29 de outubro de 2009

É já amanhã


A minha ex-flatmate do coração vinda expressamente de Siena, o sobredotadozinho de Mülheim, a chinesa de Nijmegen, o bife de Londres, eu de Leiden, e mais dois que moram por lá mesmo, tudo juntinho, como há muito não acontece. Woooohoooo again.

Vou ter um workshop com esta pessoa:


"Polly Matzinger took to science from an unusual background career path which included stints as a Playboy Bunny at a Playboy Club in Denver, a bar waitress, a jazz musician, a carpenter and dog trainer. In 1974 Polly Matzinger had dropped in and out of college for years and worked at various jobs before ending up waitressing at a bar frequented by faculty from the University of California, at Davis and here she met Professor Robert Schwab, the head of the University's wildlife program who noticed her talent and persuaded her to take to science."

"In one of her first publications, she appeared to have a dog as a coauthor for a paper for the Journal of Experimental Medicine. As Ted Anton described the decision in his book Bold Science, "Refusing to write in the usual scientific passive voice ('steps were taken') and too insecure to write in the first person ('I took the steps'), she instead invented [a] coauthor": her Afghan Hound, Galadriel Mirkwood. Once discovered, papers on which she was a major author were then barred from the journal until the editor died and was replaced by another."

Acho que a melhor expressão para descrever o que sinto é mais ou menos esta: woohooo!


28 de outubro de 2009

Como fazer uma casa (actualização)

Antes e meio

(todas as peças de mobiliário apresentadas foram compradas no IKEA, à excepção dos posters dentro das molduras, que foram adquiridos no Thyssen-Bornemizsa, as velas na HEMA e o laptop na Fnac do Cascaishopping, que isto é uma Casa e Decoração, mas em pobre)

A gripe A chega aos kleenexes


"Mexican flue causes world wide rush on toilet towels. As a result of that rush our towel supplier could not deliver on time. In our premises this has lead to toilets without paper towel.

We were told by our suppliers that the towels will arrive tomorrow afternoon after which we can dispatch them.

We apologize for the inconvenience.

Household Services"

(recebido por e-mail no local de trabalho)

27 de outubro de 2009


do Friendly Atheist

Mas afinal em que é que ficamos?

"Uma das mais importantes lições que retirei do estudo da história das religiões e da mitologia é que as narrativas mitológicas são - na sua maior parte - poesia e não prosa. A história de Adão e Eva é poesia. Ou será que haverá alguém que acredite que Eva foi feita de uma costela de Adão? O autor desta narrativa do Antigo Testamento está a recorrer a uma linguagem simbólica - tal como poetas muito posteriores, como Shakespeare ou Camões, recorreram à linguagem simbólica para criarem as suas obras-primas. Ou será que algum leitor de Os Lusíadas pensa que os navegadores portugueses depararam com um temível gigante chamado Adamastor nas suas viagens da época das Descobertas? Ou, quando a narrativa bíblica conta que Moisés separou as águas do Mar Vermelho no Livro do Êxodo para que o seu povo pudesse fugir do Egipto, será que alguém com mais de dez anos acredita que ele possa ter murmurado algum abracadabra hebraico e produzido tal milagre? Espero bem que não. O Antigo Testamento pode ter como referência um acontecimento histórico - a libertação do povo hebraico -, mas a linguagem utilizada é poética e simbólica. Por assim ser, está aberto a diferentes interpretações. Pode acontecer que o que aqui se pretende é falar da viagem espiritual que cada um de nós pode fazer ao longo das nossas vidas, da escravidão para a liberdade. Nesse caso, a história de Moisés será sobre a nossa aspiração - como indivíduos e como povo - à segurança, a uma vida realizada e com sentido."

um óptimo texto de Richard Zimler sobre a polémica Saramago


Desde que esta polémica começou que não oiço outra coisa que dizer que é simbólico, simbólico, simbólico, que não se pode interpretar literalmente nem acreditar em tudo porque é simbólico, simbólico, simbólico, de tal modo que ainda não percebi se no meio de tanto simbolismo é suposto então haver alguma coisa ser verdade, e que fundamente a denominação de livro sagrado e constitua alguma prova da existência de Deus. Ou bem que se exclui a literalidade do divino e se assume que aquilo é criação humana, ficção, simbolismo, poesia, romance, uma representação do homem no seu melhor e pior, um retrato social e reflexo dos tempos em que foi escrito, reduzindo-se à condição terrena, ou bem que se acredita nalguma coisa sobrenatural que lá está escrita, não?

(E como se faz a distinção? Tipo checklist: bom, vejamos, Adão e a Eva, não, Moisés e a separação das águas, não, Moisés na montanha, sim, pragas no Egipto, sim, Arca de Noé, não, Sodoma e Gomorra, não, Onan, sim, Job, não, Abrãao e o sacrifício de Isaac, não, travessia do deserto, sim, povo escolhido, sim, terra prometida, sim, David e Golias, não, e por aí adiante.)

O que ainda me espanta

É que depois destes devaneios a que me vou dando ao luxo, incluindo perguntas retóricas, ainda haja quem me responda levando-me a sério. Eu acho fofinho.

É pelo gozo

Se vocês soubessem o quanto me divirto a brincar ao nonsense...

(Tive de me controlar para não continuar indefinidamente com trolls, grifos, unicórnios, faunos e até o bambi. Mas depois lembrei-me que o bambi é um veado bebé, pelo que se pode provar que realmente existe.)

A frase

pela linda e boa Menina Limão

Tipo, "duh"

"Porque é que se escrevem livros a falar mal de algo que não se acredita que existe?"

Porque é que se escrevem romances, e ficção no geral?

Vocês pensam que eu estou a gozar


Mas eu conheço mesmo pessoas que acreditam nas fadas da floresta e nos duendes. Aliás, já me garantiram, durante um jantar, tê-los visto e falado com eles. E não, não estavam em ácido. Pelo menos naquela ocasião. A do jantar, claro está.

Epá, têm orelhas bicudas e tudo

Estava aqui a reparar, e ou é impressão minha ou as fadas da floresta são um bocado parecidas com as elfas?

Enfim, I think you got the point.

P.S.VI


Ou estrunfes, já me esquecia dos estrunfes.

P.S.V


Ou hobbits.

P.S.IV


Ou dragões, esses cabrões.

P.S.III


Ou gnomos.

P.S.II


Ou ogres.

P.S.I


Quem diz fadas da floresta diz elfos.

O que é um insulto?


Por exemplo, se eu agora resolver dizer aqui que acho que as fadas da florestas são umas grandessíssimas putas, será que isso pode ser considerado um insulto, tendo em conta que eu não acredito que existam fadas da floresta, ainda que tenha gostado muito da Oriana?

26 de outubro de 2009

Ou porque não sobre o xamanismo?

Outro dos disparates que tenho também lido por aí, aparentemente pertinente para algumas pessoas, e a que acho particularmente graça, prende-se com o facto de Saramago não escrever sobre o Corão. A sério, estão mesmo a falar a sério quando perguntam porque é que ele não escreve sobre outras religiões? Mas porque carga de água é que o senhor haveria de querer ir escrever sobre o Corão? Acaso nasceu num país árabe, ou, tchanan, num país maioritariamente católico e culturalmente influenciado pela tradição judaico-cristã? Acaso conhece suficientemente bem a cultura muçulmana para se dispôr a ir estudar-lhe o livro? As pessoas tendem a escrever sobre o que conhecem e as rodeia, e mesmo um ateu não deixa de ser influenciado pelas tradições religiosas do país em que vive, que se reflectem em toda a cultura, desde os rituais, às classes sociais, ao sexo, aos valores, às leis. É daquele tipo de argumentaçãozinha a que dá mesmo de responder com uma valente "duh?!".

Pontos nos is

Como sabem, não aprecio especialmente Lobo Antunes, e nunca lhe consegui ler um livro. Também acho que de vez em quando manda umas boutades dispensáveis, mostrando-se algo arrogante e birrento. Mas nunca me passaria pela cabeça alguma vez duvidar de que se trata de um homem superior, e intelectualmente notável. E com obra feita. E é disso que se trata.

Quem não chora não mama

Depois esta vitimização ao género somos fracos e oprimidos lembra-me sempre as declarações do pessoal do hip hop nas entrevistas, dizendo que ainda há muito preconceito e são muito marginalizados, e yada yada, numa altura em que o hip hop passa em tudo o que é rádios e discotecas e se tornou mainstream. Na verdade, acho que a polémica foi benéfica para a Igreja, acordando o pequeno católico fervoroso e temente a Deus que havia adormecido em cada não praticante.

Concluindo

Já não há pachorra para tanta virgem ofendida, que na ânsia de chamar estúpido a um homem intelectualmente superior, gostando-se ou não, deixa transparecer toda a sua burrice. E como há gente burra, meu deus.

Ironia #3

Onde tão nobremente se defendeu o respeito e boas maneiras aquando do caso do "cidadão Hélder Beja", cita-se agora o elegante, sofisticado e educado texto de Pulide Valente sobre Saramago e a sua falta de estudos e lucidez. Chamar cidadão é depreciativo, pondo em causa capacidades e habilitações, mas iletrado senil já é melhor. A educação, pelos vistos, só é bonita quando usada com os amigos.

Ironia #2


E eu diria que o que se evidencia é que não percebem nada de Saramago. Nem de ironia.


Ironia

As pessoas que agora põem em causa as capacidades intelectuais de Saramago são as mesmas que embevecidas vão ouvir a Soraia Chaves a ler Bolaño.

25 de outubro de 2009

Cinderela

©Marcos Sobral

A minha amiga M é linda, não é? A parva...

(you know I love you darling, you're just too damn pretty)

Get together

Maui, ©Sara 2008

Quatro pessoas actualmente espalhadas por quatro países diferentes. Três delas irão encontrar-se no próximo fim de semana. Só é longe quando há falta de vontade.

23 de outubro de 2009

Ode ao mau gosto

O texto de Vasco Pulide Valente sobre Saramago. Ou a prova como a nobreza de carácter não se aprende na escola. Nem é hereditária, por mais sangue azul que se tenha.

Mais apelativo

© Mert Alas and Marcus Piggott, trazida pela Sal

22 de outubro de 2009

Genius is


Amy Winehouse - Will You Still Love Me Tomorrow

Custa-me ver fazer-se troça, gozar, ridicularizar, rebaixar e escarnecer de pessoas que, claramente, se encontram em profundo sofrimento e em escalada de decadência e auto-destruição. Não, não acredito que só se drogam porque querem, embora queiram, ou porque gostam, embora gostem, há demasiado peso numa mão que não chega para contar as mortes de pessoas com quem me cruzei e que se perderam na heroína. Há, no meio de tudo, muita dor, e o escárnio ofende-me. E depois oiço Amy Winehouse, e sei que podem fazer troça, gozar, ridicularizar, rebaixar e escarnecer, que nunca lhe poderão tirar isto. Nem depois de morta.

Now go try to be sexy with one of these

Uma pessoa especial

Tenho um amigo que, confrontado com a descoberta de uma doença genética hereditária rara, homozigótica, que o obrigará a tomar medicamentos toda a vida, costumava dizer, com sentido de humor, que sempre soubera que era muito especial e raro, mas que só então soube o quanto. Ora, também eu sou especial, não por uma doença genética hereditária, mas por uma alergia, que de tão incomum, faz com que a maioria das pessoas em geral, e a minha médica de clínica geral em particular, olhem para mim com a incredulidade de quem pensa "coitada, está maluca", sempre que me arrisco a afirmar que tenho alergia ao frio. O problema terá começado há coisa de cinco ou seis anos, manifestando-se sempre que estava exposta prolongadamente ao frio. Começava na zona das articulações, primeiro um ligeiro rubor, depois uma inflamação, até culminar num ataque de urticária. Dado que o fenómeno era esporádico e nunca ninguém ligou nenhuma às minhas queixas, até porque a alergia desaparece rapidamente após o fim da exposição, esqueci mais ou menos o assunto, até ao ano passado, quando ao sair da água depois de um banho de mar uma amiga exclamou "ah, foste picada por uma alforreca!" e toda eu era um pequeno mutante da cintura para baixo. Decidi investigar, e a alergia de facto existe, com direito a página da wikipédia e tudo. Os meus amigos, sempre amorosos, e convictos de que era coisa da minha cabeça, obrigaram-me a fazer o teste diagnóstico descrito, que consistia em pôr um cubo de gelo no antebraço durante cerca de cinco minutos, experiência que não recomendo, por não ser particularmente agradável. Só quando o braço começou a empolar acreditaram em mim. As recomendações para quem sofre desta alergia consistem, essencialmentem, em mantermo-nos quentes, e em caso algum achar boa ideia dar um mergulhinho no ártico, ou resolver ir subir o everest, só para ver como é, sob o risco de se morrer de choque anafilático. Mas isto tudo para dizer que, como hão de calcular, a Holanda é um país maravilhoso para se viver quando se faz alergia ao frio, e se anda 5 km por dia de bicicleta. Menos mal que é maioritariamente por contacto, pelo que bons agasalhos, luvas, gorros, etc., ajudam a prevenir a reacção na sua quase totalidade. Tirando na única zona que não dá para tapar. Pois, a cara. O ser especial, por vezes, é uma grande merda.

A frase, ou melhor, duas


por Bruno Sena Martins, um rapaz que por vezes também tem muita piada
Kizhi, Russia, ©Luna 2006

Para terminar

"Graças a José Saramago começou a temporada Outono-Inverno das hipérboles. As hipérboles são os exageros que alimentam as polémicas e desnutrem os argumentos. Saramago tem todo o direito de detestar os livros que são sagrados para muitos. Eu próprio acho que o Kamasutra é uma porno-chachada armada em mística. Afirmar que a Bíblia é uma sucessão de famílias disfuncionais com delírios paranóicos, além de não ser original, é só uma parte da história. É uma interpretação totalmente aceitável se eliminarmos a personagem que articula a narração que é nada mais nada menos que Deus. Saramago é ateu e esta particularidade obriga-o a ter a pior das opiniões sobre o dito livro. É sem dúvida simplista e superficial mas faz todo o sentido do mundo que afirme tal coisa. Quando Saramago declara hiperbolicamente as suas convicções, só desencadeia mais hipérboles que tentam confirmar ou desmentir o exagero original. Ferreira Fernandes, que no DN achou admirável que um homem mais perto do cemitério que do almoço do próximo domingo insista na sua cruzada anti-religiosa, está a hiperbolizar a coragem do velho escritor. Bastava reconhecer a sua congruência céptica e não exclamar a sua admiração por um ateu que apenas se limita a ser ateu. Do outro lado da barricada temos Mário David, deputado do PSD no Parlamento Europeu, que fiel à tradição do seu partido de ver em Saramago um perigo para Portugal, sugere que o escritor renuncie à nacionalidade portuguesa. O seu argumento é que “tem vergonha de o ter como compatriota”. Aqui a hipérbole tem duplo valor. Por um lado hiperboliza o catolicismo de Portugal e hiperboliza-se a si próprio ao pensar que alguém dá alguma importância à portugalidade de Mário David. No meio desta discussão temos um livro de Saramago que pouca gente ainda leu e as declarações dos representantes da Igreja Católica e da comunidade judaica que, sem hipérboles, se estão nas tintas para as afirmações do nosso Nobel. Fora isso, tudo bem."

O magnífico comentário d'O Senhor Comentador

21 de outubro de 2009

Kizhi, Russia, ©Luna 2006

"Herewith my and (mainly) Myrra's comments"

O que fazer quando as correcções a um texto nosso, por um superior, embora cientificamente pertinentes, melhorando-o assim em conteúdo, pioram claramente a forma?

(Tenho andado a trabalhar num progress report, tendo entretanto entregue o first draft, tanto ao meu orientador, como à post doc que me orienta também. O meu orientador, no meio de todos os defeitos que me encontra, e que não são poucos, acha que eu escrevo bem, fazendo-me poucas correcções formais. Já a post doc, é um ver se te avias, frases inteiras modificadas, só que para pior. E fico sem saber bem o que fazer, se mudar para o que considero pior, ou acrescentar o que falta de conteúdo, mantendo mais ou menos a minha estrutura frásica inicial.)

Kizhi, Russia, ©Luna 2006

Isto é capaz de ser uma pergunta um bocado ingénua

Mas se a Bíblia é toda ela simbólica e metafórica, não podendo ser lida no sentido literal, e por isso dada às mais variadas interpretações, não terá Saramago também direito à sua?

(ou a sua é obrigatoriamente errada porque não vai de encontro à que é geral e convenientemente considerada certa pelas maiorias cristãs? afinal foram duas perguntas.)
Santa Cruz, CA, © Sara 2008

Nos tempos que correm

Regozijo-me por ter mais de uma cidadania. Que uma pessoa agora nunca sabe, se não tem cuidado com a língua, ainda lhe pedem para prescindir da sua.

Outras coisas simpáticas

"Quase me bastou abrir a Bíblia à sorte para encontrar um exemplo de ódio e massacre que dá razão a Saramago: Êxodo, 33, 25-29:

E vendo Moisés que o povo estava despido, porque Aarão o havia despido para vergonha entre os seus inimigos.
Pôs-se em pé Moisés, na porta do arraial, e disse: Quem é do Senhor, venha a mim. Então se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi.
E disse-lhes: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Cada um ponha a sua espada sobre a sua coxa: e passai e tornai pelo arraial, de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, e cada um a seu amigo, e cada um a seu próximo.
E os filhos de Levi fizeram conforme à palavra de Moisés: e caíram do povo, naquele dia, uns três mil homens.
Porquanto Moisés tinha dito: Consagrai, hoje, as vossas mãos ao Senhor; porquanto cada um será contra o seu filho, e contra o seu irmão: e isto para ele vos dar hoje bênção.

Agora os literatos beatos vão dizer-me que aquele «matar» é simbólico, que se trata apenas de obrigar a «renunciar à cidadania» ou qualquer coisa do género. E os hipócritas vão dizer que, depois, o Senhor acaba por perdoar a todos, inclusive aos mortos na matança. Garanto que, no Êxodo, tal não acontece, que o Senhor apenas instruiu Moisés no sentido de não se misturar com os «outros», de não tomar mulheres das filhas dos «outros», porque elas não mais faziam do que prostituir-se após os seus deuses. E o rosto de Moisés resplandeceu."


n'O Vermelho e o Negro

É que faz diferença

Pode considerar-se que se leu um livro, quando na verdade se leu apenas partes?

Adenda: Como hão de calcular, não sou a única pessoa em Portugal com o ensino obrigatório que não deu os Lusíadas ou pedaços da Bíblia. Mas entre ter lido o episódio da Inês de Castro ou as Bodas de Canaã e dizer que se leu os Lusíadas e os seus dez cantos ou a Bíblia e os seus 46 livros do Antigo Testamento mais os 27 do Novo, vai uma (pequena) grande diferença, parece-me.
Leiden

20 de outubro de 2009

É como os Lusíadas


E agora, de repente, por causa das declarações de Saramago, descubro abismada que toda a gente, em todo o Portugal e ilhas, leu - e lê - a Bíblia menos eu. E o meu pai, vá. De resto, toda a gente leu tudinho, de lés a lés, duma pontinha à outra, sem escapar um único versículo. E olhem que eu levei com três anos de Doroteias, oito de Dominicanas e mais um de irmãs do Amor de Deus, num total de doze anos, dos três ao quinze de enfiada, é muita freira, senhores. Ainda assim, só nos obrigavam a levar o novo testamento para as aulas de catequese. Mas devo ser uma aberração, certamente.
Santa Cruz, CA, © Sara

Ensaio sobre a estupidez

A nova causa no facebook é "contra a vacinação obrigatória", subscrita, certamente, por pessoas que percebem tanto de vacinas como eu de filatelia. A ignorância não é só atrevida, é perigosa.

(causa conhecida através do Miguel)


Para que não restem dúvidas quanto à minha opinião, digo apenas que a minha tese de mestrado começava assim:

"One of the greatest advances in the history of medicine was the development of vaccines against infectious agents, causing an enormous impact on human health. They are the most effective biomedical intervention against infectious diseases since the concept was demonstrated by Jenner over 200 years ago, who showed that exposure to cowpox could prevent subsequent infection by smallpox.
Due to a worldwide mass-vaccination program lead by the World Health Organization, smallpox virus was eradicated. Other virus, like poliovirus, responsible for infectious poliomyelitis and still prevalent 50 years ago, are at the verge of extinction."

Consultório sentimental

Rapariga A, namorada de rapaz B, manda constantemente mensagens a rapaz C, que conhece há séculos. Combina cafés e jantares. Tudo sem o rapaz B, seu namorado. Há cumplicidade, falam todos os dias. As mensagens e as conversas variam entre o querido e o querer picar o rapaz C. Vai inclusivamente viajar para fora do país com o rapaz C e outros amigos comuns sem o namorado, o rapaz B. Às tantas, depois dessa viagem, o rapaz C fica apanhado pela rapariga A. Rapaz C é INSEGURO. Rapaz C não sabe se rapariga A quer algo com ele ou não. Se simplesmente anda a imaginar coisas e a rapariga A é uma rapariga que precisa de muita atenção e amigos. Também não quer chatices com o rapaz B, amigo de outros amigos, mas isso será outra história. Ajudem o rapaz C.

(de um comentário, presumivelmente, do rapaz C)

Matar um filho e outras coisas simpáticas

"O teste de Deus a Abraão (o sacrifício de Isaac) foi um bluff. Mais difícil de compreender é a história de Job. Job perde a fortuna, os seus filhos morrem, os seus amigos abandonam-no, ele sofre, questiona-se mas mantém a sua fé e no fim é recompensado. A recompensa foi a restauração da sua riqueza. Deus duplica o número de ovelhas, camelos, juntas de bois e jumentos que este homem bom possuía antes do início da sua provação. E como corrige Deus o sacrifício dos filhos de Job? Exactamente da mesma forma, isto é, com novos nascimentos, ainda que, na prole, não seja certo que Job tenha também conseguido o notável lucro de 100% que experimentou na agro-pecuária. O elemento perturbador é este: para nos mostrar que somos parte do Seu rebanho, Deus fez dos filhos de Job meros animais - ovelhas, camelos, juntas de bois ou jumentos. Mas talvez a diferença entre estas duas histórias seja apenas de grau. A fé de Abraão salvou-o do remorso de se saber capaz de matar um flho, como salvou Job da lembrança cruel do desaparecimento da sua primeira família. Esta recompensa tem um preço, que é a anulação do indivíduo. Abraão e Job exemplificam o trade-off do fanatismo. Dito isto, acrescento que não ganho nenhuma percentagem sobre preço de capa do último livro de José Saramago e que classifico como suspeita qualquer trajectória intelectual que desemboque numa apaixonada apologia ou crítica das Escrituras."

no Ouriquense, o melhor blogue de 2009

19 de outubro de 2009

Presente de Natal

(ou como facilitar a vida ao meu pai)
Mazatlán, © Sara 2007

Espelho meu


Nos dias que correm as inseguranças devem ser escondidas, como se as fraquezas humanas manchassem essa nova imagem da mulher moderna que se tanto se quer à força passar. Segura e decidida, destemida e sem complexos que lhe restrinjam a iniciativa, de auto-estima inabalável e sexualmente dominante. Não acreditem em nada do que lhes dizem. A única mulher sem inseguranças que conheço chama-se Samantha e é ficcional.

18 de outubro de 2009

Erasmus 5.5

Foi há um ano que parti rumo ao desconhecido, de armas e bagagens embarquei na aventura que iria mudar a minha vida, cortando amarras com tudo o que conhecia, pela primeira vez sem raízes, livre, livre como deixamos de o ser desde que nascemos. Sem saber o que me esperava cheguei a Milão, carregada e perdida, sozinha numa cidade estranha mas que haveria de sentir tão minha meses mais tarde, entranhada em cada canto da memória e do meu corpo.

Abracei a vida que se me abriu de par em par, sem ter medo, sem hesitar, sorvendo tudo com a sofreguidão de quem quer viver depressa, porque o cronómetro não pára e o tempo escasseia. Respirei todo o ar do mundo, bebi de todos os copos e beijei todas as bocas, ri todos os risos e chorei todas as lágrimas, e voei, livre como nunca antes, vivendo cada dia como uma experiência única.

Não sabia ainda que o meu coração se partiria em dois, sem saber onde bater e que as raízes afinal são mutáveis, que podemos não pertencer a ninguém nem a lugar nenhum. Não sabia ainda que me perderia ao mergulhar no azul dos teus olhos e que uma língua que não era a nossa bastaria para nos unir, nem que teria de te dizer adeus, e te veria partir para sempre como a todos os que foram minha família, amigos, tudo, entre lágrimas nos olhos e promessas de amizade eterna que sabemos que não serão cumpridas.

Não sabia que nunca mais seríamos os mesmos e que o que vivemos ficou lá, nessas ruas e recantos, nas praças, nas noites, e que não poderíamos trazer connosco nunca mais.

Há um ano atrás era só esperança, hoje é saudade, amanhã que será?


Repost: Originalmente publicado a 01/03/2005 (era tão bebé)
© André Rabaça 2005

Metabloguismos IV

Se as pessoas fossem tão intransigentes com os defeitos alheios na vida real quanto o são na blogosfera, ninguém teria amigos.

As coisas pelos nomes


Se há coisa para a qual o vídeo da Maitê serviu, foi de pretexto para a generalidade da intelectualidade masculina vir confessar, de forma mais ou menos directa, mais ou menos poética, que na adolescência se masturbou com a Dona Beija.

Eu, pessoalmente, não fazia questão de saber.

17 de outubro de 2009

Austrália

Há coisa de sete, oito anos, conheci o homem mais bonito do mundo. Não aos olhos do mundo, mas para mim. Era lindo. Vi-o em câmara lenta quando me voltei porque um amigo me chamou para mo apresentar. Lembro-me de lhe estender a mão, paralisada, sem sequer ser capaz dos dois beijos da praxe. Era artista e viajava sozinho pelo mundo, o que em mim exercia um fascínio enorme, que nunca fui imune a clichés. Nunca me ligou nenhuma, claro, o que o fazia ainda mais interessante. Inábil e insegura como só eu, deixei passar as oportunidades todas, e passado pouco tempo já me chamava Aninhas, que é o mesmo que dizer esquece lá isso e parte para outra. Ainda assim, sempre que o via, sentia um friozinho no estômago, corava, e invariavelmente não dizia nada de jeito, balbuciando monossílabos tímidos e desconexos sempre que ele estava por perto. Depois o tempo foi passando, os encontros cada vez mais espaçados, eu mudei de país uma, duas, três vezes, e deixei de o ver.
Voltei a encontrá-lo há uns meses, no bairro. Vi-o através da janela do maria caxuxa. Ali estava ele, do outro lado do vidro. Um aperto no estômago, corri lá para fora para lhe falar. Já não me chamou Aninhas. Achei-o velho, achei-o gasto, continua um homem bonito, mas já não o achei lindo como antes, e de repente dei por mim constrangida, sem nada para lhe dizer, para lhe contar, nada em comum que justificasse continuar a conversa. Desculpei-me, tinha amigos à espera, gostei de te ver, fica bem, e voltei para dentro. Tudo tem um tempo, e deixando-o passar não sobra mesmo nada, ou quase nada. E agora, nem mais o frio na barriga.

16 de outubro de 2009

Dias de sol

Amsterdam, pela Andorinha

Da civilidade


Não sei o que será pior, se a inconsciência de Maitê ao fazer um vídeo parvo ou que haja quem se junte em consciência a uma causa intitulada "Portugueses 'cospem' na Maitê".

Pessoalmente, é contra os meus princípios e educação juntar-me a qualquer causa, petição, ou o que quer que seja que inclua variações do verbo 'cuspir', mais ainda se acoplado à preposição 'em'. Mas pronto, isso sou eu, que fui ensinada a não cuspir nas pessoas e acho essas coisas muito feias. Manias. Agora agradecia mesmo era que parassem de me enviar convites atrás de convites para me juntar à carneirada salivante. Estou aqui estou a enviar-lhe um chapéu de chuva. Ou um impermeável, que por este andar, vai precisar.

15 de outubro de 2009

Sem ofensa, isto está muito engraçado



Retirado do Blog Hype e Ranho

A mais bela declaração de amor


«A Pilar, como se dissesse água»


Dedicatória de José Saramago a Pilar del Rio, sua mulher, no seu novo romance Caim.

(visto no Bibliotecário de Babel)

Brains are hot

Sarah Silverman

Jesus is magic

Os portugueses e o sentido de humor

Sem puxar do episódio Maitê, que me parece um caso gritante de piadas de mau gosto mal sucedidas, onde não é tanto falta de sentido de humor, mas exagero de indignação à volta de uma coisa insignificante, a verdade é que nos falta, no geral, esse tal do sentido de humor. Basta ver como as pessoas reagem normalmente a ironias e provocações, se não souberem de antemão que são piadas nem estiverem inseridas num programa humorístico, de forma a poderem programar o cérebro para o modo "rir" em vez de "indignar".
Um bom exemplo, é a reacção de algumas pessoas ao humor cáustico de Sarah Silverman. O que me leva a uma das mais hilariantes trocas de e-mail a que alguma vez assisti, sobre os célebres, e na minha modesta opinião, absolutamente geniais, vídeos "Sorry Matt Damon", "I'm fucking Matt Damon"e "I'm fucking Ben Affleck" de que um elemento do grupo fez forward para toda a gente. E aos quais obteve belas reacções, das quais destaco a mais hilariante:

"Nem sei que te diga! Não consigo ver quem foi a pior pessoas nesta merda toda! Acho que pessoas abusam nalgumas coisas e aqui esta um caso desses! Não se deve brincar com as pessoas nem porque podes ofender uma pessoa, ou então podes ter uma resposta à grande!
Gosto de tirar lições de tudo que vejo, mas para ser sincero ri-me no primeiro vídeo, no segundo, mas no terceiro já não! E Lições, tirei que existe muita gente a gozar com outras! Às vezes é triste! E existe muita pessoa que gosta de vingança! Está mal também! Mas que posso eu fazer!"

Ora, esta reacção a uma clara brincadeira é ilustrativa da nossa capacidade de nos sentirmos ofendidos e começarmos a assinar petições como se não houvesse amanhã e coisas ridículas do género, num coro de indignação nacional. E este é dos vídeos mais inocentes de Silverman, comparando com o que postei anteriormente, ou com o "I had a dream, too". E relembro as ondas de indignação quando o Herman resolveu parodiar a Raínha Santa Isabel. Infelizmente, essa indignação é quase sempre dirigida na direcção errada. Ou como diz o Miguel, "de facto, o português indigna-se com o acessório (ou vídeos), não com o essencial."



So take it easy, people.

A sério, não resisto, só mais uma

14 de outubro de 2009

I ♥ Sarah Silverman



Visto no Jugular

Remember

Abril de 2007 até teve a sua piada.

E falta decidir qual destes trazer, para me lembrar de casa



Cunhal - Desenhos da Prisão

Agora falta pendurar uns quadros

Kandinsky
Renoir
Degas
Klimt

Agora só me falta voltar ao museu Van Gogh para ver se trago mais um poster. Tenho o hábito de ir coleccionando posters dos meus quadros preferidos (que existem em poster) dos museus que visito. Uns guardo, outros acabo por oferecer. Para grande pena minha, o Café Terrace at Night está no Kröller-Müller, que ainda fica um bocado longe para ir lá de propósito, e o Starry Night over the Rhone no Musée d'Orsay, mais ainda. Lá sou capaz de me contentar com o Wheatfield with a Lark. Também gostava de ter um Lautrec, e um Chagall, e um Munch, e um Gauguin, e um..., e um..., e um... enfim, muitos.

Estou aqui a pensar se hei de falar ou não sobre a Maitê Proença

Mas a verdade é que acho que o assunto não tem assim tanta importância, é mais um caso de histerismo nacional relativamente a merdices que daqui a 3 dias ninguém se lembra, muito ao género corninhos do Manuel Pinho. Já foi falado de mais, para além de me parecer um tanto ao quanto exagerada a reacção a uns dislates inconsequentes e sem importância proferidos há dois anos, e que apenas a denigrem a própria, que faz uma bela figura de parva. Oi?

(Claro que também não gostei, mas daí a andar a assinar petições e juntar-me à indignação nacional contra esse ser horrendo, ai ai, que fez umas piadas de mau gosto e cuspiu na fonte - bonita imagem aquela, by the way, credibilizou-a ainda mais -, ainda vai uma distânciazinha. Remetamo-la apenas à sua insignificância, que é o que a coisa merece.)

Transversalidades

A burrice é como o cancro, distribui-se democraticamente sem olhar a classes. Já a ignorância é como a tuberculose, ataca quem come pouco.

Re-post: originalmente publicado a 17/04/2007

Deixar passar

Quem me conhece sabe do meu mau feitio e da minha falta de tolerância relativamente a certas atitudes que considero incorrectas. Há tempos, num episódio do Dr. House falava-se disso mesmo, do fazer o que é certo mesmo parecendo pouco simpático. Mesmo que traga problemas. E, na minha vida, mal ou bem, e possivelmente mais vezes mal do que bem, tento fazer a coisa certa e agir segundo esse princípio.
E é por isso que encontrando apropriações indevidas, cópias sem referências, não sou capaz de deixar passar em branco. É como quando estou na fila do bar e umas miúdas me tentam passar à frente. Gera-se instantaneamente um diálogo na minha cabeça entre o anjinho e demónio que há em mim, sobre o que fazer, ou não fazer: "Podia deixar passar, também não é por aqui que vem mal ao mundo", "Mas estão aqui a fazer-me de estúpida e às outras pessoas que estão na fila há mais tempo", "Coitadas, deixa-as lá, que são miúdas", "Mas está mal", "Mas vais estar a chatear-te para nada", "Epá, não dá, talvez daqui a 50 anos e se fizer muito yoga entretanto, mas agora não vai mesmo dar". E acabo invariavelmente a tocar num ombro ao de leve e indicar o fim da fila. Atingi o expoente máximo de perfeição neste conflito ao conseguir fazer isto tudo sem emitir um som, que é uma coisa que chateia muito menos e evita confrontos directos. Já o consegui fazer inclusive com a tipa que me estava a roubar o casaco num bar. Aproximei-me, toquei-lhe no ombro, apontei para o casaco que levava debaixo do braço, e ela devolveu-mo em silêncio. Pronto, tudo resolvidinho e sem grandes chatices.
Mas não posso mesmo deixar passar, é mais forte que eu. Como dizia a minha mãe tantas vezes: "Posso não endireitar o mundo, mas o mundo não me entorta a mim". E é assim que tento viver. E é por isso que por mais anos que viva continuarei a apontar o que me parece errado e chamar a atenção de quem erra.

Repost: originalmente publicado a 13/04/2007

13 de outubro de 2009

Dance with me


Nouvelle Vogue

Trolls

Definições segundo o Urban Dictionary:
  1. One who posts a deliberately provocative message to a newsgroup or message board with the intention of causing maximum disruption and argument.
  2. One who purposely and deliberately (that purpose usually being self-amusement) starts an argument in a manner which attacks others on a forum without in any way listening to the arguments proposed by his or her peers. He will spark of such an argument via the use of ad hominem attacks (i.e. 'you're nothing but a fanboy' is a popular phrase) with no substance or relevence to back them up as well as straw man arguments, which he uses to simply avoid addressing the essence of the issue.
  3. A member of an internet forum who continually harangues and harasses others. Someone with nothing worthwhile to add to a certain conversation, but rather continually threadjacks or changes the subject, as well as thinks every member of the forum is talking about them and only them. Trolls often go by multiple names to circumvent getting banned.
Oferecida pelo JG

Quer dizer que se acabou o regabofe de vez?


Hoje é um dia muito triste.

(Já estive mais longe de fazer o mesmo. Are you happy now little trolls?)

12 de outubro de 2009

Coisas que eu gostava de perceber

Porque é que passados dois anos de estar fora do país, e sabendo quão cara é aquela coisa chamada roaming, cuja factura é enviada para a minha casa em Portugal tendo de ser paga pelo meu pai, a maioria das pessoas insiste em continuar a ligar-me para o número português. Só hoje rejeitei duas chamadas.

Eu sei que me repito um bocadinho em relação ao tempo


Mas a verdade é que de cada vez que me queixo, vem sempre alguém do nosso quentinho Portugal dizer que também está muito mau, ai ai, que até choveu durante três dias, ai ai, e se por acaso até está bom tempo e não dá para se lamentarem muito, ao confronto com as temperaturas que fazem por cá, em vez de se solidarizarem, logo respondem que até não é assim tão mau, podia ser pior, quase se pode dizer que está bom. Até o meu pai, o meu próprio pai, depois de me dizer que estava uma vaga de calor que dava para ir para a praia. De modo que, se depois de verem esta pequenina previsão meteorológica, alguém tiver o desplante de voltar a fazer comparações, eu não respondo por mim.

(mínimas de 3ºC senhores, 3ºC em Outubro, e nalguns sites as previsões chegam a ser piores)

"É parvo"

De vez em quando deparo-me com opiniões sobre assuntos sobre os quais me debrucei e escrevi, que vão muito de encontro àquilo que penso e ao que pretendi dizer, só que fazendo-o bem melhor que eu. É o caso do que diz o João sobre Lobo Antunes, do qual falei há dias.

(É engraçado que é exactamente essa expressão que o meu pai, também mais ou menos da sua idade, utiliza para o descrever)

Coisas que nunca irei entender

A "Super Hello Kitty Jewel Doll", studded with a 1.027ct diamond on its ribbon, 403 pink sapphires on its body, a citrine for its yellow nose, black spinels for its eyes and a total 1,939 pieces of white topaz for its head on a platinum 900 made body, is displayed at the "Girlish Culture Hello Kitty" exhibition in Tokyo on October 1, 2009. Luxury cyrstal maker Swarovski, Japanese toy firm Sanrio and Japanese jewelery maker I.K. unveiled the 15 million yen (150,000 USD) and 10.5 cm-tall Hello Kitty at the Baselworld watch and jewellery show in Switzerland last month to celebrate the 35th anniversary of the Hello Kitty character.


O culto em torno da Hello Kitty. É que é tão pirosinha. Remete-me logo para robes e chinelas de quarto de salto alto de cetim cor de rosa com ponpons e lacinhos. Um horror.

Individualismo #2

O que se torna uma coisa chata para quem, não sabendo mentir, de tempos a tempos tem de responder que sim, que gosta imenso de trabalhar em grupo e tem imenso espírito de equipa, juntamente com o ser muito dinâmica e empreendedora - seriously, acham mesmo que 90% das pessoas podem ser dinâmicas e empreendedoras? -, coisas que hoje em dia estão muito na moda e sem as quais ninguém nos dá emprego, e, enfim, uma pessoa tem de fazer pela vida.

Individualismo

Apesar de ideias claras, convicções fortes e defensora de certas causas, nunca fui militante de nada. O pensamento colectivo assusta-me um pouco. Aliás, em miúda nem quis entrar para os escuteiros por me fazer uma certa confusão aquela coisa do grupo. Isso e ter de ir à missa.

I feel it all


Ans she's so cool.

11 de outubro de 2009

Ah pois, as autárquicas

Enquanto em Portugal se votavam as autárquicas, eu passei uma parte do dia no IKEA, tentando furar entre a brigada do lenço, e outra a montar móveis, para ajudar nas mudanças quem tanto me ajudou a mim. Claro que aproveitei o facto da menina ter carro para finalmente comprar umas coisitas que me faziam falta por cá por casa também. De modo que neste momento vos escrevo com uma bela mesa de centro à minha frente, em vez da cadeira que tenho usado para pousar o laptop, assente sobre um grande tapete muito jeitoso para aquecer os pés. Também já não tenho de ir bater à porta do Vasco para me emprestar cadeiras de cada vez que recebo mais de 3 pessoas, e as novas cortinas permitir-me-ão estar no quarto à noite de luz acesa sem que toda a gente que passa na rua consiga ver lá para dentro. E finalmente poderei ver-me ao espelho antes de sair de casa, coisa que não acontecia desde Julho, embora eu tenha esperança que grande mal não tenha vindo ao mundo por isso, e menos ainda a mim, tirando daquela vez em que andei umas duas horas de braguilha aberta de manhã. Estou, portanto, feliz, embora esteja desconfiada que ter-me metido no IKEA a um domingo em plena pandemia de gripe A talvez não tenha sido grande ideia. Assim como assim, já tinha começado a espirrar antes.

E portanto, o Costa em Lisboa e o Seara em Sintra, right?

10 de outubro de 2009

The dutch way

Ontem fui a um casamento, o primeiro desde que vim para a Holanda. Aqui, os casamentos são divididos em três partes, sendo que os convidados podem ser convidados para a totalidade ou uma das três: a cerimónia, o almoço/jantar, a festa. Eu fui convidada para a festa, que começava pelas oito e meia da noite. A seguir ao trabalho, fui para casa arranjar-me, e ao quarto para as oito estava na estação central para me encontrar com mais colegas que também iam. Não tive tempo para jantar, nem sequer uma sopinha, nada. Ou seja, não comia desde o meio dia e meia. Sabia que a festa não incluía jantar, mas pelo menos havia de haver uns croquetes e quadrados de queijo com mostarda, um arenquezito vá, há sempre, até nos borrels mais manhosos. Enganei-me. Chegada à festa, a única coisa que havia era umas tacinhas de frutos secos e azeitonas. Tentei deitar a mão a quantas consegui apanhar. Jantei umas quinze azeitonas e quatro ou cinco amendoins. E senti-me tentada a roubar o cheque jantar que oferecemos aos noivos.

(Para quem achar mixuruco oferecer um cheque jantar, fiquem sabendo que os noivos não queriam presentes, dando antes uma lista de ONG's a quem deveríamos doar o nosso presente. Mas queríamos oferecer-lhes algo na mesma, que pudessem gozar os dois, e um jantar é sempre agradável. O que sobrou do dinheiro colectado entre o grupo de amigos que contribuiu será doado aos médicos sem fronteiras.)

Defeito profissional


Raramente falo sem saber, e mesmo quando o faço, geralmente é porque tenho uma certeza próxima dos noventa por cento. Em ciência, a cada frase escrita, esta tem de ser sempre fundamentada e devidamente amparada por referências que a confirmam, razão pela qual qualquer artigo publicado vem acompanhado muitas vezes por centenas de referências bibliográficas. Daí que aquilo que muitos chamam de desequilíbrio, descompensação, tentativas desesperadas de provar que tenho razão, perdendo tempo a consultar números, gráficos, documentos, fontes de informação, eu chamo defeito profissional. E gostar de falar com conhecimento de causa, e não apenas de cor.

Até de costas fica bonito. Desculpem mas desde que tenho o novo template ando muito entusiasmada com estética e o impacto visual e não consigo parar de arranjar pretextos para postar fotografias atrás de fotografias. Esta, já agora, foi roubadíssima daqui.

Lista de laureados com o Nobel da Paz nos últimos 50 anos

Gostava muito que os velhos do restelo do costume, tão indignados contra a atribuição do prémio a Barack Obama, passassem os olhos por esta lista e contassem quantos nomes reconhecem, e de entre esses, de quantos sabem o que fizeram para merecer que o prémio lhes fosse atribuído. Da minha parte: 20, dos quais 7 são organizações internacionais. E de quantos conheço as nobres acções que lhes valeram o Nobel? De 15, ou melhor, de 8, se descontarmos as organizações internacionais, num total de 47. E já agora, quantos trouxaream ao mundo esperança de tempos melhores? Mas somos sempre tão aptos a julgar aquilo que profundamente (des)conhecemos, não é verdade? Aposto que toda a gente que comentou por aqui a  criticar a escolha sabe perfeitamente quem é Martti Ahtisaari, por exemplo. Felizmente, teremos sempre a wikipédia...

2009 - Barack Obama
2008 - Martti Ahtisaari
2007 - Intergovernmental Panel on Climate Change, Al Gore
2006 - Muhammad Yunus, Grameen Bank
2005 - International Atomic Energy Agency, Mohamed ElBaradei
2004 - Wangari Maathai
2003 - Shirin Ebadi
2002 - Jimmy Carter
2001 - United Nations, Kofi Annan
2000 - Kim Dae-jung
1999 - Médecins Sans Frontières

O discurso


(Sublinhados meus)


Well, this is not how I expected to wake up this morning. After I received the news, Malia walked in and said, "Daddy, you won the Nobel Peace Prize, and it is Bo's birthday!" And then Sasha added, "Plus, we have a three-day weekend coming up." So it's good to have kids to keep things in perspective.

I am both surprised and deeply humbled by the decision of the Nobel Committee. Let me be clear: I do not view it as a recognition of my own accomplishments, but rather as an affirmation of American leadership on behalf of aspirations held by people in all nations.



To be honest, I do not feel that I deserve to be in the company of so many of the transformative figures who've been honored by this prize -- men and women who've inspired me and inspired the entire world through their courageous pursuit of peace.


But I also know that this prize reflects the kind of world that those men and women, and all Americans, want to build -- a world that gives life to the promise of our founding documents. And I know that throughout history, the Nobel Peace Prize has not just been used to honor specific achievement; it's also been used as a means to give momentum to a set of causes. And that is why I will accept this award as a call to action -- a call for all nations to confront the common challenges of the 21st century.


Prémio Nobel da Paz

O mundo divide-se entre os cépticos indignados que se perguntam o que já foi feito e os utópicos com esperança do que pode vir a ser. Estou mais ou menos no meio. Sou uma mais ou menos céptica, mas não indignada, e com alguma esperança de um mundo melhor. E é por isso que aplaudo o prémio a Obama: não pelo que ele já fez, mas pelo que pode vir a fazer. E que este prémio veio essencialmente pressionar.

9 de outubro de 2009

Diversões




Tentar adivinhar os autores dos posts do Aparelho de Estado que me aparecem no reader só pelo título e "sinopse". Nunca falho os do Vasco M. Barreto. E raramente discordo.

"Only very rarely has a person to the same extent as Obama captured the world's attention and given its people hope for a better future"




Ler o resto do artigo na Time.

E depois há ainda este entrave




É que não consigo gostar dele enquanto pessoa.

(Mesmo tendo amigos que absolutamente o veneram, parece-me sempre rude, invejoso e birrento. Comportando-se muitas vezes como uma criança mimada, convencida, que não sendo reconhecida da forma como acha que merece, desfaz nas outras para que não lhe possam ficar com os créditos.)

Novo espectáculo do Rui Horta

Infelizmente não posso ir, mas vão vocês.

(mais uma vez com música original do meu querido Tiaguinho, coisa mailinda)

Em menos 5 minutos, duas grandes notícias

Nobel da Paz para Obama

Tarantino vai filmar Kill Bill 3

Embora não propriamente pelas mesmas razões.

8 de outubro de 2009

Eu juro que não tinha visto isto



«também não conhecia quem era a Amália e no fundo correu tão bem "artísticamente" que resolvemos fazer com o Eusébio» (aos 1'25'')

Opá, isto é tão bom, obrigada a quem me informou da sua existência. It made my day.

Tempo das bagas

"Fica muito bonito na estante, foi edição especial e tudo"

Gotta luv this

wulffmorgenthaler.com

Tudo trocado



Sempre pensei que era o conhecimento profundo de um artista e sua obra que levava alguém a ter a ideia de lhe prestar homenagem. E não que era a ideia de lhe prestar homenagem que levava alguém a ir então conhecer o artista e sua obra. $erá $ó a mim que i$to parece um bocadinho e$tranho?