30 de Setembro de 2009

Calma



Tenho muita inveja daqueles blogs sóbrios e contidos. De pessoas imperturbáveis, que parecem sempre estar acima de tudo. Tenho mesmo muita inveja, gostava tanto.

(Talvez um dia, com muito xanax, consiga ter um.)

Tequila

Imaturidade?

Ainda não perdi a capacidade de me indignar.

A opção 1 cada vez mais apetecível

Às vezes dá-me a sensação de que as pessoas se esquecem de que um blog só existe porque alguém escreve nele, e que toda a sua essência se resume ao facto de escrever nele o que quiser e bem entender. Ele não existe pelos leitores e para os leitores, existe principalmente para o prazer do próprio. Ou assim muito resumidamente, quem manda aqui sou eu.

E, já agora

ide lá ler isto também, s.f.f., que é Mónica Marques no seu melhor.

Sobre o caso Polanski

Ah e tal, mas também comentam os trapos das vedetas por isso não se podem queixar

Desculpem, mas não é de todo a mesma coisa. E, como devem calcular, vou explicar porquê. Quando nos pomos a comentar os vestidos dos Oscares ou a criticar as nossas vedetas, fazêmo-lo pela piada, pela fofoca, pela má língua sim, mas fazemo-lo no nosso blog, tal como faríamos entre o nosso grupo de amigas, e não na caixa de comentários dos hipotéticos blogs das visadas, que nunca irão ler o que foi escrito e por isso muito menos ficar melindradas com o nosso corte e costura. Além disso, ao contrário das comuns mortais que por aqui escrevem, essas vedetas têm mesmo mais obrigação de estar bem, pois além de viverem da imagem, têm personal trainers, consultores de moda, cabeleireiros, maquilhadores, toda uma legião de gente a trabalhar para elas, além de trapinhos de graça dos melhores estilistas, tudo à sua disposição, pelo que é só escolher, e o resultado final dependerá apenas do seu gosto, pois não têm limitações de qualquer ordem, e muito menos monetárias.
Já nós, pobrezinhas, se formos a um casamento, possivelmente não poderemos gastar 1000 € num vestido, a não ser que sejamos a noiva, e mesmo assim nem todas. E lá por termos caixa de comentários aberta e nos arrisquemos à insensibilidade e estupidez alheias, acham mesmo que queremos ou gostamos que nos digam que somos gordas, ou feias, ou pirosas, ou parolas, que parecemos prostitutas e que temos celulite ou as mamas descaídas? Mas está tudo doido, droga-se, ou perdeu mesmo a noção? Essas coisas, que todas pensamos umas das outras, porque todas temos um bocadinho de cabras, são para guardar para nós próprias. Há que saber filtrar, e usar o nosso discernimento para decidir quando devemos falar ou calar. Comentem com as vossas amigas, nas nossas costas, que é bem melhor. E não me venham com merdas de que é melhor dizer na cara do que falar nas costas, que isso só se aplica quando temos a saia presa nos collants ou um bocado de espinafre no dente e ninguém nos avisa. O resto fica reservado, quanto muito, às nossas melhores amigas, cuja confiança e afecto lhes dão a autoridade de nos poder dizer coisas que ditas por quem não conhecemos de lado nenhum revelam apenas crueldade. A sinceridade anda muito sobrevalorizada, e sob o seu pretexto as pessoas são capazes de dizer as maiores barbaridades a outras, sem pensar no quanto as poderão ofender, e pior, magoar.
É uma questão de sensibilidade e educação, e da noção de que não temos qualquer necessidade de pisar os outros inutilmente. Uma coisa é, por exemplo, eu embirrar com a Scarlett Johansson, agora não me passaria pela cabeça, se por acaso nos cruzássemos, chegar-me ao pé dela e dizer-lhe que a acho uma pindérica de olhar bovino com ar de esteticista vulgar, mas sem ofensa - e não, não há mal nenhum em ser-se esteticista, é uma profissão como outra qualquer, estou só a usar um estereótipo fácil geralmente associado a demasiada oxigenação, unhas de gel, abundância de carnes e pouca profundidade, assim ao género ana bola e maria rueff, ok? -, e não é por não ter coragem de ser sincera e dizer coisas na cara das pessoas, mas sim porque não me sinto nesse direito, e assim sendo seria apenas maldade gratuita. E por isso, da próxima vez que pensarem em fazer um comentário a alguém, ponham a mão na consciência e perguntem-se antes: e se fosse eu, gostaria de ouvi-lo?

29 de Setembro de 2009

Lembrete

Se alguma vez me passar pela cabeça a ideia de cometer a insanidade de postar alguma fotografia minha de corpo inteiro, por favor lembrem-me de reler em voz alta todos os comentários a este post da Pipoca.

(Gostei muito de um comentário em que uma menina diz qualquer coisa como "não dá para ver os joelhos, que podem estragar uma perna, mas à partida parece ter tudo no sítio". Depreendo que, caso desse para ver, e eles não fossem perfeitos, se achasse no direito, e pior ainda, no dever, de dizer com "toda a sinceridade", que afinal as tinha feias, convencidíssima de que a tal sinceridade é uma virtude superior à delicadeza, sem se lembrar que estar bem caladinha é também uma boa opção. Aliás, a melhor. E o pior é que estão convencidos que estão a agir bem. Um nojo. A educação é mesmo uma coisa muito bonita. E, ao contrário do verniz vermelho, não é para quem pode, mas para quem quer.)

Por vezes acho-me um bocado geek

Mas depois abro o facebook e deparo-me com fotografias de perfil de colegas de bata com a hotte por trás, e, aliviada, concluo que afinal não.

Agora escolha (cont.)

Claro que os comentadores podiam dar-me uma ajuda e desta forma diminuir o meu dilema ao escolher entre as três opções. Na verdade, é muito fácil, só têm que prestar atenção aos seguintes pontos, antes de comentar:
  1. Ler o que foi escrito.
  2. Ter a certeza de que perceberam o que foi escrito. Caso contrário, repetir ponto 1.
  3. Pensar se têm algo relevante a dizer.
  4. Reler o que foi escrito, para ter bem a certeza.
  5. Escrever o comentário.
  6. Reler o comentário e confirmar que faz sentido. Se necessário, voltar ao ponto 1.
  7. Publicar ou apagar, conforme a conclusão chegada no ponto anterior.

Para quem acha que defendo as minhas opiniões com unhas e dentes

Um bocadinho de biografia: eu sou a pessoa que na primeira classe começou a boicotar as aulas de ginástica por causa de uma decisão que considerei injusta relativamente à festa de Natal. Tinha 6 anos. Acho que está tudo explicado.

Se eu fincar pé, só um camião tir é que me move.

(Fui mandada à psicóloga escolar - creio que pela primeira e última vez na vida. A psicóloga achou que eu era perfeitamente normal, apenas tinha um sentido de justiça e opiniões muito vincadas. A coisa resolveu-se com a professora de ginástica a ter de vir falar comigo e explicar-me muito bem o porquê da sua decisão. E a arranjarem uma solução alternativa para a minha insatisfação.)

Aproveitar os últimos dias de sol

Presente da Sal.

28 de Setembro de 2009

Como estraçalhar a auto-estima

Deixarmo-nos fotografar ao lado de colegas com 1,80m e 40 kg. Torna-se impossível não parecer um presuntinho.

Consciência

Quanto mais pequenas são as pessoas, mais dificuldade têm em reconhecer as grandes.

Agora escolha

Coisas que me põem fora de mim:
  1. Pessoas burras
  2. Perguntas parvas
  3. Piadas parvas
  4. Observações parvas
  5. Pessoas parvas
  6. Que me tomem por parva
  7. A intersecção de alíneas anteriores
Peço desculpa, mas perante os pontos acima, não tenho qualquer capacidade de auto-controlo ou poder de encaixe. De modo que, aplicada a regra à caixa de comentários, me sobram as seguintes opções:
  1. Deixar de permitir comentários no blog
  2. Ignorar/não responder a comentários que me irritam
  3. Responder segundo o meu discernimento que, muitas vezes, é afectado pelo meu estado de irritação, podendo ferir susceptibilidades.
(Ando a tentar descobrir como é que se faz essa coisa que tanto me dizem que devo fazer e que consiste em "aceitar opiniões com as quais não concordo" sem usar a opção número 2, pois ninguém me explica como responder a alguém com quem não se concorda minimamente de forma a mostrar que se aceitou mas mantendo que não se concorda mesmo nada.)

Recebido por e-mail



"A vida resume-se em 4 garrafas. Vamos aproveitá-la, que já vamos na terceira."

Em caso de indecisão



Temos sempre a velhinha moka.

Digam-me de vossa justiça














Nespresso ou Dolce Gusto? Prós e contras?

(Devo dizer que aquela coisa de não poder comprar as cápsulas no supermercado e ter de encomendar online ou ir ao cu de judas para comprá-las é coisa para me irritar assim um bocadinho, além de que não me importava de ter mais opçoões além do expresso, mas não sei se o expresso da Dolce Gusto é alguma coisa de jeito, enquanto o da Nespresso tenho a certeza que é.)

Devo começar por dizer que não votei*

Não gosto especialmente de Sócrates, não votei nele da outra vez, e provavelmente não teria votado nesta. Mas gosto menos ainda de Ferreira Leite e não posso imaginá-la uma alternativa melhor. Assim sendo, do mal o menos.

*Porque não moro em Portugal e ainda não estou registada no consulado, e portanto votar custar-me-ia um bilhete de ida e volta Lisboa-Amsterdão, ou seja, a módica quantia de 260€. Enfim, era coisa para me ficar um bocado cara. Mais satisfeitos?

27 de Setembro de 2009

Coisas que me irritam

Que os políticos se dirijam aos portugueses e portuguesas, aos cidadãos e cidadãs, aos eleitores e eleitoras. Mais que agradada com a deferência, que me parece algo paternalista, sinto sempre que me estão a chamar estúpida e que devem pensar que não sei falar português.

A educação é uma coisa muito bonita

Não sou propriamente muito apegada a convenções, dando-me até ao luxo de propositadamente desrespeitar algumas, mas a forma como fui educada, e as regras que me foram inculcadas, levam a que eu seja daquelas pessoas que repara nos pequenos gestos, delicadezas, e principalmente na sua ausência, sendo-me impossível não julgar nem registar o facto como uma prova de falta de educação, e mais, de carácter, ficando os seus autores para sempre num patamar abaixo na minha consideração. Como o namorado de uma prima, que minutos depois dela se ter queixado que lhe doíam os pés, ao ver uma cadeira livre se sentou, deixando-a a seu lado em pé, coisa já suficientemente má por si só, mas ainda mais com o factor salto alto. Ou pessoas que, tendo usufruído de alguma amabilidade, se "esquecem" de agradecer, fazendo-nos questionar os nossos próprios valores, e tornando-nos mais exigentes a escolher quem possa merecer favores. E isto lembra-me um episódio que ilustra na perfeição o que quero dizer. Aqui há tempos conheci dois portugueses, amigos de amigos, na única discoteca de Leiden. Conversámos por um tempo, pareciam porreiros, e acabámos a trocar números de telefone. Saímos juntos da discoteca, despedimo-nos, eu segui para casa, e eles para a estação para apanhar o comboio. Já estava eu muito bem deitadinha na minha cama, quase a dormir, quando o telefone toca. Que não havia comboios, só daí a 3 horas, estava um frio de rachar, e, totó que só eu, às 4 da manhã levanto-me da cama, visto-me, e monto-me na bicicleta para ir à estação buscar dois caramelos que tinha acabado de conhecer, deixando-os ficar a dormir nos meus sofás. No dia seguinte, quando acordei, já tinham saído. Até hoje, nem ai, nem ui, nem uma mensagem de agradecimento, nada. E embora não o tenha feito esperando algo em troca, a verdade é que a falta de um obrigado me caiu muito mal. Escusado será dizer que, houvesse próxima, por mim bem que podiam ficar a congelar. É dar pérolas a porcos.

A frase


That crazy girl

Ao longo da vida conhecemos algumas pessoas improváveis, em situações ainda mais improváveis, com quem vivemos alguns episódios algo surreais, e cujo comportamento constitui de tal forma um puzzle que, apesar da efemeridade e leveza do encontro, nos deixam uma marca pela forma como nos baralharam o sistema. São "aquele/a maluco/a" que nunca conseguimos descodificar, e de quem falamos aos amigos começando com um "nem imaginas o que me aconteceu, conheci uma pessoa que...", geralmente acabando por ficar apenas como mais uma história engraçada para contar entre copos e confissões. Hoje, inesperadamente, voltei a ver alguém que não via há uns meses, e que não esperava de todo voltar a encontrar. Julgava-o algures na Indonésia, para onde sabia ter ido trabalhar, ou quiçá de volta a África. Estava com uma nova namorada. Vi-o assim que cheguei, mas fui conseguindo evitá-lo, falando com outras pessoas e circulando cuidadosamente fora do seu campo de visão, durante uma boa meia agora, até que senti uma mão no ombro. Oh fuck... Perguntou-me se não o queria convidar a ir fumar um cigarro lá fora. Acedi. Small talk, um "you look happier now", fingindo estarmos à vontade. Acabou por me dizer, depois de tanto tempo, que lhe tinha ficado no goto como "that crazy girl", de quem tinha falado aos amigos e tudo. Sempre me achei normal de mais para poder ser a crazy person de alguém, e com tanta sinceridade (e, convenhamos, razoabilidade) não pude conter uma gargalhada, acabando ambos a rir, finalmente livres do peso. Mal sabe que a ele me refiro como o Juan Antonio. That crazy bastard.

25 de Setembro de 2009

O remorso


Em The Reader, a iliteracia de Hanna Schmitz seria completamente irrelevante para o conflito moral que constitui o pilar central da história, se não servisse principalmente três propósitos: enriquecer o enredo, tornando-o mais dramático; ser a causa para um dilema cuja resolução irá alimentar o remorso de Michael; e servir como catalisador para a nossa compaixão e suscitar a nossa empatia, funcionando como manobra de diversão relativamente aos crimes cometidos. O analfabetismo de Hanna não é a razão pela qual está sentada no banco dos réus, nem é desculpa para os crimes de que é acusada. Não saber ler em nada lhe restringe a capacidade de discernimento ou a impede de distinguir bem do mal, pelo que se torna, para o caso, irrelevante. Ela é, de facto, culpada da monstruosidade de que é acusada. Ela, juntamente com outras mulheres, tomou a decisão que levou à morte de centenas de outras. O conflito interior que enfrentamos não é o de saber se é ou não culpada, mas se à luz das circunstâncias teríamos feito diferente, enquanto somos confrontados com o facto de nem sempre serem monstros, mas pessoas comuns, por vezes até com boas intençoes, capazes de cometer tais atrocidades. E é este dilema a que assistimos, através dos olhos de Michael, que não consegue decidir o que sentir em relação àquela pessoa, porque lhe conhece os dois lados, o bom e o mau, sendo-lhe impossível decidir se amá-la ou desprezá-la. A isto acresce a injustiça a que assistimos, impotentes, sabendo que não poderá ter sido ela a escrever o documento que a incrimina, enquanto a vemos assumir a culpa sozinha, usada como bode expiatório. E a recusa em defender-se, para proteger um segredo que a humilha, enche-nos de compaixão, mesmo sabendo que não o faz por se saber culpada, mas por orgulho. A verdade é que Hanna sente mais vergonha por não saber ler do que por ter levado à morte centenas de mulheres. E se há nisto uma certa amoralidade, ao mesmo tempo é tão humano que nos cria empatia, por nos reconhecermos na vontade de preservar alguma dignidade, mesmo quando já não resta quase nenhuma. E por fim temos Michael, o único detentor do segredo, o único que a poderia ajudar, revelando-o, mas que escolhe não o fazer e guardar também ele, para sempre, um segredo. E esta escolha é, mais uma vez, ambígua. Escolhe calar-se e condená-la a 20 anos de prisão para proteger o seu segredo respeitando a sua vontade; porque os seus actos o repugnam e acha que merece castigo; ou por cobardia e vergonha em assumir que a conhece, decidindo defendê-la perante os seus pares? Creio ser um misto de todas, embora prevaleça esta última, enchendo-o de uma culpa que o condena à solidão e o leva a enviar cassetes religiosamente, cumprindo também ele uma pena. Não é amor, não é bondade, não é compaixão que o move, mas remorso. E talvez alguma esperança de redenção.

*A fórmula da recusa de dafesa para proteger um segredo foi também usada, de forma a manipular os nossos sentimentos de forma violentíssima, no Dancer in the dark, criando um sentimento de empatia muito semelhante.

Exercício

O mundo seria um lugar melhor se toda a gente soubesse tocar bem um instrumento musical. Ou, num sentido mais lato, tivesse aprendido música.

Não me canso de dizer o quanto estes comics são bons


wulffmorgenthaler.com (clicar para ver melhor)

Estes estudos são muito engraçados


"existia uma opressão muito grande da sexualidade feminina."

"Há, de facto, concepções de diferenciação e de poder: uma rapariga simplesmente não pode ter o mesmo comportamento que um rapaz.”

E para saber isto foi preciso entrevistar 60 pessoas e um estudo sociológico, com direito a notícia de jornal. E eu a pensar que bastava ter-se vivido em Portugal.

24 de Setembro de 2009

But then I'd miss all the fun


Gisele Bundchen

Deixemos só passar as polémicas, já voltamos ao normal.

I could get used to this


Gisele Bundchen

Não ter de explicar. Ou justificar. O silêncio, a paz. Tão bom.

Voltando à vaca fria

E depois, há toda a questão da estratificação social. Em países com baixos níveis de escolaridade, como Portugal, em que a maioria da população tem apenas o ensino básico ou menos, mais de 70% no nosso caso, com o resto do bolo dividindo-se entre quadros médios - ensino secundário e/ou formação profissional - e superiores - licenciatura e/ou pós-graduação -, o que acontece é uma maior estratificação social e disparidade salarial. Sendo a maioria da população pouco qualificada, é paga em conformidade, com as classes mais baixas a ganhar em média o ordenado mínimo, os quadros médios a ganhar duas ou três vezes mais, e os superiores, por serem poucos e por isso privilegiados, não raramente cinco a dez vezes mais. Claro que há excepções, especialmente em tempos de crise e quando há excesso de licenciados em áreas para nas quais não há procura, como o excesso de formados em humanísticas no nosso país, mas no geral é assim que funciona. Ora, em países em que o nível de escolaridade é mais alto, estas diferenças vão-se dissipando. Por um lado, porque havendo muito mais quadros médios e superiores, estes deixam de ser considerados elites, não sendo por isso os seus ordenados tão exorbitantes, por outro, porque a chamada "classe operária" é mais qualificada, tem mais estudos, sendo por isso mais bem paga, resultando esta conjugação num maior nivelamento salarial. É o que acontece em países como a Holanda, onde os quadros médios e superiores constituem cerca de 70%, e em que o ordenado mínimo ronda os 1400€, enquanto os quadros superiores ganharão cerca de 5000€. Dando um exemplo concreto: numa universidade, o assistente de armazém ganhará os tais 1400€, enquanto o full Professor ganha à volta de 4200€. Tendo em conta o sistema de impostos holandês, o tipo do armazém ganhará uns 900€ limpos, enquanto o catedrático cerca de 2700€, ou seja, na prática, 3 vezes mais. Já em Portugal, apesar dos ordenados mínimos limpos serem perto de metade dos da Holanda, os catedráticos ganham mais ou menos a mesma coisa, sendo que a diferença salarial duplica, com o Professor a ganhar 6 vezes mais que o tipo do armazém, e isto sem entrar no sector privado. E é também por esta razão que é importante que os tipos do armazém estudem, se qualifiquem, para poderem ambicionar maior justiça social e igualdade salarial. E digam-me o que disserem, não ver isto é mesmo falta de lucidez. Os chefes agradecem.

O único poder que temos é o de nos melhorar a nós próprios

Quando peguei na temática da educação, estava longe de pensar que iria causar tanta polémica. Convicta, santa ingenuidade, de que qualquer pessoa com dois dedos de testa concordaria que mais educação, incluindo a superior, era, no geral, uma coisa boa, reconhecendo a sua importância para o desenvolvimento do país. Não contava era com tanta gente centrada no seu próprio umbigo e agarrada à avozinha com a segunda classe, determinada em provar, desesperadamente, contra toda a lógica, e como se disso dependesse a honra de toda a família, que não são menos que ninguém por lhes faltarem os estudos de que dizem não precisar. Nem com pessoas que, não entendendo a questão enquanto visão global, reagissem tão emotivamente, como se de um ataque pessoal se tratasse. Ou que, sentindo-se atingidas e despeitadas, tivessem necessidade de se defender, e cegamente entrassem em exercícios de comparação inúteis, insistindo em mostrar-se a todo o custo melhor que muitos, fazendo verdadeiras odes à falta de estudos, a apologia da escolaridade mínima, quase só faltando dizer que quanto menos se estuda mais se sabe, sem perceber que não era disso que se tratava. Nunca foi. A questão é a necessidade real de mais gente com formação superior, pois estamos de facto atrás do resto da Europa, e por mais que a formação profissional seja importante, não é com ela que se conseguem mais médicos, professores, cientistas, engenheiros. E mesmo que um curso universitário por si não garanta conhecimento, a falta dele muito menos, e para muitas áreas não há alternativa melhor. E não me venham dizer que querem ser atendidos por médicos com o 12º ano, ou engenheiros a construir pontes com um certificado de formação profissional. É disto que se trata, e não do valor individual de cada um. Estudar não serve para tornar ninguém melhor que os outros. Serve para nos tornar melhores que nós próprios. E quanto mais, melhor, independentemente do grau que se atinge.

Revelações ao ver novas colecções

A moda é feita para pessoas que não têm frio.

Becoming a better self

Um dos maiores erros que se fazem é pensar que estudar serve primeiramente para aprendermos uma profissão e que um curso universitário só tem utilidade se vier a ser aplicado ao entrar no mercado de trabalho. Que grande equívoco. O estudo, um curso, servem também para isso, mas não só, servem principalmente para nos ensinar a pensar melhor, a aprender melhor, a desenvolver as nossas capacidades e raciocínio, a tornarmo-nos pessoas mais independentes e capazes de pensar pela nossa própria cabeça, dando-nos ferramentas para ultrapassar obstáculos e dificuldades, e para, principalmente, nos alargarem horizontes e expandirem limites. Não tivesse eu estudado os anos que estudei, e dificilmente teria capacidade de começar um doutoramento numa área da qual sabia aproximadamente zero. Mas isso não foi uma barreira, porque esses anos, mais do que disciplinas fundamentais, das quais não desmereço a importância, me ensinaram a não ver o desconhecido como impedimento e confiar na minha capacidade de aprender, e de saber como o fazer. Da mesma forma que o programa Erasmus não serve para ir fazer cadeiras, mas para crescermos enquanto pessoas num mundo que não se limita ao nosso bairro, tomando consciência disso. Claro que só se pode reconhecer tudo isto com alguma distância, e tendo passado pela experiência, sendo absolutamente impossível explicá-lo a quem não o viveu, e que por isso nunca perceberá a dimensão da sua importância, desvalorizando-a com despeito. Se ter estudado me faz melhor que os meus pares? Nunca foi o que esteve em causa, porque não o fiz pelos outros. Fi-lo para me superar a mim mesma. Se sei hoje muito mais do que sabia há 10 anos? Sem dúvida. Se isso me faz melhor do que era e me permitiu crescer enquanto pessoa? Também. Porque saber mais é sempre melhor do que saber menos, com ou sem ofensa.

23 de Setembro de 2009

Desabafo

Que seca de gente, que cambada de chatos, sempre a sugar tudo o que possa ter alguma restiazinha de piada até não sobrar nada e andarmos todos muito sérios, secos e cinzentos, sempre cheios de medinho de ofender alguém, porque as todas as pessoas têm direito de gostar de coisas diferentes, e não são menos por isso, mas dizer que não se gosta é que não, para não melindrar ninguém com opiniões pessoais, e yada yada, que coitadinhos, nem todos têm as mesmas oportunidades, e temos sempre de pensar no pigmeu ceguinho e perneta que vive com três cabras e duas galinhas no Butão, e que pode ler e sentir-se ferido na sua dignidade, e que uma pessoa deve sempre pensar em cada uma dos quase 7 biliões de pessoas do mundo que pode hipoteticamente ofender antes de escrever uma merda qualquer de que ninguém se irá lembrar daí a três dias. A sério, já não há pachorra.

Metabloguismos III

Haverá sempre gente chata o suficiente para transformar um inconsequencia escrita com gozo numa hipotética lei universal, chamando a si a responsabilidade de te alertar quanto às suas consequências nefastas na ordem mundial, dando-se o caso da remotíssima possibilidade da sua aplicação.

(Sim, muitas vezes terás vontade de cortar os pulsos)

T-shirts, seriously?



Tal como as t-shirts do Hard Rock servem para mostrar ao mundo que se é viajado, as de Bolaño servem o exibicionismo literário. Uma ténue linha separa snobismo de bimbalhice.

(com tanto marketing mais parece o Harry Potter)

My thoughts exactly



pela Ana de Amsterdam, que tão bem descreve - e tão melhor que eu - aquilo que quis dizer ali em baixo.

Os holandeses, esses marotos, naughty naughty

Se as palavras servem, em grosso modo, para descrever objectos, acções, ou sentimentos, à sua criação, e respectiva utilização, estão subjacentes os conceitos de necessidade e utilidade no dia a dia. Assim, uma palavra é criada porque houve necessidade de descrever algo suficientemente importante e comum para ser traduzido num único termo.
Aqui na Holanda, existe uma votação anual relativamente a palavras de calão que, por se terem tornado suficientemente populares, devem ver o seu estatuto promovido e entrar para o dicionário. Ora, já mencionei o factor utilidade, certo? E que a importância de uma palavra passa também pelo número de vezes que é utilizada? E que se é criada e utilizada é porque a situação que descreve acontece vezes suficientes para tal? Pois, era só para confirmar.
É que a palavra do ano em 2008 foi Swaffelen. Escusado será dizer que começo a ter medo de tocar no que quer que seja com as mãos.

22 de Setembro de 2009

2666

Ainda nem vi o livro, e já não o posso ver.

(Tenho alguma dificuldade com entusiasmos colectivos, mesmo que intelectuais. Assim que muitos começam a apontar numa direcção, dá-me logo vontade de seguir a contrária.)

21 de Setembro de 2009

Metabloguismos II

Sempre que houver uma ínfima oportunidade de te chamarem estúpida, por certo não a perderão.

Metabloguismos

Nunca substimes a capacidade dos teus leitores de estragarem as tuas piadas.

Ando numa de pedofilia

Piu piu

Ainda há pessoas que não se fartaram do Twitter?

A minha colecção de coisas irritantes®

Creio poder falar não só por mim, mas por todas as pessoas de pequena estatura, quando digo que algo que me deixa absolutamente fora de mim, e com instintos assassinos, é que pessoas mais altas me dêem palmadinhas na cabeça, como se eu fosse um pinipon, ou pior, um cãozinho. Eu sei que é porque acham que pareço fofinha e querida, cutxi cutxi, mas acaba por ser apenas irritante e até desrespeitoso. So don't f-word do it.

(Sexta-feira passei a noite inteira a fugir de um tipo que engraçou comigo e achou que era uma boa ideia fazer-me festas na cabeça de cada vez que me apanhava distraída. Muito mau, ainda para mais porque eu detesto que me toquem. Tive que acabar a gritar com ele, o que , enfim, é chato. Além de que, oviamente, I don't look forward to seeing him again, apesar do seu metro e noventa.)

®Lote 5 - 1º Dto.

20 de Setembro de 2009

"What would you have done?"


Finalmente vi The Reader, um dos melhores filmes que vi este ano. Um filme que nos faz pensar, que nos incomoda e interpela, que nos obriga a pôr a questão: e se fosse eu, teria feito diferente? Gostamos sempre de pensar que sim, que em cenários horrendos, como o do holocausto, não seríamos como eles, os coniventes, os que fecharam os olhos e pactuaram com o regime, que seríamos capazes de dizer não, que poríamos em causa a nossa própria vida para defender a dos outros. A história diz-nos que não é assim, e que são poucos aqueles que se rebelam. Queremos todos acreditar que estaríamos nesses dois ou três por cento de heróis, mas sabemos que a população toda não cabe nessa fatia. Estaríamos mesmo? What would you have done?

O que mais incomoda não é a existência de Hanna's Schmitz. É sabermo-nos não assim tão diferentes.

(Kate Winslet é a melhor actriz da sua geração)

Your mamma said you ugly

"Anyway, while all this is going on people are sending me messages going, dude, do you see what is being said about you over here and over here? Oh, and right there in your comments section? And I'm all, no, but I can guess. Is it something about the way I look? My chin perhaps? The mole in the middle of my forehead? Is it about what I'm wearing, how unflattering it is? Or how I'm an awful mother? Or how I'm exploiting my children for money? Or how I love Marlo more than I love Leta? Or how my husband must be gay? Because it's all been said. Every awful thing you can say about a human being, it's been said about me and my family. Over and over again, like a broken record, and I guess with the intention that it will at some point hurt me so badly that I will throw my hands in the air and give up."

Um texto ao qual fui parar através de uma simpática leitora. Faço destas as minhas palavras. Embora, acreditem, pudesse dar exemplos ainda piores.

Post a (blogger) secret


Ao responder a comentários irritada, antes de publicar tenho sempre de voltar atrás para apagar todas as caralhadas que lá escrevi no meio.

(E os vossos, quais são?)

Concurso (ou talvez não)

A falta de sono por vezes começa a afectar-me o sistema nervoso e aguça-me a maldade. Começo a ter ideias maléficas, e um tanto infantis, assim como fazer um concurso para eleger o top 10 dos melhores comentários de sempre, através de nomeações do público. As condições seriam terem de ser assim mesmo surreais, com um toque de humor, e de preferência a chamar-me burra (ou outra coisa qualquer, embora burra seja de longe a mais comum). Mas depois achei que era melhor não, não se deve gozar com os pobres de espírito. A não ser que se seja o Borat.

Best hand: Full house of A's

Insónias servem para: ficar bastante pro no poker online. Se aquilo fosse dinheiro a sério a esta hora estava milionária.

A ignorância é atrevida

Tinha uma vaga ideia da frase, embora sem saber de quem era. Sabia que tinha algo a ver com atrevimento, ou impertinência, transmitindo em poucas palavras arrogância infindável de quem não sabe, e o seu exibicionismo, fruto da falta de noção de ridículo. Numa busca sobre o seu autor, infrutífera por sinal, acabo por encontrar um conjunto de outras, absolutamente deliciosas, e cujas minhas preferidas me permito a partilhar convosco.

A ignorância está sempre pronta a admirar-se a si própria. Boileau

O orgulho é o complemento da ignorância. Fontenelle

É mais difícil esconder a ignorância do que adquirir conhecimentos. Rabellais

A calúnia e a injúria são armas da ignorância. George Sand

Tudo o que é preciso na vida é ignorância e confiança; depois, o sucesso está garantido. Mark Twain

A educação é uma descoberta progressiva da nossa própria ignorância. Voltaire

Há, verdadeiramente, duas coisas diferentes: saber e crer que se sabe. A ciência consiste em saber; em crer que se sabe está a ignorância. Hipócrates

Elogiar-se a si mesmo é prova de ignorância. Textos Judaicos

A ignorância é um mal invencível. Sófocles

Nada mais assustador que a ignorância em acção. Goethe

O surrealismo explicado às crianças*

O número e teor dos comentários de certos e determinados posts. É como as pilhas duracel: e dura, e dura, e dura... Just pick the best one.

*ou como ter um blogue me tornou uma pessoa infinitamente mais paciente.

Apesar da amostragem ser pequena, creio poder concluir que, no geral:

Pessoas com formação superior tendem dar-lhe importância, pessoas sem ela tendem a desvalorizá-la.

Obviamente, não me atrevo sequer a sugerir que grupo terá mais razão. Estou mesmo só a constatar um facto, ok?

19 de Setembro de 2009

Epifanias

Cada vez mais compreendo o verdadeiro significado da expressão "ser teimoso que nem um burro". E não, não falo do animal.

18 de Setembro de 2009

É que nem de propósito



(clicar para ver melhor)

Fomos ultrapassados pela República Checa, pelo Chile e pela Hungria, estando, na Europa ocidental, apenas à frente da Grécia. Razões para celebrar.

E porque eu já estou muito cansada

"Parecendo um paradoxo quero acreditar que não. Pese embora todas as teorias racistas do século XIX, em que os europeus do sul eram considerados uma raça inferior, por isso menos dotada de brilhantismo intelectual e consequentemente menos capaz, parece-me – estando desvalorizadas e sem sentido genético as diferenças dentro da espécie – que somos um povo competente (vou arrepender-me disto, já a seguir, quando sair de casa e me cruzar com um taxista). Sendo aptos parece-me apenas lógico – isto sou eu, que como se sabe sou opiniosa, mas não gosto de ditar tendências – que nos sintamos envergonhados de ter um dos maiores índices de analfabetismo da Europa, uma das menores taxas de licenciados e acima de tudo de estarmos no pódio da ignorância da união. O capital intelectual de um país é claramente um indicador fundamental do seu nível de desenvolvimento da mesma forma que o nível de conhecimento médio da população alicerça uma possibilidade de crescimento (se algum político me quiser contratar neste momento fique sabendo que me vendo muito caro e não sou a Joana Amaral Dias). Partindo do princípio que não somos geneticamente burros, que temos um ensino tendencialmente – e aqui aproveito para deixar uma crítica às propinas e à falta de fiscalização do ensino privado – gratuito, acessível a todos e abrangente, qual será o nosso problema?"


Uma opinião fresca vinda de outra cabeça, muito bem explicada.

Cura do cancro, etc.

Toda a gente deseja a cura do cancro, toda a gente quer vacinas contra a sida e a malária, toda a gente reza pelo medicamento milagroso que irá curar ou fazer melhorar amigos ou familiares com doenças graves ou incuráveis. Querem as curas todas sem se importar em saber quem trabalha nelas, sem fazer ideia alguma de quem é que está nos laboratórios, todos os dias, a fazer investigação científica nesse sentido. São aquelas pessoas a quem geralmente perguntam a rir, num misto de condescendência e superioridade: "então e trabalhar, não?"

Seria de rir, se não fosse de chorar

Eu aposto que se tivesse vindo criticar o nível de analfabetismo em Portugal, que creio continuar a ser dos mais altos na Europa, e que é mais um dos indicativos de sub-desenvolvimento, haveria de vir gente falar da sua avozinha analfabeta, que sabe mais que muitos doutores, mas que não teve oportunidades, e que por isso é uma injustiça julgar o desenvolvimento do país por esse índice, e que até é bom que haja gente a não saber ler, e quem sou eu para vir ofender as pessoas, mais ainda nem estando em Portugal, e muito menos a trabalhar.

Tranquilidade, para descansar


Presente da Muxy-Muxy, que a fotografou só para mim

Ser o maior

In many people it is already an impertinence to say 'I'.
- Theodor Adorno

Uma coisa que sempre me fez confusão, é a facilidade com que certas pessoas se afirmam publicamente melhores que outras, declarando despudoradamente que o outro não lhe chega aos calcanhares, ou que ainda tem de comer muita sopa para atingir o seu nível. Eu, mesmo no auge do meu convencimento, confesso que não sou capaz de tal arrogância, não tenho tanta lata, até porque não me tenho assim em tão boa conta. Lembra-me um artigo que li há tempos, sobre um estudo que demonstrava que eram os menos aptos que demonstravam maior tendência a sobrevalorizar-se, por ser menor a sua capacidade de auto-crítica. Razão para se dizer que, pior do que falsa modéstia, só mesmo a sua falta.

17 de Setembro de 2009

Ensino superior na Europa


Education level of the population aged 25-64 years, 2007
(clicar para ver melhor)

Olha que bom, menos licenciados que nós, só mesmo em Malta. Assim sim, assim é que estamos bem. Mas pelo menos, com o ensino básico ou menos, quase que íamos à frente, se não fosse outra vez o raio dos malteses. E nem 30% da população activa tem o secundário, que maravilha. Um verdadeiro motivo de orgulho. Mas tacanhez e provincianismo é querer mais gente a estudar, que parvoíce. Isto sim é indicador de progresso.

Um país não vive só de doutores e engenheiros

De cada vez que alguém se atreve a criticar o baixo nível de escolaridade geral dos portugueses, aparece sempre quem defenda que o país não vive só de doutores e engenheiros, e que muito boa gente só com a quarta classe sabe mais que certos doutorados. Pois sim, na primeira parte poderão até ter alguma razão, embora na segunda duvide, mas não deixa de ser uma visão redutora e tacanha, que reflecte um certo provincianismo, e até saudosismo, tão típicos no nosso belo país. Mais ou menos na linha de pensamento de que antigamente é que era bom, quando se tinha de dividir uma sardinha por seis, e não havia sapatos para calçar, numa apologia da miséria e iliteracia.
Não desprestigiando quem, entre muitas dificuldades, teve de singrar na vida sem estudos, trabalhando, não me venham dizer que falta de formação é que é bom, porque não é. Se não é garantia que um curso superior torne alguém num bom profissional, também não é certamente a falta dele que o fará. E se muita gente com poucos estudos dá óptimos profissionais, imaginem então se os tivessem tido, teriam sido ainda melhores. E ninguém me irá convencer do contrário.
Quer se queira ou não, o nível de escolaridade é indicador do nível de desenvolvimento de um país, nomeadamente tecnológico e científico, e não é com pessoas sem estudos que ele se fará. Nem toda a gente tem de ser doutor, é verdade, mas a formação é sempre importante, e ser iletrado não fará de ninguém melhor profissional. E se tantas profissões que não requerem formação superior são necessárias, também as que a pedem o são. Há que apostar na formação, tanto profissional como superior, para que possamos estar a par da europa a nível de competências, em vez de sermos vistos como uns semi-analfabetos muito simpáticos e esforçados, mas sem bases para ir mais além.

16 de Setembro de 2009

Do virtual ao real

Depois de mails e mais mails trocados, meses e meses de combinações, chegou finalmente o dia de nos vermos ao vivo. E não é que foi normal? Atenção, normal no bom sentido. A verdade é que sentia de tal forma que já nos conhecíamos há muito tempo, que foi como se ainda uns dias antes tivéssemos estado na galhofa numa esplanada qualquer. E retribuindo o elogio, a Kitty Fane é linda, muito querida, e especialmente, muito muito divertida. Tanto que o tempo passou num instantinho e quando demos por ela já estava na hora de ir embora.

(Quanto à certa pessoa a quem foi marcada falta (a vermelho), espero que dá próxima vez não resolva ir passear, está bem?)

Uma coisa que ainda não vi ninguém comentar

A Manuela Ferreira Leite deve ter arranjado uma maquilhadora nova, que tem aparecido muito mais apresentável. Um bocadinho menos feia. Até o meu pai reparou, e olhem que o meu pai só reparou que uma amiga minha estava loura passados cinco anos de ela ter pintado o cabelo.

Limitações

Sei que com o que irei confessar de seguida deitarei por terra qualquer pretensão de vir a ser minimamente respeitada intelectualmente, além de certamente desiludir alguns amigos que até me tinham em consideração, mas, a verdade, é que não consigo ler Lobo Antunes. E olhem que eu queria muito, mas não dá. Não falo das crónicas, obviamente, também não sou assim tão limitada, mas dos seus livros, onde não consegui nunca chegar a mais de meio sem desistir. Dada a minha frustração com esta incapacidade, procurei indagar opiniões junto à minha família, no Natal passado, para vir a descobrir que não, mais ninguém lhe tinha conseguido meter o dente, e olhem que não somos propriamente uma cambada de iletrados. Para meu descanso, intuí então tratar-se de uma deficiência genética qualquer, impeditiva de nos deixar entrar naquela escrita intrincada e aparentemente desconexa, levando-nos a perder o fio à meada, e que por ser inata nos ilibava de qualquer responsabilidade no assunto.
É certo que eu deveria ter desconfiado quando há anos, sintomaticamente, também não consegui levar avante a empreitada estóica da leitura de O Som e a Fúria, de Faulkner, de quem Lobo Antunes confessa beber o estilo. Lembro-me de, com esforço, avançar naquela primeira parte narrada por Benjy, o atrasado mental, e pensar que havia de conseguir, que o pior já estava a passar, que certamente haveria de melhorar assim que passasse para o irmão normal, na esperança de que de repente se fizesse luz. Mas não, Quentin em nada me ajuda, e acabei por desistir, esgotada mentalmente, e desiludida, assim como quando em Mulholland Drive se espera ansiosamente pela revelação final que afinal nunca chega e se sai do cinema na incerteza de se era ou não suposto ter-se percebido.
Desde então que tenho vivido conformada com esta impossibilidade, pensando que talvez tenha razão quem diz que ou se gosta de Lobo Antunes ou de Saramago, e que gostar tanto deste último talvez justificasse a incompatibilidade estilística.
Até que um dia me deparo com este brilhante texto de Rita F. e fico assim meia sem saber se valeria a pena ter continuado, tentado mais umas páginas, ter-me esforçado mais, que só faltava um bocadinho assim. Ou se, pelo contrário, simplesmente não estou habilitada para ganhar o brinde.

Só em Portugal

É ainda possível, nos dias que correm, estar num grupo alargado de pessoas da minha idade e ser a única com curso superior. E isto não é presunção, é tristeza com a realidade do país.

15 de Setembro de 2009

E hoje foi o dia

Da rentrée do aquecimento central. Uma estreia na casa nova.

O pior de voltar



É mesmo desfazer a mala.

Voltar



É sempre com um misto de sentimentos que deixo Portugal e volto para casa. Sim, casa. Cada vez mais é aqui que sinto ser a minha casa, e não lá. É um sentimento estranho, porque não me sinto minimamente identificada com este país e esta gente, dos quais não falo a língua, numa sociedade onde muito dificilmente me integrarei e onde sei que não quero passar o resto da vida. Mas é aqui que vivo, que tenho a minha casinha, as minhas coisas, as minhas rotinas, a minha vida. E ir a Portugal lembra-me cada vez mais disso, que já não vivo lá, e que cada vez menos ali pertenço. Talvez pela ironia dos amigos que morrem de saudades enquanto estou fora, que sentem muita falta, perguntando-me vezes sem conta quando volto, nunca terem tempo para estar comigo quando realmente lá estou. Talvez por ver que se habituaram a viver a sua vida sem mim, sem contar comigo, mostrando-me que ninguém é insubstituível. Ou porque pelo hábito de viver sozinha me exaspera por vezes o superproteccionismo paternal, e ter de cumprir rotinas que já não são as minhas. Talvez porque não me sinta mais dona de mim e da minha vida, mas a ter de viver em função dos outros e das suas disponibilidades. Talvez muita coisa. A verdade é que, apesar da merda que está o tempo, sabe bem voltar a casa.

Vá lá, só para provar

Em Portugal, uma pessoa é constantemente incitada a beber. Entre amigos e família, almoço ou jantar. Até pode dizer que não quer, que não lhe apetece, que não gosta de beber ao almoço que lhe dá sono, que vá lá, só um copinho para acompanhar, e acaba a não conseguir dizer que não, nem que seja para fazer companhia e não ser desmancha prazeres. No entanto, se tem o azar de esses copinhos fazerem o efeito que se sabe geralmente fazerem, aí é um ai jesus. Acho isto muito engraçado.

Coisas que não são boa ideia

À falta de cerveja - ainda não percebi muito bem a ideia de só haver bebidas brancas no bar, coisa que claramente já não aguento -, virarmo-nos para o whisky num casamento familiar e acabarmos a andar de lado. Agora, toda uma ida a Portugal e quase 12 horas de uma festa bonita ficarão resumidas para todo o sempre como "a Luna apanhou uma bebedeira". Conselho de amiga: se forem a casamentos, não bebam. Pelo menos digestivos. E especialmente se tiverem a família toda lá.

(ainda bem que me vim embora, ou tinha de estar a ouvir falar no assunto até ao Natal)

Patrick Swayze (18/08/52 - 14/09/09)



Quem não viu este filme umas cinquenta vezes na sua adolescência e suspirou longamente ao som de "I had the time of my life"? Hoje podemos rir-nos e achar piroso, mas marcou uma geração. Adeus Johnny Castle.

11 de Setembro de 2009

9/11

Choques culturais

Há tempos conheci uns suecos que tinham vindo passar uns tempos a Portugal. Perguntavam-me sobre as raparigas portuguesas e lá lhes fui tentando explicar que éramos ligeiramente mais conservadoras do que eles estariam habituados lá pela Suécia, e que teriam mais dificuldades em voltar acompanhados para casa, já que poucas se davam a one night stands. Precisavam de exemplos, números ilustrativos, e rapidamente do abstracto passaram ao concreto e do geral ao particular: "então e tu, assim por alto, mais de 30 ou menos de 30?". Percebi então que não falávamos a mesma escala.

Estar lá

Os amigos servem, entre outras coisas, para alertar dos perigos perante opções que nos parecem imprudentes. Perante factos consumados, resta-nos apoiar a escolha e rezar para que tudo corra bem. E se não correr, estaremos sempre lá para amparar a queda. Sem 'bem te disse's.

Terapia de choque

As minhas amigas são mais malucas que as vossas. À escala planetária. É só o que posso dizer. Ainda me estou a recompor.

Novo mantra a ser repetido até à exaustão: be supportive, be supportive, be supportive...

7 de Setembro de 2009

5 de Setembro de 2009

Os meus amigos são melhores que os teus®

Rimo-nos sempre quando nos lembramos de como conhecemos o Afonso, numa sucessão de acasos que começou com a minha ex-roommate a abraçá-lo numa iniciativa de Free Hugs em Union Square, pelo Natal. Descobrimos mais tarde que era português, ao reconhecê-lo numa fotografia no facebook. Ficámos amigos. Fomos juntos a Coachella, fizemos o Bay to Breakers, e através dele sabíamos sempre tudo o que de mais interessante se passava em São Francisco, como as filmagens para o Milk em Castro. Hoje, ao folhear a Única, encontrei-o na página 14. Made me so proud.

Eu sei que isto até vai parecer mentira

A mala chegou. Mas sem uma roda. Não consigo mesmo parar de rir.

Solidariedade feminina

Uma pessoa vem aqui dizer que precisa de perder 5 quilos e tem logo quem lhe deseje desgostos de amor (obrigadinha pá, é muito fofinho da vossa parte), quem lhe sugira emagrecer 15 kg (acho que ficar com 38kg era capaz de ser ligeiramente radical, além de certamente não me favorecer) ou quem me diga que se "isso for congénito não há nada a fazer" (depreendendo que "isso" seja a minha obesidade). Obrigada, meninas, é sempre bom saber que posso contar convosco para me chamarem gorda.

Tenho mesmo de perder 5 kg

Olá pessoas que fazem ou já fizeram dieta na vida. Como é que se faz dieta? Como é que eu faço para perder 5 kg e voltar a caber nas calças que deixei em portugal e que tanta falta faziam que me coubessem sempre que a minha mala não vem? Aguardo conselhos.

Hahahahahaha

Eu não dizia que andava com azar? Não é que fiquei sem mala outra vez? Tenho comigo apenas a roupa do corpo, ainda por cima de inverno. Se da outra vez tinha ficado descalça e desadornada, desta vez fiquei também despida. Mas só me consigo rir.

4 de Setembro de 2009

Quem serão os vesgos?

Estou em primeiro lugar naquela bela aplicação do facebook intitulada "you're sooo good looking" e que nunca percebi como lá fui parar.

(no sweetest person contest estou em quarto, no cutest person em segundo, e no best friend em segundo também. acho injusto, sou muito melhor amiga do que alguma vez serei bonita.)

A minha também


pela Lady Oh My Dog

(não sei se acho mais piada à frase se ao aparte de rodapé)

http://www.wulffmorgenthaler.com/

3 de Setembro de 2009

Coisas realmente importantes

Trombocid ou Hirudoide?

Por aqui troveja feio


Mal posso esperar para trocar a gabardine, cachecol, luvas, gorro e botas de chuva por havaianas e vestidos de verão. Mesmo que só por uma semana, sabe muito bem ir a casa.

Ainda não é desta que vou para a Nova Zelândia

Mas a verdade é que dava tudo para ter um chefe assim, que antes da reunião vem ter comigo a pedir que o levasse lá fora a fumar, que fala mais que eu - o que é uma coisa practicamente impossível -, que sabe imenso sobre partículas e me dá imensas ideias sobre o meu trabalho, que nos requisita para ir ter com ele depois de jantar porque gosta de beber uns canecos acompanhado, enquanto nos conta histórias engraçadas da sua vida. Alguém que dá uma apresentação de 1h onde eu quase adormeci apenas uma vez. Mas melhor que ter um chefe assim, é um dia vir a ser um chefe assim.

2 de Setembro de 2009

Dutch for dummies



Pequena correcção: verdadeiros holandeses não bebem Heineken, bebem Grolsch.

Adenda: Eles estão à porta duma Febo, uma cadeia de fast food holandesa, onde a comida está em portinholas que se abrem quando se mete a moeda, e onde nunca entrei, por me parecer demasiado horrível para qualquer pessoa que não seja holandesa.

Recapitulando

Domingo, acordo, e não me consigo mexer. Tinha dado um jeito às costas a aspirar a casa. Passo o dia toda entrevada.
Segunda, levo com uma bicicleta em cima, mais precisamente, na perna esquerda.
Terça, falência da SkyEurope, no dia seguinte a ter comprado um bilhete; recebo uma multa de excesso de velocidade; esqueço-me do branco num ensaio e tenho de repeti-lo.

Ainda só vamos em quarta-feira, e já tenho medo de sair de casa. Deverei referir que vou voar na sexta?

Atlas All Terrain Bicycle

A maré de sorte continua

Chegou-me uma multa de excesso de velocidade de 2007. Ia a 63 km/h na Av. da India às 5 da manhã. Possivelmente, fui a pessoa que passou ali mais devagar naquela noite.

Atlas All Terrain Bicycle

1 de Setembro de 2009

Vá lá, vá lá, vá lá

Amanhã vou ter uma reunião com um tipo da Nova Zelândia. Ando aqui a puxar pela cabeça há mais de uma semana para tentar descobrir alguma técnica importantíssima que tenha de ir aprender lá no grupo dele, mas ainda não me lembrei de nada. É que depois da desilusão de Praga, precisava de me animar, e uns 3 mesitos lá para aqueles lados eram capazes de dar para o gasto. Pode ser que tenha alguma ideia genial até lá. Gostava tanto.

Atlas All Terrain Bicycle

Is it refundable?

Uma pessoa percebe que tem sorte na vida quando no dia a seguir a comprar um bilhete de ida e volta para Praga recebe esta notícia.

P.S. Basicamente, estou bem fodida. Apesar de ter comprado o bilhete ontem à noite, o dinheiro foi debitado, pelo que o meu banco não pode cancelar o pagamento. Na véspera de falir, a SkyEurope aceitou reservas e pagamentos, sendo bastante rápida a debitar esse dinheiro, o que me parece, no mínimo, curioso. Ou seja, fui roubada, tal como, provavelmente, muitas outras pessoas.