estivesse com elas vestidas.)

17 de Janeiro de 2010

E chegou finalmente o dia

em que recebi um CV de uma estudante interessada em ser minha escrava fazer um estágio comigo. Estou tão contente que quase nem me importo com o facto de ter visto este e-mail no dia de hoje porque estou no laboratório a um domingo.

Adenda: Ainda não é desta. O meu orientador achou que ela não tinha o background necessário para poder desenvolver trabalho decente dentro do projecto e que me daria mais trabalho que ajuda, uma vez que se candidatava apenas a 10 semanas de estágio: quando eu tivesse acabado de a ensinar a trabalhar independentemente, estaria na hora de se ir embora. Ou seja, agora a parte chata: terei de escrever a recusar a candidatura. I feel bad.

16 de Janeiro de 2010

Note to self: never date very good looking guys

Ontem pude conhecer melhor o dinamarquês top model. Vá, não sejam perversos, não é nada disso. O rapaz é um bocado tímido, mas depois de ultrapassada essa timidez inicial é um porreiro. Houve um jantar com o pessoal e a seguir fomos todos sair, e acabei por estar um bom bocado à conversa com ele, os dois sentados numa mesa, a falar sobre as ilhas Faroe, onde ele fez um estágio durante 6 meses, e a tradição da whale hunting e todas as polémicas à sua volta, etc., sob alguns olhares de gozo dos meus amigos, e de ódio de uma tipa que lhe tinha estado a fazer marcação cerrada toda a noite e que a certa altura se foi sentar ao lado dele tipo lapa a ver se interrompia a conversa ganhava a sua atenção, de tal forma acintosa que me fez sentir mal, e apesar da conversa até estar a ser agradável, acabei por me levantar porque não tenho pachorra para competições adolescentes. E desconfio que ser o alvo deste tipo de perseguições também deva ser uma seca. Thank god I'm not that pretty.

15 de Janeiro de 2010

Seriously?

Uma pessoa pode fazer uma experência mil vezes, já saber aquele protocolo de trás para a frente e de olhos fechados porque, a bem dizer, já o faz há mais de um ano, sempre certinho, sem surpresas, reprodutível de tal modo que até o usa para as aulas prácticas de laboratório com alunos de segundo ano, mas se por acaso o raio das partículas são para um caralho de um in vivo, tem sempre de correr alguma coisa mal, o que, neste caso, significa que terei de passar o do fim de semana no laboratório porque os cabrões dos ratos e as mongas das células dendríticas não podem esperar. Porra. Nota-se muito que estou irritada?

Gajos do meu país, advise me

Ando a pensar comprar uma televisão - sim, não tenho televisão - e até já visitei algumas lojas, onde senhores muito simpáticos e que percebem muito de televisões me começam a explicar todos os detalhes acerca da resolução e HD ready e blá blá blá whiskas saquetas, enquanto eu inutilmente lhes tento explicar que sou gaja e que me estou bem cagando para os pixeis e o contraste assim ou assado, que tenho vivido muito bem sem televisão desde há mais de 6 meses, pelo que certamente entenderão que não é uma prioridade na minha vida, e que até comprava uma das antigas se ainda existissem à venda, porque no fundo o que eu quero é apenas uma televisão que dê imagens, o mais barata possível, ou como diz o meu amigo Vasco com certo desprezo "queres a coisinha mais rasca que anda por aí", and I couldn't put it better myself. Único requisito, ser grandita, que entre o sofá e o sítio onde vai ficar ainda vão uns bons 4 metros e apesar de eu ver muito bem, desde que miraculosamente deixei de ter miopia aos 18 anos, e de até estar habituada a ver televisão de longe, convém conseguir ver alguma coisita de modo que decidi que queria uma de 32 polegadas. Ou seja, muito simples, três requisitos apenas: quero o LCD de 32" mais barato que conseguir encontrar. Depois de muita pesquisa, cheguei a 2 modelos que preenchem os requisitos básicos e se encontram dentro da mesma gama de preços:

LG ELECTRONICS 32LH2000

Samsung LE32B350

Comparação side by side


Qual a melhor?

Depois do asfalto...


Enviada pela Vânia.


... é tempo de agarrar as mãos estendidas e levantar.

My father is better than yours

O cigarrinho já está um bocadinho «démodé».

*Comentário por e-mail às fotografias da CPC.

14 de Janeiro de 2010

To date or not to date

Costumo, meio a sério, meio a brincar, dizer que "I don't date" ou "I don't do dates", sendo que o a brincar é só para disfarçar perante os meus pares e tentar parecer o mais normal possível. A verdade é que não gosto do conceito, daquela formalidade, de toda a ansiedade e constrangimento inerentes a um encontro a dois com alguém que mal se conhece e não se faz ideia se se tem alguma coisa comum ou algo a dizer, ou mesmo se se tem alguma vontade de eventually kiss, e morro de medo, pânico mesmo, dos silêncios incómodos, dos suores frios, da minha verborreia nervosa e de acabar a fazer a complete fool of my self, ou em bom português, figuras tristes e parecer uma perfeita idiota. Há ainda toda aquela pressão da existência ou não de um segundo date, e caso as rédeas da decisão não estejam exclusivamente nas minhas mãos, é coisa para causar abalos titânicos na minha frágil auto-estima, e mesmo que eu não quisesse, o facto do tipo não querer chateia-me na mesma, mas não quer porquê, deve ter a mania o grande palhaço, ou se calhar acha-me feia e gorda, ou será que levei sem reparar uma camisola com borbotos. E pronto, devido a tudo isto que se passa na minha cabeça perante a hipótese de um date ao qual ainda nem sequer aceitei comparecer, concluo que de facto não fui feita para dates e que o melhor é continuar assim. Claro que isto muitas vezes suscita dúvidas dos demais: "but if you don't date, how is anything supposed to happen at all?", pergunta pertinente com resposta igualmente honesta, que há que dizer estas coisas com frontalidade, "well, generally, it doesn't", sim, é uma dura verdade, mas se acontece não é assim, ou pelo menos comigo. Felizmente tenho tido a sorte de ter sido sempre agraciada com encontros mais espontâneos, boy meets girl through commom friends, meet each other casual and randomly a couple of times, rodeados de amigos, sem toda aquela awkwardness do tête-à-tête e da obrigação da exclusive attention, e se há empatia ela manifesta-se e encarrega-se de naturalmente nos empurrar para conversas all night long, até ao dia em que se torna inevitável that we sneak out together, especialmente com uns copos em cima, que é para não se ter de pensar muito, and you know the rest.
A esta altura já devem estar fartos desta coisa de eu estar aqui a mudar de língua constantemente, mas não me apetece pensar muito no que estou a escrever e na minha cabeça eu falo assim, so get over it. Isto tudo para dizer que ando very nervous com o facto de ter sido kind of asked on a date com a desculpa de uma drink after work e de me ver confrontada com a possibilidade não assim tão remota de ter de tomar uma decisão e dar uma resposta brevemente, sendo que a desculpa do agora não dá porque estou no supermercado and though I'm sure you'd love to meet my groceries, maybe another time - por acaso estava mesmo, que eu não minto - não poderá salvar-me novamente, isto se perante algo tão vago e difuso, o moço, que, diga-se de passagem, não está nada mal e é age appropriate e tudo, coisa rara these days, não se tiver assustado para todo o sempre e se atrever a convidar-me novamente.
Ai, estou tão confusa.

O nosso clã

Neste momento, todo o sofrimento no Haiti me é indiferente face ao da minha amiga. Seria hipócrita dizer o contrário, embora confesse que me envergonho deste egoísmo. O sentimento de profunda impotência, é, no entanto, o mesmo em ambos os casos.

13 de Janeiro de 2010

Francisca

Quando algo de mau acontece perguntamo-nos sempre porquê, porquê a nós, ou a quem amamos, porquê, que injustiça, porquê? Hoje é um dia muito triste para uma amiga minha muito querida e eu não consigo deixar de sentir esse porquê, essa injustiça, esse não está certo, não era suposto, e que ela não merecia. Nunca se anuncia uma gravidez antes dos três meses, mas passados esses em saúde, com mãe e bebé saudáveis e com tudo a correr bem, ninguém espera um problema súbito aos cinco meses. Sabíamos que as hipóteses eram poucas, que o termo gravidez de alto risco não tinha o alto risco só para enfeitar, que implicaria repouso absoluto até ao fim, mas havia uma esperança, a esperança de um milagre que permitisse que a tão desejada Francisca pudesse nascer sã e salva. O milagre não aconteceu. Hoje é um dia muito triste.

Puta de vida, caralho.

Depois de ler alguns blogs e seus comentários

Chego à conclusão de que há por aí muita pobre moça convencida de que é a Blair Waldorf e que mora no Upper East Side, ou como se isso só por si não bastasse, de que ser como a Blair Waldorf é uma coisa boa e da qual se devem orgulhar. Pobres meninas (não assim tão) ricas.

12 de Janeiro de 2010

Juro, é que até os gajos

Vinha eu muito bem a pedalar para casa acompanhada do meu ex-flatmate - com quem me dou muito melhor desde que saí lá de casa, by the way - e assim como quem não quer a coisa mencionei o estudante da Andrea, ao que ele responde "I know, I was just commenting with Vasco that this can't be, it's not fair for us, he's way too good looking, he looks like he's come out of a magazine!". Yeah, I noticed...

Scientific peer review


For scientists only.

(sim, eu sei que a dobragem deste trailer já está mais que batida, mas achei piada à coisa)

Yeah, I wish



Presente da Vânia.

Continua a nevar

mas em compensação haviam de ver o novo estagiário dinamarquês que foi hoje apresentado na reunião de grupo. Já me tinha cruzado com ele ontem e pensado "omfg!, what do we have here?" Infelizmente, o bebé só deve ter aí uns 23 anos. Snif.

11 de Janeiro de 2010

Zero graus celsius ao meio dia

Eu ia começar o dia de hoje a dizer "pardon my french, mas está a nevar outra vez, caralho", mas depois li o que o Lourenço escreveu aqui, e embora me seja díficil resistir à tentação de lhe responder que não, as temperaturas que estão lá fora não são nórdicas coisíssima nenhuma, achei que o que ele diz a seguir era mais importante. Por isso ide, ide lá ler o que ele diz a propósito do casamento entre pessoas do mesmo sexo, se faz favor. Deixo-vos um excerto.

Eu não sou parvo: não acho que as pessoas são homófobas porque o casamento exclui os homossexuais. Eu acho que as raízes da homofobia são outras. A homofobia é um sentimento de agressividade contra algo que nos choca, e o que nos choca é a ideia do nosso corpo estar envolvido em qualquer actividade sexual com uma pessoa do nosso sexo. Não o compreendemos e julgamos ser isso um desvio moral e uma provocação à nossa natureza. E nós não temos um bom currículo no que toca a responder a provocações. Ou seja, a homofobia é uma manifestação do instinto humano muito difícil - senão impossível - de combater. Aquilo que nós podemos e devemos combater é a tolerância à homofobia, que encontra ainda num conjunto de pormenores públicos um porto de abrigo. Se eu acho que o casamento é um deles? Tenho dúvidas, mas a comunidade homossexual não, e eles é que são os especialistas. Como tentei explicar, não vejo aqui nenhum risco, e espero que esta alteração à lei ajude os homossexuais a levarem uma vida melhor. Espero que esta alteração à lei ajude a tirar da infelicidade muitas pessoas que continuam sem espaço para dizer aos pais aquilo que são. Se esta intenção falhar, paciência, ao menos tentámos. Pacheco Pereira acha isto hipócrita, eu acho apenas optimista.

no Complexidade e Contradição

10 de Janeiro de 2010

You know you've been in Netherlands too long when...

1 You know what is sold in the "bulldog" shops.
2 You think that orange is a fashionable colour.
3 You think that Amstel and Heineken are high quality beers.
4 You know what dropjes, hageslag and stroopwaffels are...
5 ...And you know how to pronounce these nouns.
6 You like riding a bike.
7 You perfectly know that the best brand of bikes is Batavus.
8 You begin to get angry when foreign people confuse Holland with the Netherlands and Zeeland with New Zealand.
9 You find it normal to know at least 30 people whose last name begins with "Van", "Van Der" or "Van Den".
10 You know the differences between Albert Heijn and Aldi.
11 Zes Vier Zes Vier!!
12 "TNT' doesn't make you think of an explosive, but of one of the best post services in the world.
13 Cloudy weather 200 days a year is absolutely normal.
14 You enjoy the song "goiemoggel."
15 You call "montain" a hill higher than 100 meters.
16 You think that 150 kilometers is an extremely long distance.
17 You find normal for the Albert heijn shops to be open 7 days a week and until 10 pm.
18 You think it's impossible to buy newspapers somewhere else than in "Bruna"
19 You know what kind of business goes on in a "red light district"
20 You know why the 30th of april and the 5th of may are holidays.
21 You think than someone shorter than 1.85m is a small person.
22 You like the "Kings Peppermint".
23 You go to the beach as soon as the temperature is above 15°.
24 You know how to pronounce the name of cities like "Leeuwarden"? "Geertruidenberg"? "Winterswijk" or "Goes".
25 You are no longer surprised to see opening bridges.
26 You no longer regard windmills as a touristic attraction, but as a normal part of the landscape.
27 When traveling outside of Holland you laugh when you see places calling themselves coffee shops.
28 You know what "vieze buitenlander" means, and proudly proclaim "Ik ben een vieze buitenlander."
29 You start to like the concept of ChipKnip.
30 You find it normal to buy food out of a wall.

9 de Janeiro de 2010

Visionária


Ainda sobre os orgasmos de Clara Pinto Correia, uma das coisas que me ficou na cabeça foi o facto de Clara Pinto Correia achar que é uma coisa inédita. Ora, não sei bem se fala da parte de ter sexo, ou se estará convencida de que é a única mulher do mundo a ter orgasmos, mas a existência de 6 biliões de seres humanos neste planeta leva-me a crer com alguma margem de certeza que não. Quanto ao acto de se ser filmado ou fotografado a ter sexo, pensava ser "arte" sobejamente conhecida e divulgada, dando pelo nome de pornografia, que de inédito acho que já não tem mesmo nada, e qualquer coisinha que possamos imaginar certamente já foi mais que repetida sob títulos sugestivos, sendo que mesmo as produções caseiras de famosos já não são novidade para aí desde a Pamela Anderson. Mesmo considerando só a cara de uma mulher em êxtase, qualquer simples busca no google nos garante da não originalidade da coisa, como se pode ver neste beautiful agony, além de nos fazer duvidar ainda mais do valor estético e artístico da mesma. Resta-nos o exibicionismo, mas até esse deixou de ser inédito desde a publicação de uma foto "artística" em topless há uns anos atrás. Fico então a pensar que o original se deve à exibição da exposição no Centro Cultural de Cascais, que realmente nunca recebeu nada assim, até porque também ainda só existe há 10 anos. E sem moralismos, é caso para dizer que não havia necessidade. Não é original, as fotografias não são bonitas, muito menos sensuais, e sem contar com as devidas excepções, não é nada que ninguém nunca tenha visto. E este exibicionismo forçado, especialmente numa idade em que já deveria ter juízo e deixar-se destes devaneios, fá-la apenas cair no ridículo. Pegando numa frase da Ana de Amsterdam, "uma mulher deve chorar e masturbar-se com discrição". E vir-se também, acrescento eu.

O mundo é pequeno

É uma frase feita, eu sei, mas é tão verdade. Conto na minha vida tantos encontros improváveis, coincidências extraordinárias, que esta frase se aplica muito frequentemente. Lembro-me da vez que encontrei uma colega de curso no meio da street parade com um milhão de pessoas em Zurique, de reconhecermos o Afonso do free hugs de natal em Union Square por acaso no facebook, de reencontrar alguém que tinha conhecido durante o meu erasmus em Milão em casa de um amigo em Miami, do Vasco de que tinha ouvido falar por ter estagiado na empresa onde estava a estagiar minha roommate em São Francisco ser o português que pertence ao meu grupo e de que me falaram quando vim cá à entrevista, de ter conhecido em SF amigos da Andorinha que só conheci aqui, de encontrar na Bica um amigo que conheci em SF com a ex-namorada de um amigo meu e que ele tinha conhecido em NY, de ligar a televisão no canal dois e estar a dar um programa de divulgação científica sobre investigadores portugueses e da entrevistada ser a rapariga que uma vez encontrei numa visita a uma casa aqui em Leiden e com quem estive meia hora a falar inglês até percebermos que éramos ambas portuguesas, de reconhecer na viagem de regresso à Holanda uma rapariga que conheci numa pista de patinagem no gelo em Amstersão em 2001 quando lá fui com amigos, sei lá, a lista é interminável. E hoje vou beber um copo com duas miúdas francesas que estavam a estagiar ao mesmo tempo que eu na Genentech em São Francisco e que acabei de descobrir que agora moram em Leiden também, uma cidade de cem mil habitantes mundialmente desconhecida e onde pelos vistos toda a gente vem parar.

A ilusória tranquilidade

Neva de novo, suavemente. Os países baixos vestem-se de branco, e os quarenta e três minutos de viagem entre Leiden e Utrecht permitem-me uma visão extensa de paisagem branca, silenciosa, como nos postais antigos e ilustrações de Natais passados. São os campos, pontuados aqui e ali com uma ovelha ou uma vaca, certamente transidas de frio, coitadinhas, as árvores vestidas de branco, os telhados dos pequenos povoados onde a neve se acumula, mais ao longe uma torre de igreja. Os canais congelados prendem os barcos, que já não flutuam e se quedam imóveis. Imóveis. É esta a palavra. Nesta brancura tudo parece imóvel, e o frio convida a permanecer em casa, contribuindo para o cartão postal. Mas é ilusão.
O mundo e a vida não param porque neva, e as pessoas têm de ir trabalhar, os miúdos de ir à escola, os transportes de funcionar. A neve derrete acaba por transformar-se em gelo, que cobre as ruas em não tão finas camadas, fazendo delas pequenos rinques de patinagem. É engano, a neve traz tudo menos tranquilidade, dificultando os acessos, impossibilitando a circulação normal nas estradas, acumulando-se nos passeios, impedindo que se ande em posição erecta, mas antes à pinguim, ligeiramente inclinado para a frente, de braços afastados para manter o equilíbrio, devagarinho, tentando evitar quedas inevitáveis. As bicicletas circulam apenas em algumas zonas porque outras se tornam demasiado perigosas, e mesmo os carros necessitam de especial precaução. Tudo isto uma grande chatice. Salva-se a visão das crianças, aqui e ali, a patinar nos canais da cidade. Maybe it isn't so bad after all.

7 de Janeiro de 2010

Assim de repente

Serei só eu ou mais alguém acha que a Clara Pinto Correia não está boa da cabeça? Desde o dança comigo que ando desconfiada.

(visto aqui)

Para quem tem gatos


É que é mesmo assim.

Caim

Pude finalmente ler Caim, que já me esperava em casa, durante as férias. Caim é um livro menor de Saramago, que para mim fica aquém das expectativas. Tendo lido o Evangelho recentemente, para mim uma das suas obras primas, achei Caim claramente inferior, algo superficial, sem aquele aprofundar da mente e natureza humanas a que Saramago nos habituou, dando-me a sensação de que à introdução onde se descreve o episódio e conclusão onde se demonstra que deus é cruel falta todo o desenvolvimento, como se de repente o autor se tivesse tornado preguiçoso. De qualquer forma é um livro que se lê bem, bem escrito, obviamente, e bastante divertido, algo incomum em Saramago. Não consigo é perceber tanta polémica em seu torno, já que me parece bastante inofensivo, sendo que os episódios descritos são-nos conhecidos desde a catequese, e contados mais ou menos assim, com o exacto intuito de nos provocar um medo do caraças do castigo divino, embora as freiras de facto não acabassem a concluir que deus era mau, mas apenas justo porque o pecado deve ser devidamente punido, mesmo que não seja nosso.

E não é que este blog hoje faz 5 anos?


É muita hora perdida.


(E faz também anos a minha querida amiga Sofia, que por breves instantes me apanha na idade e que já veio reclamar que me tinha esquecido dela, ai ai, amiga desnaturada.)

5 de Janeiro de 2010

4 de Janeiro de 2010

Pequeno apontamento sobre a neve

A neve é uma coisa muito linda, mas não quando se tem de ir a pé para casa, arrastando numa mão uma mala com vinte quilos e noutra uma com dez, enquanto se tenta manter a posição vertical num piso gelado, e se tem de andar no meio da estrada à noite porque nos passeios é impossível, e tudo isto enquanto se leva com neve nas trombas.

2 de Janeiro de 2010

No seu segundo dia

posso dizer que o ano já começa mal.

E as filas hoje para o shopping?

Impressionante, basta fechar um diazinho, ainda por cima feriado, e vai logo tudo a correr para recuperar o tempo perdido. Agora é o quê? O a seguir ao ano novo e antes dos saldos? A sério, não consigo mesmo entender.

(Sei disto não porque tenha ido ao shopping, mas porque se vêem as filas da estrada quando se vem de Cascais)